O dia que me dei alta da terapia.

Por Roberta Bonfim

Querido semanário venho compartilhar que hoje me darei alta de uma terapia. Não precisa se assustar, já estou em outra, não o transformarei em diário, por necessidade de compartilhar os conflitos cotidianos. Não que eu não os tenha, mas é que a vida anda tão corrida que ainda me tem faltado tempo para escrever e refletir, para sentir com a intensidade de frio /calor no coração que só sinto quando as vivências são filtradas pelas minhas emoções, ao tempo que vão virando palavras. e não se iluda querido semanário, nunca saberás o que verdadeiramente vivo, ou sinto, pois as palavras não alcançam essas discrição, não as minhas. Mas, te agradeço pela possibilidade de partilhar. 

Me darei alta porque quero em um futuro próximo poder ser amiga da minha terapeuta, que é dessas mulheres incríveis, inspiradoras de sorriso largo, mas também porque minha alma vem pedindo movimento, desde um curso com Fátima Toledo em Santa Teresa quando conheci Cassio Costa, Tati Ramos e Talles Maniçoba e vivemos transformações. E teve a cena do cachorro, mas isso merece um texto só dele. O fato é que mudeando a terapia e mantendo a periodicidade, consigo ainda investir no trabalho de Samir, personal do Poço da Draga que vai ter a missão de me ajudar junto com as mãos mágicas de Katienete alcançar a missão de ser a Mãe gatinha 2022. 

Quem também chega mais pra perto e para equipe da Lugar ArteVistas é Mayane Andrade que vai me ser braço junta com tantos outros braços nesse momento em que vou precisar me dedicar a pesquisa.Gratidão e sigamos! Tá bonito mais é que cê nem sabe o quanto vou me divertir neste ano! 

Mantra da semana

Descobrindo Mundos

Por Roberta Bonfim

OI! Me chamo Roberta Bonfim, desfiz 39 anos, sou mãe de uma criança maravilhosa que é sobre quem escrevo neste blog. O nome dela é Ana Luna, minha filha, hoje com 3 anos e cheia de descobertas sobre si e o mundo. E eu venho embarcando junto com ela nesse desconhecido de descobrir-me ao descobri-la em transformação, ao tempo que ela igualmente se descobre nas minhas transformações. Somos dois seres buscando harmonização.

Não tenho nenhum desejo de romantizar ou seu oposto a maternidade. E quando lá atrás sonhei esse espaço para falarmos e compartilharmos as Mães que somos, era esse desejo de encontrar outras mães como eu que vivem esse lugar da maternidade. 

Pois quem é mãe sabe que qualquer que sejam as escolhas elas estarão recheadas de conflitos, culpas, medos, alegrias, risadas, brincadeiras, ou escândalos fora do contexto. Ser mãe é em parte entender nossos pais, ou melhor nos entender apesar deles. Cada qual nos seus contextos, a maternidade nos muda de lugar, pois deixamos de ser só. E o que isso quer dizer pode sim ser a maior das alegrias e a mais dolorosa das barreiras sociais que colocam sobre nós mães. Uma série de pesos sobre as mães, que precisam como quase tudo na sociedade humana está categorizado e nomeado. 

Aqui venho para compartilhar processos e vivências e não venho só, há outras mães inclusive você se quiser compartilhar suas histórias. Mas, aqui estamos com periodicidade eu na primeira segunda de cada mais, seguida pela maravilhosa ArteVista Alana Alencar, que mãe de dois sempre acha momentos para se alimentar das artes que a constituem, na terceira segunda esse lugar é cantinho de Tontom, com sua mãe tão maravilhosa Janira Alencar, que sempre encontra modos e as vezes até atrasa, mas sempre nos presenteia com seus compartilhar. Tínhamos neste elenco Lorena Aragão mãe do geniozinho Inácio e dona de uma personalidade inspiradora, e também Mayane Andrade, minha comadre e mãe de três e empreendedora nata, essas ArteVistas maravilhosas, neste momento estão com uma vida muito agitada para escrita, então, a não ser que você mãe escreva e nos envie para fortalecer este lugar, vocês que lutem pois teremos muitos textos meus. Pois escrever me liberta, então nunca é muito deixar os dedos dançar sobre o telhado.

E sobre a mãe que sou, sigo no mantra de que é a que posso ser. Aqui em casa não peço perdão pelo tempo não compartilhado e por ela respeitado, mas peço compreensão e compartilho com ela como estou pensando e solicito ajuda. Se ela entende? Se associa? Se acolhe? Ai são outros 500 (se), mas busco ter essa relação e com isso tenho vivido gratas alegrias ao ver a formação de alguns valores que considero fundamentais nas ações da minha pequena, já nem tão pequena assim.

E aí é uma pauta, é difícil crescer, entender a cada passo que se cresce é uma nova responsabilidade que se abraça, sem muito tempo para escolhas. Um exemplo muito interessante é o colinho. 

Ela foi uma criança de muito colo, depois que aprendeu a andar começou a negar o meu colo e lutar pelo direito de ir no chão e se possível de mãos soltas, livre, na orla, mas eu que conheço a curiosidade e rapidez da criança que tenho poucas vezes aceitei as mãos soltas perto de carros. Mas, agora ela tá grande, amo dar colinho mas meu fisioterapeuta tá louco para se ver livre de mim e das minhas dores nas costas permanentes e constantes. É só ela? Claro que não. Tem meu sedentarismos. Mas comecei ainda que muito timidamente o processo de voltar a me olhar e me cuidar para dar conta de cumprir a promessa que fiz a ela de que vamos rodar por todo esse país. 

Ser a mãe que podemos ser é lindo!

Dos caminhos que a Vida mostra

Por Roberta Bonfim

Faz um tempo que ando buscando um sentido para seguir com esse lugar, com esse exercício de observar como funcionamos em coletivo. Há quem diga que existam coisas complexas como ficar rico, ou inventar uma máquina massa, para mim, nesse caminhar as duas construções mais complexas são a construção e a construção de coletivo a partir da potência dos seres que somos.

Se você chegou a este texto, possivelmente já têm alguma relação com esse Lugar ArteVistas que acredita na arte onde estiver, que é uma revista eletrônica cultural com canal; no youtube que até mês passado estava quase diário, mas grande parte dos nossas apresentadores estão exaustas das muitas funções e como não somos os mais badalados naturalmente somos os primeiros a serem retirados da rotina e é isso. O bom disso é porque vai me libertando dessa construção e ecoando na mente a fala de Gyl que confirma o mantra do Lulu de que tudo passa.e ao passar se transforma e eu só agradeço.

E agradeço neste momento especialmente a Flavia Muluc que chegou ao Poço da Draga com o projeto Comunidades Criativas e me convidou para abraçar essa comunicação, mas mais que isso me permitiu criar o Lab ArteVistas como mais uma aba do projeto e fortalecer ainda mais esses lugar de existir de modo mais respeitoso com o mundo que existimos. 

O conceito de Comunidades Criativas é “Criar para Transformar” com arte, cultura e sustentabilidade, no Poço da Draga é nossa meta e razão de existir. Criando possibilidade de renda e transformações socioambientais, com o redesign de materiais recicláveis, especialmente o plástico.

E no último sábado pude iniciar o Lab ArteVistas, com 7 jovens mulheres com desejos e brilhos nos olhos e ao sair já tínhamos mais três inscritas. Foi uma manhã de muito afetos e de construção de relação. Gratidão e sigamos nos somando e nos fortalecendo na sistemática de sermos quem, somos e fazemos o que podemos por esse lugar planeta que nos habita. Grata! Grata! E cheguem e vamos descobrir a potencia que podemos ser juntes.

Renascer no amor

Por Roberta Bonfim

No decorrer da vida vamos mudando, morrendo e renascendo, vamos nos perdendo e nos achando de quem somos e nos misturando com o que gostaríamos de ser. Somos o resultado de nossas vivências, ambientes, relações. Nós percebemos e atuamos no mundo. Me incomoda a expressão ser alguém, somos todes alguém desde de o instante que passamos a existir e isso não tem nada haver com CPF, conta bancária e carro do ano. É só o ser, e todes somos.

Há um pouco mais de nove anos nasceu da minha inquietação e dos bons encontros este Lugar ArteVistas de arte onde estiver. De lá pra cá já são mais de 300 ArteVistas que compartilharam seus processos, afetos e lugares dentre outras coisas e eu sinto uma alegria tremenda de ter tido a alegria de tantos encontros. E ter sido diretamente afetada por cada um e todes. 

Aqui somos um bocado, ainda meio bagunçado e sem as sistemáticas necessárias ao bom funcionamento fluido dos processos, mas somos uma ruma de gente massa conversando sobre temáticas necessárias e fundamentais a partir dos ArteVistas.

É uma grata alegria viver e realizar esse lugar, mas é também trabalhoso e às vezes um tanto desmotivador. Mas como temos a relação afetiva e responsável com o Poço da Draga passamos por mais uma transição e ressignificação. Que bom! Seguimos morrendo para renascer!

Agosto das Deusas

Por Roberta Bonfim

A turma adora romantizar a maternidade e tirar todos os méritos da mãe. Eu por mim, abro mão de qualquer mérito na vida, mas ninguém me tira a certeza de que sou a melhor mãe que posso. É que a maternidade por aqui, mesmo tendo a “prisão” física, especialmente em tempos pandêmicos, muito mais me liberta. 

A maternidade é uma das vivências mais fluidas da minha existência, não planejo para ser mãe, sou, vivo, estou, a que dou conta, a que rola, flue e cara minha filha vai ter de entender e me amar com isso, como eu a amo e entendo mesmo quando ela faz uma cena que parece que estão arrancando um dente dela, apenas e tão somente porque eu disse que estava na hora de ir tomar banho. 

MInha filha teima e testa o grito como caminho para conquistas, aqui em casa o truque não funciona, mas minha rede de apoio é minha vó e ela cai como sardinha na rede e aí seguimos preparando os ouvidos para as cenas e a serenidade para o ensinar do melhor modo que eu conseguir no momento.

Gosto de repetir isso, porque vivo a maternidade de um jeito onde até o momento não abracei com força as culpas maternais e acho legítimo que eu lute e lute sorrindo. E não para romantizar, mas porque é melhor ser alegre que ser triste e eu aqui escolhi não abri mão dos meus projetos particulares e tenho até me aventurado a sonhar, é que a maternidade não nos impede de nada, se pá até nos fortalece. 

Tiramos férias, meias férias, tenho uma dissertação para escrever, mas a parte a isso estarei sem telas, sem internet, sem coleiras eletrônicas sugadoras de tempo e energia.Vivo, cotidianamente ouvindo o povo dizer para eu ser influencer, outra opção recorrente é que eu faça um instagram para Ana Luna. Eu ouço e sempre me faço as mesmas duas perguntas como respostas a essas perguntas. Como posso eu decidir influenciar o outro? Acho real valendo essa coisa de se auto denominar influencer. A segunda pergunta é; Homi tu não tem nada o que fazer e acha que eu passo o dia com as pernas para cima, porque eu quase não durmo, média por auto de horas de sono sequenciada caiu para 3 horas, pois fujo e na madrugada a filha me procura. Tenho dissertação para parir, agora todos entregues mais estava com centos trabalhos para entregar, editando um livro, pensando, criando e compartilhando conteúdo, editando e operando streaming, escrevendo para blog, instagram e projetos paralelos, além de trabalhos para o Poço da Draga. E aí a pessoa me aluga o ouvido na cruzada e ainda me vem com esse tipo de sugestão. Agora me veio uma pergunta inteligente para próxima vez, perguntar se assiste e/ou ler a Lugar ArteVistas. 

Enquanto isso a filha ama mesmo fazer uns videozinhos, não para mostrar ou bombar no instagram, mas para se ver, e eu acho incrível observá-la se observando.

As telas estiveram comigo, mas também vivemos momentos de liberdade delas. Foi lindo!

E dentre os muitos registro compartilho aqui lindezas de Lorena Armond.

Do que se vive Aqui

Por Roberta Bonfim

Hoje não estou para escrita

Depois de anos a fio sinto a potência de uma TPM 

Me recordo de mim em ira

Me assusto

Observo os ambientes

Sinto os movimentos 

E sigo

Pois seguir é meu mantra.

Uma pessoa irada escreve e se movimenta

fumo mais e menos

danço

se libertar tem disso

as sombras fechadas nas jaulas do bom senso 

Também ganham a cena 

Observo o fluxo cíclico da vida

E me pergunto

E ai?

Minha sombra veio 

e me vi na minha filha

A ira são as crianças feridas e silenciadas 

Frustradas com o grito do que ela julga não ter ferida.

Já mudei esse curso da vida

E assumo a violência silenciada e tolhida que há em mim

Como ira ela é danosa

Mas…

E se vira arte?

Minha arte me chama

Minha alma me clama

Meu espírito palpita 

E as lágrimas me tomam enquanto escrevo

Assumo minha ingenuidade na vida

Não vim para ser esperta

Sou até um pouco atípica

Mas nem sei quanto assim

Ou o quanto me fui tolhida

Ensaio me esparramar

Ou fui esparramada faz tempo e agora busco me reencontrar?

Não sei nem que saberá

Pois eu não sei da história que sou

Além do que vivi.

Decantando

Por Roberta Bonfim

Se me fosse permitido demonstrar tudo que sinto em palavras, eu agora mesmo compartilharia todas essas emoções. Até para tirá-las de mim, como se pudessem sair assim como um sopro. Penso em Silvia Moura e no meu chamado de alma. Vou liga-la logo que eu entre de férias para dançarmos todes os dias. E vem também a reafirmação interna de que vivemos várias vidas em uma e que algumas coisas a nossa alma precisa agradecer, por outras brigar, com outras aprender, e tanto mais que se possa viver. 

Estou mestranda no curso de psicologia ambiental; com uma orientadora inspiradora que no laboratório Lerha, me encontrando e justificando na psicologia ambiental, estudo meus passos e percebo a diversidade de caminhos já traçados e sorrio como quando olho esse Lugar ArteVistas, que é lugar de encontros, atravessamentos e boas trocas e eu gosto muito de viver cada uma delas. Tenho a grata honra de assistir toda programação do canal; e só eu e minha alma sabemos o quanto somos gratas e se por nada mais por isso já bastaria, mas temos Sabrina Lima, uma das grandes incentivadores desse lugar por acompanhá-lo e se permitir como eu se transformar a partir do aprendido, nesse exercício de nos tornamos ArteVistas. Sou muito grata ao Doug Graffiti que não assiste nada mas que sabe que trabalhamos com amor e vez ou outra nos surpreende com um carinho na alma.

Esse texto entra amanhã, mas escrevo hoje, quando me preparo para receber os ArteVistas convidades de hoje para papiamos sobre lugar, afeto, participação, Poço da Draga e moda. 

E no domingo teve um papo delicioso sobre a cultura da tapioca e Roberto ainda deixou uma receitinha.

E no sábado um monte de aprendizado com Marta Aurélia e convidades em sua Janela da Alma.

E sexta teve Casa D’Aurélia em um papo cheio de fluxo 

Quinta feira Silvia Helenna e convidades Artevistas conversaram sobre moda, estilo e brechós. 

Quarta tudo acontece no Poço da Draga, inclusive papo com esses ArteVistas e artistas visuais e humanos, que se transformam e são transformados por suas artes.

https://studio.youtube.com/video/YMlgMEudINo/edit

Na terça tivemos nossos terceiro episodio de Papo Atípico.

E segunda passada o papo foi de recomeço e um gatilhão, por isso o trago para fechar essa  semana linda, rica, potente e transbordante de inspiração. 

Muito grata a cada ArteVistas que chega nesse Lugar e agora vamos viver mais uma semana de tantes e mais um tanto.

E teremos mais uma estreia do Poço de Afetos, com a maravilhosa Sabrina Lima que recebe Peróla Negra. 

E tanto mais estar por se construir a partir da potência de ser juntes.

Aqui no blog seguimos com ricos compartilhamentos em escritas que conversam com nossas almas e estamos com dias em aberto, então se tiver interesse de ser um correspondente ArteVistas  fala com a gente.

Xero