O Mapa não morre. Salve Carolina Maria de Jesus!

Bordado da imagem de Carolina sobre desenho do Mapa Solar, pelo designer gráfico Raimundo Laranjeira

Na Astrologia costumamos dizer que um Mapa não morre, que a memória de alguém pode ser celebrada de tempos em tempos, mesmo após a sua partida para um outro plano, sempre que um trânsito planetário ativa de forma significativa, configurações do seu dia de nascimento. É o que venho observando em relação ao mapa solar da escritora Carolina Maria de Jesus, no qual tenho me debruçado em estudos nos últimos anos.

Ainda na vibração das homenagens pelos sessenta anos do seu livro “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, publicado pela primeira vez em 17 de agosto de 1960, observei atentamente aos efeitos do trânsito de Saturno, que na época encontrava-se a 12º31′ de Capricórnio, fechando o seu segundo ciclo, aproximadamente 58-60 anos deste fato. Além da sua obra mais conhecida, Carolina e o seu legado vem sendo de várias formas colocado em evidência, possibilitando uma maior visibilidade da autora, no campo das letras e da literatura e com isso, recebendo outras homenagens.

No dia 25 de fevereiro de 2021, quarenta e quatro anos após a sua morte, que ocorreu em 17 de fevereiro de 1977, vibrava no Cosmo um fechamento importante de ciclo dos planetas Júpiter (expansão) e Saturno (limites) no signo de Aquário, ativando posicionamentos do mapa solar da escritora, energias de importante relevância para a forma como expressou sua consciência social, política e humanitária ao longo da vida e que continua reverberando nos diálogos que os seus escritos sobre a realidade da pobreza e da favela travam com contextos tão atuais.

Nesta sincronia, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu o título de Doutora Honoris Causa a Carolina Maria de Jesus, em uma justa homenagem póstuma, como reconhecimento pela sua contribuição social através da riquíssima obra que produziu, mesmo tendo tido uma passagem breve pela escola de apenas dois anos na infância. Com isso vemos que Saturno, conhecido também como o “Senhor do Tempo”, no devido tempo, vem fazendo justiça a Carolina, colocando-a no assento de reconhecimento que há muito deveria ter ocupado como escritora e nos ajudando a honrar a sua memória na literatura feminina negra brasileira. Uma outra forma de compreender que “a vida continua”, que “existe vida após a morte” e também um outro sentido para os #carolinavive, #carolinapresentesempre…

Somos fruto de uma sociedade racista, preconceituosa, machista, desigual, excludente que por muito tempo insistiu em relegar à Carolina apenas um lugar de figura “exótica”, a mulher preta, favelada, considerada “até inteligente”, pois escreveu um livro, mas por muito tempo só “a diferente”. Pensar que ainda existe quem não a considere uma escritora, mesmo tendo seu livro na época, vendido mais de um milhão de cópias, sido traduzido para 13 idiomas, publicado em mais de 40 países, levando a autora Clarice Lispector, que inclusive faleceu no ano de 1977, como Carolina, a declarar que ela “era a verdadeira escritora por relatar a realidade”. Não é qualquer coisa!

Mas, com tudo isso, ainda tentam reduzir a luz de Carolina, invisibilizando sua obra das escolas, do acesso ao público em geral, como se faz com tantos outros autores e autoras negras em nosso país. O epistemicídio, tentativa de negar o conhecimento produzido, por uma pessoa, sobretudo mulheres, negras, indígenas, por ser resultante do processo de colonização do saber, que impôs como válido somente o conhecimento de homens, brancos, europeus, mantendo o cânone acadêmico e literário reservado a essa elite intelectual, é também insistente e resistente. Mas o tempo que é sábio e justo, com a contribuição importantíssima de todo um movimento de mulheres e homens carolinian@s como a escritora Conceição Evaristo, a Vera Eunice de Jesus (filha de Carolina), Raffaella Fernandez, pesquisadora da sua obra, Tom Farias, autor do livro “Carolina, uma Biografia”, paralelo ao ativismo feminista negro, mesmo sabendo que o caminho é árduo e longo, mesmo com os absurdos retrocessos, podemos considerar que muita coisa tem sido mudada. Precisamos de muito mais!

Diante dessa organização de forças, a decisão em 2020 da editora Companhia das Letras em publicar toda a obra de Carolina de Jesus, com reedições de livros já publicados e outros escritos inéditos, soma-se às tantas iniciativas importantes nessa justa celebração, para a história do Brasil, para literatura brasileira e a sociedade como um todo, pelas pessoas que têm sido transformadas e empoderadas com o seu legado, principalmente meninas e mulheres negras e pobres das periferias do nosso país.

Convido a todas, todos e todes então, a visitarem os próximos textos que serão publicados aqui, na nossa coluna, sempre no segundo sábado de cada mês, onde estarei adentrando na interpretação das configurações astrológicas do mapa solar de Carolina Maria de Jesus, numa humilde contribuição como astróloga, para conhecermos um pouco mais sobre a energia cósmica dessa escritora tão extraordinária, e o que instigava o seu movimento pelo mundo de forma tão única e especial. #SalveEla.

Salve ela! Salve Carolina!!!

Sobre uma pergunta que me fizeram

Por Alicia Pietá

“O que você já teve/deixou de fazer por ser mulher?”


Respondi:

Por ser mulher transexual eu não tive a chance de escolher meu sexo quando nasci (claro) e por isso fingi, por vinte e tantos anos, ser uma pessoa que eu não era.
Por ser uma mulher transexual eu não tinha a chance de ter um relacionamento amoroso comum por vários anos, desses bem padrãozinho mesmo, isso por que a sociedade não nos enxerga, os homens nos vêem como objeto sexual, marginais ou simplesmente somos invisíveis à maioria das pessoas.
Mas… Nunca deixei me abater por isso e sempre dei minha cara à tapa.

“Quem não veio ao mundo para incomodar, não deveria ter vindo ao mundo.” Dias Gomes.

Faxina

“A Carta do Dia” é uma coletânea de textos com mensagens de minha autoria, publicadas diariamente no Caderno Buchicho do Jornal o Povo, entre os anos de 2003 e 2015. Nesses tempos de isolamento e novas escritas, as gavetas da memória abriram e deu vontade de rever e compartilhar com #lugarartevistas esses anos de afetos e muita gratidão, graças a escrita… #acartadodia

Quando um pensamento ou crença não é mais útil, o melhor seria nos livrarmos dele! Achei muito legal quando encontrei nas minhas leituras uma analogia entre o exercício de livrar a mente dos pensamentos negativos com uma faxina na casa. Limpar a mente separando coisas que valem a pena daquilo que não serve mais. Tal qual a maneira como vamos arrumando partes da nossa casa. Existem coisas que já não usamos, mas que precisamos de tempo pra desapegar e jogar fora. Tem coisas que nos livramos com muita facilidade. O mesmo deve ser feito com os pensamentos, dizia o texto: “Alguns eu amo, por isso dou-lhes brilho e polimento para torná-los mais úteis e belos. Outros, noto que precisam de conserto, restauração, cuido deles da melhor maneira no momento. Outros ainda são como jornais e revistas velhas, ou roupas que não servem mais. Estes eu jogo no lixo e esqueço deles para sempre.” O bom da faxina é deixar tudo limpo e abrir espaço para o novo. Com os pensamentos, é jogar fora os limitantes, dando lugar a padrões mais positivos que farão a gente se ver e se sentir muito melhor com nós mesmas(os), com os outros e com a vida.

Publicada em  19/01/2014

Buscando memórias

por Roberta Bonfim

Memória Social, uma perspectiva psicossocial, vendo esse título, de cara penso em sair correndo, pois tem algumas coisas que se formos buscar entender demais sem preparação psíquica corremos o risco de não entender nada  e cairmos em um limbo paralisante, sem fim. E eu não me sinto psiquicamente preparada para muito, dessa imensidão informacional. E quanto mais leio mais aprendo e quanto mais aprendo, mas me distancio do que eu pensava saber a princípio, e pluft! – Fui pega de novo pela bola de neve da vida que nos gera essa imensidão externa a nós, mas que precisamos por qualquer razão nos relacionar, mas nem sempre sabemos como. Todos esse conceitos acadêmicos me são novos, porém a filosofia me é companheira antiga, como gosto de salientar, sou do teatro, e o teatro é também filosofia e tanto mais que podemos conversar em um outro estar.

https://www.youtube.com/watch?v=_NeBJ_ONV30&ab_channel=DanielMedina

Para esse instante impessoal que já passou, tornando-se outro, e se reconheceu esse trecho como sendo de alguém és já conhecedor de alma do que se trata a quebra de tempo e espaço que apesar deles, tempo espaço estamos aqui, de Fortaleza, São Paulo, Aracaju, Beberibe, Jaguaruana, Mato Grosso, Bahia, somos de todas essas cidades e podemos falar sobre ela ao falarmos sobre nós. Nossas rotinas, relação com nossos resíduos sólidos, com o que produzimos de orgânico, como tratamos nossos vizinhos ou o cara que passar gritando pedindo comida para filha. Se temos janela, começamos uma relação mais estreita com ela e talvez comecemos a entender, pelo menos no lugar de memória feminina, essa partitura feminina de espionar, já que fora durante todo patriarcado proibida de participar, e ainda hoje, onde ainda vivenciamos esse sistema em reação, somos ainda proibidas de participar sem termos nossas memórias maculadas, sem nos culparem pelo ato agressor do outro. Nos agredimos constantemente. Não assisto big brother, mas Susi, que é parceira por aqui assiste e nos compartilhou um relato sobre sua relação com os cabelos, que teve com gatilho a fala de algum participante, na repetição dessa agressão cotidiana, essa em que o outro não percebe de fato que tá cometendo a agressão, e é por isso que chamamos de estrutural, por estar na base alicerçante do ser que somos. 

https://youtu.be/-2fJa9wlgeY

E por que falo sobre isso? Para te perguntar, o que me pergunto: quais têm sido as minhas agressões, e quais eu tenho sofrido, e as que tenho reagido, como o tenho feito, com qual reação. Por que a física confirma que a cada ação uma reação, mas essa reação é absolutamente imprevisível, e pode ser pessoal ou estar dentro da memória social, mas pode também estar em você por conta dessa mesma memória que não nos foi contada, mas exemplificada nos cotidianos, nos ambientes onde vivenciamos ou atravessamos e existir neles não necessariamente é habitá-los, mas ainda sim alterá-los, porém habitá-los é se responsabilizar por ele, falar em seu nome, defendê-los do opressor, mas quem é esse opressor, que não o outro diferente que como você se vestido de habitante protetor com suas próprias memórias sociais, algumas mesmo idênticas as suas, mesmo que você tenha vivido toda sua vida em Beberibe, e ou outro em São Paulo, capital ou interior,  Somos, de acordo com Jung esse universo interno e externo. Um ser humano que começa retirando da sua própria sombra de seu vizinho está fazendo um trabalho de imensa, imediata importância política e social” (Jung). Mas, por aí seguimos na caça às bruxas, ao diferente, não ao extraordinário, pois esse vira exotico e o exotico vende, haja vista negros sequetrados e vendidos indiscriminadamente, indigenas expuulsos e escravizados em seu território, isso sem falar nos portadores de deficiencia, que precisam viver em uma cidade de ca;çadas egoistas, e p[essoas pouco dadas a colaboração, na minha cidade Fortaleza, quando chore, parecem Lágrimas de índio (Daniel Medina), que cata os bairros e exausta os nomes indigenas para deixar as claras a relação estreita do estado com os povos originários. Aqui, pasmem, tiveram sua existência negada e isso tem tudo haver com memória e também com a música de Medina que “arrasta Mondubim, Maraponga corda tonta e toda Aldeota se alaga, e diz que Jurema tá de mal de Iracema, que tá grávida da América do Sul”. Celso Pereira de Sá, ressalta que “finalmente, o interesse pela memória invade hoje a vida cotidiana de uma maneira talvez nunca antes , como já diagnosticado por diversos autores”. E diz mais, diz que “é nesse sentido que, a partir do exame de diferentes formulações – de variadas origens e níveis de análise – sobre a memória e construção de afins,  selecionados por sua especial pertinência para reconstrução psicossocial , propõe-se a presente circunscrição conceitual do domínio da memória social (…) e tal proposta envolve três preocupações principais, arrolam-se cinco princípios unificadores básicos, no campo da memória social que tem no conceito a segunda, onde “Memória social ” designa interior conjunto de fenômenos psicossociais da memória na sociedade e a terceira é que sugerem-se sete principais instâncias, sem serem excludentes para constituição de um mapeamento inicial”.

https://open.spotify.com/track/60giWQsgqHmX5C0hdmV6FQ?si=YAIwAvC7QjG0yKTOPhzglA&utm_source=whatsapp

E penso que haja aqui outras tantas questões, é que a memória é uma necessidade e por isso também um apelo. Mas, mas que memórias são essas, se não as das pessoas que contam essas histórias.  E Pereira de já não nos deixa esquecer que “o que é lembrado do passado está sempre mesclado com aquilo que se sabe sobre ele.”O mero conhecimento de que os fatos aconteceram e Cidadão Instigado, fala em Fortaleza que a  conhece desde o dia em que nasceu, e conta histórias de ser cria da varjota, bairro nobre da cidade e aí a música traz a tona essas “memórias no pensamento do tipo de “representações sociais”e daí temos Tião Carreiro e Pardinho cantando os Encantos da Natureza, ou No Dia em que saí de casa, de Zezé de Camargo , que tem o filme com direção de breno Silveira, que é bom em contar histórias e memórias, é dele tb o do Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, que também mata a gente de chorar. E são essas “histórias do grupo e suas memórias coletivas que desempenham papel importante na constituição do sistema central de uma representação.”

https://www.facebook.com/watch/?v=478934446068032

E o mais complexo dentro disso penso que seja pensar em todas as variantes motivacionais. Dizer que eu particularmente já conversei gravando, afora os infinitos e intensos papos sem câmera, com mais de 300 ArteVistas, e são diversos os contextos. Mas, para que fique mais claro vou compartilhar com vocês o quem chamamos de ArteVistas, você, por exemplo, que está aqui nesta terça, buscando entender melhor a cidade, para buscar os melhores caminhos para ela a partir dos agentes motivacionais de cada um.  Mas, é também ArteVista Telma Tremembé, qua lançou um livro narrando a percepção de uma indigena sobre o que aprendemos na escola a chamara de descobrimento do Brasil e mesmo hoje alguns ainda o celebram com entusiasmos de conquista, quando se trata de múltiplas derrotas, da natureza que somos, mas ai é outra pauta. O que me parece fato é que estou formada a muitos anos e quando entrei na faculdade já tinham alguns bons profissionais estudando esse lugar, mas ouvir um indigena falando sobre o seu lugar, me é novo e essa experiência cada vez mais constante, muito por que no processo de sermos esse lugar somos coletivos, e Marta Aurélia tem deixado o legado de muitos papos potentes incluindo muito indígenas, e como eu que recebo todes, tenho mesmo me preenchido de muitas histórias e assim também de muitas cidades e de mim, que faço parte dessa cidade, e da minha casa que faz parte dessa cidade e volto Jung e a relação com nossos vizinhos, sem transformá-los em nossas sombras. Não é que tudo esteja ruim, é que existem algumas estruturas solidificadas no caminho, mas ao contrário do que eu mesma disse não pode ser a base, pois as bases são elementares, quem traz o conceito é o homem, nós e nosso nessecidade de memórias, de construção de narrativa para busca desenfreada de explicar o que tá no campo do mistério. E a difícil aceitação sobre o óbvio de que somos uma totalidade, o entretenimento e meio de comunicação entenderam essa fórmula faz tempo. E nós gostamos de boas histórias, então espero que ainda haja alguém aqui. 

https://www.youtube.com/watch?v=OV4StlQh4ik

E tais as tais memórias pessoais onde cabe um Mucuripe de Belchior e Fagner, que não há nenhum problema não conhecer, mas essa música foi durante quase uma década um símbolo distante do que já foi Fortaleza, hoje com seu jangadeiros apertados em brechas de areia, e um Mucuripe que luta para existir, frente ao setor imobiliário de prédios altos na orla da cidade. 

https://youtu.be/evSIj_MkpKs

É que a memória social tem variadas instâncias, podendo ser vista como um conceito, mas pode também ser espontânea, e tem as memórias pessoais, que logicamente vão para além do indivíduo, já que habitamos um lugar e o compartilhamos, assim também compartilhamos memórias, diversas. E tem ainda as memórias comuns. O fato é que existe uma infinidade de memórias e todas elas passam por nós para ganhar, adeptos em ação, na construção das memórias do por vir. 

http://www.youtube.com/c/LugarArteVistasarteondeestiver

Mas, agora vou fechar dizendo que cada passo nesse espaço é nosso ex-passo e seguimos na geração de novos. Então vamos de atualizações, esse mês já temos 5 programas no canal e isso é lindo e de um conhecimento profundo. Neste mês de abril Martinha tá fazendo abril originário e Lorena Armond pensou em uma comunicação mais indigena, então eu estou aqui extasiada só absorvendo tantos conhecimentos e me percebendo em ações nesses lugares todos. Qual o meu papel no mundo eu não sei, mas o da Lugar ArteVistas é ser lugar para todes. que queiram chegar para contribuir com o lugar que habitamos de modo respeitoso. Silvinha vem arrasando com suas conversas que buscam desatar nós, e ontem eu conversei com uma mulherada linda. 

E tem mais chegando. Olha esse convite! Fui!

https://youtu.be/_z3dGWXcGIY

Gratidão a todos do grupo de estudo Ser Cidade É Coletivo, que compartilharam músicas.

atenta as agressões fantasiadas de alegrias

Por Roberta Bonfim

Chegou abril, passamos um ano nesse lugar de praticamente não sair de casa. E em tempos tão contraditórios, aqui em casa só temos o que agradecer, temos casa, gatas, plantas, comida, saúde e amor. Temos tudo, trancado em alguns metros quadrados. E nesse meio tempo para não parar a vida, tive de abrir concessões, fazer escolhas ao que tange a educação da minha cria. 

Não dou conta da minha rotina e da dela, juntas, e aqui somos nós duas, então a TV que antes tinha tempo determinado agora é som constante por um turno inteiro, e tudo bem, são ali outras falas e realidades. Um tipo estranho de companhia, mas uma companhia, e lembro que também a tive, só que em meus tempos era mesmo a TV aberta, aqui pelo menos timidamente é feita uma curadoria do que é possível assistir e ficamos menos expostas às infinitas propagandas. E ainda sim, vez ou outra ela me lembra que preciso nos inscrever, que isso é importante. 

E aí vem uma questão, 98% dos desenhos tem a presença real ou imagética do pai, e sempre o pai sendo o cara massa, que brinca, troca sorrir, mas também o que espera a comida ser servida. Até nos desenhos em homenagem a mãe tá lá a figura paterna. O desenho é de um mundo mágico, mas o boneco de lata, repete algumas vezes por episódio, “como diria meu pai e algum belo adjetivo”. 

Só que isso no contexto atual, especialmente no Brasil, beira a crueldade, pois o número de famílias sem essa presença física, emocional e/ou afetivamente, isso sem falar dos abandonos, estupros e outras agressões possíveis. Gente, sério, mais da metade das famílias do país são de mães solo.

E aí vem a tona uma série de valores patriarcais que são impostos de todos os modos. Há quase zero de desenho sem a presença dos pais, os desenhos ditos educativos, então exploram a estrutura da família tradicional em suas máximas e ensinam inclusive esse padrão. Estão lá. Até nos desenhos que exaltam a mãe o pai tá ali, no desenho, da fotografia, na mesa sentado, enquanto a mulher mãe, heroína serve a família de sorriso no rosto. 

E isso se estende também aos livros infantis, e todos os clássicos que criam contextos cruéis a quem não cabe nesse formato enquadrado, formatado definido e seguido. Fico pensando que somos todes sobreviventes de um mundo que foi desenhado, só que na vida real a pancada machuca.

Deixo aqui meu pedido aos criativos, que criem histórias mais respeitosas, sem agressão disfarçada de felicidade padrão. E fico por aqui, pois os dias estão curtos e as exigências crescentes.

E deixo também dica de livro infantil, “Sinto Muinto, mas eu sinto o que sinto”e “Betina”

Todo corpo é ancestral.

Por Coletivo Abayomi

Enyin Baba-nla mi, iba           Meus antepassados, eu os saúdo

/ba ni mo wa fi ighayije        Meu tempo presente é para fazer saudações.

É próprio do ser humano o desejo de perpetuar a espécie e junto a isso surgem os questionamentos: Quem teria sido o primeiro? Haverá um último na jornada humana?

Em meio a trajetória da vida, estamos nós, impulsionados pelo passado e motivados pelo futuro e é, justamente nesse ínterim, que pulsa a Ancestralidade, valor motriz entre todos os outros valores civilizatórios africanos e, consecutivamente, os afrodiaspóricos. 

Enquanto fomos – e ainda somos – condicionados a pensar em ancestralidade enquanto referência exclusiva aos nossos antepassados e tradições familiares, os povos africanos tinham Ananse (cultura Akan), a aranha, que com sua habilidade e sabedoria, ampliava esse pensamento em uma teia de relações. Quando subiu aos céus usando suas teias, Ananse pediu ao Deus Supremo o baú com as histórias dos seus antepassados para que fatos e mitos pudessem ser contados aos homens garantissem a manutenção e felicidade da sociedade. Sendo assim, aos olhos de África, todo aquele que direta ou indiretamente marcam e influenciam a nossa existência são nossos ancestrais, dessa mesma forma, nós somos potencialmente ancestrais de todos aqueles que vêm durante e após a nossa existência.

Ananse – Simbolo Adinkra

A partir do momento em que rompemos com essa ideia de ancestralidade enquanto um caráter consanguíneo tomamos para nós a consciência de que somos o resultado não apenas de nossas escolhas, mas de tantas outras que foram realizadas antes de sonharmos existir, por outro lado assumimos a responsabilidade sobre conduzir nossas potências de forma a impactar positivamente o máximo de pessoas ao nosso redor, sabendo que certamente, nossas intencionalidades ecoarão anos a fio.

A Profª. Drª. Leda Maria Martins ao apresentar a teoria do tempo espiralar sintetiza maravilhosamente a ideia de ancestralidade para a filosofia africana. Ela suscita a imagem de um tempo que não corre em linha reta e sim como uma espiral, enquanto transcorre ele retoma ao mesmo ponto, porém sempre em um tempo-espaço diferente.

Okotó – Simboliza o processo de crescimento, um cone que rola espiraladamente e que se abre a cada revolução.

O tempo é uma mola propulsora, e como reza a física básica, tem a capacidade de transformar energia potencial em cinética, ou seja, nós que estamos engatilhados nessa “mola-tempo” recebemos culturas, tradições, ciências e filosofias e temos como missão transmitir adiante e movimentar a vida rumo aos devires.

Para as africanidades a energia não se perde, apenas se transforma, é por isso que espíritos e viventes podem conviver em corporificações energéticas diferentes, assim como nossos pensamentos e sentimentos também são vistos como vibrações emanadas, dessa forma cada indivíduo carrega em seu íntimo o passado, presente e o futuro. Todo corpo é ancestral.

Covid-19 e emoções: uma relação direta

Por Daniel Hamido

Ao longo desses últimos 12 meses analisando o padrão energético do vírus
covid-19/Sars/Cov-2, pude fazer correlações importantes. Como terapeuta, procuro
encontrar padrões recorrentes assim como se fazem cientistas em suas pesquisas
acadêmicas, porém sem o rigor científico. E com estudos de casos de uma, duas,
três…. cinquenta pessoas, consegue encontrar esse padrão.


Os estudos de caso que pude fazer ao longo desses últimos 12 meses desde
quando comecei a atender pessoas em março de 2020 mostraram que quando o
padrão vibratório baixa do indivíduo- esse possui relações com algum aspecto
emocional- o estado de saúde fica comprometido. Quando o padrão vibratório
aumenta -livre de padrões vibratórios densos, mas apenas sutis- o estado de saúde fica
estabilizado. Existe um gráfico – dos mais simples- que é um dos primeiros a medir
isso. Ensino inclusive em meus cursos como a pessoa fazer a automedição de seu
campo energético.


Em radiestesia, uma técnica a qual domino há 5 anos- muito antes da covid e
pandemia- pude observar com as pessoas atendidas em formato remoto- elas em suas
casas e eu na minha- que a repetição de um elemento chamado “larva astral”. Larva
astral são consciências extrafísicas que atuam no campo energético de pessoas que
vibram em energias de baixa frequência. Elas atuam em diversos locais e setores, bem
como associando ao inconsciente coletivo daquele local. Exemplo: motéis possuem
larvas astrais específicas da promiscuidade. Nem todo mundo que vai lá é promíscuo,
mas quem vai acaba pegando um pouco dessa energia do inconsciente daquele local
que é a promiscuidade.


E assim existem larvas astrais em estádios de futebol (sim, lá também!), saunas
gays, muitos outros locais e se você não cuidar até mesmo na sua própria casa! No
próximo artigo, vamos falar sobre esses locais a mais e nos aprofundar sobre esse
tema que considero pertinente.
As larvas para atuarem precisam de um “ambiente energético” propício. Assim
como colônias de bactérias hospedeiras precisam de um Ph, glicose e outros
elementos físicos, as larvas astrais precisam desse ambiente também! Quais são esses
ambientes?

 Pouca iluminação do sol;
 Baixa vibração do pensamento (reclamações, murmurações, ressentimentos,
mágoas, raiva, ódio, vingança, medo, dúvida, insegurança, etc)
Com esses 2 elementos acima por muito tempo, fica o ambiente energético
propício para que a pessoa pegue covid-19, adoeça, agrave o caso e desencarne
fisicamente. Por quê? Por que a larva astral precisa que o padrão vibratório do
hospedeiro esteja com baixa de frequência!

Em outras palavras, não tenha receio do vírus, nem alimente ele
energeticamente com medo, nem dando poder a ele com medo que sente por ele,
nem negligenciando ele. Ele não é apenas mais um vírus. Mas também não um ser
mitológico de 7 cabeças “cavaleiro ceifador”. Ele vibra na frequência que cada
indivíduo vibra! Caso a pessoa vibre por exemplo no medo ele se “alimentará”
energeticamente desse medo e o estado de saúde irá agravar, podendo a pessoa ir até
a óbito. Já em outro cenário, caso a pessoa vibre na gratidão, no perdão, no amor, no
auto-perdão, mesmo que pegue o vírus, nada irá acontecer a você, podendo muitas
vezes ser um vírus assintomático nos moldes físicos de percepção.


Você tem 2 opções de agora em diante. Fazer de conta que não leu esse artigo
e dizer que nada disso faz sentido e “pagar o preço” da negligencia energética ou
buscar se cuidar mais da emoções, do padrão vibratório que são aspectos diretamente
associados. No próximo artigo, irei compartilhar dicas simples para que você possa ter
condições favoráveis para sua casa energética, sua morada física, seu corpo possam
vibrar de forma harmônica independente do covid bater na sua porta.

Fitas pretas

No funeral do meu avô, meu pai alfinetou uma fita preta na lapela, símbolo de luto pela perda do ente querido.

A cena fixou-se na minha jovem retina, por ter sido talvez o meu primeiro contato com a morte de um familiar. Meu pai permaneceu com seu adereço de pesar por um longo período. À época, apenas as mulheres enlutadas trajavam-se completamente de preto. As crianças, de modo geral, eram liberadas da convenção.

Essa lembrança afetiva emergiu após me deparar dias atrás com a imagem de fitas pretas amarradas à tela de proteção da varanda de uma amiga virtual – status que em nada invalida a minha concreta admiração por seus posicionamentos.

Tratava-se de um manifesto de luto coletivo diante da assustadora marca de trezentas mil vidas brasileiras perdidas para a COVID-19 em doze meses. Trezentos mil pares de olhos que não mais piscarão à luz do sol, trezentos mil corações que não mais se inspirarão sob a lua cheia, trezentos mil pares de mãos que não mais afagarão rostos amados, trezentas mil bocas que não mais sorrirão ou beijarão, trezendas mil pessoas que não abraçarão mais os pais, avós, filhos, netos, irmãos, sobrinhos e amigos.

A triste alegoria da fitinha preta na lapela agiganta-se na tragédia que ora vivemos. Dizer que a morte é natural não conforta quem perdeu um, dois, três ou mais parentes para a terrível doença. É, antes, de uma monstruosidade sem limites e total falta de empatia, atitude própria de mentes doentias. É desesperador ver dezenas de milhares chorando familiares que poderiam estar vivos se tivesse havido, por parte das autoridades competentes, controle imediato e rígido ao uso de equipamentos de proteção, celeridade na aquisição de vacinas para imunização em massa da população e ajuda financeira contínua aos mais vulneráveis, como muitos países o fizeram e ainda fazem.

Na ausência de vacinas para todos e de auxílio emergencial suficiente, só nos resta a autorreclusão e doses de solidariedade. O que mais precisa acontecer para entendermos que a “vida normal” anterior à pandemia do novo coronavírus – encontros com amigos, viagens, farturas e megacelebrações – não combina com esse momento de dor coletiva? Chega de falsos discursos de compaixão e pseudodilemas entre salvar empresas ou vidas. É preciso dar um basta aos que estimulam desobediência civil ao confinamento obrigatório responsável, aglomerações e brindes macabros à morte de brasileiros dos grupos prioritários, principalmente.

Em vez de perdermos tempo rebatendo provocações, vamos exigir do poder público federal providências emergenciais para tentar salvar o emprego de trabalhadores e livrar da fome os mais necessitados. E também reverter erros e omissões de 2020, como o atraso na compra de vacinas, a inexistência de um plano nacional de imunização e a incitação a manifestações de rua que proliferaram o vírus exterminador.

Enquanto toda a população não for vacinada, a prioridade continua sendo salvar pessoas. Economia de nenhum país sobrevive a quase quatro mil mortes diárias somente por Covid-19, entre trabalhadores e consumidores em geral, incluídos operários, professores, médicos, estudantes, enfermeiros, advogados, artistas, informais, desempregados, aposentados, profissionais liberais, empresários, comerciantes e políticos.

Precisamos assumir que estamos em guerra contra um único inimigo: o vírus, que, se não for combatido, vai continuar matando pessoas e eliminando empregos dos [ainda] vivos. Ficar um ano – ou mais – confinado – total ou parcialmente – é ético, é obrigatório, é dever de todos. Caso contrário, não haverá amanhã.

Vamos refletir e rever nossos atos, antes que o futuro reivindique a nossa responsabilidade. A cobrança pode vir de um filho, filha, sobrinho, sobrinha, aluno, aluna, neto ou neta: “Como você contribuiu para salvar vidas na pandemia de 2020 e 2021”? Ninguém vai perguntar se salvamos empresas.

Qualquer ação é válida. Até amarrar uma fitinha preta na tela da varanda para demonstrar que a gente se importa com a dor do outro e que as vítimas não serão esquecidas.

*

Imagem: Regina Dalcastagnè