Roupa nova

Os preparativos começam cedo para receber o novo ano. Esperança, amor, saúde e novos sonhos são espalhados pela casa em forma de mensagem para quem vem. Do lado de quem chega vêm os abraços, os mais diversos desejos, um brinde. O ano novo está logo ali. Ainda desconhecido, vazio, mas cheio de boas vibrações. Ele é como uma roupa nova, que você olha na vitrine, consegue ver alguns detalhes, percebe a cor, mas precisa entrar na loja para experimentar. Será que ele vai caber nos seus sonhos? Será que vai combinar com seus desejos? É mesmo o novo chegando.

Na mente, toda uma retrospectiva se constrói. Tem as lembranças das conquistas, dos fracassos, dos amores, das dores, do trabalho. As lembranças são de recomeço, de boas notícias que chegaram dos lugares mais inesperados, dos medos vencidos, da coragem para tomar decisões. Ali, bem ali, também tem as saudades de quem se foi, dos que estão longe e dos velhos tempos. É mesmo o novo chegando.

Opção 1

Ao mesmo tempo em que você está ansioso para entrar no ano que vem chegando, também há medo, incertezas. Mas faz parte das características do que é novo. Há ainda milhares de desejos de mudança, de conhecer novos caminhos, de ter novas oportunidades, de fazer novos amigos ou de encontrar um amor. O novo ano é mesmo um mistério. Tudo é desejado de uma vez só. É quando as dietas realmente vão começar, seu olhar sobre o outro realmente vai ter empatia, a vida vai ser diferente, tudo para garantir um começo com pé direito. É mesmo o novo chegando.

Bem ali, na cozinha, o jantar ganha vários toques de amor e conhecimento da arte que é cozinhar. Cada tempero tem significado e um desejo especial. No quarto, a dúvida é sobre qual roupa e em qual cor usar.Uns querem amor, daí o rosa; outros dinheiro, logo optam pelo amarelo; alguns dizem estar bem só com paz e saúde, então vão de branco ou azul. Na dúvida, alguém sugere vestir um arco-íris para que tenha um pouco de tudo durante todo o ano. É mesmo o novo ano chegando.

Durante todo o dia as mensagens chegam. Algumas são de um enorme banco de informações programadas da internet, mas, mesmo assim, de coração. Outras são de quem parou para escrever, pensou e sentiu cada palavra. Entre um preparativo e outro você responde. Bons desejos chegam. Bons desejos vão. É  mesmo o novo ano chegando.

A despedida de um ano e as boas-vindas a um novo é como um ciclo que se fecha e abre espaço para o outro iniciar. Você já sabe o que viveu e o que aprendeu. Sabe o que não te fez bem,os caminhos mais complicados, os afetivos que trazem alegrias e os que trazem tristeza. A sua carcaça já tem uma boa bagagem. Seu coração já está sabido em alguns assuntos. Então, pegue o máximo que o ano que está partindo te deu e use para o novo começo. Tire a roupa velha e coloque a nova. Não é necessário deixar a peça antiga no guarda-roupa, apenas lembre o que aprendeu a usando e siga em frente.

Bem-vindo (a) ao novo ano que vem chegando!

Texto da ArteVista Indyra Gonçalves

De Mombaça para a roda da vida

Por Dani Franco*

“Espetáculo baseado em texto de Caio Fernando Abreu”. Toda vez que leio isso sinto leves calafrios , afinal a quantidade de gente que já estragou os escritos de Caio F. não é pequena; e para quem é apaixonada pela visceralidade que ele emanava, bate um desespero nada agradável (parafraseando o próprio) quando nos deparamos com esse indicativo em uma peça de teatro.

Carregar a marca de Caio F. é um fardo hercúleo. O peso das dores de tantas almas tocadas por ele parece saltar das páginas de seus livros. O peso da Aids. O peso das ruas. O peso do existir e do sobreviver a si. Tudo está nele, pesado e ofegante como são as ressacas das noites marginais. E levar isso pro palco, com a maestria que Caio merece, se torna um dos 12 trabalhos gregos.

Foto Botequim Culturaluma-flor-de-dama-2

No entanto, a fila na entrada do teatro, em plena terça-feira, já mostrava que tinha algo diferente. Lá dentro, tudo lotado, luzes desligadas, cenário minimalista, palco preparado para a grandeza do ator que se colocava em cena. Sim, grandeza. Uma grandeza que permitiu criar Gisele Almodóvar, personagem incumbida de viver as falas da Dama da Noite criada por Caio F. Uma Gisele sofrida e irônica, agressiva e carente, desiludida e cheia de certezas.

A luz que nos apresenta a Gisele, revela a artista, a travesti que acertadamente interpreta “I’ve Never Been To Me”, um clássico do cult brega norte-americano abrindo seu diálogo-monólogo com todos os “boys de calça jeans, camisa preta e cabelo arrepiadinho” que giram na roda. A vida da prostituta, travesti e cantora de bar é uma só. Gravita no entorno da roda daquilo que ela quer ser, mas não alcança.

O texto original do escritor gaúcho arranha – e muito – a hipocrisia de quem vive dentro da grande roda da vida, aquela tão bem colocada pela personagem. A Roda da Fortuna,  como diz o tarô, gira a vida de todo mundo. Mas não pra ela, Gisele está fora e é aí que o texto de Caio ganha a verve que merece. Pulsante, bem marcado, com direção precisa de luz e, mais e antes de tudo, com um ator que sabe exatamente o que fazer em cena, que tem precisão de voz, de tom, que dá e tira a cor de cada frase com uma sensibilidade e clareza cada vez mais raros nesse tão castigado – e um tanto mofado – teatro brasileiro.

Segurar a interpretação inteira dentro de um monólogo, tendo apenas a luz e poucos objetos compondo o cenário foi a missão grega da peça “Uma Flor de Dama”. Um espetáculo que conseguiu avivar tanto um trabalho da literatura brasileira em forma de teatro, quanto o próprio ato de interpretar. Jogando pro colo do público um texto inteiro, sem cortes nem pudores, com a marca marginal e incômoda que acompanham os bons espetáculos.

Talvez, se eu já conhecesse o trabalho de Silvero Pereira, meu calafrio inicial tivesse dado lugar a uma feliz ansiedade, mas eu não assisto TV (salvo em salas de espera) e não sabia que ele tinha trabalhado numa novela, menos ainda que está concorrendo ao prêmio de ator revelação do ano. E talvez, se eu soubesse disso meu fator surpresa tivesse caído pela metade e eu não poderia me admirar o com o Ator, com A em maiúsculo, que vibra sua arte como a arma que ela também deve ser. Um ofício pouco exercido nesses tempos em que as tantas pós-verdades tentam nos empurrar a falta de criatividade e o exibicionismo como sinônimos de arte.

Mas Silvero não é líquido, não é um panfletário vazio e sem técnica. Silvero é um dos grandes e empunha seu gigantismo como a dureza do sertão cearense. Que sua Flor de Dama tenha outros novos 15 anos pela frente, abrindo ainda mais portas e alargando os espaços para quem vive fora da roda, mas que nem por isso está por fora do movimento da vida.

*Jornalista cultural de Belém-Pará.

Grata Dani Franco, seu texto foi o primeiro que recebemos depois que iniciamos essa fase do blog da revista cultural Lugar ArteVistas (www,lugarartevistas.com.br). Amamos!!!

Quem quiser mandar textos assim como Dani, só enviar para lugarartevistas@gmail.com

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Uma carta de amor…

Bonequinha

… Um lamento de dor… hihihihi…

Nesse lugar compartilhamos vivências, diários de experiências, assim como o seu texto, imagens, vídeos. Pois esse Lugar é qualquer lugar em que se veja arte e aqui cremos que ela está onde estivermos, pois somos nós “tudos” arte dinâmica, que interage entre si.

A Lugar Artevistas é um espaço que promove a arte onde quer que ela esteja. Nós podemos transformar o convívio com as pessoas e a nossa relação com os lugares a partir da valorização da cultura, do respeito, da diversidade, do que fazemos parte..

Queremos promover o incentivo à ocupação dos espaços públicos da cidade, o sentimento de afeto, pertencimento, reconhecimento e conhecimento dos lugares onde vivemos e passamos.

Acreditamos nesse Lugar como caminho e importante ferramenta de comunicação para debater diversos assuntos que impactam na formação cultural, política e social dos mais variados lugares.

Quando éramos ainda Rio de Janeiro e não tínhamos câmera ou coisa técnica qualquer, existia ali uma vontade enorme de realizar e assim o fizemos e seguimos fazendo, realizando. Como não há (pelo menos ainda) muitas regras ou certezas, seguimos em experimentações, e experimentar é bom, trocar com os diferentes e perceber a arte matemática de sermos tantos e tão distintos, apesar das singularidades essenciais.

E agora estamos experimentando novo momento, momento esse, sonhado e prospectado por alguns, e de diversas formas. O que geramos disso? Ainda não sabemos, mas temos certeza que se você chegar mais junto, em breve saberemos.

Para deixar as coisas às claras.

Nesta fase unimos a revista eletrônica cultural Lugar ArteVistas, ao planejamento que deve ser apresentado como trabalho de conclusão do MBA em Gestão e Mídias Digitais, na Unifor. Assim, de cara, criamos a interseção entre duas equipes, pessoas unidas com o objetivo de comunicar caminhos e possibilidades múltiplas e belas no caminhar vendo a arte pela/que é a vida.

Sua participação é fundamental, seja aqui, nas mídias sociais @facebook / @instagram / @twitter / @google, em nosso site gracinha www.lugarartevistas.com.br, na vida. Que nos encontremos em breve em qualquer lugar onde haja arte, que seja onde estivermos, inclusive aqui.

Queremos celebrar, compartilhar e estar perto de quem nos acompanha e apoia. Vem com a gente realizar e ver a arte onde estiver 🙂

De já agradecemos,

equipe Lugar ArteVistas #arteondeestiver