Filho doente Mãe Aflita

Não importa o tipo de mãe que se seja, a cria adoeceu a mãe começa a ver tudo ao seu redor mudando o tônus, e aqui é para além das culpas sociais, que todas,e em maior ou menor proporção vivemos, É que filho doente é sinônimo de noites mal dormidas, dias intermináveis, se longe pela ausência , se perto por ver o bem querer dodói. 

Quando a cria adoece, restabelecemos rotas e a prioridade fica singular. Eu crio minha filha para suportar a minha ausência, caso eu não esteja em algum momento importante, mas assim também respeito os espaços seguros de mim, os espaços dos meus silêncios e barulhos internos.

Tento manter minha filha sempre protegida, inclusive de mim e dos meus possíveis excessos, não que eu não erre, claro que erro e muito , só sigo, pois a vida segue e eu sou como ela.  Depois de uma noite longa venho aqui dizer que o mais incrível da maternidade é exatamente essa mudança do plural para o singular. Grata vida!

Minha amiga violência,

Tu flertas comigo desde tão cedo, né? Quando cheguei tu já fazia morada e sentava na cabeceira, como convidada de honra. Não lembro exatamente a primeira vez que nos vimos frente a frente, mas lembro-me bem do medo que sempre tive de ti, mesmo quando a vejo pulsando em mim. 

Tu tens sempre os mesmos olhos e o mesmo timbre base na voz, independente do soprano, contralto, barítono, ou grave da voz humana que te é posse, que tu faz parte.  Outro dia dancei, como se fosse o Rio Jaguaribe um de nossos encontros, daqueles que deixam memórias inesquecíveis no corpo/alma. Dancei para liberar, para partiturizar, dancei porque dançando me alcanço em lugares que adestrei minha mente para não acessar., o bom é que hoje te reconheço mais rápido. Outro dia te vi no rosto de uma colega, acho que ela nem percebeu que você tomou a frente, o protagonismo. Te vi já em muitos rostos, das mais diversas idades e muitas vezes no meu próprio.

Um dos nossos encontros mais marcantes, foi em uma trans linda, típica dos anos 90, ali na frente do Domínio Público e Órbita Bar ela me olhou, ela me viu e eu a vi e você estava lá, me olhou, mas não era eu seu foco. Mas… Eu te via, e mesmo hoje quando rememoro esta cena, chego quase a ver seu rosto violentado, pois tu, tu querida é o resultado dos afetos tristes, que geram ódio que te produzem violência(s). 

Já te vi em tantos rostos, e também nos meus, nos rostos que me vestem, dos que  eu dou conta para o momento. Como escreveu um amigo sobre mim, “vivo meus momentos e mesmo quando o tempo aperta faço questão de ser feliz. Sabe porque querida violência? Porque te aceito e reconheço seu papel no rolê, só não desejo mais te permitir protagonismos na minha história, a senhora já roubou muita cena por aqui, e eu sou criativa, sou boa em transformar, em (des)construir, em mudar, de rumo, cidade, vida, perspectivas, corpos, lugares de existência. 

Sabe o que percebi outro dia? Que meu corpo codificou-te como ato de amor, creia, felizmente fui e sou salva por minha essência e pelas artes que me rodeiam e não me permitem aceitá-la, minha cara. Tenho hoje consciência que pelo justo equilíbrio da substância, posso viver longe de ti, ao percebê-la mesmo quando invade a casa, por outros corpos externos ao meu.

Não te quero mal, apenas não te quero mais. Flertarei contigo de longe, apenas para conhecer com antecedência sua chegada, e não mais para oferecer-te a cadeira de honra, mas apenas a permanência para estar, por ter consciência que és parte de mim, do todo e até em ti existe Deus.

Roberta Bonfim 09 de maior 2022

Ontem foi dia das mães

Ontem foi dia das mães e minha filha disse que não me amava e não precisava de mim, sorri pelo meu desejo interno de que ela realmente não precise mais mais de mim, assim estaremos juntas só pelo desejo pré-existente do nosso amor profundo amor.Se compartilho essa intimidade é para dizer que somos todes humanes, crianças e nós “adultos, todos cumprindo seu papel fundamental de lutar para existir como somos..
A bem da verdade é que vamos crescendo nessa estranha relação de gratidão pela vida e luta pelo direito de ser sem a sobras dos que vieram antes, buscando descobrir por conta própria e buscando seus próprios meios para demonstrar suas frustrações e medos.
Eu por minha vez falo grosso e me disponho ao abraço, contraditoriamente, como é o existir, respiro fundo acalento minhas crianças. Respiramos juntas e vamos nos equalizando. A avó estava em casa, ela queria brincar e não dormir, eu precisava fazê-la dormir e também me possibilitar esse descanso.
No sábado fui à baladinha porque sou mãe mas como tudo que aqui há, sou também Deusa, sou mulher. 😀

Mês de Amor

Por Roberta Bonfim

Ser Mãe não é pensar ser, mas ser-se. Não há quaisquer padrões para os caminhos construídos na relação mãe e cria, seja o tipo de mãe que seja, assim como o tipo de cria. Existem infinitos, mas o que é comum a todes é o desejo de que a cria seja-se, mesmo que isso às vezes os mantenha distantes por toda uma vida.

E se a gente muda a perspectiva do abandono, para a de extrema humildade em assumir que não se consegue. Ser mãe, querides leitores não é tarefa fácil. É o pleno exercício de amor. Ser mãe faz mais potentes na batida do coração e algumas, como eu, apresentam medos nunca antes minimamente flertados.

Desde que começamos este blog algumas mães já compartilharam vivências por aqui e com todas tanto aprendi, e às vezes em momentos nada a ver com o que elas relatam, lembrei do como e deu certo. Ando mesmo pensado que toda ideia concebida é de algum modo uma ideia compartilhada e as vivências se entrecruzam para que percebamos o óbvio de que somos juntes, que é esta união que nos fortalece, a percepção de que podemos ser rede uns aos outros, ou no caso de nós, mães, umas às outras.

É bonito ver amigues com filhes brincando com a minha filha, mas a maternidade não é uma tribo, ou uma mudança de fase no videogame da vida, é apenas um outro lugar, nem melhor , nem pior, mas com suas próprias questões, frutos de nossas próprias questões. E amo os amigues sem filhes que estão só o gás para serem bons parceiros de boas trocas sobre a mãe, e temas que por mais liberais que sejam serão tabus. Eu sou particularmente feliz por ter amigos de vida, assim me ajudam a escrever com detalhes os caminhos do existir em conjunto, aprendendo juntes.

Outro dia depois de uma reunião conversando com um colega sem filhes, e relatando da demora na recuperação de uma cirurgia simples como a de apendicite e rindo digo; com criança pequena é difícil ter descanso. E ele disse algo como: a eterna relação de amor e odio” mãe e filho. Sai refletindo a respeito e cheguei a conclusão que na minha relação com a cria de modo geral tem-se o amor, o que dificulta a relação, ás vezes são as influência diretas, ou indiretas do ambiente, e há momentos em que rola tudo junto.

São duas vidas, vivendo muitas vidas, vivendo ao tempo que se aprende a viver, experimentando a existência, buscando de algum modo consciência para melhor selecionar as experiências. E aqui na casa que sou e habito, busca-se equilibrar o sistema, entre a criança que sou e a que educo e o ser que sou no hoje e o que desejo viver no amanhã. Assim, a maternidade foi para mim caminho da quebra real do tempo espaço, onde eu preciso me revisitar para me acolher, trabalho para ser o ser que desejo ao tempo que trabalho para outra vida diretamente, e dialogo com a senhora cheia de gatos, que serei.

Ser mãe me acalma e enlouquece, ser mãe me liberta e prende e evidência todas as minhas humildes contradições, que são tão nossas. Gratidão a cada mãe que me acolheu na estrada da vida e as tantas que me inspiram e ensinam. Grata!

Terapia de Escada

Por Roberta Bonfim

Data: 10 de agosto de 2011.

A que mora na casa vermelha – Ele: Péricles, 36 anos; construiu um pequeno império por ser bom, do tipo muito bom em informática  e só nisso. Tendo muito, sem ter ninguém e decidido a se matar pensa sobre ter um filho, com isso lembra-se da sua relação com seu pai e porque evitou por tantos anos formar uma família. – Ela: Raquel, 32 anos; pensa e sofre com o pedido de seu pai que lhe dê um neto, pensa e sofre o tempo todo por sua relação com o pai, ou a falta dessa relação, pensa e sofre com sorriso no rosto, não se permite se negar a ninguém, não quis aprender a dizer os nãos que sempre teve sem ouvir. – Eu: Eu sou a que mora na casa vermelha, e tudo que eu queria naquela quinta feira era dormir. Mas como? Se eu precisava escrever uma história de verdade para ver no que dava. E logo naquele dia eles se encontram nas escadarias da Lapa. A Lapa foi à escolha por ser sinônimo de poucas desculpas e muitas diferenças. Ele crescerá no rio, mas nascerá em outro lugar, ela sempre estivera ali. Raquel gostava de cantar e Péricles teimava em tocar violão e assim nas escadarias da Lapa pensavam e esqueciam suas muitas questões, ali se sentiam jovens outra vez. Da troca de olhares, o encaixe entre voz e violão e aquela música que diz: “Você diz que seus pais não te entendem, mas você não entende seus pais…” Mais uma troca de olhares, até que Péricles toma a iniciativa de chamá-la pra outro lugar na escada mesmo. Eles sobem um pouco e sentados olhando para baixo, observando pessoas ela diz:

Raquel– Eu sempre andei aqui, vinha com minha vizinha, meu pai pagava ela pra trazer a gente pra brincar de subir e descer escada, umas dez ou 15 vezes, todos os dias, Truque para que chegássemos em casa tão cansados que nem falássemos, nem comecemos e nem pedíssemos atenção, eles estavam ocupados demais para serem pais, e nós… (Pausa – sorrindo meio desconcertada) Nós, bem gostávamos da brincadeira de descer e subir. Aqui nem era tão belo, era apenas uma escada, nosso brinquedo de cansar… (virando-se pra ele) E agora ele me olha na cara e implora para que eu tenha um filho, para que Ele (ênfase) possa se certificar que é um homem melhor, que será melhor avô que pai. (Péricles sorri, vendo na sua frente a chance clara de ser pai, Raquel é a mulher certa para ser a mãe de um filho dele – Tenta falar, mas Raquel nem percebe) Eu na verdade penso que ele esteja querendo continuar a brincadeira de me cansar, para que eu não queira nada além do permitido, do que sobra. (Péricles tenta falar em vão) Mas sabe, estou cansada de sobras. Restos de tempo, pano, roupa, pai, amor, escolhas.

Ambos – Restos!

(sorrindo se olham e como se houvesse sido feito um pacto de desabafo, era a vez dele falar)

Péricles – Eu sempre usei essa escada pra terminar relacionamentos, nunca namorei uma mulher que gostasse de vim aqui, então, sempre que fico de saco cheio as trago e me deixo curtir a brincadeira de voltar a ser adolescente. Tá vendo aquela loira de vestido azul, lindona? Pois é, ela amanhã não me liga mais, principalmente depois de eu a ter deixado lá em baixo. E me desculpe, mas se estamos falando verdades; você não é o que podemos chamar de mulher bela. Mas eu estou feliz de está aqui trocando essa idéia com você. Sei lá! Chego a ter a sensação que já te conheço. (Raquel ouve tudo olhando pra baixo, busca a loira e se questiona sobre quem é mais bela, ela ou a outra e o que é a beleza? São pensamentos). 

Raquel – Não nos conhecemos e eu tenho certeza disso, é exatamente por que não nos conhecemos que estamos sendo tão honestos, é mais fácil sermos quem somos com estranhos que cheios da ignorância genial dos desconhecidos não criam falsas realidades e nem se frustram com nossas imperfeições. Eu não sei nada sobre você, não conheço a loira lá embaixo e nem a acho lindona. Nunca te vi na minha frente, mas sei que você pensa e sofre mais que eu. 

Péricles – Quer ter um filho comigo? Ou melhor, quer ser mãe de um filho meu?

(Raquel sem reação, esboça palavras que não saem, seu corpo diz muito sem nada dizer e Péricles apenas a olha, tranqüilo respeita e espera seu tempo).

A que mora na casa vermelha – Nunca vi isso, eles nunca se viram antes e ele olha pra cara dela e diz: Quer ser mãe do meu filho? Me deu uma vontade de aparecer e dizer que eu aceitava e eu até sou bem ajeitadinha. (sonha) Ai! Um filho nosso seria lindo, já conseguia me imaginar grávida dele, sendo bajulada… E comigo ele teria de arrumar outro lugar para finalizar a relação, pois as escadas eram meu lar. Talvez em um baile socity. Mas foi a ela que ele pediu pra ser a mãe de seu filho, muito provavelmente seu único filho e se tudo corresse como o desejado, seria um filho sem pai, mais um filho sem pai.

Raquel – Sempre gostei de música francesa, amores platônicos, sempre amei dizer que moro em mim, mas preciso admitir que nem tão assim. Ter um filho não é um sonho um mas de meu pai, que mesmo quando eu pedi não esteve comigo, ele podia ter morrido antes mesmo de eu nascer, essa talvez foi a única forma de ele ser um pai maravilhoso, pois seria um pai morto e nós santificamos os mortos, entendemos suas falhas e…

Péricles – Você acha mesmo que o melhor seria um pai morto, eu também penso assim. Só tenho três lembranças de meu pai, ele me colocando na cacunda e caminhando na praia, eu fui muito feliz nesse dia. Lembro dele olhando pra nós dizendo que estava vindo pra cá PR melhorar de vida e depois iria nos mandar as passagens, nunca mandou. Minha mãe que acreditando e justificando tudo, quis crer que ele nos esperava.

Raquel – E a terceira lembrança?

Péricles – Ele bêbado andando aqui pela Lapa. Nos olhou e fez de conta que não nos viu e foi tão forte em sua ação, que mesmo a paixão de minha mãe não lhe tapou os olhos. 

Raquel – Então como seu pai, aqui você abandona suas mulheres? 

Péricles – Nunca havia pensado sobre esse prisma. Mas sempre deixei claro que não acredito no pra vida toda. Mas me diga: Você acredita que melhor pai seria o seu morto?

A que mora na casa vermelha – Ele voltava ao assunto do pai, precisava ter certeza que ela acreditava nisso, pois se acreditasse certamente aceitaria ser a mãe de seu filho.

Péricles –  Você quer ser a mãe do meu filho? Não vou desampará-lo, mas também não estarei presente a idéia é que eu morra alguns meses antes dele nascer, mas até lá encherei vocês de amor e você vai poder realizar o sonho do seu pai e o seu. Dará o neto que mostrara que ele mudou e quem sabe o ensine a ser também um pai melhor pra você, que terá sua casa e uma empresa que nesse meio tempo te ensino a administrar junto com meu irmão e melhor amigo Pedro. 

(Raquel rir e desconcertada pede desculpas)

Raquel – Perdoe-me é que você se chama Péricles e eu seu irmão Pedro. Sua mãe gosta de nomes que lembram homens fortes.

Péricles – Meu nome foi escolhido por meu pai, que ainda dava maravilhosas aulas de histórias e dizia que eu assim como o grego, eu seria repleto de glórias. (Pausa) A gloria de não tê-lo, a glória de viver ao lado de uma mãe que sempre que me olhava chorava por lembrar-se dele, a glória de crescer longe do meu irmão, por que minha mãe não conseguiu trazer a nós dois. Glória…

Raquel – Estamos próximos da Glória, quer ir caminhando até lá? (Rir na tentativa de minimizar a tensão e consegue, Péricles rir e responde que não com a cabeça).

Raquel – Eu poderia te falar sobre todos os meus problemas, minha incapacidade de acreditar… Em mim, mas, como eu já te disse você pensa e sofre mais que eu. (pausa) Não tenho certeza se seria saudável para essa criança ter pais que pensam e sofrem tanto assim. (rir quebrando de vez o clima de tensão)

(Péricles olha para todos em baixo e busca as mãos de Raquel que também esta a observar os boêmios da escada).

Raquel – Longe de mim fazer inferno, mas acho que sua namorada parece ter se enturmado muito bem. Essa deve gostar mesmo de você, ou simplesmente ser mais esperta do que você julgava. Eu tenho que ir, já chega de terapia da escada por hoje.

Péricles – Como assim, terapia da escada? E você não vai quer ser a mãe do meu filho.

Raquel – Como te disse venho aqui desde sempre e já encontrei gente de todo tipo por aqui. Também falo meus problemas e volto pra casa mais leve, para aguentar submissa o silêncio do meu pai. Não seria má idéia ser mãe de um filho seu, vamos conversar mais a esse respeito. Te encontro na próxima quinta para próxima seção?

(Raquel levanta-se e sobe as escadas com uma leveza de quem nem sente os degraus, Péricles a observa subindo)

Péricles – Próxima quinta as 20hrs e pode se preparar, pois será a mãe do meu filho.

(Péricles após acompanhar todo percurso de Raquel, sorrir lembrando-se dela e percebe-se já saudoso).

A que mora na casa vermelha – Como boa espiã que sou comecei a observá-los todas as quintas feiras, teve uma em que ela não foi e ele sentiu tanto sua ausência que a pergunto mudou.

(Eles anos depois sentados nas escadarias com duas crianças brincando de cansar.)

Roberta Bonfim

Vamos falar de Novela?

Por Roberta Bonfim

Olá! Sou Roberta Bonfim, ando reafirmando o nome que carrego, para que ele me carregue. Não por similaridade a um personagem interpretado por Paulo Betti que tinha como jargão; “falem bem ou mal, mas falem de mim”. No meu caso, se não for para falar bem, por favor poupem meu nome, já tão censurado por mim e que busca por liberdade. Apresentações de brincadeiras à parte. 

Vamos falar sobre novela?

Era 21 de dezembro de 1951 quando realizaram a primeira experiência de história sequencial na televisão, “Sua Vida Me Pertence”, original de Walter Forster, com transmissão às terças e quintas, ao vivo, ainda não existia o vídeo tape. No início uma lindeza da teledramaturgia  eram as adaptações dos clássicos literários, como, Os Miseráveis, de Victor Hugo. Na autobiografia de Boni, ele ingênuo da memória nacional diz, “todos sabemos que Vida Alves e Walter Foster deram o primeiro beijo da televisão brasileira, mas poucos sabem que ela, além de brilhante atriz, é a fundadora e responsável pela Pré-TV, que cultiva com amor e carinho toda a maravilhosa memória da Tupi e da televisão Brasileira. (…) a Tupi foi precursora nos mais diversos gêneros de programas.”(Boni, p.43)

Museu da TV –  https://www.museudatv.com.br/

E se trago Boni, é porque é impossível falar de entretenimento no Brasil sem trazê-lo como modelo de um ser que criou e realizou transformações emblemáticas na história do país a partir da televisão, e fez uma equipe de publicitários de base no país. Aqui estamos falando de Alex Periscinoto, Julio Ribeiro, Marcello Serpa,  Fábio Fernandes, dentre outros. (Boni, 59) E do próprio criador responsável pela marca Rede Globo

De volta a teledramaturgia, a conquista da periodicidade diária, veio só em 1963, com a TV Excelsior. Mas, o primeiro sucesso mesmo foi a novela da TV Tupi, O Direito de Nascer. Em 1969 a TV passa a existir em rede nacional. 

E mesmo nos anos 80 e 90, tivemos a chance de assistir ao silêncio, em especial quando nos interiores, com a tvs por satélite. Eram os hiatos de transmissão, onde ou entrava programação local ou ficava aquela tela parada. Outro hábito que tínhamos era o de contar quantas propagandas tinham em um dia inteiro de programação. 

As Helenas ditavam comportamentos e os personagens de modo geral lançaram moda. E um grande sucesso dos anos 90 foi Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, transmitida pela Manchete, com Cristiana Oliveira no papel de Juma. A novela bateu a audiência da Globo. Outro marco da teledramaturgia foi “Xica da Silva” (1996), de Walcyr Carrasco, com Taís Araújo como protagonista. 

O fato é que a TV faz parte de nossas casas e cotidianos, pesquisa de 2016 diz que, de 69 milhões de casas, só 2,8% não têm TV no Brasil. Mesmo com a queda de audiência a partir dos anos 2020, as tvs e suas novelas ainda enchem as casas brasileiras.

Eu por exemplo amo-as mas não as assisto, pelo seu alto poder viciante, e por ela ser uma obra aberta, feita também pelo público, e faz tempo que entendi que a voz do povo, não necessariamente é a voz de Deus, ou a minha. Mas, assisti a das 9 anterior, “Um Lugar ao Sol”, que tinha no elenco arrasane a atriz cearense Georgina Castro, no papel da adorável Taiane, neta da Diva das artes dramáticas Marieta Severo. E já acostumada com o ritmo de assistir a novela da amiga, resolvi ver como a novela despertaria minhas memórias emocionais tendo por mote a novela Pantanal, que tem no elenco o querido Jesuita Barbosa. 

É uma novela plástica. Mas, vamos falar em ambiente? Antes de mais convido aos noveleiros que assistam ao primeiro capítulo das duas versões e observem as imagens territoriais, espaciais, as paisagens, e os atores em cena, o que faz a cena, vestimentas, adereços, sotaques, luz, sons, texturas, Mato Grosso, Paraná e Pantanal. E das dificuldades de contextualizar uma novela anos depois, e convidar o público a reviver e sentir saudades de realidades ambientais que estavam mais próximas nos anos 90 e que para alguns é de todo inexistente. 

Outra curiosidade divertida é reencontrar os atores que atuaram na primeira versão, vivendo outras pessoas nesta, as delícias da dramaturgia e do trabalho de atuação. E aqui faço um parêntese para permanente sensualização das personagens da linda de corpo e Juliana Paes, que apesar de todo drama parece não caber na realidade de sua personagem, talvez daí venha a questão temporal, na relação com o ambiente. E neste momento vivemos tempos diferentes dos anos 90 onde passa a primeira versão da novela e tenta-se que se passe a segunda, mas as cores são outras, os tons, falas, modos. 

E apesar da beleza das cenas, como a dança de Irandi para pegar o boi, que me lembrou um filme em que o mesmo ator dança no sertão, uma canção de Ney, ao que me lembro, não recordo qual o nome deste filme, mas é incrível, em especial esta cena, em que Irandhir nos hipnotiza com seus movimentos, mais uma competência deste ator tão inteiro aos seus personagens. É bonito assisti-lo.

Não estou certa se seguirei assistindo a novela, na nova versão, mas com certeza buscarei como assistir a primeira versão para olhar o Pantanal, que minha avó nos anos 90 conheceu, e me preparar para o dia em que eu mesma estarei pronta a este mergulho nessa profundeza de lugar, que ainda tem onças. 

Estes dias li um texto do jornalista Demitri Túlio em que ele falava do Jaguaribe, em tempos que leio meu ano de 1999, em que eu vivia Tabuleiro e a região com a quadrilha Arco Íris, e no texto o jornalista diz que se fosse o Jaguaribe iria embora do Ceará, fala das onças que aqui existiam e quem nem lembramos, nem sabemos. E eu coloquei minha dança em seu texto. Deu isso:

Findo este texto, no sem fim das reflexões, para que pensemos juntos:

O que sabemos do ambiente que vivemos e construímos? O que sabemos da história do lugar que dispomos? Como nos relacionamos com as natureza que somos e existimos? Como preservamos o que ainda existe? Qual a relação dos bois com a destruição de florestas virgens? O quanto conhecemos do país a partir das narrativas da teledramaturgia? Que mensagem passa? E como estamos nos relacionando com as nossas forças naturais? Qual a última vez que pegamos na terra? Há uma cena para mim forte, em que pai e filho pegam para beber a água do Rio. De que rio tu beberás a água? 

E se como Boni aprendeu lá nos princípios o entretenimento é ponte relacional da publicidade, o que simboliza Pantanal agora?

IPE

https://www.ipe.org.br/projetos/pantanal-e-cerrado?gclid=CjwKCAjwo8-SBhAlEiwAopc9W3zyg7EVFC-w7AJEOtmWTieNLthLvL8zB9–5oJ4CvMgJ9n4zoHrDhoCf6oQAvD_BwE

Primeiro episodio anos 90

Apresentação dos atores da primeira versão. 

Apresentação segunda versão

Primeiro episódio 2022

Papos nossos com Geo e Jesuita

Resolver sem muitos ambientes

Por Roberta Bonfim

Só quem é Mãe, sabe da dor e delícia desse lugar. Não é trabalho fácil, nos exige mergulhos profundos em nós mesmas, reencontros e resoluções de questões com nossas próprias crianças interiores. Ser mãe é um abrir mão de tanto para se abrir ao novo que tememos e se apresenta a gente permitindo ou não.

Uma das grandes maravilhas da maternidade, por aqui, inclusive, foi aceitar que não controlo nada, nem a minha agenda. Na realidade nunca controlei de verdade, mas, tentava e assumo que ainda tento, no meu histórico cedo aprendi a pegar minhas rédeas para melhor caber em todos os lugares que a vida me possibilitou. E hoje sendo mãe da minha filha só agradeço por tudo que me preparou para ser a melhor mentora que posso para este ser tão querido e amado, que chamo e amo chamar de Filha, minha filha, filhota, filhotita, filhotota.

Esta semana a cria quietinha aqui de casa caiu no pula-pula e re-fraturou um dentinho que já estava na luta depois da queda no surf de banheiro que vivemos as vesperas do ano novo por aqui, acho que escrevi a respeito. Mas, em resumo, ela resolveu alagar a nossa casa e enquanto eu tentava secar ela surfou na água. E ser mãe é ter coração fortalecido para essas fortes emoções, para agir de modo sereno apesar do coração tá parecendo escola de samba. 

Voltando para esta semana. A bonita caiu na terça de tarde, mas segundo ela, esqueceu de avisar. Na quarta ela ainda não havia lembrado de avisar, e é plena inimiga do fim das brincadeiras. O fato é que na madrugada de quarta para quinta, meu coração me despertou mais cedo que de costume. Eram 4 da matina, quando ouvi um sutil gemido de dor da pequena, as mães que me lerem entenderão, essa intuição.

A quinta, que é dia corrido, foi remodelada pelo próprio universo, as estagiárias pediram um tempo para entrega do plano, a reunião que eu tinha foi desmarcada pelo outro pois estava longe, o fato é que tudo que tinha sido desenhado para ser vivido na quinta feira, na agenda montada aos domingos, transformou-se em olhares, chamegos, cuidados e observação da cria.

Nesta hora foi fundamental ter ao meu lado profissionais tão incríveis como a Dra Grace Teles e sua assistente que agora me fugiu o nome, mas ambas foram absolutamente gentis nos cuidados e atenção que ainda seguimos. Saímos do consultório mais de 19:30, com cria medicada e sob olhos cuidados meu e da Dra, que acompanha o processo de recuperação via fotos que enviamos a cada nova etapa do processo de melhora.

E aí você que me ler pensa: Que viagem a a pessoa fala da sua criança interior acolhida, e do dente quebrado da filha. E qual a ligação? A tranquilidade, a respiração, é que a cada nova acolhida a mim mesma, com tudo que sou, venho ficando mais tranquila e resolvendo as coisas sem acionar ninguém além do necessário para a resolução.  E como bem disse minha forte filha, estamos fazendo o melhor que podemos e assim vai dando certo.

Bela semana de recuperação, liberação, respiração e muito amor.

Murillo João Ramos Acácio Ferreira da Costa – um Artista da Luz Vermelha. 

Por Roberta Bonfim @lugarartevistas

Olá! Não estou certa se me conhece, chamo-me Roberta. Roberta Bonfim. Mas pode me chamar como quiser porque se eu quiser atendo por qualquer nome, e do contrário nem pelo meu. Até porque ele ainda me causa estranheza. Parece mais forte que eu, mas tento agarrá-lo, crer e agradecer porque o hoje tá mais massa que o ontem e estou certa de como for, o amanhã me fará melhor.

É lógico que esta regra simples não se aplica só a mim, mas a nós. Basta olhar com carinho. Olhar-se afetuosamente, se chamegar um cadinho. Dizer-se: “ei gates tu arrasa viu?”. Chegou até aqui e consegue manter-se com esta alegria, caraca, você é fera. Ou ainda: Cara que dia em, normal tá destruíde, normal querer sumir, só não suma. Vai pintar um quadro, dançar a sua música preferida ou fazer qualquer algo que goste muito. Se não rolar, apenas feche os olhos por um minuto e vá para onde aquieta seu espírito, lá tome fôlego, ou se conseguir viva os dois lugares. O importante é se acolher com respeito e carinho. Bem como fazemos com quem dizemos amar, ou amamos, mas, melhor, por se tratar de nós. E quem somos é só nosso e nosso grande tesouro. 

E é sobre a multiplicidade de eu`s que sou que fico pensando ao sair do delicioso espaço da Casa Absurda, onde domingo assisti a segunda apresentação do novo espetáculo de Murillo Ramos, Murillo João Ramos Acácio Ferreira da Costa – um Artista da Luz Vermelha. 

O espetáculo é um mosaico de informações que tem a cor vermelha como ícone relevante. Eu pessoalmente me pergunto se é o vermelho a cor da Manada de Teatro, que estreou com o espetáculo Aquelas, com as atrizes Juliana Veras e Monique Cardoso, também com a preponderância do vermelho. O sangue.Voltemos ao Artista da Luz Vermelha. 

Se você tá vivo foi afetado direta ou indiretamente com as histórias do lendário Bandido da Luz Vermelha, uma produção midiática, sobre o terror e o medo, que consumimos ainda hoje em qualquer noticiário.  Uma construção midiática, mas não uma mentira. De imediato, no ato do espetáculo lembro do garoto do hoje 410, 174.Talvez. Que só queria ser visto. Mas, o pensamento vai embora rápido, pois a cena segue e logo o personagem a minha frente me apresenta outras facetas, o ator está emocionalmente envolvido com o todo que vive e isso também me emociona enquanto público. 

O espetáculo é forte e tá quase em sua totalidade no auto, felizmente dada hora o ator pede 3 minutos, eles são sagrados e conflituosos, trazem infinitas questões, pois mesmo a encenação de Murillo e a dramaturgia de Yuri deixando nítido que João Acácio Pereira da Costa, tinha alma, que o sangue que corria em sua veias era vermelho como o nosso. Tem outras coisas… Outras complexidades, contradições e reflexões sobre os sistemas; de saúde mental, o prisional, o social, e os choques, as torturas, o ambiente, 

Para que não haja dúvidas sobre a relevância desta figura, o Bandido da Luz Vermelha /João Acácio, está para São Paulo como Jack, o Estripador está para Londres. Entendeu? E João entendeu lá nos anos 60 que se estivesse arrumado passaria “despercebido”, tática usada por golpistas de várias épocas. Mas o fato é que João Acácio mudou a relação do paulistano com sua cidade, e logo todo o país, parte disso, trabalho de João, que levou nas costas infinitos crimes e mais 300 anos de detenção, que ele cumpriu 30 e foi assassinado com um tiro na cabeça quatro meses após ser “liberto”.

Não creio que o desejo do espetáculo seja justificá-lo, como também não é o meu, mas cabe sim a reflexão, de; o que eu faria no lugar dele? Vivendo aquele ambiente, aquela realidade. O passado  de João Acácio foi violento e solitário. Treinado no inóspito da rua, em tempos de crescimento das fronteiras sociais, este foi o ambiente que recebeu e criou este ser, em um tempo em que os veículos de comunicação se desenvolviam, o Bandido da Luz Vermelha tornou-se o pop star do crime, e mudou os hábitos ambientais da cidade e mais tarde do país. A TV chegava, o perigo estava na rua, o lema era  trabalhar e ficar em casa. A TV é sua amiga e você pode pensar em meios de segurança. Com o estresse, vai beber e fumar, o mercado se aquece. Nada acontece isoladamente. 

Estamos falando dos anos 60 (ou mesmo da atualidade), onde doido e pobre não era bem vindo entre a sociedade, e esses rasgos sociais vão ficando maiores e mais evidentes, e o Bandido da Luz Vermelha foi feito sob medida para o espetáculo que se construía e para execução das mudanças em prol da segurança. A sociedade havia achado quem culpar e se são os culpados, tudo bem não estarem assistidos pelos direitos básicos?!

João Acácio deve ter também inspirado a canção conhecida por nós de Renato Russo, ou talvez eu tenha apenas sido convencido da humanidade de João. Não me reconheço, mas se ele me pedisse eu cuspiria sim em sua cara. Não que ele seja digno de nada, é que eu também não sou, e ninguém é. Mas, eu fui lembrada por Murillo que não nos cabe ser o dedo que aponta, pois todes temos nosso lado sombra. Né?

Por fim, só agradeço a todes. Muito lindo de existir o espaço da Casa Absurda, que vou querer logo menos conhecer melhor, pois estava meio tumultuado por ter sido uma noite chuvosa. Grata Manada, Yuri, mas especialmente grata Murillo por sempre, – não houve uma única vez em que eu tenha te assistido, mesmo em ensaio, que eu não tenha sentido essa potência que és. Para minha alegria, faz anos que te assisto, coisa de uma vida, e te acompanho como quem acompanha novela. Mais e mais luz seja de qual cor, mas que brilhe!  

E próximo final de semana tem espetáculo sábado e domingo, então já garante o ingresso pelo simpla, e esteja preparado para fortes questões humanas e para sorrisos e aplausos que te causarão estranheza no ato. É que na simbologia os programas de auditório e as questões da ação induzida, são também sinalizados e geram reflexão.

E na esquina tem o bar resto, onde o atendimento é massa, a cerveja é gelada, mas a cozinha fecha cedo, mas é preciso mesmo muito estômago para dar conta de comer após este espetáculo. 

Sim… O Grupo é jovem mas já oferece exemplos de caminhos para o empreendedorismo cultural e sustentabilidade, sem deixar de pontuar em realidade aberta a relevância das artes e das leis de incentivo para construção e manutenção de uma cultura que vise democracias.

Vamos ao Teatro!

Sábado e Domingo – Casa Absurda, 20 horas. 15 meia 30 inteira. 

O Bandido já inspirou também na telona:

O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla, 1968)

Rádio Bandeirantes – entrevista

Fantástico

Há tb uma versão com Ney Matogrosso no papel do lendário Bandido da Luz Vermelha.

Brincar Junto

Ser a Mãe que sou me exigiu uma vida inteira vivida em sua plenitude e relações infinitas com os ambientes que somos, vivenciamos e habitamos. Assim, esta mãe que sou é a única que consigo ser, por ser a que sou, desse jeitinho exato que sou. 

E esta eu, hoje, vem com uma dica linda de diversão com a cria, os livros de perguntas e respostas são incríveis, aqui o sucesso foi tamanho que acabo de pedir o na faixa etária 5-6 anos, porque a anterior a cria aqui o que não aprendeu decorou do que temos de tanto que brincamos, coisa assim de todos os dias, quase, e é incrivelmente divertido e lindo ver o semblante de felicidade, curiosidades, expectativa pelas respostas. E não porque acertar seja incrível e errar seja terrível, em absoluto, ambos são legítimos, e só errando e treinando que aprendemos. Mas, só pelo desejo de descobrir. E é um modo bom de diversão e aprendizado junto.

Outra dica linda são os brinquedos educativos e feitos a partir do reuso de resíduo sólidos da Remes Rede. Aqui temos o das emoções que nos ajuda demais nessas descobertas, do alfabeto, dama e outros. Amamos. 

https://www.instagram.com/remes.rede/?hl=pt

E a dica final é, brinquemos com nossas crias. Pois somos o que eles desejam e precisam, pelo tempo que nos for possível, e dizer que as vezes vale a pena diminuir o ritmo para ficar de chamego um cadim mais ao acordar. Nossas crias precisam de nós.

Encanto

A magia do cinema, e das artes em geral, é mesmo uma linda mágica da empatia e do acesso, a emoções tão profundas que nem sabemos que nos habita. Este ano, aqui em casa, conhecemos a família Madrigal, família tema da nova produção da disney, que para nossa alegria vem desenvolvendo filmes mais diversos.

Uma lindeza sermos apresentada a esta família por Mirabel, que virou uma referência para minha pequena por aqui e aqui estamos sim falando de identificação e representatividade. Minha filha tem quatro anos e se percebe como marrom e vê no filme a beleza dos semelhantes, marrons, segundo ela. Sua primeira identificação foi com Antônio, o caçula da família, que tem como dom entender os animais. Mas, se você tem criança em casa, sabe que amam assistir ao mesmo filme com o que se identificam, várias vezes. 

Assim, hoje ela se identifica mais a Mirabel, com quem também eu me identifico e já sabemos as falas do filme decoradas, outra mágica dos roteiristas do filme, pois são contextos profundos, dando corpo e emoções a cada cada personagem, mas de modo simples e divertido em uma casa que se mexe e se comunica, só na magia.  O filme acontece em Encanto, uma vila encantada na Colômbia. E sobre representatividade nos desenhos infantis é sempre importante falar sobre, pois há ainda muito a ser feito em outro momento falamos mais a respeito. 

O fato é que na terceira ou quarta vez em que assistimos ao filme, minha cria olhou-me e disse que queria assistir a este filme com a sua avó (bisavó) e tentei instalar a Disney na sua casa, mas..

(Faço parte das pessoas que até gosta das facilidades dos apps e tal, mas não tenho menor paciência e/ou competência na execução dos processos de instalar, emparear, bla, bla, bla… mas depois que luto e consigo acho massa o resultado. Meu sonho de princesa é ter alguém que faça a parte chata e eu possa só usufruir da tecnologia em benefício do tempo).

O fato é que não consegui e isso foi gerando uma ansiedade, até que quando consegui calhou de chegar gente não assistiram no aconchego que mereciam, a avó viu em partes e com algum incômodo, entre falas. Mas, tornou-se recorrente ver minha cria cantando as músicas do filme que tem em si muitas subjetividades. Aí ontem estávamos tomando café, e a pequena cantando a canção de Isabela.

E a avó pergunta a classificação indicativa do filme, ao que eu respondo que é livre. E pergunto porque da pergunta, se acho denso, e ela disse que sim. E eu perguntei: Mas o lobo comendo a avó e chapeuzinho, a madrasta mandando matar a enteada, e história bíblicas como de Jó e Golias que são apropriadas. Aí ela quis defender com um: mas são histórias antigas, clássicas. Como se o antigo/ clássico se fizesse coerente só pelo tempo. E penso nas nossas pressões e dificuldades de falar sobre ações, reações e emoções envolvidas nas relações cotidianas. 

Aqui em casa amamos o filme inteiro, do princípio ao final. E se não tem Disney, segue aqui um com imagem e som, comprometido, mas com a história inteirinha. 

Xero e simbora!

Roberta Bonfim

Quem neste blog escreve sobre cinema é Jana Alencar, mas mesmo este dia sendo o dia de falar sobre maternidade resolvi