Num dia a gente chega, no outro vai embora…

Gente, vamos pensar um pouquinho, juntos?
Nessa fatalidade ocorrida com o vôo que ocasionou a morte precoce da cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas, todos nós paramos para pensar um pouco em nossas vidas. Na urgência de viver. Poderíamos aproveitar a consciência que emerge dessa dor coletiva e usá-la como gatilho para refletir sobre nossos comportamentos e atitudes de dois polos distintos: a procrastinação (no sentido real da palavra, no qual temos o péssimo hábito de adiar tudo) e o agora.
A morte do outro nos mobiliza, a gente morre um pouco, também…
E, neste caso, a morte de uma figura pública, jovem, com 26 anos de muitos sonhos e realizações, talentosa, com uma legião de fãs, falando a língua desses dezenas de milhões, nos leva ao luto coletivo.
A dor que dói no outro, dói em mim também.
Dói em mim como mulher, como mãe, como filha. Dói em mim pela juventude interrompida, como também doeu e dói a morte de milhares de jovens, vítimas de balas perdidas, das mulheres perdidas para o alfa feminicídio, da misoginia e de todos os preconceitos, das atrocidades e das 612 mil vidas perdidas deste desgoverno.
Viver esse luto por pessoas que não fazem parte do nosso “mundo” particular, nos traz uma sensação de solidariedade, fraternidade, irmandade, e porque não dizer que essa dor nos torna mais humanos?
Por um instante, pensamos em nossas vidas, em quantas coisas deixamos para depois, acreditando unicamente na imprevisibilidade do amanhã, do mais tarde… E nos pegamos fazendo juras e promessas cheias de urgências de: viver o hoje, de dizer que ama, de resgatar um projeto esquecido no fundo da gaveta e tantas outras coisas que ficaram adormecidas com a falsa promessa do depois.
E aí, não tem como fugir do clichê: a vida é um sopro! É agora! Hoje! No presente, único lugar em que é possível realizar sonhos, projetos e aspirações, porque o ontem é passado e o amanhã … Ah! O amanhã, a gente nem sabe se vem (chega).
Mas, se faz necessário o mas… “é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre”… E acima de tudo é preciso ter cALMA.
No nosso tempo, sem pressa, sem atropelos, sem nos violentar. Respeitando nossos limites. Sem emergência e sem imediatismos.
Um passo de cada vez.
E tá tudo bem!

Por trás de toda “guerreira”, existe uma mulher sobrecarregada.

Chamar uma mulher de guerreira não pode ser um elogio oculto sob a intenção de romantizar o sofrimento feminino.
Na Pandemia, nós mulheres, acumulamos não somente preocupações com o período, mas principalmente muito trabalho, gerando uma extraordinária sobrecarga emocional e comprometendo a nossa saúde mental.
Por causa da educação machista a que fomos submetidas e das crenças limitantes de que “somos as rainhas do lar”, “cuidadoras natas”, a distribuição das tarefas domésticas, além dos cuidados com os filhos, a administração doméstica e todos os fardos cotidianos, couberam e cabem a nós, mulheres. Que ainda temos (acreditem) uma vida pessoal para cuidar e uma carreira, fora (ou dentro) de casa.
Sabe quem é a “guerreira”? É aquela mulher que tem sono acumulado porque só dorme depois de dar conta (do almoço, etc.) do dia seguinte, ter colocado roupa na máquina de lavar e arrumar a mochila do pequeno para deixar na escola.
“Guerreira” é aquela mulher que sai correndo do trabalho para passar no supermercado, antes de buscar o filho na escola… a que acorda na madrugada, prepara o café de toda a família, leva o cachorro para passear, estende as roupas no varal e corre para deixar o filho na escola às pressas, para chegar um pouco mais cedo no trabalho e conseguir tomar seu café da manhã, antes de iniciar suas obrigações.
Mulheres, FUJAM DESSE TÍTULO! Repreendam, renunciem, esse sabotador de vidas. Esse “título” invisível, só aprisiona, mina a nossa saúde mental e é mais uma forma, que essa sociedade machista e patriarcal encontra para nos manipular.
Nunca ficou tão claro que verbos como: cuidar, arrumar, passar, lavar, cozinhar, ensinar, brincar, eram penduricalhos de conjugação preferencial feminino.
Daí, fica mais fácil a gente imaginar como essa Pandemia tem sido muito mais severa conosco, mulheres. Chega a ser prosaico e desumano, num só tempo, conjugado.
Por trás dessa “guerreira”, há uma mulher de autoestima em baixa, triste, cansada, estressada. Há uma mulher sempre posicionada em segundo plano. Seja, você mesma, sua prioridade!
Como não conseguimos dar conta de tudo perfeitamente, ficamos de mãos dadas com a culpa. E cada vez que o almoço atrasa, o filho chora porque quer colo na hora da reunião on-line, as roupas se amontoam no cesto, nós percebemos o quanto a fantasia de “guerreira” nos cai como uma luva.
E, por causa dela, vamos honrá-la acumulando angústia, ansiedades, depressão, cansaço, estresse… num pacote de fadiga física e emocional que compromete nossa qualidade de vida e comprime nossa autoestima.
Acreditem, não existe heroísmo na sobrecarga das tarefas domésticas, na criação e educação unilateral dos filhos.
Heroísmo está em você se respeitar, em colocar limites e dizer não aos outros e sim para si mesma.
Heroísmo é você ser resistência!
E sabe quem é guerreira de verdade? A viking Lagherta e suas lendárias congêneres escudeiras no curso da História! Kkkkkk

Abraços!

Samya Régia Antero.

Tornei-me a pessoa que eu mais temia.

Em meio a esta Pandemia, aos “lockdowns”, no isolamento social, estou tentando e conseguindo fazer uma reeducação alimentar, mudar minha relação com a comida e, ainda, fazer exercícios físicos em casa. Pasmem!!!
Cheguei no meu limite. Decidi mudar de vida e, mais ainda, mudar minha forma de ver a alimentação, a gordura corporal, a beleza e a saúde.
Claro, que tenho recaídas, que, às vezes, me autossaboto e literalmente meto o pé na jaca… aprendi, no entanto, que sou capaz de me perdoar e seguir.
Colocava na panela, juntamente, com o leite condensado, o chocolate e a manteiga, adicionava também, a ansiedade, o medo, as angústias, a tristeza. E misturava, misturava muito, até não conseguir dissociar um do outro. Depois degustava, com toda fome do mundo, como se não houvesse amanhã (mas sempre haverá).
Por muitas vezes senti-me alimentando de sentimentos não processados, frustrações não resolvidas, palavras não ditas, desejos não realizados, raivas não administradas. E a comida transforma-se em analgésico, algo curativo. A gente até acredita que dá certo, sentia uma falsa saciedade, um prazer momentâneo, mas… a culpa não tardava bater na porta. A vergonha e a culpa por não ter resistido, a sensação de fraqueza são desoladoras.
E como se tudo isso não bastasse, existem as pessoas… ah! As pessoas… Alguns de vocês são cruéis!
Nós temos espelho em casa. Entendam, não é só uma questão de emagrecer, não é tão simples assim.
É uma mudança de vida, de crenças. É sobre ter foco, determinação, saber fazer escolhas. É pararmos de comer emoções, sentimentos e comer “saudável”.
É entender, definitivamente, que exercício físico é fundamental para uma vida com qualidade.
O que a maioria das pessoas não sabem é que por trás do excesso, existe uma falta, uma carência.
E repito: alguns de vocês são cruéis! É, estou falando de você que adora dar pitaco, sem ter sido chamado ou jogar seus conselhos e suas opiniões, sem que tenhamos solicitado. Existe um abismo muito maior por trás da gordura.
Vocês não fazem ideia quanto os comentários maldosos e travestidos de “toques”, machucam.
Aquelas frases: ” Você tem um rosto tão lindo, devia emagrecer”. ” Miga, se eu tivesse esses olhos, emagrecia rapidinho”… ” Você ainda é nova para ficar gorda assim, se cuide enquanto é cedo”.  E a melhor de todas (para não dizer o contrário): ” Homem não gosta de mulher gorda, não”! Kkkkkkkk o riso é livre.
E eu tenho que ser o quê? E para quem?
Amigos, melhorem! Só temos obrigação de ser para nós mesmos. E ser o que a gente quiser ser. Melhorem!
 A tortura psicológica não se limita só a família, “amigos”, trabalho, não. Ela vai além… segue a ditadura da moda, feita exclusivamente para o corpo magro. Chegamos na loja, nos encantamos com uma roupa e escutamos a célebre frase: é tamanho único! Oi? Como assim tamanho único? Somos únicos na essência, no que não conseguimos mensurar.
Vocês fazem ideia do que isso é capaz de fazer com a autoestima de uma pessoa?
Onde que beleza está ligada ao peso? Que padrão é esse que vocês impõem? Que sociedade medíocre e doente é essa que avalia as pessoas por quilograma?
Pensem, respondam para si mesmos e melhorem. Sempre há tempo!

Abraços!

Samya Régia Antero.