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A nossa melhor parte

O que vale mais?

Um armário abarrotado de roupas, sapatos e bolsas ou uma mensagem de conforto que chega no celular pela perda de alguém muito querido?

Dois carros na garagem ou um afetuoso abraço virtual?

Comprovantes de bilhetes aéreos da viagem adiada – sabe-se lá para quando – ou o pôr do sol que doura a sua sacada toda tarde?

O amplo apartamento subutilizado e empoeirado ou a varandinha onde você se alimenta diariamente de vitamina D?

A pandemia do coronavírus nos apresentou um novo mundo construído às pressas. Ou nos transformamos ou não sobreviveremos.

Quem acreditou que a vida era apenas diversão, viagens, brincadeiras e que o dinheiro comprava tudo, até saúde, deparou-se com hospitais lotados onde a riqueza do globo inteiro ou a cobertura ilimitada do caríssimo plano não eram garantias de internação nem de cura.

Sabe aquela verdade que lava, sem trégua, o nosso cérebro desde que nascemos: “A vida só tem significado se você tiver muita grana e um sólido patrimônio”? Ou “Não desperdice tempo com coisas que não geram lucros financeiros”? Tudo precisa ser monetizado e, de preferência, em moeda forte. Aos fracassados, as inutilidades.

Admirar o crepúsculo sobre uma duna ou montanha? Para desocupados.

Caminhar sem pressa à beira-mar, sentindo a brisa no rosto e a areia quente sob os pés descalços? Para frustrados.

Ler um livro de poesias? Para desiludidos.

Cantar com amigos ao luar, em volta de uma fogueira?Para tolos.

Embalar-se  despreocupadamente em uma rede na varanda? Para preguiçosos.

Participar como voluntário em um projeto social? Para sonhadores.

Cantarolar versos antigos com a mãe idosa? Para ociosos.

Pois é, sinto dizer que essa tal verdade mercantilizada desmoronou, evaporou em géis e álcoois.

Não sei se a crise sanitária vai mudar a humanidade, mas se pelo menos uma parte dela puder refletir sobre a vida repleta de “utilidades”que levava até então; se parar de negar sofrimentos e tristezas, naturais da existência; se demonstrar às novas gerações que sensibilidade, solidariedade e compaixão são valores essenciais, aí então as milhares de mortes de entes tão amados não terão sido em vão.

Muitos afirmam que o ser humano não tem jeito. Eu prefiro cultivar a esperança, outra inutilidade da era contemporânea. A vida é feita mesmo de pequenas inutilidades. São elas a nossa melhor parte.

30 de Setembro de 2020.

Margot está aqui, o que é motivo de festa, de outros que temos. Falando assim pareço que ignoro a realidade. Não é verdade, eu a sei, e por isso mesmo celebramos o encontro, depois de longos e agora de repente meses distantes.

Amizade é este sentimento de liberdade, de nos sabermos no encontro ainda e sempre amigues, independente dos caminhos.

Tenho amizades saudáveis, este é um orgulho que carrego.

Amanhã é assustadoramente Outubro de 2020.

Volto para a festa, importa que eu dance entre e com os meus.

Palco e Luz

Por Roberta Bonfim

Uma luz me chama para um palco vazio, mas, totalmente iluminado. Não há ninguém ali, além de mim, palco e luzes. Corro pro palco, fecho as cortinas vermelhas. Procuro um som. Escuto. Ao longe, baixinho uma música sem letra, um som sem melodia harmoniosa, mas que desperta curiosidade. Talvez um violão desafinado, sendo tocado por um lunático apaixonado, ou ainda quem sabe, uma criança fazendo arte. Procurava o som, já com alguma impaciência, que logo levaria a desistência, mas, o vi. Não quis perturbar, mas queria dançar. Então, pus sutilmente o microfone perto dele e liguei as caixas do palco

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Voltei ao palco, cortinas fechadas, e o som, antes estranho, agora se fazia fascinante. E todo aquele palco só pra mim. O ato de abrir as cortinas, fiz de olhos fechados, e me deixei dançar, guiada e embalada pela música. Percorreria toda extensão do palco, nunca estivera tão feliz como naquele dançar. Naquele instante que tomei consciência, a música parou. Parei de dançar. Temi que o tocador, tivesse descoberto que eu o ouvia e dançava aqui. Temi que ele estava de pé ali me olhando. Temi. Tremi. Sabia que precisava abrir os olhos e encará-lo. Mas, não conseguia, não queria. Poderia passar, sem dificuldade, horas ali dançando com aquele som, naquele palco. Eu e minha alma. Então, sem coragem de abrir os olhos pus-me a falar, relatar meus sonhos secretos, em uma árdua tentativa de convencer alguém que poderia nem tá ali. 

E depois do fatigante monólogo abri finalmente os olhos, olhei ao redor, procurei o teatro, o palco, a luz, mas tudo que encontrei foi uma completa bagunça, bruxas gnomos e duendes, entre anjos, quadros e máscaras. Eu estava no meu quarto, o lençol e travesseiros no chão, a gata me olhando. E eu, chorava e sorria. Tudo não passou de um belo e inesquecível sonho.

Hoje resolvi compartilhar este sonho, para que me ajudem a compreendê-lo. 

Até a próxima terça!

Dia de plantar

            Senti a primavera chegar na ponta do meu nariz. Estou no caminho do pólen. As membranas nasais não adubam, expelem. Espirro para longe o vir a ser pétala. Preciso de um antialérgico.

            Eu nunca havia plantado até o dia de hoje. Nasci no asfalto. Em um prédio alto, que está longe de arranhar o céu. Em 1977, recebi meu primeiro oxigênio, já estava poluído. Não sei a data certa em que tive a primeira rinite.

            Minha geração é politicamente incorreta. Andava na parte de traz do fusca, chamado carinhosamente de “porralhudo”, aonde eu colecionava, com meu irmão mais novo, os panfletos de novos apartamentos que iriam arranhar os céus de São Paulo. Eram tantos encartes imobiliários que encheram o porta malas do fusquinha. Deixava fofo, uma cama de papel, e parecia incrível andar na parte detrás do carro fazendo caretas ou dando um tchau amistoso para o motorista preso e exausto dos infernais engarrafamentos. Obviamente, eu estava lambendo um pirulito rosa choque, com corante vermelho ou fosforescente.

            Cresci despreocupada com o meio ambiente, com a floresta distante e convicta dos benefícios do Danoninho, “aquele que vale por um bifinho”, com propagandas de consumo desenfreado, mas que por sorte às vezes não passavam no reclame, pois saiam do ar e era necessário dar muitos socos na TV, ou muitos minutos perdidos tentando arrumar a antena, bem no último capítulo da novela, em que certamente o vilão iria se dar muito mal e a cena final seria um belo casamento de alguns milhões de cruzeiros.

            Esbanjar, industrializar, modernizar, asfaltar e maquinizar era a nossa oração. Ide e pregai tudo o que pode ser colocado na tomada.

            As décadas seguintes intensificaram e muito os plugues, além da tomada de três pinos, chegou o wireless. A cada palavra norte americana incorporada a nossa língua colonizada, nos distanciávamos mais e mais dos saberes dos povos originários e a palavra “terra” estava mais para um elemento do signo. As pessoas nascidas no signo de terra têm os pés no chão. No cimento.

            Qualquer cidadã ou cidadão que trazia temas como o aquecimento global, o desmatamento, a extração mineral, as queimadas criminosas, os assassinatos dos sem-terra e dos povos da floresta tinham um nome de chacota, que era bastante divertido repetir e propagar: ecochatos! Ainda ninguém poderia imaginar que, anos depois, seriam chamados de “ecochates”, afinal entendemos hoje que temos que ser politicamente corretos.

            Quando me vi confinada, devido ao isolamento social por decorrência do coronavírus, em um apartamento, sem sol, sem céu, sem terra, com minha filha de quatro anos, senti fortemente os impactos do descaso com o planeta, das gerações passadas e da minha geração. Como dói saber que foi este o mundo que construímos para as nossas crias.

            Na aula de capoeira online da minha filha, o professor pediu para as crianças falarem como foi a semana, o que aconteceu de importante e a Alice disse: eu vi uma flor desabrochar.

            Faz três meses que nos mudamos do apartamento e a Alice trocou as telas do computador pela observação na natureza. A rua é de terra, tem poeira, cobra, espinhos e tantos perigos para a urbanização.

            O primeiro movimento foi pedir desculpas à terra. Não adiantou. O segundo, como propõem muitos líderes dos povos originários, é arrancar o asfalto e plantar. Deixar a natureza ocupar as zonas de wi-fi e telefonia móvel. A fibra ótica se desintegra enquanto expressão e vira fibra de alimentos e mudança do sol na nova ótica. A cria pôde supor, pela experiência, que a terra é redonda.

            O negacionismo da doença, da devastação, dos sinais da natureza aliado ao deslumbramento tecnológico e consumo exacerbado de eletrônicos e venenos do agronegócio nos deixaram sem o tato.

            Tato com a terra, Tato com a pele. Tato com o outro.

            No dia 18 de setembro de 2020, plantei pela primeira vez junto com a minha filha. Colocamos argila no fundo, terra no meio, fizemos furos para receber as sementes, regamos, colocamos no sol e estamos dispostas a esperar o tempo de crescer.

            Vai demorar, mamãe? Vai. Por quê? Talvez porque seja mais bonito quando desabrochar. Talvez porque o vaso ainda é de plástico. Talvez porque a internet pega na área de proteção ambiental. Talvez porque precisamos de placas com o nome das plantas por não reconhecer pelos olhos, cheiro e textura suas diferenças.

Por Mariana Trotta

Alice e Mariana plantando

Procuro singularidades

Fortaleza, 26 de setembro de 2020.

Cara amiga bruxa,

aqui, de cara, em espelhamento. olho… vejo o que não se vê. você aqui me dizendo essas coisas… eu aqui escutando… escutando como uma mensagem do futuro, antes mesmo dele acontecer. aprender o quê? sei que os segredos da bruxaria da vida te compõe mesmo sem você entender, mas acho que quando afirmo os seus dons, você confirma aquilo que já sabia. ser bruxa velha é sabedoria. minha pele de 35 anos, ainda não sabe direito o que é envelhecer, mas talvez ela dê pequenos sinais, estes que fortemente me colocam a pensar agora sobre o tempo. como terráquea, penso o quão necessária é a carne, esta que é a via e ferramenta para o sentir. a gravidade da terra opera sobre ela, envelhecer é consequência desta ação sobre os nossos corpos. por que lutar contra? O que lutar contra? sinto que queremos buscar a eterna juventude da matéria, e isso me parece uma busca contínua por uma estética jovem e padronizada, operada apenas nas extremidades da carne. como mergulhar na juventude? você se queixa do seu embate entre corpo e cabeça, como você mesma diz. corpo este apresentado como sistema em falha, cabeça essa cheia de frescor bagaceiro de uma juventude infinita. será que a sua ferramenta está obsoleta? Eu diria que ela estaria obsoleta se tivesse parado de sentir, embora saiba que seus movimentos não estão mais tão rápidos e disponíveis, surpreende-me ao me dar calcinhas de rendinha. Este gesto me ensina sobre sensualidade que por sinal é uma grande característica sua – aprendo o seu feitiço, repassarei às bruxas mais jovens que eu -, não que isso me prenda, amo também calcinhas velhas, feias e frouxinhas. por que um corpo envelhecido, para o sistema o qual vivemos, perde sua utilidade e deve ser escondido, como uma calcinha não sexy? Ou porque temos que assumir certas formas corporais para nos fazermos validadas por esse sistema? isso se deve à forma como moldamos a nossa superficialidade estética para, assim, sentirmo-nos participando da coletividade. quem dá as ordens do jogo? Quem decide o que somos e devemos ser? digo-te que a maravilha que habita teu corpo é exuberantemente sábia. será que um dia envelhecer possa se ressignicar e virar uma nova juventude? Será envelhecer o momento o qual cansamos de todas essas formas sociais para assim fazer o que realmente se quer? foda-se… você é a própria criação do foda-se. Sem preocupações com o que os outros falarão. foda-se. Corpo aberto para uma dança improvisada, corpo liberto para agir na cena da vida… surpresas acontecem… queremos surpresas! trabalhamos aqui com criação de singularidades. bruxa safa…você sabe jogar com o que existe ao seu redor, sabendo usar certas máscaras em alguns momentos. foda-se. divirto-me, embora às vezes também sou pegue de surpresa. divirto-me. chateio-me. estou viva, que nem você. corpo jovem e cabeça velha… é melhor não tê-los… pois, o que vamos criar? olho em volta… percebo as enormes distâncias entre as pessoas… talvez sejam criações de cabeças velhas… pensa comigo… é estranho ver corpos tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes um do outro. De você me sinto próxima, mesmo existindo entre nós uma longa distância geracional. Vivemos no mesmo tempo. Esse tempo se opera em criação constante, por isso comunico por meio desta carta-texto reflexões que surgiram de nossa amizade, com intensão de abrir fissuras neste espaço-tempo. Vamos mergulhar no pensar sobre o envelhecer? Aqui… olhando pra você me espelho em um futuro que ainda não aconteceu para mim, mas que acontece para ti. minha amiga, a solidão não deve ser apenas o único caminho que essa vida pode nos levar. ser uma bruxa velha é poder compartilhar sabedoria. envelhecer não é o fim nem o começo, é o caminho: laços, relações e experiências.  como a nossa sociedade está envelhecendo? ou mais específico, como as mulheres bruxas estão envelhecendo? vida individualista torna as pessoas egoístas. procuro singularidades e não individualidades. procuro coletivos viventes e não massas moventes. a obsolescência programada está até nas formas humanas de existir. não quero nascer com data marcada para o fim do meu funcionamento. quero viver em estado de juventude, sem buscar falsear a gravidade. quero envelhecer me sentindo em comunidade.

de sua amiga…

Rosana

Monique Cordeiro

Rosana chorou ao assistir a mulher no teatro. Olhou atenciosa para cada gesto, ouviu com cuidado cada palavra, mergulhou profundo na poça de água rasa que a atriz fez no chão. Meus olhos acompanhavam Rosana em todos os seus movimentos. Fiquei intrigada com aquela lágrima e com seu leve sorriso, mas as pessoas que a acompanhavam não se surpreenderam com o seu jeito de olhar.

Conheci Rosana, quando fui comemorar o aniversário de minha prima. A comemoração atravessou a noite inteira. Talvez eu fosse a única com dezesseis por ali, oscilei a noite inteira na preocupação de chegar muito tarde em casa e minha mãe brigar comigo. Na oportunidade que tive de ficar cara a cara com ela, não consegui falar direito. Eu gaguejava quando tentava dizer alguma palavra. Me sentia pequena diante daquela mulher gigante. Quando fiquei sabendo que ela amava gatos, sonhei que me enroscava em suas longas pernas. Era bom pensar que eu, uma pequena gatinha, poderia subir em suas pernas e chegar até seu colo. 

Certa vez, Rosana chegou mais alta que de costume, mas não usava salto. Era como se tivesse crescido aos meus olhos e ali estava majestosa. Ouvi sua conversa, sua gargalhada, que me chegava junto com o vento fresco naquele luau. Ela falou do tarot e dos astros. Rindo alto disse que tinha um grande caldeirão. Eu fiquei confusa, um pouco assustada, pois ela falava sem medo de assombros ou de magias. Mesmo assim, eu fiquei hipnotizada olhando sua boca vermelha mexer. Não consegui ouvir nenhuma das palavras, só fiquei sentindo um arrepio subindo pelo meu ventre, tomando conta do meu peito. Quando notei minha respiração ofegante e o coração batendo forte, saí para comprar um guaraná. Minhas pernas estavam um pouco bambas, lembrei que tinha de voltar logo para casa porque no outro dia eu tinha aula. 

Aos meus olhos, Rosana era imensa. Exuberante. Tinha cheiro de uma mistura de ervas e flores que eu não sabia dizer qual. Se movia como bailarina, pisava como uma leoa. Eu imaginava poder dançar enganchada nela numa noite que entraria pela madrugada. Pendurada no seu colo, eu sentiria o seu calor e fluiria com seu movimento. Nossos corpos ficariam suados e estaríamos unidas, envolvidas num abraço ritmado. Eu tinha certeza de que Rosana sabia dançar todas as músicas e dominava os conhecimentos sobre o céu, a terra, a água e o ar. Eu desejava ser como ela, eu desejava Rosana. 

Foi quando a encontrei, por acaso, sob a luz do dia. Jamais imaginei que tomaríamos café juntas. Na lanchonete, ela sentou ao meu lado. Meu coração acelerou um pouco quando pude olhar para os olhos daquela mulher longe da penumbra, mas bem perto dos meus. Pude ver as linhas do seu rosto. Vencendo qualquer vergonha, continuei olhando. Percebi com cuidado sua boca com a cor natural e uma cicatriz que falava sobre o tempo em que era estudante na mesma escola que eu. Me surpreendi porque achei que Rosana já tivesse chegado nesse mundo grande e com todos os planetas tatuados nas costas. Ali envolta por guardanapos, saleiros, copo de vidro com café, eu andava num território conhecido. Parei de olhar, puxei conversa. Contando da vida, eu sentia que esses planetas pesavam em suas palavras, pois ela falava de dor, de dúvida e de medo. Surgia na minha frente uma mulher extremamente cansada.

Cheguei a ver Rosana faminta uma outra vez. Ela se alimentava de uma comida suculenta: caldos, queijos e cremes. Comia com as mãos e lambia os dedos. Eu já conseguia lhe fazer perguntas e o meu ventre já não vibrava tanto. Passei para ela o guardanapo. Olhei de perto, ela me pareceu muito mais humana com aquela fome verdadeira. 

Parece que ela estava sempre por ali porque, certo dia, eu a vi de novo da porta da minha escola. Ela chegou numa mansidão felina e viu na entrada da lanchonete um monte de gatinhos. Sentou-se no chão, pegou um a um em suas mãos. Olhou nos olhos de cada bicho e observou o que eles precisavam. Eu me aproximei. Notei que, sem a luz da lua, ela se tornava uma mulher comum. Deixava os mistérios, as estrelas e seus planetas dentro de uma pequena bolsa que carregava. Na clareza do dia, Rosana era muito mais humana e provavelmente seguia como uma mulher igual a todas as outras: lavando pratos, cuidando de gatos, sofrendo de amor. Talvez até gostasse de assistir a novelas. Eu tentava juntar aquelas duas: a que era mulher gigante à noite e a que era mulher comum de dia. E me perguntava: a que horas essa transformação acontecia ? 

Monique Cordeiro é Educadora da rede estadual de ensino, leitora, mediadora de leitura. Também conta e escreve histórias. 

Instagram: @niquemaria_cm 

Viver não tem cura, é poema Leminskiano.

Marcelina Acácio

Viver é denso e impossível.

Crise pós-aniversário. Muito natural.

O sangue de minhas tentativas escorre.

A vida me escorre.

Só será possível curar o mundo por vias da poesia. Esta é a única inteligência que busco, a inteligência sensível.

Não darei conta jamais das complexidades do mundo contemporâneo, nem das minhas próprias, mas busco incessante a lucidez para atravessar os tempos.

Lugar de respiro

Roberta Bonfim

Mais uma terça e eu por aqui, para minha alegria e espero que para a sua também. Se tá aqui me lendo, quero crer que é por gostar do que encontra por aqui. E trago boas novas e lindas. Hoje vou dividir por formato. Começo por onde estou, esse Blog lindo diverso e necessário pelo respeito. Assim, te convido a viver este blog como eu mesma vivo, com leituras diárias, a última de todos os dias, ou a primeira do posterior. Nos enriquece enquanto seres. Mas, se quiser ler só o segmento que te interessa também é sucesso.

Vou apresentar agora cada um individualmente, a partir da minha percepção, claro. 😀

Começamos com o domingo ou com a segunda? Vou começar pelo que entendo como começo na rotina por aqui. Segunda, dia de acordar mais cedo, fazer a prece de benção da semana, dia de encarar o mar e a Mãe que Sou, seja na primeira segunda, quando compartilho a brincadeira séria daqui de casa, ou nos textos dessas mães que tanto me inspiram, Lara Leôncio, a Mãe da Íris Luz (8 meses), multiartista, aquariana, teimosa e apaixonada pelos seus, essa figurinista responsável pelas nossas camisas aqui da Lugar ArteVistas, junto com seu companheiro e Artevista Klebson Alberto, Janira Alencar, Mãe do Tom, formada em Letras, apaixonada por literatura e música, sobretudo a brasileira. Coordenadora Pedagógica e recém-aventureira na viagem da maternidade. Mariana Trotta, coreógrafa, bailarina, videomaker e escritora. Autora do livro “O discurso da Dança: uma perspectiva semiótica” (Editora CRV) e autora do blog “Na espera de um novo amor: sobre maternidade adoção e devaneios”. Professora Associada do Departamento de Arte Corporal da UFRJ e do Programa de Pós-graduação em Dança da UFRJ (PPGDan), coordena o Laboratório de Linguagens do Corpo (LALIC/UFRJ), pesquisa em criação em dança contemporânea e videodança, com enfoque no corpo político e ativista. Mãe da Alice e Mayane Andrade, Mãe de Davi, João e Marina, vendedora nata e criativa.

Roberta Bonfim
Lara Leôncio
Janira Alencar
Mari Trotta
Mayanne Andrade

As terças somos nós aqui e as quartas são poesia, vento, experimento e alma de Marcelina Acácio, atriz, escritora, performer, poeta e produtora cultural. Autora do nosso primeiro livro como editora, na Lugar ArtevIstas, “De Vento em Poesia”, com lançamento previsto para dezembro deste ano.

Marcelina Acácio
De Vento em Poesia

As quintas são um estouro de falas incríveis e necessárias, aqui no Lugar de Fala, temos Rebeca Raso que atualmente, vive na Galiza (Espanha) de onde nos escreve. É ativista feminista, praticante de teatro des oprimides no grupo 100Tolas e tem doutorado em Educação, Gênero e Igualdade e trabalha como formadora em temas de gênero e feminismo por meio de metodologías participativas. Saulo Lemos, professor de literatura, gosta de ouvir e conversar coisas diversas. Mora em Fortaleza e sonha com outros lugares. Bárbara L. Marias, é atriz, performer, professora de teatro e escreve para a cena e tem Kiko Alves, do Coletivo Afrofuture e projeto A Invenção do Lugar, com atuação no Poço da Draga. O jornalista, pesquisador das questões raciais e condição social das periferias do Brasil. Realizador, Professor e Produtor Audiovisual. Especialista em Antropologia da Imagem – UFC.  Mestrando em Sociologia – Pós – UECE ( CE) –  linhas de pesquisa: Cultura, Diferença e Desigualdade.

Bárbara L. Matias
Kiko Alves
Rebeca Raso
Saulo Lemos

E então as sextas. Esta até bem pouco tempo era lindamente alimentada de conteúdos ricos e fundamentais da nossa ArteVista Indyra Gonçalves, que foi bem ali e volta já para mais amor. E hoje temos uma sexta recheada de Artevistas incríveis, como a jornalista e escritora Celma Prata, que eu já sonhava por aqui fazia um tempo, mas tudo acontece só no tempo de acontecer, né? Ela que é autora do romance “O Segredo da Boneca Russa” e membro efetivo da Academia Fortalezense de Letras, é também mãe da nossa querida Camila Bitar. Gustavo Xavier, é um virginiano incrível e muito especial na minha vida, como muitos do que neste blog escrevem, é ator, capoeirista e historiador. Licenciado pela UFC em História Social, mestrado pela PUC-Rio em Relações Internacionais. Tem Rafa, é artista de dança, performer, pedagoga, especialista em Gestão Cultural, integrante da Cia Balé Baião, Produtora cultural no Galpão da Cena e Artista docente na Escola Livre Balé Baião (escolas da cultura do Estado do Ceará). E pra deixar a sexta mais linda nesse lugar de descontruir-se, convidamos você a escrever conosco.

Celma Prata
Rafaela Lima
Gustavo Xavier

O sábado é o respirar, é o aceitar, o seguir e se perdoar e não é nada disso e tanto mais. E nele temos Daniel Hamido, terapeuta Tântrico formado pela Comunna Metamorfose, Instrutor de Delerium Privativa – Treinamento Multiorgástico para Casais com as (Sensitive Massagem, Êxtase Total Massagem, Yoni Massagem e Lingam Massagem, G-Spot e P-Spot Massagem). Formado como mestre reiki, radiestesia e apometria – técnicas de identificação, limpeza e correção energética- ministra cursos na área para uso pessoal. Formado como Master em Eneagrama pelo Ibeth(Instituto Brasileiro de Eneagrama e terapias holísticas). Formando em Educação Física pela Universidade Federal do Ceará. Junto e se somando temos Douglas Miranda, um Cearálista, um misto de paulista, lugar como nasceu e cearense, por ser em Fortaleza que sua alma se encontra. Pai do Gabriel, amante da arte de viver, é estudante de psicologia, iniciando atendimento. E tem a maravilhosa All Franca, essa mulher massa que acredita que a forma como vemos o mundo é o que cria nossa realidade. Pesquisadora ativa de técnicas energéticas (Thetahealing, Reiki, Terapias Multidimensionais), e pra deixar os sábados mais encantados ainda, a bruxa Natália Coehl, atriz, cantora, performer, pensadora crítica, mestranda em artes pela UFC e graduada em Licenciatura em Teatro pelo IFCE. Pesquisa técnicas de movimento, como: dança, mímica, artes marciais, meditação e derivas urbanas.

Daniel Hamido
Douglas Miranda
All Franca
Natália Coehl

E pra fechar ou começar temos o domingo que é tudo misturado mesmo, onde temos o Coletivo Abayomi, que são um coletivo de artistas/ arte-educadores dedicados ao estudo das performances, teatralidades negras e epistemologias afrocentradas que sentiu o desejo e a urgência de transformar nossos estudos em um conteúdo que pudesse ser acessado para além dos cânones sagrados e embranquecidos das universidades, Manuela que vai trazer a arte da nutrição, Janaina Alencar, advogada, amante de rock, arte, filme, vinhos e viagens. A atriz, diretora, escritora, compositora, filósofa e pesquisadora de teatro e música Juliana Veras. O produtor cultural, estudante de publicidade e amante pesquisador de musical Adonai Elias e o ator e jornalista Karlos Aires pesquisador sobre música e artes cênicas. Escreve aos domingos para o blog.

Janaina Alencar
Juliana Veras
Karlos Aires

Ficamos pendentes com as fotos de Manuela Ramos, Adonai e Coletivo Abayomi.

Esses somos nós aqui deste blog. Semana que vem apresento a turma do canal, até lá.