Vou me explicar

Por Roberta Bonfim

Essas terças eram pra eu dar conta de atualizar a turma sobre os encaminhamentos da Lugar ArteVistas, mas como ando precisando de valvula de escape, estou usando-o de forma mais pessoal.

Hoje por exemplo, vou usar para uma brincadeira que adoro e que a tempos não pratico.

Olhei uma foto no feed de um colega e comentei:

  • Acho muito chique! Serim! A cara do núcleo rico da novela da globo.

Ao que ele sensível e gentilmente respondeu:

  • “Digno de uma transformação de narrativa. Onde o garoto do Lebon percebe no meio de sua trajetória, que vive em uma bolha criada por aqueles que querem manter o monopólio do poder”.

Quem me conhece bem sabe que um dos meus grandes prazeres é trabalhar para transformar narrativas, então vamos ao desenferrujar dessa escrita que sempre me foi uma boa distração. E que com a maternidade e os corres do existir em tempos líquidos traz. Mas, neste instante a cria dorme. 

Bora!

Fernando é carioca da gema, daqueles que acorda no surf e antes de ir pra casa ao final do dia joga tênis para desopilar do dia estressante onde todos passam o dia competindo e concorrendo. Todos buscando os holofotes e trabalhando pelo engordar da conta bancária que garante os privilégios e o melhor ar de respirar da praia do Leblon. É vizinho do prédio de Chico Buarque de Holanda e cresceu ouvindo ao longe a viola, mas sem ouvir bem as letras. Assim viveu a vida, correndo para manter o lugar de poder ser, no mundo em quem não tem não é ou se quer existe. Já imaginou os números dos que se quer existem socialmente com registro no Brasil? Essa reflexão não pairava pela cabeça de Fernando. Não mesmo! E assim ele viveria anestesiado para sempre, não fosse sua plena admiração por gaivotas.

Ele gostava de observá-las e desenhá-las e foi uma gaivota que o levou a ver ao longe um garoto que ao contar sua história transformaria em completude a narrativa desta história, da vida de Fernando e até da sua. É que naquele instante Fernando foi despertado para realidade e descobriu que sem grandes esforços poderia gerar pequenas transformações externas que geram sempre, grandes internas. 

E Fernando já não era o mesmo. De tudo que ele era sobrou o surf e o tênis.

Grata João!

A coisa de ser liberdade!

Por Gemini Luz

A coisa de ser liberdade! E sei que é frase clichê, mas é deliciosa a sensação de ser-se simplesmente, sem amarras ou coisas desse tipo. Esses dias vivi momentos de mudanças de chaves importantes da minha relação com a vida e daí depois de muitas curas venho sendo tomade pelo desejo de compartilhar a alegria de ser-me. O fato é que cruzando a porta de entrada normalmente eu teria percebido a disparidade e certamente ficaria constrangida e amedrontada pela iminência do novo. Mas, a real é que nem percebi nada, nem vi ninguém, pois estava me sentindo à vontade em mim e isso é libertador, penso, sinto.

Viver não é nem pode ser uma prisão. Precisamos exercitar o respeito a nós, ao outro e ao mundo e amar, porque o amor muda os campos e sorrir pois o sorriso o fortalece. 

E é o que desejo a quem chegar até este texto, que você não tema quem é e seja, pois ser é a grande liberdade.

Corpo Matéria

Por Gemini Luz

É no corpo que sentimos a passagem do tempo, é ele que aponta os lugares de tensão e também é ele que reage aos mais sutis sinais. Ele quem adoece quando não aceitamos o caminhar fluido do existir. Esses dias iniciei uma terapia nova a partir do corpo e o que posso dizer a respeito? É transcendental curar a alma sem tocar nas feridas, apenas liberando o fluxo e agradecendo pelo existir e pela a chance de poder fazer diferente.

Na vida temos muitas chances, mesmo os mais desprovidos de oportunidades estão cheios de chances. Cada dia é uma nova chance! Escolho trabalhar todos os dias, pois acredito em nós, acredito nos sorrisos, nos brilhos nos olhos e no mar de chances que precisam ser aproveitadas. 

Não estamos aqui para salvar ninguém de coisa alguma, mas por crer que arte, afeto e participação transformam realidades. Boa jornada e ouça seu corpo ele guarda memórias para além da matéria.

(des) Construção

Por GeminiLuz

Me desconstruo desde o dia que nasci e não nasci faz muito, mas já nasci me desconstruindo. Nasci no berço de uma família híbrida e eu era estático e padronizado para operar em outros lugares, que não aquele que eu estava. Aos quatro anos, tentei inconscientemente a minha primeira fuga daquela realidade, mas fui pega em flagrante e me levaram de volta para aquele lugar chamado casa, onde não caibo.

Lembro quando eu estava na barriga que eu me sentia completamente sufocada, não à toa nasci antes do previsto, só para sentir a liberdade na minha pele avermelhada, nasci com rosácea e até hoje ela me visita a cada forte emoção, assim para fugir dela, desconstruo as fortes emoções, mas sentido-às intensamente o exercício tá na identificação do ego e seus externalistas, eu graças a rosácea aprendi a controlar o entre e desconstruir esse cenário de realidade em que o outro é obrigado externalizar as emoções com toques irônicos da mente que é tão engraçada achando ter controle sobre algo e aí os agentes externalizantes fazem a festa e é essa a hora que minha rosácea entraria em cena, mas desconstrói o caminho de acesso ao externo, e construiu um que liga ela ao meu umbigo e minha ligação com o cosmos que somos e aí me desconstruo de novo inteira, para ser reprogramada e liberar o resultantes ao mundo que me certa mantendo-me com no caminhar de me desconstruir, enquanto me construo em mim.

Observo as pessoas… Observo também a pessoa que sou e que me torno a cada novo instante em que me desconstruo E estou feliz em poder compartilhar essas desconstruções por aqui.

Ser mulher…

Por Alicia Pietá

O que te faz mulher?


Essa pergunta ecoa, essa pergunta ronda, essa pergunta abrange tempo, culturas e seres, mulheres.


Alguém tem direito de se afirmar mulher, se sentir mulher?

Ou a sociedade que define o que é uma mulher, se você é mulher? O que acontece no mundo ideal onde todos podem ser livres e ser o que quiserem e o que acontece na prática? Sim meus amigos e amigas estou aqui a lançar diversas perguntas para que juntos pensemos sobre esse ser tão julgado ao longo da história e mais recentemente amplamente abrangente enquanto diversidade e existências/resistências.

Eu enquanto mulher trans, ou simplesmente mulher, penso nisso todos os dias, nas mais diversas ocasiões, desde me olhar no espelho quando acordo até quando vou dormir isso por que a sociedade ainda me nega o direito de SER, o direito de me ver como sempre fui: Mulher.


Para ser mulher é preciso útero, ovários, vagina, biologia? Isso resume e aprisiona o conceito de Mulher ou é muito mais amplo e diverso? Num mundo ideal deveria ser diverso, num mundo mais cruel e machista vemos outra realidade cruel, nossa condição e existência sendo negada até por quem deveria estar lado a lado, não deveria haver separações, vemos um movimento completamente cego e ignorante em suas limitadas convicções de mulheres cisgeneras, famosas Radfem, assumindo o papel de opressoras, usando a luta feminista para negar a condição/existência trans dentro do próprio movimento, negando o transfeminismo, negando assim nossas existências!


A pergunta que faço é: dentro do seu argumento “querida” Radfem, uma mulher cis que não possui mais útero e ovários deixa então de ser mulher também? O que define uma mulher? Continuam usando o mesmo discurso opressor para limitar a ampla existência e pluralidade feminina? Até quando continuarão apagando existências e fazendo um verdadeiro desserviço a grande luta feminista?


O poder de agregar sempre será maior do que limitações cegas e egoístas baseadas em conceitos criados pelos mesmos que sempre nos oprimiram.


Então… De que lado você está? Deveriam existir lados dentro dessa luta?


Eu, Alicia, MULHER trans ou simplesmente mulher sigo acreditando que não e sempre carregarei essa luta e identidade até meu fim, para que não seja o fim de sonhos e existências como a minha.

Ser Humanos

Por Roberta Bonfim

“Eu me desenvolvo e evoluo pela minha filha”, mas também pela minha criança com quem sempre me reconecto para resolver alguma questão. A bem da verdade é que somos repletos de questões, problemáticas, crenças, valores, desejos, frustrações, traumas, escolhas. Pois tudo é uma escolha, mesmo não escolher, é uma escolha por não escolher.

Vivi desconstruções a cada troca com o outro e as vezes mesmo sem a troca, apenas pela observação. E empatia é o exercício de verdadeiramente se colocar no lugar do outro e não de desejar o outro se encaixe no que você entende por verdade. Outra recorrência é julgarmos agressivo a nossa não aceitação, mas nem sempre atentamos como nós recebemos o diferente a nós, se não estamos reproduzindo a agressão.

Em tempos pandêmicos, com perdas, e com os encontros…

Des construir-se é necessário!

Reinventar-se é aceitar-se como se é e como bem dizia Leminski “isso de ser o que se é além vai nos levar além”.

Sejamos-nos.Humanos

Onde habitamos existencialmente?

Por Júlio César Martins Soares

Três indagações são essenciais na filosofia: Quem sou? De onde venho? Para onde vou? Aparecem na vida, outras tantas questões que a filosofia possibilita compreender. Parece que são mais perguntas que respostas e na grande maioria das perguntas se titubeia, deixa-se de lado por não saber como responder ou se dá algum tipo de retorno do qual se pode arrepender depois.

Nesse sentido, o filósofo, por meio do método filosófico se movimenta no intuito de afirmar que é importante saber onde a pessoa está existencialmente, quais são seus endereços existenciais, onde ela habita quando não se habita? Como se porta no mundo desde criança? Procura ver como é a sua estrutura de pensamento? Deseja saber como constrói e solidifica seu pensamento? Se a pessoa é mais sensorial ou se é mais abstrata, quais os espaços que preenche com sua presença?

Diante de um outro que chega querendo respostas demasiadamente rápidas ou encontrar soluções imediatas, o que se pode fazer? É importante o acesso à pessoa sem que ela se afaste de si, através da consciência do que acha de si mesma, de averiguar como o mundo lhe parece, nesse viés “o homem é a medida de todas as coisas” como afirmava Protágoras de Abdera e mais perto dos nossos tempos Arthur Schopenhauer vem afirmar que “o mundo é uma representação minha”. Cabe ainda especular com qual métrica essa pessoa mede o assunto que aborda, porque de fato quando alguém afirma algo, ela diz de que como o mundo é para ela.

Há dentro de cada pessoa um universo composto de contradições, de presença dos opostos e uma das formas de não afastar-se de si é por meio da interpretação dos fatos, porque o indivíduo não é só dor e não é todo desespero. Aqui não há premissas do que é certo ou errado, nem a noção do que é bom ou ruim. Há sim, muitas dubiedades, mas as vizinhanças existenciais trazem um pouco de tudo quanto se precisa saber, pode até se ter várias respostas, mas a metodologia da filosofia hegeliana aponta para uma resposta como uma chave que abre os cadeados e as portas das “prisões” que estiveram há muito trancadas quando houve o rompimento do sujeito com a sua história.

Aparecem muitas dubiedades, na fala, nos gestos, há quem diga, por exemplo, que adora caminhar, adora ler, e no cotidiano de sua história não procura um livro ou saia de casa para se exercitar. Nesse sentido, se se tem uma ideia do caminho, o que a impede, o que dificulta a jornada? Onde procurar tais impedimentos e tais afastamentos senão na história de vida da pessoa contada por ela mesma? Eu e as minhas circunstâncias.

Um dos sentidos, sentido.

Por Samya Régia Antero


 Existem pessoas que afirmam que o melhor cheiro do mundo é o aroma de café, logo que acordamos, é verdade. Cheiro de café coado é bom demais! Hoje, quando eu estava fazendo o café, deu-me esse estalo e percebi que não paramos para  pensar nessas sensações. E o olfato é um dos cinco sentidos mais importante dos seres vivos, que tem como função básica, aliado à visão, a audição, ao tato e ao paladar, interpretar o ambiente e captar os diferentes estímulos que nos rodeiam . Resolvi, então, aproveitar a deixa e pensar no assunto, pois, raramente paramos para prestar atenção nessas sensações, sentimos e pronto. É o chamado ato involuntário, estamos quase sempre no “piloto automático” e com isso, vamos deixando pelo caminho, emoções tão prazerosas… Nosso olfato é algo próprio, particular, peculiar. Vocês já pararam pra pensar nas sensações, recordações,  imagens que  nos vêm quando, por exemplo, colocamos um bebê no colo e sentimos seu cheiro? Cheiro de filho conta uma história gigante, cheia de emoções. Quantas viagens nesse cheiro… É mágico, transcende. E o cheiro do cangote da pessoa que  amamos e que marca nossa vida? Dando certo ou não, a relação, onde quer que sintamos o perfume, vamos lembrar do momento, do beijo, do arrepio… E aí, tem aquele cheiro, que todo mundo conhece, que é o cheirinho do colo de mãe… Melhor refúgio e maior fortaleza. Cheirinho de mãe não tem igual. E o que  podemos falar do cheiro da nossa comida preferida, invadindo toda casa, ou quando chega à mesa do nosso restaurante favorito? Gente!! E cheiro de chuva, na terra molhada, quem não ama? Todo mundo tem uma história pra contar de chuva… Um banho inesquecível, uma situação engraçada, uma rede na varanda, olhando a chuva cair. Dividir o edredom com quem nos aquece a alma, um filme… Um vinho ou um café quente, tudo combina com chuva. Tem um cheiro que  amo e quem entende da arte vai compreender… Tem coisa melhor que cheiro de livro novo? Cheirinho de mar, quando voltamos para casa com ele tatuado no corpo, e de alma lavada. Cheiro de chocolate!! Especialmente, quando a gente faz brigadeiro e ele inunda a casa, remete-nos as melhores recordações da infância. Cheiro de carro novo? Esse, estou, doidinha pra sentir kkkkkk Ah! Existe coisa mais excitante que cheiro de pele na nossa pele, depois de um momento quente de amor?

E aí, qual cheiro que te traz saudade ou que te enche de emoção positiva? Comenta aí.

Meu nome é Samya Régia Antero, sou psicoterapeuta. Terapia é um presente que todo mundo merece se dar.
Amo cozinhar e escrever. Cozinhar é uma forma de demonstrar meu amor pelas pessoas… e escrever, além de terapêutico, é um ato revolucionário.
Sou casada com Luiz Carlos, mãe do João Pedro e do João Vítor, tudo por eles e com eles.