Corpo, lugar de presença

Me peguei pensando novamente na PRESENÇA, e me vieram lembranças dos momentos que eu vivi de maior gozo. Estão associados à investigação da anatomia, dos sentidos e dos movimentos do corpo, só por isso escrevo, porque esses instantes de PRESENÇA me permitem a observação e consequentemente o registro.

Meu corpo foi sempre uma pedra, mas esteve sempre em movimento.

Sou uma pedra que se move nos primeiros raios de sol e depois do crepúsculo.

A quem usa o corpo como suporte é exigido disciplina e uma escuta atenciosa de tudo que se altera.

Dou atenção à respiração, aos batimentos, espasmos, estados de tensão, relaxamento, densidade, e aos micro movimentos internos. Experimento sempre o estado de tensão por pensar que viver implica viver em estado constante de tensão. É absolutamente tenso o presente pela incerteza do instante posterior.

Como diz o Zé Tarcísio “é a gratificação dos sentidos, meu bem”.

Gratificar os sentidos seja o sentido da vida.

Como me alegro quando como bem, ou quando sinto o vento vindo do mar. Da última vez em Barão Geraldo eu vi um crepúsculo tão belo que os olhos marejaram. Vi o céu numa paleta de cores que ia da cor laranja à rosa, e de repente ela se esvaiu, e eu sabia que nunca mais viria aquele pôr-do-sol.

Não sei se tenho saudades, não gosto de rememorar o passado, já que não posso voltar a ele, e nem modificá-lo. Fernando Pessoa, não me lembro se no Livro do Desassossego, diz:

“o passado me lembra o que eu não fui”.

Mas o corpo tem memória, e sem que se tenha às vezes controle ele acessa determinadas camadas, nem sempre claras.

“Construído na sua vida cotidiana, em processos de socialização, de educação, de repressão, de transgressão”. (DANTAS, 1999, p. 100)

O corpo, para além da sua formação química, física, biológica, é resultado de uma construção social, cultural, e do meio. O corpo de uma mulher sertaneja é diferente do corpo de uma mulher do litoral, que é diferente do corpo de uma mulher da cidade, de área nobre, que difere do corpo de uma mulher negra que habita na periferia. A violência nos molda de maneiras diferentes. O meu corpo tem gravado as mais diversas. Física, sexual, psíquica, moral.

Assim como adoece o corpo violentado, também está nele a própria cura, que pode ser na investigação estética e experiência do sensível, na busca pelo movimento, nas pulsões, na dança, no trabalho com as mãos, no manuseio das ervas, na redescoberta dos saberes ancestrais, enfim, na PRESENÇA. O estar em si é um portal para adentrar outros mundos.

Referência bibliográfica

DANTAS, Monica. (Dança: o enigma do movimento, Ed. Universidade, 1999).

Roda Mundo Roda Gigante

Roda gigante – Imagem da Internet.

Hoje fiquei tonta, a cabeça pesou e cheguei mesmo a pensar que não conseguiria me equilibrar, mas me equilibrei e sorri, e minha filha que me olhava sorrindo, nem percebeu que eu havia ficado tonta à mercê da queda. É assim, às vezes rodamos tanto que ficamos tontos, e há momentos em que ficar tonto é tudo de que precisamos. Lembro quando eu era piveta e ia pro ITA Parque, ia em todos os brinquedos, mas era a roda gigante a minha preferida, e meu maior medo, é que uma vez o cinto tava frouxo e bati com a cabeça, naquela que você fica dentro de uma gaiolinha. E eu lembro que eu amava a roda gigante por ela me possibilitar ver bem longe, mas também ver de perto. Eu escolhia um ponto fixo e curtia uma ou até duas rodadas observando-o, sob os prismas que fossem permitido. 

Depois que o tempo passou ouvi uma música já ouvida outras vezes, que se tornou para mim um dos mantras da existência, vou compartilhá-la com vocês.

Roda Viva – música de Chico Buarque – Interpretada por Fernanda Porto e Chico Buarque.

E o que percebi nesta última semana é que a Lugar ArteVistas, o teatro e a maternidade me presentearam com a permanência na roda gigante, de repente, sempre estive nela, na roda. Se pá, estamos todos o tempo todo, a cada instante que vivemos o já, o aqui e agora. Este instante em que me lê, é outro instante ao que eu escrevo, mas é também o mesmo, se conseguir te guiar para algum lugar em que você vive este momento aí, em que sua vista percorre essas linhas e você percebe que de repente pode mexer na luz da tela e deixá-la mais confortável, se optar por se sentar para ler e se não apertou o play da música ai acima, o faça agora, e se permita  entrar neste tempo, nesta roda, e ver o todo por essas múltiplas vistas de quem gira neste Lugar. 

Alquimistas Jorge Ben – Na voz de Felipe Barros e imagem dos ArteVistas que cruzamos

Faltavam 45 dias para o dia 20 de junho, quando a Lugar celebrou seus 8 anos de encontros desse corpo no mundo, não posso negar a influência de Moraes Moreira, um do Mistérios do Planeta, queria ter conversado com ele, pretensiosamente acho que teríamos nos dado bem, sinto o mesmo quando penso em Domingos Oliveira. Eu pensava em todos eles que quis conversar e não tive coragem nem de fazer o convite, penso nas vezes em que me enfiei embaixo de mim e não fiz o que queria ter feito. Aquela resposta no meio da reunião que você sabe e cala, ou aquela pergunta necessária que você faria (mas não fez) que mudaria o rumo das coisas. O fato é que neste instante, há 55 dias do dia em que determinei que ou teríamos 1000 seguidores, no nosso canal do Youtube, do contrário eu encerraria este livro.  E quis crer que teríamos, e até melhoramos esses números, mas no dia específico, tínhamos 699, se não me falhe a memória. Foi assim que eu Roberta Bonfim, decretei o fim do que me cabia.  

Lugar Artevistas – Partes do caminho 

Este Lugar ArteVistas – arte onde estiver mudou tanto em mim, a partir de cada um com quem troquei, seja nos papos gravados, ou naqueles incríveis em que sequer lembramos das câmeras. Gente! Sério! Sou absolutamente grata a cada encontro, pois cada um mexeu em coisas em mim, e há algumas falas que hoje são também do meu repertório humano e prático. Aprendi mais fazendo a Lugar ArteVista, do que em qualquer outra função na vida, pois aqui o Lugar do encontro é presente e quantas vezes ouvi que algumas questões minhas eram trabalhadas nas terapias. Que alegria que começamos a entender que terapia é bom e necessário. E quantas sessões não precisei pagar porque estava vivendo este lugar. E além de tudo nesses 8 anos, cada encontro, neste momento de pandemia em que vivemos ela me salva mais uma vez. É que além da pandemia, do desgoverno, de ser gêmeos com ascendente em gêmeos, ainda tem a vida, os medos, as questões, e se não fosse no primeiro momento da pandemia, termos alguns programas para editar, e eu corto os programas. E dizer, que de tudo é o que eu mais me divirto fazendo, e também onde mais aprendo, preciso admitir, pois é onde faço junto a escuta o exercício da pesquisa, vou então ver o que citam. 

Lugar ArteVistas – Partes do Caminho  

Ouvi tantos maravilhosos nesses 8 anos de caminho, com tantas histórias inspiradoras e necessárias, e nestes dois últimos meses tive a chance de reencontrar amigos para papear sobre a vida e nesse meio tempo, sempre a tal promessa do falecimento na mente. Mas, como abrir mão logo agora? Mas, também não poderia trair uma promessa feita a mim. Que tipo de credibilidade teria minha palavra pra mim? E aí a vida veio e deu um empurrãozinho providencial e daí rodou o mundo na roda gigante, que era peão e me deixou tonta, mas minha filha que me olha com amor, nem percebeu, ou como eu, fingiu que tá tudo bem, pois talvez em sua fase de tantos aprendizados por instante, a cabeça deve ficar completamente zureta. Indico a todos, observar uma criança quando ela está eufórica, as palavras se misturam em um dialeto absolutamente inovador, um misto de alemão com mandarim. Quem leu meu texto da semana passada deve ter se deparado com algo parecido. É que quando a cabeça fica bagunçada é preciso colorir, respirar, faxinar lugares que habitamos, tangíveis e não tangíveis, para conseguir dar o próximo passo. E a vida nos presenteia com amor e afeto das Trovadoras Itinerantes, (minha clone inquieta Josy Correa e a pragmática Luciana Costa) que com este nome já chegam chegando e são elas que realizam juntos com mais alguns maravilhosos a Escola de Narradores. E foi assim, que Nascemos no dia 21 de julho com Mirabilia – Roda de Contos do Mundo.

Mirabilia –  Roda de Contos do Mundo #arteondeestiver

No dia 28 de julho, Josy arrasou como entrevistadora no 1 Leituras de Mundo, onde conversa com os pesquisadores de contos tradicionais, o português Paulo Correia e o brasileiro Marco Aurélio. Que sobe a versão hoje no nosso canal Lugar ArteVistas. E a partir deste mês, todas as terças no canal Lugar ArteVistas tem maravilhas da oralidade e escrita com Trovadoras Itinerantes, da Escola de Narradores.

Uma aula sobre contos com Marco Haurélio (BR) e Paulo Correia (PT), com apresentação da Trovadora Josy Correia.

E aí, pronto, a roda girou, o prisma mudou, os caminhos se reconfiguraram e a percepção de que este Lugar Artevistas é uma célula viva que precisa de todas as suas partículas em funcionamento, e ai olhei para que somos e na boa, somos maravilhosos, diversos, dispostos, com desejo de vida e acreditando que a arte é um caminho lindo e leve para gerar transformações.  Então, aguardem que temos novidades no ar. E fecho dizendo que agora quem administra nossas redes sociais é Jao.jao, que estamos em planejamento e desejamos que vocês se deliciem com cada novidade e arte desse Lugar ArteVistas.

Arte de Jão para as redes sociais.

A campanha em prol do Poço da Draga continua, assim como, a Unidos Venceremos e tantas outras, se puder, colabora.

DADOS PARA DOAÇÃO

Luiza de Marillac Lima Ferreira
Cel (85) 9 8775.3596
CPF: 657327823 20
Agencia 3468 1
Conta 118270- 6
Banco Brasil

O Presente do Agora

Texto de Roberta Bonfim

Começo dizendo que fui mãe velha, para mim a hora certa, mas socialmente ainda vista como uma mãe velha. E por que digo isso? Porque agradeço esse tempo, a cada birra que vivo aqui em casa, quando me percebo respirando fundo e tranquilamente enquanto minha filha grita plenos pulmões, pelos motivos mais sem pé, como não conseguir desmontar peças, ter de ir tomar banho, ou não querer vestir a calcinha, dentre outras razões, sem qualquer razão para o tamanho da cena. E sempre pergunto se ela é dramática ou dramista, ela normalmente responde que dramática, sem saber o que isso venha a ser. Aí nesta hora agradeço, pois há 5 anos atrás corria o sério risco de ficar louca só pelo grito, mas como fui mãe na minha hora, tá tudo certo por aqui. E por que falo sobre isso? Porque agora neste lugar de mãe constato e reafirmo que não somos máquina, ao contrário, e por mais que alguns queiram negar, somos bichos, e como tais podemos ser adestrados. O que quero dizer com isso? Que a repetição é amiga leal, a rotina companheira fiel e a respiração indispensável para vida.

 

É que é assim, nascemos, choramos e ali, naquele momento os profissionais humanos já entregam o ser ao colo da mãe, pronto, silêncio, ali é quase tão quentinho e confortável quanto útero, apesar da frieza gélida de uma sala de cirurgia. Minha filha nasceu depois de uma cesariana rápida realizada por uma equipe incrível que ama muito o que faz, sou e serei sempre muito grata por todo cuidado, comigo e com minha filha. Especialmente agradeço à Sabrina Sabry, a doula, aquela que escolhi, mediante indicação de Suênia, minha referência na vida em muitos lugares, a quem tenho tanto a agradecer que nem tento para não cair na plena pieguice. Mas, voltando à cesariana rápida, na realidade um pouco antes dela, coisa de uns três dias, comecei a sutilmente sentir umas pontadas, lembro como se fosse hoje. Fomos gravar, com Grafiteiros que deixavam a Tenente Benévolo mais bonita. O bucho nas tampas e lá estávamos gravando, depois comemos, e eu comi muito, tudo que eu não havia conseguido comer na gestação, já que só nesta última semana tive a grata alegria de comer sem vomitar. Comi horrores, dirigi muito pela cidade. Na manhã seguinte comecei o dia fazendo faxina, ela cada vez mais indicava que estava chegando a hora. Pós-faxina um banho de mar. O bicho foi começando a pegar e ali pela primeira vez senti medo de estar só. Senti medo de cair, de a bolsa estourar e eu desequilibrar, senti medo de não aguentar a dor, de não conseguir ser a mãe que eu desejava, de o progenitor aparecer do nada, senti medo que avisassem à minha avó, ou a qualquer pessoa da família. Liguei para duas amigas que amo, e claro que elas logo apareceram. Katiana Monteiro e Ivina Passos, as melhores piores companheiras que eu podia ter escolhido para sentir dor na frente. As caras delas possivelmente nunca sairão de minha memória. Elas estavam se sentindo absolutamente impotentes e me olhavam deixando claro que se não faziam nada era só impotência e eu claro que sabia disso, por isso no meu plano de parto, sim tive a ingenuidade de fazer um plano de parto, como se tivéssemos qualquer controle sobre o próximo instante. Mas, o fato é que nele eu teria segurado e vivido essa história sozinha, eu iria na hora que a bolsa estourasse para o hospital com a doula que estava sempre a postos. Gente ela é incrível! Seu marido também, porque lá para o meio da madrugada, lá estava ele dirigindo para nós para que Sabrina pudesse estar comigo, já que eu sentia a contração e vomitava. Mas, apesar disso tudo, do hospital lotado, o outro com um médico no mínimo bizarro que soltou logo na nossa entrada um “eu preferia ser corno a obstetra”, ali olhei para a Sabry, antes de tomar adrenalina e disse que não queria que minha filha nascesse pelas mãos daquele homem.  E ela lógico agiu com responsabilidade e profissionalismo ímpares, entrou em contato com meu obstetra que rapidamente tomou providências para realização desta cesariana, agendada às 5h da manhã e que foi realizada às 7:00, e às 7:45 Ana Luna solta seu primeiro choro e é acolhida, começa neste instante nossa relação de poder. O amor vem se construindo a cada novo instante.

Pelo amor das Deusas não me leiam mal, ao contrário, observem, se não é neste instante que esses pequenos seres entendem que ao chorarem algo acontece, e o que acontece é melhor do que a situação anterior. Daí pra frente até que aprendam minimamente a falar nós mães logo aprendemos a identificar tipos de choros, tem os imbuídos de razão, nos primeiros 3 meses o intestino tá terminando de se formar, gente isso deve ser absolutamente incômodo, tem a peleja de aprender a mamar. E a amamentação é um livro à parte, eu por exemplo tive um dia que tava tão pirada, que por mais estímulo,  não saia uma gota sequer de leite do meu peito. Tá tudo na cabeça e se a gente não está com a cabeça bem, e com uma rede que te apoie verdadeiramente, nada funciona. E eu que tinha um plano de parto, também tinha um plano de primeiros meses, onde a ideia era ficar eu e minha filha, sem visitas, sem barulho, sem interferências, e vivemos o extremo oposto a isso. E minha filha entendeu rapidamente o poder do grito, da cena. Na pior das hipóteses atiça a plateia e ela ama público. 

E por que retorno a isso, é que é neste momento, lá no primeiro choro que começam muitas outras relações importantes, ali um amor completamente novo, começa a se desenvolver fora do corpo da mulher/mãe, a relação com o mundo dessa mulher e deste ser e deles juntos, e é importante também iniciar a relação com as rotinas. Rotina para dormir, passeios, acordar… comer só a partir dos sexto mês. Aqui em casa, hoje a filha dorme às 20:30, mas até 1 ano e meio era às 18:30, a partir dos dois anos às 19:30 e agora chegamos ao limite do horário de criança ir pra cama. E tem dado certo. Em tempos de pandemia, onde passamos o dia juntas e isso não minimiza nenhuma das minhas outras funções, ao contrário, sem as rotinas eu certamente não daria conta nem de um terço. 

E neste texto como em outros reafirmo meu amor pelas rotinas, um algo que só comecei timidamente a ter com prazer em idade adulta, e que nos ajuda enormemente a melhor aproveitar os tempos e os presentes do instante já, que é o agora. 

Bem, de acordo com minha rotina é findado o momento dessa escrita pois agora é hora da leitura com frutas com a filha. O livro do dia ”Sinto o que Sinto, de Lázaro Ramos. Um mês de agosto de amor e construção de novos hábitos para todos nós.

A virtualização dos espetáculos teatrais.

Enquanto dura a pandemia e nós não podemos frequentar teatros, cinemas e museus, a alternativa que nos sobra é acompanhar a virtualização dos espetáculos, visitar exposições online e abusar dos filmes disponíveis na Internet.

Os tempos de agora nos pedem muito mais do que resistência e resiliência, pedem criatividade para a reinvenção dos meios e processos do nosso fazer.

Grupos e coletivos teatrais se lançam agora ao desafio de passar ao público de casa toda a emoção do teatro, como é o caso dos Pícaros Incorrigíveis, um dos grupos de teatro mais aclamados de Fortaleza. O Coletivo reconhecido por ganhar as ruas da cidade com seu teatro festivo e carnavalesco tem a difícil tarefa de apresentar o espetáculo Devorando Heróis – A Tragédia Segundo os Pícaros na plataforma do Zoom, que tem sido a preferida pelos artistas do teatro para realizarem suas apresentações.

A plataforma tem sido a mais usada tanto pela capacidade de pessoas que podem estar conectadas simultaneamente, como pelos suportes que oferece, como o uso de mais de uma câmera por pessoa.

E para quem ficou querendo saber mais sobre o espetáculo online dos Pícaros Incorrigíveis, é só tomar nota dos dias e horário das apresentações.

ESPETÁCULO: DEVORANDO HERÓIS: A TRAGÉDIA SEGUNDO OS PÍCAROS – COLETIVO OS PÍCAROS INCORRIGÍVEIS(CE)
DATA: 05, 06, 07 e 14 DE AGOSTO
HORÁRIO: 20H
ONDE: VIA ZOOM
INGRESSOS LIMITADOS:
https://www.sympla.com.br/coletivo-picaros-incorrigiveis-e-cia-5-cabecas—temporadas-arte-encena__925675
GRATUITO!

A arte sempre nos aponta um caminho. #arteondeestiver

O despertar da alma

Todos os dias vivemos nossas vidas sem nos perguntar como chegamos até aqui. São várias as situações que precisamos resolver, como contas para pagar, objetos para comprar, filhos para criar, mas e a vida?! Apenas passa, diante de nós. A cada ano fica mais difícil perceber os acontecimentos, desfrutar dos bons momentos e ensaiar algum tipo de lazer. A Cada novo dia a gente já acorda pensando na hora que irá dormir, dorme imaginando a hora que terá que acordar, estamos atolados no meio de tantas obrigações e desejos que nem sabemos de onde vêm. São raríssimos os momentos que conseguimos viver o presente, desfrutar uma conquista, e até comer se torna inconsciente. 

Será mesmo que esse é o sentido da vida? Viver o que nos é programado desde a infância? Será mesmo que só podemos ser essa máquina que tanto faz e pouco pensa, pouco sente e pouco se questiona? Qual foi a última fez que se perguntou sobre o porquê de está fazendo o que está fazendo? Como chegou até aqui? Quais foram os caminhos que tomou? E isso te faz feliz? Satisfaz sua alma? Você sabe o que é viver com plenitude ou apenas sobrevive? Se questionar é fundamental para conseguir identificar se o que está vivendo é realmente o que gostaria de viver. Afinal hoje, os vazios existenciais são tão grandes e a desordem dentro de si é tamanha, que é possível compreender esse processo apenas observando número crescente de depressivos, de doenças psicológicas e suicídios no mundo todo. 

E em meio a tantos questionamentos e desgastes, chega um momento que algo dentro de você começa a mudar, como se sua alma começasse a ganhar voz. No começo é um pequeno chiado, ao passar do tempo toma-se força até se tornar uma grande eco em sua cabeça e coração, um eco de mudança, um eco de “basta eu necessito de algo melhor”. E é nesse ponto que sua alma desperta e começa a se manifestar em seu interior, através de uma necessidade insana de mudança e é nesse momento que você precisa acreditar! Acreditar que existem outras possibilidades, outras formas de viver e começar a construir esse caminho.

Muitos estão passando por esse processo, já é possível contabilizar o crescente número de pessoas que estão reinventando suas vidas. Pessoas criativas, corajosas, que descobrem seu próprio valor e vão em frente por um caminho totalmente desconhecido, mas sabem que é o caminho guiado por seu coração, que é o caminho que o fará feliz. 

E você, em qual caminho está? Se não sabe a resposta, é simples descobrir, basta se perguntar: O que eu faço enriquece minha alma ou o bolso de alguém? Isso me fazer feliz? Me traz satisfação? Dependendo da sua resposta, talvez seja o momento de reinventar a rota e seguir em uma nova direção. Você não precisa sobreviver infeliz, pois existe um potencial infinito e criador dentro de você. Abrace sua natureza divina e crie sua nova história. Não desista nunca!

Com amor, 

All Franca

Identidade (ancestralidade III)

Há duas semanas iniciei um papo sobre ancestralidade e feminismo. Para começar, trouxe a memória forte e doce de minha avó materna, Dona Terezinha, a Mãezinha. Uma mulher que muito me orgulha, no presente, porque mesmo não estando mais nesse plano, sua história é contada por nós e fortalecida pelos valores deixados por ela. Falei ainda sobre a diversidade de nós mulheres nas construções diárias das lutas, conquistas, dos amores, dos medos e das dores. Trouxe um pouco do sentimento após a leitura do livro Identidade e força ancestral – Histórias de mulheres dentro da periferia de São Paulo, inclusive, o responsável por estas minhas escritas e outras leituras sobre o tema. Escrevi sobre ser grata às tantas histórias incríveis de mulheres que vieram antes de mim, da nossa geração, que nos garantiram lugar de fala, existência, de vida. Trouxe também a minha gratidão pela resiliência das mulheres da minha família e pela minha história que está em curso. Percebi a importância, ainda mais, do feminismo em todos esses lugares e na vida de nós mulheres. Que bom que existe diversidade para acreditar e viver.

Hoje, para fechar esse nosso papo e acender o espírito de inquietação sobre nossas histórias, sobre a pluralidade de construir o feminismo vou falar sobre identidade. Quem somos nós mulheres? Quem é você, mulher? Quais histórias foram vividas antes do hoje para chegarmos até aqui. A nossa identidade nos faz livres? Quais os fatores, lugares, abraços, dores nos trouxeram até aqui? Como construímos o nosso ser?

Em busca rápida no Google, identidade vem “do latim identitas, a qualidade do que é idêntico (o que é o mesmo). É um conjunto de características essenciais do que diferenciam coisas, indivíduos ou grupos sociais; características próprias do indivíduo ou de uma comunidade; consciência que uma pessoa tem de si mesma e que a diferencia das outras”.

Banco de imagens

Na sociologia, além do conceito de identidade também é estudado a alteridade, de forma resumida, ela representa o grupo do outro, a dor do outro, o lugar de existência do outro. É reconhecer que, muito além da sua existência e crenças, também existem outras culturas, outras formas de pensamentos e que, acima de tudo, é preciso respeitar e conviver de forma civilizada com toda essa pluralidade.

Eu sou uma mulher negra de pele clara. Fruto de uma mulher branca com um homem negro. Esse reconhecimento é recente. Resultado de leituras, aprofundamento na minha própria história, dos processos de desconstrução como mulher, ser humano e intelectual. O estudo sobre o feminismo é um caminho que me ajudou muito a entender e reconhecer minha identidade. Ser uma mulher feminista também é recente. 

Me sentia completamente perdida em relação à minha identidade quando mais nova. Olhava para minha pele clara, meu cabelo crespo e me perguntava quem eu era. Não era reconhecida por pessoas brancas como uma menina branca, porque meu cabelo “não era adequado para essa cor da pele”, motivos de violências que pratiquei comigo como queimar por várias vezes meu couro cabeludo (tenho cicatrizes até hoje) e usar produtos químicos fortíssimos, como formol, para deixar meu cabelo liso e assim “pertencer”. Não era negra, porque a cor da minha pele nunca me tirou nenhuma oportunidade na minha vida, nem me fez ser vigiada nos lugares por onde andava ou qualquer outra violência sofrida por quem tem a pele escura. O conflito sempre foi reforçado pela minha família que, assim como muitas famílias, não conhecem e nem reconhecem suas origens. Não os culpo. 

Ainda no terror da chamada adolescência, eu também não era vista como uma mulher. “Masculina demais, só gosta de coisas de homens, não é feminina, só anda com macho, joga bola, não toma jeito de moça” e tantas outras frases machistas me acertavam. Na rebeldia nata da idade eu me apropriava cada vez mais desse lugar, considerado de masculino, à medida que as violências aumentavam. Levou muito tempo, muitas cicatrizes foram deixadas, dores provocadas para que eu finalmente pudesse entender que a  construção da identidade é um processo e que leva tempo.

“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Trouxe essa clássica frase de Simone de Beauvoir no primeiro texto sobre ancestralidade e feminismo. E agora, quando falo sobre identidade, o uso dela se faz muito necessário. Diferente do modelo tradicional do patriarcado, que exerce forte influência sobre a construção das sociedades determinando funções sociais para homens e mulheres desde antes de seus nascimentos, a construção da identidade do indivíduo parte pela diversidade de processos que ele vai passar. No que diz respeito à nós mulheres e, as perspectivas do movimento feminista, é processo constante de desconstrução para a formação daquilo que nos representa, nos define, nos torna livres e iguais (no que diz respeito a direitos e deveres), iguais. 

Ser mulher é uma construção. A identidade é uma construção. É um longo caminho que pega um pouco de nossas heranças emocionais, espirituais, de carne, de convívio, do que absorvemos do mundo e damos de volta para nos caracterizar. Assim como a digital, a identidade é única, porém, ninguém nasce com ela definida. “Você tem que criar a sua própria identidade. Você não a herda,” Zygmunt Bauman sobre a definição de identidade pessoal. 

Ainda, de acordo com Bauman, a identidade é um projeto de vida. Talvez não na atualidade, visto a velocidade com que recebemos as informações, assim como as tantas certezas são fluídas. Mas ela deve ser um projeto construído e modificado ao longo da vida. 


Zygmunt Bauman – Identidade pessoal

Antes me tornar uma adulta, nunca havia falado ou ouvido sobre feminismo. Apesar de ele ter sido um dos pilares mais fortes das mulheres de minha família, mesmo elas não se considerando feministas, nos muitos anos minha mãe, minhas avós e minhas tias eram resistência e reinvenção na arte de ser mães, mulheres, escritoras de suas histórias. Aliás, até hoje são. Todo o meu respeito às mulheres que vivem a maternidade. É um projeto de vida que admiro muito. 

“Mesmo sem ter conhecimento sobre movimentos teóricos e militantes, mesmo sem ter ideia de como mudar um status quo de opressão, fica entendido por nós, que em momentos singelos, toda e qualquer mulher já se questionou de vivermos como vivemos. Partilhamos não só uma força ancestral e uma vontade de mudança, como também dores e indagações que permeiam nossa individualidade, ainda que de forma subjetiva.” (pg.63), trecho do livro Identidade e força ancestral – Histórias de mulheres dentro da periferia de São Paulo.

Quem é você?

A pergunta mais demorada para ser respondida nos anos de análise. E muitas vezes, as respostas não ficam claras. Somos nós; o que trazemos de casa; das relações com os outros e com mundo; os medos; as dores. Somos o nosso olhar sobre nós, os olhares dos outros sobre nós, o lugar onde estamos. Somos nossas crenças, incertezas, os traumas que trazemos, as feridas abertas e curadas da vida. Não cabemos em uma linha do tempo que segue uma ordem cronológica. Somos a necessidade de se adaptar, na grande maioria das vezes sob uma perspectiva de violência, para caber e pertencer. 

No livro “Quem tem medo do feminismo negro” da Djamila Ribeiro, a autora conta sua história de silenciamento e das diversas tentativas de tentar caber para pertencer, um processo clássico do patriarcado. Ela revela esses lugares confusos e perversos que é a negação, especialmente por crianças negras, das suas raízes e, consequentemente, da sua existência. “Acostumada a querer agradar as pessoas para que fossem minhas amigas, patinei, sem saber o que estava fazendo . Por um tempo, já adulta, quando me lembrava dessa cena, me culpava por julgar que não havia respeitado minha avó. Tempos depois me dei conta de que teria achado graça”, Djamila, trecho do livro “Quem tem medo do feminismo negro?”.

O feminismo negro: entrevista com Djamila Ribeiro

Você se reconhece nesse lugar? Quantas vezes você desrespeitou suas raízes para entrar no padrão? Negou as lutas de suas ancestrais para não criar conflitos? Repito, a construção da identidade é um processo. Entender e se apropriar do movimento feminista é um caminho, especialmente para nós mulheres, para o fortalecimento dessa identidade. 

Eu sou uma mulher feminista. Sou negra. Sou uma mulher que sonha, chora, luta, resiste. Eu sou plural na minha individualidade. Eu sou uma das bisnetas de Maria Raimunda da Conceição da Silva Vitorino Souza Tomaz Gomes, mulher preta que nasceu como propriedade de alguém e recebeu na pele essa marca. Uma mulher analfabeta, que da vida tinha muito conhecimento, mesmo tendo sido privada de estudar da maneira tradicional. Eu sou a neta da agricultura Terezinha Gonçalves de Carvalho, semi-analfabeta que investiu todo o suor do seu trabalho na educação dos filhos. Eu sou filha de Antônia Anizia Gonçalves Moreira, mulher, professora que sob os ensinamentos de Paulo Freire aprendeu e nos ensinou que “a educação faz sentido porque as mulheres e homens aprendem que através da aprendizagem podem fazerem-se e refazerem-se, porque mulheres e homens são capazes de assumirem a responsabilidade sobre si mesmos como seres capazes de conhecerem”, Paulo Freire.

A identidade é um projeto de vida adequada a cada novo momento vivido ou espaço ocupado. “A identidade é uma construção social”, como defende a antropóloga Lilia Schwarcz. Analisando a formação da identidade do lugar Brasil, Schwarcz avalia o processo de construção da identidade como, “um fenômeno contrastivo, eu crio a minha identidade por contraste a alguém. Não é essencial. E ela é alterativa. Eu posso mudar de identidade dependendo do local. Num local eu sou professora. Num local eu sou mãe. Em outro lugar, ainda, eu sou amiga. Enfim, nós construímos várias identidades. No fim, identidade é uma resposta política a um contexto político”

Ser brasileiro: Qual a minha identidade?| Lilia Moritz Schwarcz

P.S.

Parabéns ao aniversário de um ano da Lei nº16.946, comemorado ontem 30 de julho, que assegura o direito de uso do nome social para travestis e pessoas trans em serviços públicos e privados no Ceará. O nome social deve ser reconhecido em registros, cadastros, correspondências e nos sistemas de informação de serviços de ensino, saúde, previdência social e de relação de consumo, dando maior segurança jurídica a pessoas trans e travestis.

Eu vou escrever

Bárbara Leite Matias

Eu vou escrever, e não se trata de escrever palavras gramaticais aeiou porque não tenho nome e não sou dona das palavras, nunca fui dona de nada, eu carrego sequestrado no meu amago gritos, uivos, ecos, sorrisos, olhares e salivas escorregando entre arvores, céus e a terra.  E tu resolves chamar de palavras. Eu germino minha dor, meu suor, gozo e alegria e dá nessa tal de palavra filha de escrever. Tudo bem, que chame de palavras escritas, se quiser. De toda forma, eu vou escrever. Confesso que minhas letras não precisam ser batizadas, deixem elas demonizadamente livres, carregantes de si feito andorinhas. Eu vou escrever inventando letras em folhas sem linhas, desenharei as vozes que carrego na cabeça. Eu vou escrever no meu corpo palavras que nunca aparecerão no papel, nas paredes, nos muros e nem nos computadores. Eu escrevo enquanto queimam minha casa, uso fogo como tinta nas minhas memórias evocando berros que carrego nas células. Palavras rebeldes e teimosas voam da minha janela sem permissão, desfilam entre dedos e desejos de corpos de almas selvagens feito minhas letras linguarudas.

Não me diga não escreva. Que queimem os papéis, acabem com as tintas. Eu sei como fabricá-las e, ainda assim, não se trata disso porque quem escreve sabe das quantas que riscam quando dão vidas às letrinhas que respiram.

Mãe, avó. Do meu barco furado vamos escrever.

Sem papel e caneta escreverei palavras racializadas como nós.

Me afogaram aos seis anos de idade, com mochilas nas costas carrego os quilos da minha submersa memória. Ainda que a coluna se quebre ao meio. Eu vou escrever.

Submersa na água vou escrever.  Com dedos quebrados, vou escrever.

Sendo peixes, vou escrever com o corpo inteiro.

Com os olhos, vou escrever, e se tu souberes ler, talvez, tu me escutes feito um grito na madrugada de domingo pra segunda.

Se tu me escutares, talvez, somente assim.

Saberá o que relato no livro corpo alma, que é ser memória de muitas que se arrastam comigo enquanto tentam queimar nossas existências.

Bárbara Leite é atriz, performer, professora de teatro e escreve para a cena. Também escreve no blog às quintas-feiras, em “qual é o seu Lugar de fala?”

Vivendo o presente

Marcelina Acácio

Tenho exercitado não fugir ao presente, este é um exercício de atenção. Escuta.

Quando sinto que me distancio, imediatamente volto.

Isto é a PRESENÇA, um corpo vívido, habitado e habitando.

Estava certa da mudança para uma casinha no Centro, com quintal, varanda, plantas frutíferas, numa rua aparentemente tranquila, entre a Padre Valdevino e Bárbara de Alencar, nas imediações do Banco Central, a poucos minutos do mar da Praia de Iracema.

Mariana e eu nos encantamos de imediato e num ato de impulsividade decidimos alugar.

Da casa futura à casa presente, o trajeto percorrido de bicicleta foi vestido por pensamentos que já me faziam moradora da casa, cozinhando num fogão de barro, que eu e Mariana já havíamos construído, em menos de duas horas.

Sem contar os diálogos:

– Ah, mas os banheiros são tão pequeninhos, Mariana.

– O quintal tem espaço para um chuveiro, e nós podemos construir um banheiro sustentável.

– A feijoada do Júnior Barreira no domingo, com muito samba.

– Uma mesa de madeira grande para o alpendre.

Chego em casa, banho e comunico à família (esta que eu escolhi, que são os melhores amigos com quem eu poderia passar 05 meses de confinamento, porque nós somos as pessoas que convidaríamos para as nossas festas).

Num instante meditativo no meu quarto, uma voz interna me diz para eu voltar ao presente, eu estava já morando em outra casa, e não habitava mais à mim mesmo, pois que para habitar-se é preciso estar no presente. Recuperei a consciência e com calma, dois dias depois, optamos por adiar o plano da mudança, dadas as incertezas com o futuro. Estou confortável, e é esta a questão. Mariana virá morar conosco, oficialmente.

Eis o exercício, trazer-me insistentemente ao presente.

Voltei a ter saúde, e com saúde se pensa melhor.

Não me canso mais com o mundo, e nem com esta ideia de amor.

Me preparo para entrar no meu inferno astral. Hidratei os cabelos, e agora vou para um banho de ervas (manjericão, alecrim e boldo, com óleo essencial de patchouli e muita reza), feito pela Raísa Inocêncio, amiga que os ventos fizeram cruzar os nossos caminhos. Epahey, Oyá!

Nas Balanças da Vida

Roberta Bonfim.

Começo dizendo que comecei a quarentena emagrecendo, foram embora de cara 04 quilos, comemorei e quis crer que seguiria assim, cheguei mesmo a pegar aquele short lindo que há uns dois anos não passa do meu joelho e deixar ele à mão. Mas, depois da farra que fiz no meu aniversário, nunca mais consegui voltar à disciplina do princípio, por algumas razões, uma delas e que talvez seja a causa matriz de tantas outras questões, é que como compartilhei semana passada venho traindo e me deixando ser traída, ao mesmo tempo, por mim e pelo outro, que pode ser inclusive você que neste instante me lê, mas não há qualquer problema, pois a balança que diz que estou com 80 quilos, não sabe quanto andou pesando minha alma, e se você me traiu saiba que te perdoo. É que neste exercício árduo de me perdoar, perdoar o outro virou tarefa mais fácil. O fato é que esta alma vem aos poucos se esvaziando, é que ando assim, em estado de esvaziamento. Mas, ainda como, literalmente as minhas emoções, e com isso entendo que preciso de Matheus e Bia por perto para serem exemplos motivacionais próximos, além de possíveis fornecedores de caminhos. E entendo que preciso de Lorena Armond e seus hambúrgueres de lentilha sem igual, além de sua câmera e olhar sensível. Por falar em olhar tem Jether Junior. E bem, eu amo ver o mundo através das lentes deles.

E relembrei uma máxima que sei faz tempo, que diz: “somos resultado dos que nos cercam” E a você, quem cerca? Somos nós que escolhemos de quem queremos estar cercados. Quais as pessoas que em estando por perto te levam às suas máximas potências? Foi essa a pergunta que comecei a me fazer. E são desses seres que ando buscando me cercar, para ter pulsão e força de ser exatamente quem sou. É que me perdi no caminho, faz tempo e as migalhas também se perderam. E deve ser por isso que existem esses seres mágicos que podemos chamar de amigos.

Olhei a Mafalda na porta da minha geladeira e comecei a enviar algumas mensagens para alguns que sabem tanto mais que eu e que só de pensar neles meu corpo, alma e coração se acalmam. Quero todos por perto, ninguém meu, pois não trabalhamos com posses, mas tenho interesse de ter os que amo por perto, de acompanhar suas caminhadas, vibrar junto com cada conquista e refletir sobre as ‘’derrotas’’. Vou abrir aqui um parêntese para uma foto que mudou todo o meu parâmetro sobre derrota.

Aqui eu acabara de levar o fora das galáxias. Ele foi tão certo e objetivo, sem joguetes ou enrolações. Só um fora e eu estava derrotada, claro. Foi o fora mais bonito que levei, jamais o esquecerei. E aí fui sofrer ouvindo o som da feira da Glória tomando uma cerveja, na companhia de Lua Ramos, que fez esta foto. E eu simplesmente amo esta foto. Me acho linda, plena, derrotada e de pé. 

Compartilho essa foto, pois é como nela que minha alma se encontra neste exato momento, em que ouvi, sim, e silêncios que dizem talvez, sim, me fala mais… E até a quem nada perguntei obtive resposta. Pois a vida é também assim. E o fato é que iniciamos na semana passada uma nova velha fase desse lugar, iniciamos o início da realização de um sonho antigo e hoje teremos mais. Serei mais clara, na terça da semana passada fiz mediação do Mirabilia – Roda de Contos do Mundo, um momento lindo, realizado em parceria com as Trovadoras Itinerantes (Josy Correa e Luciana Costa). nessa estreia tive a grata alegria e honra de conversar e ouvir contos delas as Trovadoras, mas também de Tâmara Bezerra e daquela que embalou e embala caminhos, Bia Bedran. Uma honra e um privilégio e foi incrivelmente lindo e interativo. Eu que ainda sou desacostumada com essa interação fiquei surpresa e entendi que vou ter de assumir os óculos, ou apelar para uma lente de contato. Pois só interage quem enxerga os comentários. Mas, isso não vem ao caso, o importante é que agora temos todas as penúltimas terças de cada mês uma roda de contos do mundo, repleta de histórias, ancestralidade, afetos e arte onde estiver. Em agosto por exemplo essa roda terá a participação de Raimundo Moreira, Luizete Carvalho aqui do Brasil e Fernando Guerreiro lá de Portugal.

LINK AO VIVO 1 MIRABILIA – #ARTEONDEESTIVER #ARTEORALIDADE

E na próxima terça, às 21 horas, temos mais uma estreia, onde Josy Correa conversa com o especialista em contos tradicionais do Brasil, o baiano Marco Aurélio, que hoje reside em São Paulo, e com Paulo Correia do núcleo de pesquisa de tradição oral e criador do catálogo de contos de tradição oral de Portugal. Distribuímos a edição com cortes, as lives acontecem sempre no canal da Escola de Narradores, sempre na última sexta de cada mês às 17 horas (BR). E pra fechar as terças com magia, amor, arte, alegria e boas histórias, na segunda terça temos uma edição com cortes do Ateliê da Escola de Narradores e na última terça de cada mês vocês terão a chance de conhecer mais e melhor essas Artevistas Trovadoras e Itinerantes, suas obras, percursos e trabalhos, sendo, vivendo, fazendo e existindo com arte onde estiverem.

E se ficou confuso guardem só que todas as terças temos programação de contos e estórias no canal da Lugar ArteVistas – arte onde estiver. Por falar no canal, vocês viram o programa de ontem? Foi o nosso último da temporada de aniversário. Não poderemos dizer que não celebramos esses oito anos. No programa além da emoção de ouvir alguns de nossos ArteVistas de casa, tem ainda a maravilhosa Rhaissa Bittar (SP) e o querido Daniel Groove (CE) e o programa acaba com Felipe Barros (BA) cantando Jorge Ben, na minha versão os ArteVistas estão chegando e é possível ver tantos maravilhosos que a alma até respira e solta peso que se dissipa no ar. Vira orvalho na transmutação. Assiste aí que vai gostar. E eu aproveito para mais uma vez agradecer a todos e cada um.

PROGRAMA DE ONTEM LUGAR ARTEVISTAS

E terão mais novidades porque aqui nada para e a rede de amor e arte só cresce. O que fica claro em rápida navegada pelos textos deste blog, de segunda à segunda, textos incríveis que inspiram reflexão crítica sobre a vida que se vive. Os temas são os mais diversos, assim como os seres que habitam este lugar. E que incrível o exercício da arte nesse lugar da leitura para desenvolvimento de empatias, sem com que se precise de respostas rápidas, ou qualquer consentimento, as emoções viram palavras e inspiram outras emoções, gerando afeto. Ai gente, acho isso incrivelmente lindo. Grata!

Manuzita entra pra essa família aqui no blog e Matheus ao que tudo indica só mudará o rumo, mas segue conosco e ainda creio que Bia vem junto. E esta semana estamos vivendo nova fase e novas forma de encontros entre nós, de certo tudo vai ficar ainda mais massa. chega junto que é bom.

Imagem de divulgação

Quem também chega chegando é Jão, que vai se somar na nossa comunicação nas redes e trabalhar para fortalecimento dessa bonequinha filha que chega chegando junto com outros elementos lindos que Klebson Alberto deu cor e protagonismos. 

Quanto ao nosso querido Poço da Draga, bem como nossos trabalhadores da cultura continuam precisando do seu apoio e boas energias para que passemos todos nessa tempestade geral apesar das embarcações diversas. Nesta semana encerramos com amor essa temporada de muitas lives no Instagram e aproveito para agradecer a cada ArteVista, e dizer que em breve teremos novidades lindas. E se liga que para encerrar temos papo com a presidenta da ONG VelauMar Marilac Lima, e o fechamento é também abertura com Marcelina Acácio e Bárbara Matias que cá escrevem e que vão compartilhar textos, reflexões, emoções e tanto mais. É isso! fico por aqui pois agora vou entrar em um papo lindo com nossa maravilhosa Karla Brito. Todos os papos estão no nosso IGTV. E até terça que vem. abraços em todos.