Me abraço, me beijo e me chamo de meu amor

Por: Janira Alencar

Na minha vida A.T. (antes do Tom), quando o meu tempo era ainda só meu, parte dele era gasta com os chamados cuidados pessoais: manicure, salão, academia… Uso aqui o termo ‘chamados’ porque sempre tive a noção de que cuidar de nós mesmas está muito além da aparência. Mas, ainda assim, como boa leonina, sempre gostei de dar um trato na ‘casca’. Muitos desses hábitos permaneceram e até foram ampliados na gravidez, mas o foco era bem outro: pilates pra ajudar a parir legal, caminhadas diárias pra regular os picos de açúcar no sangue, topless no sol para preparar os peitos para a jornada leiteira. Tudo agora era para ele, para nós, para o nosso encontro.

Uma das coisas que mais ouvi ao longo da gravidez foi que eu estava muito bem, “que nem parecia estar grávida”. Essa fala, que eu mesma já havia dito tantas vezes antes, me fez refletir um bocado. Refletir sobre como nem grávidas, num momento cuja maior preocupação (senão a única) deveria ser a saúde e o bem estar do organismo mãe/bb, deixamos de ser cobradas em nos adequar a um padrão que nos é imposto. A sociedade nos impõe que a mulher nasceu pra ser mãe e que esse é o momento mais sublime de nossas vidas, mas devemos atravessá-lo sem parecer grávidas. Sem ganhar muito peso, sem ficar demasiada inchadas. Como se tudo isso não viesse no pacote gravidez.

De fato, gestar uma vida é uma experiência tão sublime e nos preenche de tal forma, que acabamos por esquecer um pouco de nós mesmas. As prioridades mudam, o conceito de felicidade muda e, da mesma forma, muda também o nosso corpo. Não quero trazer aqui uma visão romântica de que ‘virei mãe e agora é só isso que importa’. Não! Ao contrário, em algum momento – e esse tempo não é universal, mas de cada mulher – vamos querer encontramo-nos com nós mesmas outras vez. Seja no convívio social, nos antigos hábitos ou (por que não?) no corpo pré-materno. O que quero dizer é que tenho me trabalhado para fazer as pazes com esse novo corpo que nasceu junto com o Tom. Se toda a minha vida já não é mais a mesma desde que ele chegou, se eu mesma não me encontro mais naquela antiga Janira, como posso querer que o corpo que passou 9 meses se transformando, para ser abrigo dele, volte ao lugar de antes?

Some-se a isso os modelos perfeitos da vida cor-de-rosa dos instagrans e tv’s da vida, em que, mesmo antes do fim do puerpério, as influencers já estão felizes, sem olheiras, barriga chapada, propagando a fórmula mágica da mens sana in corpore sano. Poucas delas falam sobre ressignificar esse novo corpo, corpo de mãe. Ninguém nos conta que tudo bem querer ‘melhorá-lo’, se isso é importante pra você, mas que ele pode, sim, estar melhor agora, com suas novas marcas que denunciam que ele foi casa de uma nova vida. Não nos é dito, também, que nós podemos vê-lo bonito e que essa beleza pode ser mais sublime e verdadeira do que aquela esculpida pela academia. 

Pensava eu que o projeto antigo – que nunca deixara de ser projeto por falta de tempo, de dinheiro e de coragem, não necessariamente nessa ordem – de botar os peitos apontando pra lua ganharia força depois de amamentar um filho por mais de ano. Ledo engano! Depois de tudo que enfrentamos juntos, meus peitos e eu, para alimentar o Tom, nunca os vi tão bonitos, fortes, parte da fêmea que me tornei. Vejo-os com tanto orgulho, admiração e respeito, que acho que os bichinhos não merecem ser cortados e sentir mais dor do que já sentiram, pela tão menos nobre razão de ficar igual a todos os outros peitos fabricados, que são como o mundo diz que tem que ser. 

Não há aqui julgamento a quem busca na cirurgia a solução para ter o corpo (e a mente) que almeja ter; eu mesma posso desengavetar o antigo projeto em algum momento do curso do rio vida. O que há é uma mulher que tem aprendido a amar – e, quando não é possível, a aceitar – seu corpo com todas as suas marcas, sejam elas tatuagens, que escolhemos para ilustrá-lo, sejam elas cicatrizes, com que a vida nos carimba.

Janira Alencar é Educadora e mãe do Tom, de 8 meses

Você já se viu em camadas?

Por Roberta Bonfim

Quantas camadas temos, quantas somos? Quantos pontos de vista podem existir sobre o mesmo tema foco? Quantos seres forem possíveis? Se olharmos por exemplo o mesmo lugar, exatamente o mesmo, por dez anos ele será o mesmo lugar? E suas pessoas serão? Essas talvez possam ser as camadas dos lugares. 

A primeira vez que ouvi essa palavra empregada para o homem, foi em uma sala/auditório, da Faculdade de Direito de UFC, ali no centro da cidade, de Fortaleza. Ouvi da boca da atriz, diretora, Bruxa, que faz as comidas mais loucas e deliciosas, a maravilhosa Francinice Campos, quando ensaiamos para um espetáculo teatral, ali eu conhecia Garcia Lorca, e o li e encenei, mas não o repreende, nem a ele e nem suas camadas naquele momento, e mesmo hoje, sei tão pouco e respeito tanto. E o teatro apresentou para o meu ser as camadas.

Na sequência reencontrei  uma das mulheres de minha vida, Clarice Lispector, e sua escrita que mexia e mexe, sempre, com todas as minhas camadas. E então Frida Kahlo e Fernando Pessoa, daí pra frente nunca mais consegui ver a vida por por um prisma, o exercício é era perceber sob quais graus essas camadas eram ativadas e meio que assim nascemos enquanto Lugar ArteVistas, já que somos compostos do que nos afeta e emociona. 

Depois percebi o conceito de camadas também ao que tange às espiritualidades. Os planos, camadas, prismas, menos dualidades, mais subjetividades. Estou fazendo uma pesquisa de revisão de artigos e muito pouco estudamos sobre essas camadas, sobre as relações pessoa-ambiente. E como não pode deixar de ser lembro de Fernão, a Gaivota, falando na escrita de Richard Bach, sobre quebras de tempo espaço, e a possibilidades das camadas.

Hoje esse texto deveria ser de All Franca, que normalmente habita este lugar nas terceiras semanas de cada mês, mas por razões impeditivas, ela não pode escrever, e nem eu na real, tanto que o texto só tá entrando no sábado, mas consegui, com ajuda colaborativa de Ana Luna fazer esta entrega antes das 10 da manhã de uma domngo, quase ontem.

É isso cheguem junto nesse Lugar e mês que vem All Franca vai tá aqui para melhor explicar as camadas que a norteiam e a alegria de ser terapeuta holística, dentre outras existenciais. abraços em todos eu sou Roberta Bonfim e vim aqui tapar um buraco com atraso.

Brasileiros: um papo sobre vira-latas, futebol e auto-estima

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Por que, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: — porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo
.

“Complexo de Vira-Latas”, crônica de Nelson Rodrigues

Que o Brasil é o país do carnaval, futebol e de corpos bonitos todo mundo sabe. Essa característica da nossa identidade é vendida aos quatro ventos. Se não somos nós mesmo que a reproduzimos, ela vem quase naturalmente para nós quando um contato imediato com qualquer estrangeiro acontece. Alguns estrangeiros – lá fora – adoram receber visitantes brasileiros pelo seu intrínseco gosto por festas e principalmente pelo seu “poder de compras no exterior”. Entretanto, é válido perguntar até que ponto essa imagem reproduz  alguns desvios que embora não explicitamente expressos, repercutem mal na nossa imagem.

A questão do “latin-lover” é uma delas. Por exemplo, quando um “macho brasileño” se vangloria de ser um conquistador, tem ele a dimensão de quanto pode ser mal-visto por mulheres que querem compromissos mais sérios? No meu entender, perde ele e perde também toda uma cadeia de homens que gostariam de desenvolver suas vidas sem esse tipo de preconceito. Além disto, podemos citar as tradicionais ideias de que sofrem muitos  brasileiros que moram no exterior: a ideia de serem fanfarrões, homens e mulheres, sim; de estarem sempre atrasados para compromissos (uma prática habitual e bastante cultuada no Rio de Janeiro); de não se esforçarem para aprender a língua local. E a coisa toda fica mais interessante quando tudo isso pode ser contraditoriamente vista pelo viés dos “sucess cases” de brasileiros bem-sucedidos em diversos ramos. 

O Brasil porém não é o único a sofrer esse tipo de preconcepção. Listei aqui alguns estereótipos contidos numa representação da identidade de alguns países. Como toda questão de identidade, dois pontos de vista são essenciais: a maneira como o sujeito enxerga a si mesmo e a maneira como os outros o enxergam.  Veja o gráfico abaixo.

Como os países se veem

USA: Técnicos. As trincheiras da inovação. 

Rússia, Argentina, República Tcheca e África do Sul enxergam-se como determinadas e calculistas, embora com doses de humor e diversão.

Brasil, Espanha e Itália: Países da diversão. Harmonia musical.

França, Itália e Reino Unido: Pertencentes à ilha da civilidade. Seriam os precursores da cultura, conectados ao Reino Unido pelo estreito da “liderança”.

Egito, Arábia Saudita, Paquistão, Índia e Tailândia: Seria o reino da “Espiritânia”. A população desses países se descrevem como focados nas famílias e espirituais, mas ao mesmo tempo respeitosos e receptivos ao estrangeiro.

China e Coreia do Sul: O continente das indústrias. Definem-se como gênios.

Hong Kong, Japão, Singapura, Alemanha e Finlândia: Uniformizados. Trabalho duro, consistentes e organizados. Veem-se com experiência e conhecimento suficiente para no ramo das tecnologias mas também um pouco decantes.

Como os países enxergam os outros

Austrália e Canadá: A Equilíbriolândia. Os mais equilibrados do planeta.

Rússia, USA e UK: Países de orgulhosos e presunçosos

Tailândia e México: Vila do descanso

Brazil Itália e Espanha: “Funlandia”

Hong Kong, Japão e Alemanha: Uniformelândia

China: Gênioestão

Egito, Arábia Saudita e Paquistão: Espiritânia 

Em 1958, o dramaturgo, cronista e boleiro Nelson Rodrigues escreveu que o mal do brasileiro era o “complexo de vira-lata”. Fazendo referência às desilusões provocadas pelas copas do mundo de 1950 e 1954. Na década de 1950 o Brasil perdeu para o Uruguai por 2 x 1 em pleno Maracanã, em 1954 o Brasil sem se saber classificado vai para as quartas de finais e perde para a Hungria por 4 x 2.

A derrota de 1950 só seria superada em 1958 quando o Brasil ganhou o primeiro título mundial na Suécia. Salve Nelson Rodrigues! Previu o que estava escondido na alma brasileira. Interessante notar que o jargão “complexo de vira-lata” teria ficado esquecido até a década de 1990 quando novamente o Brasil se viu às voltas com sua questão de identidade em meio ao processo de redemocratização e de inserção na economia mundial. Fora a copa de 1994 que teria coroado esse processo. Claro! 

E hoje? Ainda podemos nos perguntar em até que ponto somos vira-latas em uma espécie de sentimento kármico que alterna entre a constante euforia e a baixa auto- estima?

Minha memória recente indaga o que foi o 7 x 1 contra a Alemanha em 2014 (também no Maracanã), em um contexto de denúncia à corrupção em 2013, logo substituído pelas esperanças (re)patrióticas da copa de 2018, seguido de uma eleição em 2019 que pretende reerguer o país em termos morais contra a corrupção. Acho que até agora ninguém entendeu direito o que aconteceu. Estamos ainda atordoados.

Agora em 2020. Se olharmos para a história, seguindo essa linha de raciocínio, não será difícil prever o futuro de uma nação que se contentará com as migalhas de uma política violenta (mercadológica, massificada e segregacionista) se promovendo para a reeleição enquanto houver a construção eufórica de uma auto-estima ilusória no campo de futebol em 2022. 

Cão de Raça vs. Vira-lata

Observar a História não torna difícil a conclusão de tais prognósticos. Mas olhemos mais de perto sobre as características desse “vira-latismo”. O que é ser um cão vira-lata?

Alguns podem argumentar sobre a não-diferença entre cães de raça e vira-latas visto que ambos são cães. Igualmente “fofos” e dignos de amor, carinho, respeito. Mas será isso mesmo? E em que sentido afinal não se pode diferenciar um cão de outro? No fim, essas mesmas concepções seriam também válidas para os seres humanos?

É sabido que os chamados SRD (Sem Raça Definida) perdem o padrão racial quando há mistura de mais de duas raças. Por padrão racial entende-se comportamento. É só observar a diferença entre um pastor alemão e um bug na maneira de se posicionar quando andam com o dono. Por exemplo, o fato de andar na frente ou ao lado; um é certamente mais alerta que o outro; mais ou menos brincalhão; e o fato de fazer alarde para qualquer coisa que se mova que pode irritar perfeitamente os vizinhos.

Assim, a escolha de adoção (ou compra) de um cãozinho dependerá em certa medida da relação que o dono pretende possuir com ele. Em uma rápida busca pela internet observei algumas perguntas que foram colocadas em relação aos cães SRD:

São mais fáceis de serem educados?

Eles cheiram mais ou menos que os de raça?

Comem qualquer coisa? Seriam eles mais resistentes às doenças?

São mais espertos que os cães de raça?

Sobre a educação, saltou-me aos olhos o fato de que na maioria dos casos quando se pega um cachorro por impulso, o cachorro acaba não tendo o tratamento adequado. Observei algumas definições sobre os “vira-latas” no quesito comportamento. Eles não têm um comportamento típico, de modo que ele é “aberto”, diferentemente do que um cão de raça faz. Sendo sua característica mais intrínseca o fato de ser moldável. É necessário observar se veio já adulto ou filhotinho, pois esse fator deve influir na educação que ele deverá receber.

Em relação ao cheiro ou se comem qualquer coisa, essa questão foi respondida como sendo fundamentalmente dependente do “dono”. Ou seja, os cuidados com banho, tosa e alimentação acabam se relacionando com a valorização dos cuidados por parte do dono. E mais, diante da decisão de adotar, o fato de ter sido por compra ou doação pareceu influenciar bastante, visto que alguns donos acham que podem economizar mais tendo um cão vira-lata, isso desde a compra, passando pelo tipo de ração e os remédios que porventura venham precisar. Sim, a questão do custo pareceu ter um peso fundamental, além do “amor”.

Um dos veterinários alertou para a questão de “atribuição de um passado de sofrimento” do SRD, já que a pessoa pode enchê-lo de mimos para tentar compensar o passado, como se a culpa fosse dele, tentando aplacar um suposto sofrimento do cão. Os especialistas dizem que o excesso de mimo pode levar o cão a exigir uma atenção em momentos inoportunos como o cotidiano de trabalho, recepção de convidados em casa, e outras tarefas que podem provocar ruídos (literalmente) na casa. Recomenda-se, pois, que se esqueça o passado e viva o presente. Afinal, fora da rua, agora ele é um cachorro normal como qualquer outro.

Sobre o fato de serem mais resistentes à doenças parece que a maior parte das respostas foi afirmativa em favor dos cães de rua. Contribuem dois principais fatores: 1) genético 2) seleção natural. Os SRD têm menos problemas genéticos. As doenças genéticas são provenientes de genes recessivos. Assim, os vira-latas são mais resistentes às doenças, embora não sejam imunes às doenças virais e de bactérias como qualquer outro cão, de raça ou não. O segundo fator seria darwinista (muito melhor encaixado nesse contexto do que numa visão social, não é mesmo?!). Ou seja, aplica-se a máxima de que “na rua sobrevive o mais apto”. Sem dúvida alguma, o fato de ter sobrevivido sozinho na rua o colocaria como mais resistente aos desafios impostos.

No quesito inteligência, encontrei um “ranking” feito por um estudioso. Stanley Coren, em “A inteligência dos cães” relaciona 133 raças organizadas em níveis de inteligência entre 1 a 79. Fonte: Ranking de inteligência canina https://tudosobrecachorros.com.br/inteligencia-dos-caes/#ixzz6alSj8gP0

Importante dizer que ele define “inteligência” como “Inteligência de Obediência e Trabalho”, e não da inteligência “Instintiva” dos cães. A inteligência tem componente genético mas também de estímulo dessa inteligência. Suponha-se que um filhote venha das ruas, será que ele não teve desafios maiores que outros cães menos sujeito a esses desafios?

Quantas repetições são necessárias para ele entender? Enquanto um labrador pode precisar de apenas 2 repetições um cão da raça pug necessitaria de 30 repetições. A diferença é enorme. Ainda assim, alguns questionaram essa medição de inteligência quando se pensa que esses cães na verdade são apenas teimosos, não correspondendo às expectativas da obediência humana. 

Brasil: país de vira-latas?

Encaminho-me para a conclusão desse doloroso artigo. Trago ainda mais dúvidas do que respostas, como é sabido. Colocando em perspectiva alguns desses “traços caninos”, podemos nos perguntar a maneira pela qual podemos afirmar a valorização ou desvalorização do “ser humano vira-lata”? Tomando tais pressupostos, o que significaria fazer um “elogio ao vira-lata”, como faz o economista Eduardo Gianetti? Implicaria certamente observar as características em aspectos positivos mais do que negativos, por suposto.

Nesse sentido, em que medida são os “brasileiros” mais valorizados que os países do Norte, ou os “cães de raça”? Humberto Mariottis fala em “O complexo de inferioridade do brasileiro (fantasias, fatos e o papel da educação)” que:

O vira-lata se satisfaz com o pouco que lhe dão, ou mesmo com o que não lhe dão mas que ele consegue no dia-a-dia. Concessões mínimas, pequenas sobras são para ele grandes vantagens. Conseguir ser atendido num posto de saúde, depois de longas esperas em filas intermináveis, e atravessar o Atlântico para ganhar em euros, mesmo sem grandes chances de mudar de patamar socioeconômico, são dois exemplos. Trata-se, como já foi dito, de alimentar a sensação de que já se alcançou alguma coisa numa população em que muitos nada conseguem.

Link: http://web.archive.org/web/20071225092632/http://www.revistabsp.com.br/0608/ensaio1.htm

Tomando alguns dos pontos sobre o mundo animal aqui elencados, façamos então uma espécie de ensaio sociológico. 

A primeira diz respeito ao comportamento. Qual seria então o comportamento típico de

determinado povo ou etnia? A questão é delicada e está sujeita ao terreno movediço da diferenciação étnica. A Alemanha do nacional socialismo (nazi) trouxe essa questão sensível, colocando até mesmo sem querer – ou “sem  querer querendo” – no seu movimento a contribuição de intelectuais anti-fascistas no “hall” dos que contribuíram – involuntariamente – para a construção teórica da supremacia de um povo. Afinal, qual seria o comportamento típico de um chinês, de um russo ou de um japonês? O que dizer dos países multiculturais que não se definem por fronteiras muito rígidas como Austrália, Canadá, França e Estados Unidos? Essa é sem dúvida uma questão que deve ser relegado aos especialistas das questões sobre “representação e identidade”.

Como compreender essas singularidades? Entre os que adotam a “diferença” e a “igualdade” como ontologia, que tipo de valores poderão emergir? Como se dá a relação entre “diferença” e “igualdade”? Que classificações e organizações podem emergir?

Para além desses dois pontos de vista, um inimigo: aqueles que enxergam divisões hierárquicas como constituintes da existência. Não custa lembrar que não faz muitos anos que as teorias de supremacia racial pairavam sobre as mentalidades de acadêmicos e políticos para justificar as práticas de segregação e de desenvolvimento nacional. As políticas de eugenia no Brasil, por exemplo, promoviam o “embranquecimento” da população pela imigração estrangeira para que se retirassem os “elementos negativos” da nação. Esses elementos na maioria das vezes faziam alusão ao índio e ao negro. O primeiro estando associado à resistência ao trabalho e ao progresso, portanto indolente e dissimulado. E o segundo, vinculado ao trabalho, porém contraditoriamente menosprezado uma vez que valorativamente associado à mão de obra exclusivamente mecânica. 

5 Variáveis Caninas para Interpretar o Vira-Latismo

Como o que acontece hoje é uma completa falta de entendimento mútuo (dentro e fora das redes sociais), principalmente em relação às palavras e aos conceitos, vale a pena esclarecer o meu ponto de vista, com essa fundamentação: sou daqueles que enxergam mais a diferença do que a igualdade. Nesse quesito, não significa que eu enxergue o cão de raça como superior ao vira-lata. Ao mesmo tempo não significa de modo algum que sejam iguais.

Vejamos os pontos de ataque para uma “sociologia do vira-latismo”. De acordo com o meu estudo sobre os SRD – reitero: Sem Raça Definida – percebi cinco fatores que poderiam ter suas variáveis de estudo aprofundadas:

  1. O comportamento típico do cão de raça vs. o comportamento “aberto” e “moldável” do vira-lata
  2. O papel dos donos, que no meu entender se relaciona em paralelo com o papel dos Estados modernos e a maneira como os governos lidam com sua população em termos de cuidados, educação, saúde e bem-estar
  3. A ideia de um “passado de sofrimento”, muitas vezes atrelado à uma percepção  histórica dos malefícios da colonização por parte dos países europeus
  4. A resistência às doenças: em níveis genéticos e de seleção natural (as adversidades superadas para sobreviver)
  5. Uma visão da inteligência voltada menos para uma espécie de “instinto animal” do que para uma “Inteligência de Obediência”. Isto é, o tipo de relação em que se espera que o cão obedeça à uma ordem. Em outras palavras, em que medida as horas de trabalho serão contabilizadas para a produção de valor em termos de medição global.

InConclusão

Chegamos por enquanto ao ponto de estabelecer as bases para um diálogo à respeito da identidade. Isso pode ser colocado para qualquer perspectiva identitária. Mas estou interessados aqui na questão específica do brasileiro. Como ele se enxerga? Que modos de vida o definem? Quem o define, ele mesmo ou o outro? Ambos? Seria ele digno, menos ou mais que outras contribuições de outros países?

Importa saber, acima de tudo, como nos relacionamos com essas questões interiormente. Penso que há certamente algo que reverbera quando um corpo sai do seu lugar-comum. Quando se coloca no “exterior”, expresso e visível para olhares e julgamentos. Como se relacionar com esse outro que pode ou não devolver uma expectativa criada por aquele sujeito antes tão confiante?

Você, caro leitor, já se viu envolto dessas questões? Já te perguntaram quem você era e o que fazia lá fora? Como você respondeu a essa demanda? Aliás, que chances você tem de resposta em um mundo que em primeiro lugar te encaixota, sela e que agora te vende com uma arroba @ virtual?

Gus Xavíer é ator, historiador e capoeira.

Gosta de muitas coisas e por isso se considera um generalista que vive num mundo que insiste em se especializar.

Frestas do mundo dos outros

A luz cheia, caída do
sol sobre as folhas das
árvores que fazem do
terreno baldio um
remendo de floresta, folhas,
microtelas multidirecionais, filtros
verdes, a alguns metros acima das
crianças sentadas no chão em círculo assim
étrico. Há sapos-cururus dormindo por
ali, escondidos, invisíveis como aquelas
crianças quando elas caminham pelas
ruas, quer dizer, quase invisíveis, porque
as pessoas às vezes as veem e as
temem ou sentem seus territórios in
vadidos por elas, crianças como
cachorros ferais em forma
humana. Um homem (segredo: esse
cara sou eu) mora
numa biblioteca onde
só há livros e uísque, o que
pra ele não deixa de ser uma
situação de alguma sorte, já
que ele gosta dos livros e do
uísque. Sempre sozinho naquela
biblioteca, esquecido de desde
quando. Não tinha sobrado
ninguém além dele naquela
cidade. Muito longe do homem e
de sua biblioteca, as crianças do
terreno baldio não dispõem de livros nem
de uísque, mas sim de pequenos
cachimbos de lata de cerveja ou refrigerante
em que fumam um tipo de
farofa grossa com cara de
encardida. Essa é uma das
primeiras vezes em que
essas crianças se divertem desse
jeito: estão animadas e têm a
vaga sensação de estarem diante
de um monte de trilhas
atraentes, sem saber qual
escolher. Por um lon
go período, o homem da
biblioteca preferiu livros que
detalhassem personagens parecidos
com ele, caras distantes dos
outros porque queriam e porque não
queriam: Fausto, Brás Cubas, o
escritor sem nome do
porão de Dostoiévski, o
escritor com fome, de Knut Hamsun, o
animal sem nome na
toca que escavou, como
contou Kafka. As garotas e
garotos brincam eufóricos após
os cachimbos, o dia é de
luz atravessando todos os poros, mas
não está tão quente, talvez porque
ainda seja manhã. O homem
na biblioteca não tem
noção clara do tempo, ele
já nem tenta mais medir a
passagem do tempo, e,
falando em tempo, faz um
tempo que ele tem preferido
ler obras com personagens femininas
e bem diferentes dele: as
mulheres de Clarice, de Virginia, de Cassandra, de Marília Gabriela, de Orides, de
Maria Carolina, de Ana Cristina.
De dia, ele lê, de noite,
bebe uísque: homem rotineiro.
Em lugar de ler livros-espelho, de se buscar nas
páginas lidas, ele agora lê livros
com personagens que acolhe
como filhas, esposas, amigas, ou me
lhor, ele acolhe a ausência delas como
se fosse uma filha, uma esposa, uma
amiga. Simultaneamente, eu não sou
esse homem, nem estou
aqui. Convenceram você a
ver, às vezes, felicidades possíveis de
alguém apenas como tristeza e
pessimismo: isso, sim, é que é
triste, alguém poderá responder. Quem
sabe? Os sapos-cururus são
pequenos hipopótamos, porquinhos
provavelmente felizes em
seu aparente mau-humor. Pode
acontecer: quando alguém chega
perto
deles, eles viram as costas e
cagam e mijam da maneira mais
rude e sonora que conseguem, talvez
até não estejam sendo
sinceros, mas, quando fazem
isso, estão expressando uma
irritação repentina. Sapos-cururus se
parecem um pouco com ratos, caramujos,
tilápias, javalis, gatos, cachorros, coelhos, gente:
se adaptam a qualquer lugar e
vencem fácil a disputa pela vida que
houver com as espécies nativas. Se
bem que os sapos se limitam a
comer insetos: sua ambição é
modesta. Uma noite, depois de
um sexo intenso e gostoso, você
dormiu e sonhou que, por uma
infelicidade qualquer, os sa
pos-cururus simplesmente foram
extintos, fim, pra eles, da aventura
de viver. Não foi um sonho bom, foi
um sonho triste, mas logo
você acordou e constatou, aliviada,
que nenhuma má-notícia tinha
chegado e, portanto, os
cururus provavelmente continuam
seu próprio mundo nas
frestas, ou em torno, do
mundo dos outros

que susto tomei ao saber de hoje quarta-feira.

não preparei nada (risos)

falando assim, parece até que eu escrevo.

o dia foi emocionante

estilhaços pelo chão

assédio voltando da praia caminhando pela orla de Fortaleza.

e agora uma forte dor de cabeça…

preparo um chá enquanto escrevo (apressada)

camomila.

findo esta “coisa” com lamentações pelo brevíssimo tempo que dediquei à ela.

14.10.2020

Questões?

Por Roberta Bonfim

Uma história que teve um final não esperado.

Uma pessoa que teve uma história contrária.

Um sentimento que teve a decepção necessária.

Uma vida que não terá fim tão cedo, mais que com certeza perdeu muito do que poderia ser, ter, sentir, viver.

E o que se faz para mudar tudo isso?

Faz?

E a ordem? Do que se trata? 

Será ela o oposto da paz?

Contrários, talvez.

Ordem como sinônimo de perseguição?

Contraditório?

Há ordem?

Que ordem? O que ela impõe?

O que massacra, pisa, expulsa cidadãos.

Quem disse que ordem é organização?

E o que precisamos organizar? 

E é fato ou ilusão, a ideia de que ordem traz o “progresso”?

E o que sabemos?

Conhecemos?

Ou apenas queremos perceber?

Há quem diga que saber é conhecer suas limitações.

E você, conhece perceber que querer é poder?

E o que queremos?

E o mundo?

a vida?

as pessoas?

nós mesmos? 

E esse normal que de tão simples, torna-se complexo.

E o amanhã dificultado, não é o que supomos

Filha Mestrinha

Por Roberta Bonfim

Não sei como acontece com as outras mães do mundo, mas a mãe que eu sou entrou em estado especial depois do nascimento de Ana Luna, foram tantas histórias, desde o parto, até os dias de hoje, vez ou outra me pego tendo de ser didática, e as vezes nem tão legal, sobre o óbvio, a educação de um ser, no meu caso, Ana Luna, minha filha. Uma garota incrivelmente maravilhosa, e esperta que pega tudo no ar, e se não, vai no teste para entender qual o limite da brincadeira. Esta é minha menina, que hoje com 33 meses de vida fora de mim, vive ao meu lado a experiência de sermos mestrandas.

Parto do princípio que mãe mestranda, convive com filha mestrinha, aqui em casa é assim, especialmente por que meu campo de estudo é a psicologia, a partir do ambiente e ai tive e tenho de olhar para minha casa, imovel e minha casa corpo, e ver , observar. Mudar detalhes que alteram outros. E aqui nos divertimos em casa e com as casas que somos, de modo a construir esse lugar casa em nós e ele ser, em qualquer lugar. É que como somos nossos lares… Papo para um outro texto. 

Trabalhei até uma semana antes de Ana Luna nascer e voltei a labuta com menos de dois meses, se é que em algum momento de fato parei, até hoje lembro da força da luz do celular sobre meus olhos quando ao tempo que tentava colocar a filha pra dormir eu respondia questões por ali. Hoje, evito a todo custo dividir meu tempo com a filha, na relação com o celular, só me permito quebrar essa regra em dias de brincar com os filtros do instagram, o que normalmente acontece aos domingos. 

Domingo que é o nosso dia, aquele dia em que fazemos só o que queremos, inclusive nada. Há domingos em que nos resumimos a comer e assistir filmes, vivendo a preguiça com alegria, existem outros que queremos socializar, e aqueles em que Ana Luna vai socializar e eu fico em casa e quando consigo, fazendo absolutamente nada. Amor pelo ócio? Tenho. 

Esse amor, começou faz uns anos, mas devo admitir que quando juntei ser mestranda, mãe, dona de casa, responsável pela Lugar ArteVistas,ser amiga, família, adm de airbnb, agente e pesquisadora no Poço da Draga, além de amante das plantas do jardim e de Clarice Lispector, a gata. O fato é que em meio a tudo e mais tanto, meu domingo virou lugar de respiração para equilibrar o compasso, para limpar a mente.

São inúmeras leituras, textos, apresentações, são horas de aula, algumas que pego a onda lindamente  e outras que por mais que eu me esforce, só levo caldo, mas aqui sigo na luta. Às vezes Ana Luna assiste aula comigo, em outros momentos assiste sua aula de inglês, na televisão. Preciso inclusive admitir uma coisa bem delicada. Minha filha de menos de 3 anos fala mais inglês do que eu. 

Meire, que me ajuda com Ana Luna, voltou a trabalhar aqui conosco presencialmente, e primeiro fizemos uma grande faxina, e na sequência passei no mínimo 1 semana sem varrer ou passar pano na casa, nos móveis, e sem cozinhar, ou lavar louça. Depois regularizo, assim espero. 

Bem, agora vou terminar de preparar uma aula, são 21:49 Ana Luna dorme e eu preciso produzir bem, em 1 hora, então, abraços, por que se tem uma coisa que posso afirmar sem medo, é que apesar da maternidade, seguimos mulheres incrivelmente capazes de realizarmos tudo que nos dispusermos a fazer. Pois somos dessas!

O Carinho que Há na Solidariedade!

Olá, povo!

Quanto tempo, gente! Como estão vocês?

Vocês já pararam para pensar em quanto carinho está incutido em um ato de solidariedade? Na beleza que existe nisso? Porque as vezes a gente nem conhece a pessoa com a qual somos solidárias! As vezes somos solidários por identificação, por ocasião ou por mera coincidência (embora eu não acredite em coincidências e acasos…)! Mas, ainda assim, é um gesto em que, necessariamente, faz com que nos importemos com o outro, com que dediquemos nosso tempo e nossa energia para o outro, e que queiramos o bem dele.

O filme que trago hoje para vocês é um filme que fala, sobretudo, de solidariedade!

É mais que uma história, é uma lição de vida! Baseado em fatos reais,”Um Lindo Dia na Vizinhança” nos conta a história de Fred Rogers, interpretado pelo espetacular Tom Hanks, que na década de 60, criou um popular programa infantil nos Estados Unidos. Em 1998, Lloyd Vogel, um jornalista investigativo cético, cínico e cheio de problemas pessoais, recebeu a missão de escrever uma matéria sobre Mr. Rogers para a revista Esquire. À medida que vai entrevistando Mr. Rogers, pouco a pouco o comportamento de Lloyde vai mudando! Ele passa a rever sua vida e a muda completamente, observando a maneira de viver do Mr. Rogers e sua esposa e a forma como ele se dedica às pessoas que estão à sua volta, inclusive ele mesmo, que Mr. Rogers sequer conhecia e tinha qualquer proximidade. Mr. Rogers não obtém nenhuma vantagem pessoal ao ser solidário com as pessoas, quase ninguém tem conhecimento sobre essas atitudes. O próprio Lloyde demora um tempo para entender o que está acontecendo, e para que você entenda, melhor assistir o filme.

É uma história tocante, que nos ensina e nos emociona!

Vale muito ver! Faça sua pipoca, pegue seu lencinho e aproveite!

Eu assisti o filme pelo Now, da Net.

Forte abraço e até o mês que vem!

Janaina Alencar.

Nesse furacão, quem somos nós?

Por Douglas Miranda

Estava aqui pensando com meus botões para poder rabiscar algumas ideias para esse sábado lindo e, de repente, me senti sendo questionado, talvez influenciado pelas leituras recentes que tenho feito. Como Freud nos definiria hoje? Isso mesmo, nós contemporâneos! Como seríamos definidos por ele? E na lata me veio uma resposta.

Histéricos e infantis, rsrsrsr, sim acho que ele assim nos definiria.

A teorização freudiana sobre o supereu enquanto herdeiro do complexo de Édipo e a ação do mesmo, tão marcada na melancolia, era um dificultador.

Freud denominou a essa culpabilidade delirante de dor moral e Lacan, que também se deparou com ela, chamou-a de dor de existir em estado puro.

Sempre suspeitei da energia positiva que as pessoas buscam em palavras. Não que seja de todo ruim, mas a vida é tão mais simples, caótica e indomável que se torna impossível e insuportável de sustentar essa eminente ideia utópica de que podemos controlar o que nos acontece em vida. De modo simples, quando o humano coloca sua mão para modificar em sua literalidade a natureza, muitas vezes desencadeia um efeito reverso drástico à sua própria existência.

A partir desse barulho, decidi escrever, sobre a minha restrita visão e contribuir de alguma forma com um suposto saber. A ideia é a metade de um todo, visto que não existe um todo-saber, mas uma ideia minúscula do que pode se tratar. O estilo original como podemos aprender nos escritos freudianos, lacanianos, depende da capacidade emocional de cada sujeito em suportar as adversidades da vida. Não sem um preço altíssimo a ser pago.

Acredito ser útil declarar que a repetição é única e sem ela não somos capazes de transformar a própria vida, desobstruindo o caminho para que sejamos cada vez mais criativos na experiência que se desenvolve a nossa frente. Sempre falta alguma experiência, alguns goles ou tragos e muita loucura esquizofrênica para suportar a vida e transformá-la. Essa falta é constitucional e se faz necessária.

A vida oferece uma experiência repetidas vezes, mas com um gosto não mais tão agradável, que, no entanto, traz consigo uma visão mais amadurecida de nós mesmos. Não nascemos com um manual de instrução. Para isso é fundamental que cada sujeito em vida seja capaz de acolher sua própria dor, reconhecendo as ferramentas que possui para, então, lançar-se em vida e apostar tudo em si mesmo.

A suavidade também provoca furacões e novos ventos que podem pôr sua vida em pluralidade. Um passo à frente e já não estamos no mesmo lugar. Sendo assim, a diferença de quem vive muitas vezes está em quem se permite ousar.

– Rhaissa Bittar e Estesia | Toda vez que eu dou um passo… | videoclipe oficial

O amor é a experiência que nos leva a uma vida possível de ser vivida.

Douglas de Miranda – Uma mistura de paulistano de nascença com cearense de alma
Pai do Gabriel – 41 anos – Estudante de Psicologia – Amante das Artes

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