Sobre sonhos, força e fé em si mesmo!

Por Janaina Alencar.

Olá, povo!
Como estão todos? Conseguindo manter a sanidade mental nesses 10
dias de quarentena?
Acredito que uma das coisas que mais temos feito esses dias é imaginar
a volta à vida normal/real após esse período surreal que estamos
vivendo. Imaginar a volta à rotina, ao trânsito louco de todo dia, ao dia
a dia de trabalho, de desejar que o fim de semana chegue para poder
usufruir do conforto da nossa casa! Acho que o que nos resta é ter
esperança que isso tudo vai passar logo e sonhar, sonhar muito, com
tudo o que nos espera depois dessa loucura toda, depois de toda essa
incerteza, depois de toda essa situação que nos exige ressignificar tanta
coisa…
Ai, nessa pegada de se reinventar, de sonhar e de fazer acontecer, de
acreditar que podemos fazer e sermos tudo aquilo que quisermos, hoje
eu vou indicar a vocês não um filme, mas uma missérie! A história da
primeira mulher que ficou milionária por esforço próprio nos EUA. E o
mais bacana, uma mulher negra!
Baseada em fatos reais, a história se passa no Mossouri no começo do
Século XX. Uma filha de escravos que nasceu livre, inventou produtos
para cabelos afro, apostou no seu sonho, brigou por ele e criou um
império! Madam CJ Walker, interpretada pela brilhante Otávia Spencer
é uma história incrível, de uma mulher forte e persistente, à frente de
seu tempo, inteligentíssima, generosa e muito corajosa, que no começo
do século passado conseguiu, com seu próprio esforço, vencer as
barreiras do preconceito racial, do machismo estrutural e realizar seus
sonhos, apesar de todas as dificuldades, e deu oportunidade a milhares
de outras mulheres negras serem independentes e se sentirem felizes e
confiantes. Vale muito a pena ver.
Continuemos juntos, quietinhos em casa, na luta contra esse vírus
terrível que está nos rondando, nos protegendo, protegendo a quem
amamos e sendo muito cuidadosos ao sairmos de casa, seguindo à risca
as orientações da OMS, ok?
É isso, gente! Fiquem bem!
Forte abraço em todos!

Sobre o Coronavírus, mudanças e você.

Por Alciara Franca.

Olá a todos, primeiramente gostaria de me apresentar. Me chamo Alciara de Souza Franca, sou terapeuta holística, estudo espiritualidade e autoconhecimento há mais de 04 anos. Recebi o convite da Roberta (maravilhosa!) para escrever para o blog, sobre autoconhecimento e espiritualidade. E estarei com vocês aos sábados!

Hoje, iniciando nesse blog incrível, não poderia deixar de falar, do assunto que é a necessidade do momento. Sei que vocês estão cansados de tantas notícias sobre a situação do país em relação ao Coronavírus, mas também acho válido trazer novas perspectivas, para além das que estão sendo mostradas em todas as mídias abertas do País.

Nos últimos dias, estamos sendo bombardeados com muitas informações sobre casos e casos relacionados ao coronavírus, como sua disseminação está desenfreada e como suas consequências tem devastados a vida de muitas famílias e como uma grande crise econômica está iminente. Mas nesse texto, gostaria de deixar de lado, todos esses aspectos dessa crise e convidar vocês a refletir sobre como nossas próprias ações podem amenizar essa situação de calamidade e mobilizar uma importante mudança e crescimento a cada um de nós.

Observando toda essa situação de medo, angústia e desorientação, gostaria de propor um novo olhar para isso tudo. Para que assim, possamos passar por esse momento com maior leveza, confiança e compreensão do que tudo isso pode nos dizer. Primeiramente, precisamos compreender que quanto mais estivermos reverberando na frequência do medo, que se instala pelo planeta, mais nos tornamos vulneráveis, tanto fisicamente, pois esse estado baixa nossa imunidade, quanto emocionalmente, já que acabamos entrando em uma onda de pensamentos negativos, medos, crises de ansiedade, o que nos tira de nosso equilíbrio, tornando cada vez mais difícil encontrar soluções criativas para passar por essa situação. 

Hoje, vivemos um momento de reclusão, como uma medida preventiva à disseminação do vírus. Um momento de parada, algo que pela primeira vez na história recente da humanidade,  teremos “tempo” para pensar. Já que desde que o capitalismo se firmou no planeta, juntamente com a globalização, o que apenas temos feito é trabalhar e almejar uma vida material cada vez mais desenvolvida. Todo esse movimento econômico resultou em grandes consequências para o planeta, muitos dos recursos naturais já estão escassos e hoje vivemos basicamente em meio a todo lixo e poluição que produzimos. Nossos animais estão morrendo, nossa mãe “Gaia” (Gaia é o espírito do planeta Terra ) clama por ajuda, enquanto nós, estamos imersos no nosso egocentrismo, nos esquecendo do coletivo e que somos codependentes uns dos outros.

Uma pandemia como essa, nos convida a refletir sobre nossas ações, sobretudo a forma que estamos vivendo como sociedade. Quantos de nós simplesmente estocamos comida, produtos de limpeza e higiene sem pensar no próximo que estava por vir? Muitos estão apenas seguindo, como efeito de manada, sem pensar conscientemente no que estão fazendo. Essas atitudes são apenas o reflexo da sociedade doente em que vivemos. Convido você, caro leitor a refletir sobre qual é a verdadeira mensagem que essa situação pode nos trazer. 

Imagine Gaia, como uma consciência viva, que gostaria de se comunicar conosco, qual seria a melhor forma disso acontecer? O que ela faria para chamar a atenção desses filhos? Para olharem para suas ações? Quem sabe uma parada global resolveria? Mesmo que em curto prazo isso gerasse alguma dor, se esses filhos forem inteligentes o suficientes, poderiam reverter essa situação em ações positivas e de elevação de consciência da sociedade. Algo que já ocorreu tantas outras vezes na história da humanidade, a qual a partir de uma situação extrema, como guerras, desastres naturais, doenças, foi possível criar novas soluções para a sociedade em geral e modificar o estilo de vida daquela época.

E se for isso o que Gaia queira nos dizer com essa pandemia, e tantas outras situações que vem acontecendo nas últimas décadas? Houveram diversos acontecimentos a nível planetário para chamar nossa atenção, como as Tsunamis, o derretimento das geleiras, as mudanças climáticas, as mais recentes queimadas. São tantos sinais, que eu poderia escrever horas aqui como cada acontecimento pode nos ensinar algo. E mesmo assim, não foi o suficiente para mudarmos nossa consciência individual e coletiva. Talvez o coronavírus, seja mais uma oportunidade de olhar para essa sociedade colapsada, que precisa urgente de uma nova consciência social, humanitária e ecológica. Para que assim possamos recuperar nosso planeta e nossa vida como indivíduo,  através de uma sociedade mais colaborativa e consciente de seu poder de ação no planeta.

Aos que acreditam, sugiro que possamos nos firmar no plano divino e aceitar que tudo está no seu devido lugar, pela perspectiva do criador. E que  a partir disso, possamos transformar todo esse caos em energia de mudança, em cada um de nós e na sociedade como um todo. Qual foi a última vez em que você repensou em suas ações diárias? Em seu consumo, nos produtos que você compra, no lixo que você produz? A forma que trata os outros? Qual foi a última vez que a prioridade em sua vida foi o coletivo, seja em na sua forma de consumir, seja apoiando ações sociais, seja mudando seu estilo de vida ou até mesmo, quando você faz ações simples, como  estacionar o carro e pensar sobre como o colocar em uma posição favorável para o próximo estacionar? Pois eu lhes digo, que para passarmos por essa crise e crescermos a partir dela, precisamos rever nossas ações e conceitos de vida. Pois são a partir das pequenas ações, como não jogar lixo na rua, consumir menos plástico, desenvolver a empatia, dentre tantas atitudes que podemos tomar, que o mundo começará a mudar.

Sejamos sábios, nesse tempo de parada, ao invés de cair no desespero fomentado por nossa mídia, vamos olhar para dentro. Nos reconectar com nossa essência divina e confiar na inteligência criadora. Podemos utilizar as ferramentas que lhes forem comum, seja meditação, seja oração, seja a música ou qualquer outra forma de conexão. Deixe essa energia cuidadora penetrar em você. Reflita sobre como tudo isso pode lhe transformar interiormente. Vamos nos unir e fazer nossa parte, para nosso desenvolvimento individual e coletivo.

DATA MAGNA, 25 DE MARÇO DE 1884

Por Kiko Alves.

Em todo o Brasil a Sociedade Redentora de Acarape também conhecida como Rosal da Liberdade, é lembrada como referência à liberdade, nesta comunidade essa data entra para história como um marco, que  deve ser  lembrada no país com o maior período escravocrata das Américas e um dos maiores do mundo, com pouco mais de 300 anos.

Embora essa data deva sim ser lembrada e comemorada com orgulho, não à toa o Ceará recebe o pomposo título de Terra da Luz, por essa ação histórica; apesar disso como negros precisamos problematizar essa mesma data que coloca a ideia da libertação negra no Ceará como algo pacífico, quase que exclusivamente uma iniciativa do bom branco, proprietário de gente e senhor paternal, tirando o protagonismo dos personagens que tiveram papéis importantes na luta abolicionista pelo Brasil e Ceará.

Essa data deve sim ser comemorada, no entanto essa mesma data não pode ser vista com romantismo, a comunidade negra ainda é uma das mais marginalizadas no contexto social, negros ainda encabeçam o número de homicídios no país, ainda encabeçam os números da população carcerária, ainda ocupamos subempregos, ainda somos marginalizados, ainda somos a população que mais se concentram na periferia, ainda somos os mais abordados pela polícia e ainda somos os mais assassinados por esse mesmo sistema de segurança.

Nossas mães ainda encabeçam os números de domésticas em casas de famílias brancas de classe média, e ainda morrem nessa função, haja visto o caso do primeiro óbito no Rio de Janeiro, de uma empregada doméstica de 65 anos morta diagnosticada com o Covid-19, infectada enquanto servia seus senhores, recém chegados de algum país Europeu e com exames positivos para a COVID-19; ainda somos, os homens negros, 82% da população de rua, ainda somos nós os homens negros animalizados, quer seja sexualemnte, quer seja em rede nacional em famoso reality brasileiro, onde é exigido do homem negro uma super humidade, sempre cobrados, muito além que qualquer outro,  sobretudo quando confrontamos pensamentos e ideias hegemônicas, e colocados como raivosos, estupradores, violentos, e nem precisamos ser violentos, basta ter uma cor e fenótipo que causa medo no homem branco de bem.

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Imagem: Micael Moura

Precisamos sim comemorar a liberdade de nossos ancestrais; é também importante olharmos para nosso amigo branco e solicitar que eles estejam conosco na luta anti racista, mas ele precisa entender que o que para ele é uma regra, a liberdade, para um negro ela é um quase, o direito ao futuro para pessoas negras ainda precisa ser repetido, inúmeras vezes e gritando, que somos gente, precisamos de perspectiva de futuro, aliás como vocês pessoas brancas;  é preciso que sejamos visto, como gente e não como monstros, violentos, estupradores, agressivos,, e nem pesamos oito arroubas, , repetir e repetir até a exaustão que vocês em seus privilégios, estão nos matando e isso nem é algo escondido, está inscrito no processo democrático brasileiro, quando na câmara dos deputados no ano de 1889 foi votada a entrada do Brasil na ideia do pensamento capitalista capitaneada por Rui Barbosa e não se leva em conta o negro, aliás uma das deliberações desta seção foi a autorização da queimas dos arquivos de todo documento do período escravocrata desse país, , aliás o único projeto presente para o negro nesse país e estado. era e é a ideia de eugenia, quando do colóquio de 1932, sobre a mestiçagem no Brasil um punhado de homens brancos tinham como projeto o apagamento do povo preto, segundo estimativa da época até os anos 2000, teríamos  98% de pessoas brancas, graça ao processo de cruzamento de raças.

O que quero colocar aqui para meus amigos brancos que possam por ventura lê esse relato, chato e revoltado, que essa data 25 de março, que para você, é apenas um feriado onde você pode descansar de um período estressante de trabalho e reencontrar os amigos, para pessoas como eu, e muitos outros negros e negras desse estado essa é uma data para observarmos  e ficarmos  atentos,  onde pensamos sobre a  liberdade do povo negros, uma liberdade que não encontramos,  não  existe como prática real;   queremos convocar pessoas brancas a aderir a luta anti racista, mas é necessário que vocês possam olhar para nossas dores e não sentir apenas o peso da culpa cristão, mas trazer para as práticas diárias, o respeito, e o cuidado com o povo negro e não estou falando da sua velha empregada que é quase da família;  talvez se trate dela também, talvez lutar e pensar que ela nem deveria está na sua casa com mais de 60 anos, como no caso da morte por COVID-19; talvez se trate de lutar pela humanidade do povo preto e entender que esse povo pode não está na mesma sintonia que você, por que nossa base de formação e vivência é outra, não se trata também de dá espaços ou lugar de falar, isso não precisa ser cedido pelo bom branco, é um direito meu/nosso, quando fomos silenciados, reclamaremos e se não formos ouvidos gritaremos, e se for preciso brigaremos por ela; como narra Fanon o povo preto precisa ser visto como gente, como humanos.

Devemos sim celebrar a liberdade do negro Cearense, luta histórica de Chico da Matilde, sob a alcunha de Dragão do Mar, fechando os portos do Ceará,  mas essa luta foi também dá abolicionista Negra Simoa, José do Patrocínio, e tantos outros, é importante sim observar a data em que foram libertos os negros segundo os ditames da lei nesse estado, mas tenham ciência caros amigos brancos, essa liberdade para mim é muito diferente do que você entende por liberdade,  talvez no nosso próximo encontro possamos falar de apartheid que você vai me dizer que não existe, mas eu não posso pensar em liberdade quando efetivamente existem espaços nessa cidade que são brancos e exclusivamente branco, o onde pelas Aldeotas da vida, dos Meireles e Praias de Iracemas ou no famoso Guararapes, só existimos para servir, nunca para usufruir da cidade como você, eu sei que a liberdade que eu vivo, o meu básico em se tratando de liberdade, para você é muito diferente, eu não posso acreditar em liberdade quando o táxi não pára, para mim, mas a viatura sim, quando o uber nega a minha entrada no carro  dele por medo de eu o roubar.

Fiquemos feliz por nosso estado libertar seus cativos, mas não sejamos hipócritas, vocês podem usufruir de uma liberdade que pessoas como eu apenas sonhamos a 520 anos, a abolição foi uma farsa;  os convido para a luta anti racista, mas antes me fale dos seus privilégios e como você pretende lidar com ele, sabendo que as vezes ele pode me matar, me fale do seu privilégio caro amigo branco.

 

 

 

Pane no Sistema ou Suspensão do Tempo

Por Marcelina Acácio.

Com essa suspensão do Tempo eu perdi a noção dos dias.

Eu ia começar a ler uma matéria com os impactos da pandemia sobre as mulheres, no Nexo Jornal, quando me dei conta de que hoje era quarta-feira, dia em que escrevo para o blog Lugar ArteVistas.

(Clarice escrevia aos sábados para um periódico, sei disso porque estou finalizando a leitura de “Aprendendo a Viver”, onde ela diz dos processos de alguns textos).

Naturalmente, é impossível fugir ao tema do momento: o coronavírus.

Mas não há nada de novo que eu possa dizer-lhes.

A não ser, como tenho atravessado, já que minha escrita é excessivamente pessoal, e desculpem aos que esperam uma novidade, eu só sei falar sobre mim.

(Minha cota de assuntos não-pessoais)

Se por um lado há uma pandemia que mata avassaladoramente, por outro há uma endemia que é uma realidade no Brasil: a fome. Estamos diante de um estado de calamidade pública que é a pandemia da covid-19, no entanto, para o principal chefe de estado do Brasil, bem como para boa parte do empresariado, a endemia da fome não parece ser tão grave, quando o mesmo lança, para atender aos interesses desse empresariado, uma medida provisória que permite que empresas suspendam contratos de trabalhos por até 04 meses sem salário. O Brasil flerta com a fome e com a morte. Mas, salvemos a economia!

A MP após receber inúmeras críticas foi revogada.

Na contramão do Mundo, o Brasil sofre não apenas com o vírus, mas nas mãos de um chefe de estado incapaz, que tem usado sua fala em pronunciamentos irresponsáveis, minimizando e omitindo a gravidade da situação.

Pausa no texto para a embriaguez.

Volto a escrever depois de haver bebido, vomitado e dormido à tarde inteira.

Aqui em casa estamos em cinco, escolhemos passar juntos esse período. Os primeiros dias foram difíceis, por não sabermos como se dariam os dias vindouros. Ansiedade de um lado, pânico do outro. E muitos jogos de quebra-cabeça. Escolhi encerrar-me no quarto e escrever. Escrevi e usei as redes sociais compulsoriamente, por pura ansiedade.

Passados alguns dias desde o início do distanciamento social, sinto-me lúcida, embora não pareça. Busco por informações só as que me são necessárias, como a evolução do vírus, a quantidade de casos no Brasil e mais precisamente no Ceará, e as medidas de prevenção e contenção. Mas não tenho fugido de ler os impactos sociais que a pandemia tem causado e causará. Isto porque sou demasiada humana.

Pausa para o panelaço contra o chefe de estado incapaz.

Estou finalizando o artigo sobre violência doméstica na comunidade onde eu nasci e cresci, interior do sertão cearense. Quanto mais escrevo, mas há coisas para serem ditas.

As mulheres de minha família foram por demais silenciadas, e sinto-me na obrigação de romper com este silêncio.

Tenho recebido mensagens e ligações de amigas, mulheres que eu admiro, em agradecimento por eu tê-las instigado a escrever, o que tem me deixado feliz e me faz sentir útil no planeta.

Na mesma proporção, amigos têm me ligado para compartilhar o pânico.

Confesso que não sei como lidar, e em nada posso ajudar. Então compartilho o que tem funcionado pra mim. E curiosamente, eu estou bem.

Boa alimentação. Temos preparado umas comidas ótimas, saudáveis, e de baixo custo. E tem sido especial, porque temos cozinhado juntas. Reaproveitamos desde o bagaço da beterraba para geleia às sementes de abóbora para uma farofa.

Incontáveis banhos.

Alongamentos matinais.

Boas noites de sono e sonhos.

Masturbação em dia.

Sucos com vegetais, legumes e frutas, que contenham ferro, e vitamina C.

Água, sempre.

Boas leituras. Ler nunca foi tão urgente, sobretudo, ler com qualidade.

Escritas urgentes. Escrever pode nos tornar loucas, mas também pode nos salvar da loucura.

Por fim, estou saturada das lives e curtindo ficar em casa. Não há tempo suficiente para o que eu preciso fazer. Então, estou aproveitando-o da melhor maneira que posso.

Ah, e como pensava que o mundo ia se acabar, e ainda não acabou, enviei uma mensagem para o D., ele está em Portugal, e eu tenho sonhado com ele nos últimos dias. Ele não respondeu, concluí que talvez ele me ame (risinhos) , porque silêncio também pode ser amor.

Cuidemo-nos!

A prática abraçando a Teoria

Por Roberta Bonfim.

Oi ArteVistas!

Chamo-os assim, pois se estão me lendo em tempos atuais, vocês como eu creem na arte e no amor, como caminho de transformação, de cura e resoluções. E esse talvez de todos seja o mais pessoal dos meus textos, pois essa semana foi incrivelmente interessante e me excluindo do todo que somos, aceitando que estou em absoluto lugar de privilégio, e não o nego e já não brigo com ele (briguei e até mesmo neguei-me vivê-lo, como se estar nesse lugar fosse a razão motivo de outros não estarem bem). Mas, resolvi parar de negar quem sou, por quem sou consiste também na vida que vivo. E na boa, sou mais que qualquer rótulo, por que SOMOS, muito mais do que o agora, somos tudo que já vivemos, o que nos trouxe até aqui e a história de todos que vieram antes de nós. 

Esse talvez também seja o maior texto que compartilho por aqui, pois resolvi deixar os dedos livres para tentarem acompanhar a mente que se racionalizada trava e limita, somos muito cruéis com nós mesmos, como se estivéssemos sempre em dívida por algo, ou com alguém. Lembro que vivi minhas maiores humilhações sob as vistas, a ausência de privacidades, espaços para até descobrir quem eu era, e não falo isso com qualquer culpa , punição e amargor, gosto do que me tornei e se me tornei é por ter vivido a minha história, com feridas tão profundas que parecem já nem existir, resoluções racionais que se tornam práticas, e talvez um dia sanem sentimentos no inconsciente que somos.

É isso, eu verdadeiramente acredito que somos todos um, e isso não me coloca em nenhum lugar de privilégio, ao contrário, é que viver de forma mais superficial dá muito menos trabalho, e assim passar pela vida. E, como julgar o que passa pela vida, e até essa escolha entra no balaio do fole e a vida segue, sem grandes crises de consciência e ou espiritualidades. Como julgar o que escolheu crer na não existência de Deus? Na boa, Deus não é de fácil compreensão, eu que acredito muito nele, tem dias que coloco em questão, me confundo inteira com mil teorias que falam a mesma coisa por caminhos desencontrados e que fragilizam a mensagem de que somos um. Quando Jesus diz em seus mandamentos, amai uns aos outros como a ti mesmo, é isso, é a cada um de nós que formamos o todo que somos. 

Não estamos vivendo momentos fáceis, há uma pandemia no ar, me sinto por vezes dentro de um filme de ficção científica, do apocalipse, ou do Inferno de Dante que li enquanto gerava Ana Luna, minha filha (adoro dizer isso). Mas, 90% do tempo evito pensar a respeito, evito pensar pois minha mente é muito mais cruel que a realidade, sempre foi assim, então me poupo e resguardo das notícias atualizadas quase em tempo real, e por mais que queira acompanhar algumas lives que me parecem bem interessantes, tenho preferido a vida real, em casa, ou dando continuação das ações da Lugar ArteVistas, ações que não sei quando serão realizadas no Poço da Draga, mas logo que puderem ser, serão importantes e necessárias. Ações para que não paremos apesar do perigos, pois estamos vivos. Né Medina?

Mas, essa semana não foi fácil, a transição da liberdade de corpos, para o início do processo de libertação da alma. Fui cuidadosa, mas ousada até a quinta feira (19) quando me despedi, do convívio social com a energia lá em cima.  Vivendo encontros mágicos com Loris e cia ilimitada. Revivendo nossa última gravação na Varanda Criativa, que sobe em abril, e conta com a presença de Di Ferreira, Márcio Muamba e Adrya Costa, e tá só maravilhoso de ver e viver, corte finalizado na quarta de tarde e celebrei o fato de que abril tem 5 segundas e eu não precisaria tirar mais nada do  programa. Ele tá lindo e me deixou muito feliz cortá-lo. 

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Os sete chakras (imagem da internet)

Na quinta, fui equilibrar os chakras e ser iniciada no Reiki, pela amiga de uma vida todinha Tamara. Grata por ter, ser, viver, existir e tudo isso comigo por perto. A parte teórica do reiki, meu cérebro transformava em psicologia ambiental que eu sinto em nós, e acredito verdadeiramente que tudo isso é para que percebamos o simples que é: – gente somos tudo uma coisa só, e quando um desequilibra, como rede desequilibra-se o todo, Então, vamos agradecer a chance de pararmos, ganhamos o tempo do deslocamento, absorvemos funções em casa, como cozinhar, lavar, passar, limpar… assumo que pra mim o bicho só pega no passar. Sou das pessoas que pedem a evolução da moda para os looks amassados. Não ao ferro de engomar! 

E o que tudo isso tem a haver com a Lugar ArteVistas? Tudo! pois aqui entendemos que existir é uma arte pela qual somos gratos, já que essa arte nos salva e nos fortalece a cada dia  E assistindo ao programa que subiu ontem me emocionei por ver e ouvir cada um, pelo lugar e seus hábitos que precisam ser respeitados.

Programa novo no ar, subiu ontem, 23/03.

Junto ainda tem o blog que a cada dia me chega e soma com textos incríveis de seres mágicos e imprescindíveis para a minha caminhada pessoal e também dá Lugar ArteVistas. No blog somos majoritariamente mulheres e esse negócio de ser mulher em tempos de acúmulo de funções em casa é ótimo, pois agora por exemplo escrevo enquanto faço almoço e observo Ana Luna com atenção e vibro alegria pelo dia de hoje onde celebramos a vida do nosso ArteVista querido, da Varanda Criativa – Gustavo Portela. Parabéns meu amigo. 

E neste momento estou em casa e vejo arte o tempo todo, tenho o benefício de ser mãe da minha filha e receber tanto amor e carinho, a casa é maior do que minha coluna merecia para sustentar meu toque, minha filha me chama de ursinha da limpeza, mas também de mamãe bagunça e eu peço ao universo que consigamos chegar ao equilíbrio que nos eleva energeticamente. 

Por hora deliciem-se com João Arnaldo, Almério, Luedji Luna e Marcelo Freitas. Próxima segunda o papo é com Gyl Giffony. Mais uma vez grata Lugar ArteVistas por ser esse Lugar de arte, amor, afeto e aconchego.  

E que Deus proteja a todos nós. Que entendamos que somos todos parte do mesmo ecossistema. Sigamos cuidando de nós e dos nossos, acarinhando a vida, orando, emanando boas energias ao cosmo e sorrindo para atrair sorrisos. Grata gente, pessoas seres, ArteVistas! 

E se ainda não se inscreveu no nosso canal do Youtube, inscreva-se ativa as notificações e segue por aqui também e pelas redes sociais. abs.

 

Uma realização Pessoal

Por Roberta Bonfim.

Desde que fiquei grávida, dizia que queria viver os primeiros dois ou três meses da minha filha de modo bem privado, quem tava perto sabe que a realidade foi bem diferente, e os primeiros oito meses estivemos na casa da minha Vó. Que nos tratou, sempre muito bem, mas que é casa de Vó, e qualquer mãe entende o que eu estou dizendo, dadas as suas proporções. 

Depois veio a correria da vida, os mil projetos, o sonho Lugar ArteVistas – arte onde estiver, e por vezes levava Ana Luna comigo, e contei muito com minhas comadres Katiana e  Gabriela, além de Sheyva, Dina Lúcia, Joyce e Juju, que seguraram uns dobrados com o super amor de fofó e os escândalos cênicos de Ana Luna (minha filha), que até hoje testa os pulmões quando não consegue colocar as letras na caixa de encaixe, ou quando não dá conta do quebra-cabeça, ou ainda quando faz algo errado e percebe que eu vi, e isso terá a consequência de dois minutos no cantinho do pensamento. 

O tempo passou Gabi teve o índio branco mais lindo que é meu afilhado, Salomão, e daí pensei que ficaríamos só eu e Ana Luna, e eu mudaria um pouco mais a velocidade da vida, mas certamente seria incrível. Mas, preciso alertar que estou em lugar privilegiado, que me possibilita diminuir o tempo para tá mais com minha filha. Mas, logo Meire chegou para somar aqui em casa e me auxiliar com a rotina de Ana Luna. Há quem diga que sou general, mas, aqui em casa temos nossas rotinas e cada vez mais cuidamos para que sejam mantidas, pelo bom funcionamento da mesma.

E se eu acredito que tenho tempo, logo descobri mil coisas para fazer, e gosto, ou pelo menos sempre gostei desse ritmo louco de viver, antes da Ana Luna eu não tinha nenhum problema em virar quantas noites fossem necessárias para que o projeto acontecesse da melhor forma possível. Com o nascimento de Ana Luna, mudei, por opção e necessidade o ritmo da vida, mas ele ainda está bem acelerado e de noite quando chego em casa, por mais que eu me esforce há dias em que eu estou verdadeiramente exaurida pelo dia, outras vezes até seguro a onda, mas quando vou colocá-la pra dormir, acabo dormindo junto.

E então vem o agora, vem como um vírus bizarro, mortal e de rápido contágio, vem gerando tantas coisas, que eu nem sei, porque fiz a opção de não acompanhar notícias. Aproveito o tempo e por ele, o tempo agradeço, pois passar 24 horas por dias coladinha  com minha filhota, cuidando das nossas plantas, livros, brinquedos, casa e nossa gatinha Clarice Lispector. Eu e ela e nossa parceria de existir juntas nesse plano terreno. -Neste instante ela dorme no sofá, aqui ao meu lado. E eu me divido entre assistir o programa que entra no canal amanhã e escrever este texto. 

Existiam outros temas, talvez até mais latentes, mas senti a real necessidade de agradecer ao universo por nos oferecer esse tempo para nós. Aqui não precisamos até o momento inventar nada extraordinário, pois o simples fato de estamos juntas já nos deixa em pleno estado de euforia. E então, pela primeira vez em dois anos ficamos só eu Ana Luna e Clarice, não sabemos exatamente por quanto tempo, mas é certo de que é e será um rico aprendizado. E é claro ligamos para os nossos sempre que possível, para matarmos saudades, sabermos como estão, e lembramos a eles e a nós que existe muito amor, aqui, ali e onde estivermos. Arte e amor, onde estivermos! Assim seja!

Sobreviver em comunidade!

Por Janaina Alencar

Olá, povo!
Como estão todos? Se cuidando direitinho? Mantendo o isolamento
social? Se protegendo e protegendo sua família e seus semelhantes?
Tentando ver o lado positivo de tudo o que nos acontece, acho que essa
pandemia aconteceu para nos mostrar o quanto somos um! O quanto o
mundo é uma comunidade, o quanto precisamos uns dos outros, e
assim voltarmos a praticar a solidariedade e a empatia. Porque o
Corona não enxerga: credo, cor, classe social, nível sócio econômico e
educacional, etnia, nacionalidade. Ele acomete seres humanos, ponto.
Ele veio para relembrar que somos iguais!
E como estou falando sobre sermos comunidade e praticar a
solidariedade, em fazermos o bem pra nós e para o nosso próximo, o
filme que vou comentar hoje é: O Menino Que Descobriu o Vento.
No Malaui, África, em uma de suas muitas aldeias, uma família de
agricultores luta para sobreviver em meio às mudanças climáticas, que
hora alaga a terra com chuvas intensas, hora a deixa completamente
seca, sem chuva nenhuma. A fome assola as famílias num período de
seca brava, sem nenhuma esperança de chuva. Em uma dessas
famílias, um menino super inteligente, de uma das poucas famílias que
entendem a importância da educação e que o mandaram para escola,
consegue enxergar e desenvolver uma solução para manter o solo
irrigado!
Um filme baseado em fatos reais, lindo, de encher o coração de
esperança e fé, coisa tão necessária nesses tempos de confinamento que
estamos vivendo! Assistam!
Se cuidem, gente! Fiquem em casa!
Estamos vivendo uma situação nunca antes vivida por nós. Não é fácil,
requer muito equilíbrio e resiliência, mas é por questão de sobrevivência
nossa e de quem amamos!
É isso
Forte abraço em todos!