Uma Mulher – O Tempo – A Espera

Por Roberta Bonfim

Cada semana por aqui são muitas emoções; O papo de ontem foi de lançamento do Lugar ArteVistas – arte na cozinha com Clara Freitas. E o que isso quer dizer? O começo da materialização de um sonho que começou em 2011, quando subimos Santa Teresa – Rio de Janeiro, eu e Cadu Lopes para gravarmos qualquer coisa por ali e entre takes e clicks compartilhamos um dia feliz que gerou um vídeo, e ali nascia um sonho de realizar e criar coisas juntos e colocar em um Lugar chamado Lugar ArteVistas – arte onde estiver.- Cadu hoje nos manda dicas incríveis de Sampa.

Segue vídeo O Homem o Tempo e a Espera – o primeiro vídeo desse Lugar.

Fizemos muitos programas, 90 até aqui, com mais de 100 ArteVistas em 83 Lugares. Segundo a minha memória. E a partir deste mês temos como ArteVista apresentadora Clara Freitas, e realizando junto Bárbara Macedo, Karla Brito, Lorena Armond, Tiago Lopes, Gisa de Paula, além de Afonsino no som e Kiko Alves na edição e eu fazendo o que sei fazer. E este mês de março ganha um brilho especial, pois temos todas as segundas Lugar ArteVistas – arte onde estiver – habitando a Varanda Criativa, conversando com ArteVistas, inspiradores. Ontem Clara E Loris, na próxima semana teremos gravação e estou bem feliz pois vamos papear com Mulheres fantásticas. Na posterior o papo é com Marcelo Freitas, na seguinte uma geral do Festival Ecléticos, realizado pela WM Cultural do ArteVista William Mendonça, e como março é lindo e longo fechamos com papo com o inquieto Gyl Giffony.

Programa Arte, comida, cozinha, mulher, experiências, com a Chef Clara Freitas e a fotógrafa Lorena Armond.

Junto com isso, tem gravação, estudo para análise e definição de bases. E a espera pela chegada de Vagner Anselmo  para organizar a casa junto com a gente, para concluir a tarefinha de casa passada pelo nosso Designer querido Marcelo Muz, e o que isso representa? Reviver e reaprender o caminho. 

Primeira vinheta

E tive papo com Indyra, Marcelina, Rebeca Raso 

que terá seu primeiro texto publicado aqui no blog nesta quinta próxima.

Quer saber mais? Acompanhe as redes sociais @lugarartevistas . E fica lidada, ligado, ligade, que tem um sem fim de coisa linda acontecendo.

Bate-papo da semana!

Por Roberta Bonfim

Gravamos mais um programa na última segunda-feira, o terceiro habitando a Varanda Criativa, a terceira live, – não ficou mais fácil, pelo menos não ainda, talvez o contrário, mas… – seguimos. E assim vamos nos colocando presentes na mesma vibe.

E foi incrível e dificílimo. Incrível porque a Varanda nos recebe muito bem e faz com que nos sintamos em casa, porque temos uma equipe linda de deliciosa. Diva Cacheada já produziu e levou nossas tiaras lindas feitas carinhosamente. Meu primo Tiago Lima, veio nos somar. Gustavo Portela não aceitou minha proposta de fazer som, mas pegou a câmera na mão, pra brincar. ❤ E Lorena parade e em movimento. Jether fazendo as fotos. Allana arrasando nas redes sociais e até o Japa entrou na roda.

Começamos o papo com Clara Freitas, que é uma cozinheira excelente, e tem uma risada maravilhosa, além de múltiplos talentos que conheceremos mais no decorrer da temporada Lugar ArteVistas – arte na cozinha, com Clara Freitas, que começa na segunda quinta de março. E convidamos Lorena Armond a somar no nosso papo e falar da sua experiência de gravação e de femininos.

Na sequência ainda conversamos com Gyl Giffony e Marcelo Street, dois incríveis ArteVistas que eu particularmente tenho um carinho e gratidão por tê-los na minha caminhada, no instante já, e no que já foi ou virá.

Grata a todos que estavam conosco e até a próxima segunda com papo imperdível com Ni_Groover, Paulo Germano e Pedro Lopes.

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Lugar ArteVistas #arteondeestiver -Revista eletrônica cultural interessada em artes e culturas, gostamos de compartilhar processos. Ao promover trocas, aprendizados e novas percepções de existir tendo como base o respeito e responsabilidade de cada um sobre o mundo. Foi com essa proposta que o projeto Lugar ArteVistas teve início, em junho de 2012, em forma de uma revista eletrônica hospedada no YouTube focado na trajetória e experiências ArteVisticas e Lugar es onde estão inseridos.

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@lugarartevistas

Bate-papo com ArteVistas na Varanda Criativa.

Pode ser que sejam os hormônios…

Mas…

Quando reflito bem, percebo que os pensamentos, as percepções, as observações e os quase limites já estavam presentes, o que por vezes me faz crer que seja mais possível ser uma questão de prioridades.

Mas…

Questiono essa possibilidade quando tenho muita vontade de ir a um lugar e me paraliso para evitar ter de explicar o que nem sei se serei questionada, mas a real é que rola um pouco de preguiça de ter de dar uma satisfação social ou respirar muito fundo e trabalhar o máximo potencial de diplomacia para de forma elegante e simpática mudar de assunto sem parecer tá fugindo da raia, digo, da pergunta. E por outro lado, me justifico feliz por ter aproveitado para dormir, ler um bom livro ou assistir a um bom filme. Existem momentos em que me sinto absolutamente sozinha, e aí você que me lê e é meu amigo, familiar, pode pensar, ela podia bem chamar… Pois é… Tenho percebido que grande parte dos que me cercam me oferecem mais trabalho para convencê-los e didaticamente lhes mostrar outras perspectivas, e quando consigo tal façanha lembro de Clarice Lispector e seus momentos epifânicos, repletos de força que no instante seguinte já não é mais.

Mas, devem ser os hormônios.

chamada

Ando pelas ruas e lembro de muitas coisas e pessoas, as histórias que nos uniram e/ou afastaram, olho ao redor e exercito assumir pra mim a minha incapacidade de ficar batendo com a mesma pedra no martelo, a real é que apesar de jovem (para atualidade, se estivéssemos no séc XVIII, aos 35  já seria velha, se viva estivesse). Há no caminhar um quê de meditação e tanto se resolve sozinho em mim, quando passo por lugares, provo de sabores ou neste lugar da escrita que agora me encontro, e abro minhas caixas internas, fechadas por tanto tempo. – Preciso escancará-las e analisá-las com o máximo de amor que tenho em mim, em especial o amor próprio, e sim são momentos de muitas emoções, mas como a vida não para e espera que nos resolvamos, é preciso ao mesmo tempo da razão, que me toma e exige praticidade até para perceber e “escolher” emoções.

Mas, devem ser os hormônios…

Me refaço na perspectiva sobre os meus, os tempos nos mudou em muitas coisas e algumas tantas contas foram pagas no caminho e mesmo entendendo o lugar de doar-se (não estou ainda certa se de modo espontâneo, como escolha, ou natural por fluidez), ainda que ame minha louca família, a vida me ensinou desde muito cedo que amar não enjaula, ao contrário. E serei sempre grata à literatura por ter me mostrado que o amor não tem amarras e que sangue diz muito para biologia, mas não tanto para a escrita da vida. E apesar de ainda sentir algum incômodo, tento perceber pelo melhor ângulo quando alguém diz que sou como um outro alguém que não eu mesma em minhas múltiplas possibilidades de ser. Cresci ouvindo que sou 8 ou 80 como se isso fosse um grande monstro e alguma de mim o encara bem assim. E também no caminhar da vida e com ajuda da biologia sou dona de uma voz forte e de uma postura mais dura, que me ajuda na seleção natural especialmente por não conseguir com facilidade fazer parte de uma tribo específica, me criei do mundo, de todas as tribos, dessa tribo que crio em mim e tenho medo de verdades absolutas e polaridades extremas. Temo a violência, mas mais ainda sua banalização, mas…

Devem ser os hormônios!

Hoje vou começar o exercício de andar com caderninho e escrever todas as ‘promessas’ que ouço no dia e daqui um ano estudar as métricas e estatísticas, mas espero que antes de bater as metas entendamos (me incluo, pois não estou certa se faço diferente), que não temos obrigações, não são necessárias as promessas, que não há do que ter medo, além de todos os que já temos e os que nos salvam de nós. E ainda tem os sinais, tenho pensado muito sobre eles e foi a partir deles que entendi que nada é uno. Não nos constituímos de uma escolha decisória e absoluta, mas da soma de muitas de nossas escolhas e ações no decorrer de nossos caminhos e, apesar de todos os esforços, tudo não passa de uma possibilidade e então olho e vivo a vida como uma ficção, e vou assim eu mesma escrevendo esse roteiro de mim, pois é esse o único que posso ter participação. Mesmo nem isso sendo homogêneo, mas a ciência há de explicar, pois eu não.

Há de ser coisa de hormônios.

LA - GNC-131

Há 29 semanas (agora 38) estou com um ser se formando e crescendo em mim e, para que isso possa funcionar pra ele, muito em mim mudou, algumas coisas bem óbvias, outras nem tanto assim, mas da mesma forma que tenho dificuldade de entender quem acha tudo isso uma absoluta magia, preciso assumir que somos bem ignorantes e pouco respeitosos com esse lugar. A mulher grávida não vira nem de longe um semi-deus, mas é um ser em estado de entrega e essa tem me parecido ser uma camada interessante, mas como o modo geral do existir somos também diferentes, assim, mesmo havendo padrões, não há regras, mesmo que existam cálculos, o tempo muda e as coisas se transformam, do modo que os cálculos não resolvem a questão geral da nossa constituição. E não havendo fórmulas, não existe o certo e errado como opositores, mas sim como colaboradores do processo de existir no melhor que podemos de nós. Penso! Mas…

Devem ser os hormônios.

Neste capítulo da minha vida estou em um lugar de protagonismo de mim que além da teoria eu nunca havia antes experimentado, mas ao mesmo tempo o corpo não reage da mesma forma, nem mesmo os tons da fala saem da forma que eu esperava. Quase nada é como se imaginava, mas vou descobrindo novos caminhos para seguir na caminhada e assim entendo o lugar de pensar e agir por outro que por hora não o faz, mas fará, e é importante saber que não tarda e logo a configuração muda outra vez. Se fosse eu um computador, quantas formatações eu teria no meu histórico de vida? E formatações constroem históricos? Escrevo isso, ao tempo que ouço Mozart e penso em comer um torrone…

Devem ser os hormônios.

Há 266 dias ( me encontro em estado de graça, diriam os antigos, eu apenas me sinto buchuda, prenha e um pouco incomodada, dormir se torna cada vez mais uma necessidade e uma dificuldade, já nem sei há quanto tempo não durmo uma noite completa sem interrupções de xixi, cãibras, cólicas, azia, enjoos, gases ou de Clarice Lispector (a gatinha repleta de gatinhosidade). Uma amiga querida logo no início me falou que os enjoos eram resoluções kármicas e eu me apeguei nisso para crer que cada momento mais doideira dessa etapa é para uma resolução outra. Mas, ainda viro o garrafão, lavo banheiros, faxino casa, lavo roupas, tênis e geladeira. Caminho pelas ruas como antes e assumo que essa parada de ter um ser que depende de mim me deixa em um lugar novo de caminhar e observar ao redor. Em síntese, acho que vamos ficando um tanto mais medrosas, talvez, apesar de mais fortes. Te parece contraditório? É…

Devem ser os hormônios.

E apesar de várias ultrassons, onde já é possível ver que ela já tá toda formadinha e tal, não consigo imaginá-la minimamente e nem como algumas mães tive sonhos com ela, e essas coisas. Mas, por outro lado, converso com ela faz um tempo, cheguei mesmo a escrever cartas que pensei que jamais entregaria, agora já é um novo quadro, mas de alguma forma creio que vamos seguir momentos completamente novos para ambas e peço que tenhamos discernimento para errar com amor e acertar com cuidado. Mas, como será? até prefiro não imaginar, o que é outra contradição, pois a gravidez minimizou parte de minhas ansiedades, talvez por ter desapegado de muitas possibilidades. Não sei, afinal…

Devem ser os hormônios.

E só de sondar pensar no futuro, chegam às questões de cunho financeiro, fraldas, leite, plano de saúde, remédios, escola, livros, roupas e a lista só cresce. E os meses em casa aprendendo em intensivão como ser mãe, a opção de ter ou não companhias. O reaprender modos de amarrar o tênis. E minha vida profissional para onde caminhará? E a social? E as viagens que não farei, por algum tempo. A vida mudou e tanto ainda vai mudar, mas nunca foi diferente, sempre esteve em transformação e vim humana para testar e aprender a ser camaleão e me adaptar. Penso que este aprendizado sirva para todos. E em meio a isso ensaio me lamentar por algumas escolhas, mas se não fosse como foi, não seria como é, e como é me parece ser um caminho para mim e vou aprender a trilhá-lo. O que ainda vai ser alterado? Como tudo se resolverá? não sei, penso que nenhum de nós sabe sobre esse tal amanhã, mas….

Devem ser os hormônios.

A gravidez solo não é tão difícil como pintam, penso mesmo, talvez porque me consola que dê menos trabalho que a acompanhada (lógico que existem aqueles caras massa, que foram super bem educados e não bebem de todas as doses do machismo cultural histórico social no qual estamos inseridos, mas ainda é uma minoria). E nos momentos que sinto falta de ter alguém perto, penso em uma parceria sem rosto e personalidade, mas que se faz parceria, não saberia explicar.

Coisas de hormônio, devem ser.

As roupas não cabem, andar coladinha e de barriga de fora me é absolutamente estranho, até ensaio em casa uma saia baixa com uma blusinha, mas ainda não consegui arriscar sair assim pelo mundo, não além da praia. O mar que me acalma e aflige a depender do movimento e o meu momento. Mas apesar de as roupas estarem ficando engraçadas, eu ando me sentindo… – não seria feia, mas… – desinteressante. Esse lugar ‘sacro’ contraditório, pois se pegarmos uma sala com 30 seres sentados e 2 oferecem a cadeira e ambos acima dos 60 anos. Que tempos vivemos? Que tipos estamos nos tornando? O que se pode fazer? Como ensinar esses lugares ao ser que virá? Há, por outro lado, uma enxurrada de informações que dizem coisas que não consigo acompanhar. Como fazer uma triagem? Como contribuir para que este ser possa viver suas fases da forma mais saudável possível? Como doar sem sacrificar? Como sentir sem sofrer? E por que não sofrer? É na lágrima ou no riso que tá o paraíso? Ou no casamento de raposa, ou da viúva? Como sol e chuva e essa busca pelo equilíbrio térmico? Quando ficou paia, feio, vergonhoso, se equilibrar? Porque homens não podem chorar? E as mães porque choram escondidas de seus filhos, se o choro é a primeira língua deles? Será que não se entendem se chorassem juntos? E quem disse que temos de ser sempre fortes? Releio alguns diários e encontros perguntas não diferentes dessas, mas,|a perguntá-las agora…

Devem ser os hormônios.

Há 77 (11)  dias do previsto para este ser sair de mim, tento ajeitar o quarto que será dela, sem deixar de ser ainda meu lugar de trabalho. Vai começar sendo dividido e vamos aprender a nos dividir uma com a outra, como macaco velho, é mais fácil de mudar de tronco, penso que seja essa a razão de termos de nos doar exclusivamente por 9 meses (como dizem), para estarmos mais aptos a aceitar já de coração preparado o ser que o tomará para si. Será assim? Quando me pego minimamente fantasiando, bato com a mão no ar para espantar o pensamento, afinal, sem expectativas, evitarmos a fadiga. Tanta lucidez…

Devem ser os tais hormônios.

E não sei se os amo, ou…

Ou o que?

Devem ser os hormônios.

 

FotosLA - GNC-98

Fotos de Henrique Kardozo para a campanha #barrigasnacidade #arteondeestiver.

As fotos devem ser compartilhadas com as hashtags até o dia 7 de fevereiro. As imagens passarão por uma análise da nossa equipe e também pelo olhar do fotógrafo @henriquekardozo para a produção de um calendário. A melhor foto dará à futura mamãe um ensaio fotográfico artístico tendo Fortaleza como cenário, produzido pelo Henrique. Os segundo e terceiro lugares entrarão no calendário, que será lançado após o carnaval.

No dia 09 de fevereiro, a nossa equipe irá informar as três fotos selecionadas.

Para participar:
– Siga @LugarArteVistas no Instagram.
– Marque três amigas grávidas.
– Poste uma foto sua grávida em Fortaleza, em seu perfil no Instagram com as hashtag #BarrigasnaCidade e #arteondeestiver.

Roberta Bonfim 07 de novembro de 2017.