Sobre o privilégio de ter com quem caminhar

Nossos caminhos foram traçados bem antes da maternidade,assim acredito. Nunca caminhei só, é verdade. Mas, antes do maternar, meu caminhar era mais descomprometido. Depois que tive filhos, a caminhada se tornou surpreendentemente desafiadora e cheia de significados, sou responsável por orientar e conduzir os primeiros passos dessa caminhada, na estrada da vida, para dois seres humanos incríveis que coloquei no mundo: João Pedro e João Vítor.

Se eles soubessem o quão importante é caminharmos juntos…

O quanto eles tornam meu caminhar mais prazeroso, mais firme, com mais determinação… Porque como dizia Clarice Lispector: “Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza, vai mais longe”.

Se eles tivessem uma dimensão de que percorrer os caminhos lado a lado, às vezes misturado, noutras seguindo meus passos, tornariam o caminho, mais seguro, mais divertido, mais tranquilo…

Se eles soubessem que nossa caminhada teve começo, mais nunca vai ter fim, porque mesmo depois de chegado meu fim, seguirei guiando-os, emanando vibrações de amor e proteção. O amor de mãe, transcende.

Se eles soubessem que no caminho irão ocorrer algumas paradas, mudança de direção, que eles irão seguir caminhos independentes, distintos, mas em todos eles o meu passo vai estar no compasso da torcida, da oração, da certeza de que eles verão que a nossa caminhada valeu a pena e que sempre, sempre vão ter pra onde voltar. Mãe é ninho, é porto partida, chegada e porto, novamente. Eles vão e voltam para um abraço, para matar a saudade, para ficar um tempo ou simplesmente pegar impulso para mais uma nova caminhada….

#mãededois #mãedemeninos #mãedenovo #amormaiorqueeu

Filho doente Mãe Aflita

Não importa o tipo de mãe que se seja, a cria adoeceu a mãe começa a ver tudo ao seu redor mudando o tônus, e aqui é para além das culpas sociais, que todas,e em maior ou menor proporção vivemos, É que filho doente é sinônimo de noites mal dormidas, dias intermináveis, se longe pela ausência , se perto por ver o bem querer dodói. 

Quando a cria adoece, restabelecemos rotas e a prioridade fica singular. Eu crio minha filha para suportar a minha ausência, caso eu não esteja em algum momento importante, mas assim também respeito os espaços seguros de mim, os espaços dos meus silêncios e barulhos internos.

Tento manter minha filha sempre protegida, inclusive de mim e dos meus possíveis excessos, não que eu não erre, claro que erro e muito , só sigo, pois a vida segue e eu sou como ela.  Depois de uma noite longa venho aqui dizer que o mais incrível da maternidade é exatamente essa mudança do plural para o singular. Grata vida!

Útero não define maternar

Vocação materna sempre foi uma fonte inesgotável de inspiração para as mais diversificadas linguagens literárias, artísticas e culturais, responsáveis por um acervo “simplesmente” incalculável de obras sobre a sublime condição que pariu todas as civilizações conhecidas.

É impossível, portanto, pensar esta condição materna como se fosse uma condição apenas para as mulheres que possuem útero. Mas é possível pensarmos esta sublime condição a partir da subjetividade de cada uma de nós. 

Minhas gestações, por exemplo, foram os períodos que mais me amei! A mágica da vida acontecendo dentro de mim… uma benção, um privilégio e um desafio, sem dúvida alguma. A mistura mais louca de sentimentos e hormônios.

Sentir meu corpo mudando para abrigar outro ser, não teve preço, mas teve enjoo, azia, fome, desejos, refluxo, medos e muita ansiedade. 

O canal lacrimal também funcionou com mais facilidade… bastando passar um comercial de margarina na TV para desencadear o choro.

 Agora, teve muito mais mimos, carinhos, cuidados, ânimo (sim, eu fui uma mãe/grávida cheia de disposição!) 

O sono que a maioria das mães sentem, não veio no meu “pacote gestacional”. Talvez por isso, meus filhos durmam tão pouco… mas isso é outra história. 

E beleza, é claro! Modéstia à parte: fui uma grávida muito bonita! E sabe qual a razão? Eu estava completamente feliz e apaixonada pela ideia de ser mãe. Passei os meses da gestação em pleno estado de graça. Lógico que, na gravidez do caçulinha, esses sentimentos só apareceram depois que me recuperei do susto. Afinal, outra gestação, 16 anos depois, não é brincadeira, não!  

Amava estar grávida, sentir nossos corações pulsando juntos, nosso vínculo cada dia mais forte… os chutes que me acordava na madrugada, quando eles não gostavam da posição que eu dormia… E até os soluços que faziam meu ventre pulsar…

Gestações completamente diferentes: na gravidez do João Pedro, fiz massagens, hidroginástica, ioga, curso de gestante… na segunda gravidez do João Vítor, foi o que podemos chamar de “selva”… Enfrentamos uma reforma em casa e todo caos que vem no pacote. E, acreditem, foi a melhor coisa que fizemos. Nosso ninho ficou maravilhoso para recebê-lo.

Ah! Como autocuidado, fiz acupuntura: foi o que me manteve sã durante todo esse período de mudanças.

Ok! Falei da MINHA gestação. Mas, muito antes de gerar meus filhos no útero, eles foram gestados, desejados e ansiosamente esperados na minha cabeça, no meu coração e na vontade de ser mãe, que me acompanhou desde criança, brincando de boneca e mais tarde, quando me percebi como mulher e com essa possibilidade.

Não mais importante do que as mulheres que gestam seus filhos no desejo e no coração. Porque, muito mais que um útero, para SER mãe, é preciso primeiro QUERER ser mãe. Uma mulher para ser mãe precisa ter o “chip” da doação, da entrega, da resiliência, da paciência e do amor incondicional. 

Precisa ter o desejo de cuidar, proteger, educar, ser modelo, incentivar, conduzir, orientar, nos primeiros anos, e amar, ser colo e abrigo, o resto da vida. E isso não vem com o útero.

Nasce um filho, mas nem sempre nasce uma mãe… Mãe, a gente aprende a ser na caminhada desafiadora do maternar.

E assim, de mãe em mãe, com suas características e peculiaridades, caminha a gestação da humanidade.

Ontem foi dia das mães

Ontem foi dia das mães e minha filha disse que não me amava e não precisava de mim, sorri pelo meu desejo interno de que ela realmente não precise mais mais de mim, assim estaremos juntas só pelo desejo pré-existente do nosso amor profundo amor.Se compartilho essa intimidade é para dizer que somos todes humanes, crianças e nós “adultos, todos cumprindo seu papel fundamental de lutar para existir como somos..
A bem da verdade é que vamos crescendo nessa estranha relação de gratidão pela vida e luta pelo direito de ser sem a sobras dos que vieram antes, buscando descobrir por conta própria e buscando seus próprios meios para demonstrar suas frustrações e medos.
Eu por minha vez falo grosso e me disponho ao abraço, contraditoriamente, como é o existir, respiro fundo acalento minhas crianças. Respiramos juntas e vamos nos equalizando. A avó estava em casa, ela queria brincar e não dormir, eu precisava fazê-la dormir e também me possibilitar esse descanso.
No sábado fui à baladinha porque sou mãe mas como tudo que aqui há, sou também Deusa, sou mulher. 😀

Mês de Amor

Por Roberta Bonfim

Ser Mãe não é pensar ser, mas ser-se. Não há quaisquer padrões para os caminhos construídos na relação mãe e cria, seja o tipo de mãe que seja, assim como o tipo de cria. Existem infinitos, mas o que é comum a todes é o desejo de que a cria seja-se, mesmo que isso às vezes os mantenha distantes por toda uma vida.

E se a gente muda a perspectiva do abandono, para a de extrema humildade em assumir que não se consegue. Ser mãe, querides leitores não é tarefa fácil. É o pleno exercício de amor. Ser mãe faz mais potentes na batida do coração e algumas, como eu, apresentam medos nunca antes minimamente flertados.

Desde que começamos este blog algumas mães já compartilharam vivências por aqui e com todas tanto aprendi, e às vezes em momentos nada a ver com o que elas relatam, lembrei do como e deu certo. Ando mesmo pensado que toda ideia concebida é de algum modo uma ideia compartilhada e as vivências se entrecruzam para que percebamos o óbvio de que somos juntes, que é esta união que nos fortalece, a percepção de que podemos ser rede uns aos outros, ou no caso de nós, mães, umas às outras.

É bonito ver amigues com filhes brincando com a minha filha, mas a maternidade não é uma tribo, ou uma mudança de fase no videogame da vida, é apenas um outro lugar, nem melhor , nem pior, mas com suas próprias questões, frutos de nossas próprias questões. E amo os amigues sem filhes que estão só o gás para serem bons parceiros de boas trocas sobre a mãe, e temas que por mais liberais que sejam serão tabus. Eu sou particularmente feliz por ter amigos de vida, assim me ajudam a escrever com detalhes os caminhos do existir em conjunto, aprendendo juntes.

Outro dia depois de uma reunião conversando com um colega sem filhes, e relatando da demora na recuperação de uma cirurgia simples como a de apendicite e rindo digo; com criança pequena é difícil ter descanso. E ele disse algo como: a eterna relação de amor e odio” mãe e filho. Sai refletindo a respeito e cheguei a conclusão que na minha relação com a cria de modo geral tem-se o amor, o que dificulta a relação, ás vezes são as influência diretas, ou indiretas do ambiente, e há momentos em que rola tudo junto.

São duas vidas, vivendo muitas vidas, vivendo ao tempo que se aprende a viver, experimentando a existência, buscando de algum modo consciência para melhor selecionar as experiências. E aqui na casa que sou e habito, busca-se equilibrar o sistema, entre a criança que sou e a que educo e o ser que sou no hoje e o que desejo viver no amanhã. Assim, a maternidade foi para mim caminho da quebra real do tempo espaço, onde eu preciso me revisitar para me acolher, trabalho para ser o ser que desejo ao tempo que trabalho para outra vida diretamente, e dialogo com a senhora cheia de gatos, que serei.

Ser mãe me acalma e enlouquece, ser mãe me liberta e prende e evidência todas as minhas humildes contradições, que são tão nossas. Gratidão a cada mãe que me acolheu na estrada da vida e as tantas que me inspiram e ensinam. Grata!

Tattoo na alma

Lógico que todos sabem que essa imagem significa uma tatuagem… E que tatuagem é uma escolha, um estilo de vida, uma representação figurativa da nossa personalidade. Faz quem quer e nem todos curtem. Ok!

Fazer uma tattoo é, em si, uma escolha, mas alguém tatuar o próprio corpo em homenagem a outra pessoa é algo emocionante e inexplicável. Foge à regra. O pensamento é o seguinte: eu estou sendo eternizada na pele de alguém! É como se ela, Leticia, passasse um recibo, mostrando, para quem quiser ver, nossa história de cumplicidade e amor.

Leticia sempre esteve marcada na minha alma, desde quando ainda era um grãozinho de areia no “forninho” da sua mãe, Xambioá, filha do meu marido. Minha neta veio como um presente da vida e eu a acolhi, exatamente assim, como avó. E que se dane, o sangue, o DNA, a lógica. Eu sou avó da Letícia e ponto.

Porque, assim como mãe, pai ou qualquer outra relação, o que vale é a entrega, o compromisso, a dedicação, o amor, comprometimento, a ação. Não existe essa de avó do coração, filho de criação, meio- irmão. Existem os papéis, os vínculos, a representatividade de cada um em nossas vidas.

Temos tantas histórias lindas,divertidas e desafiadoras pra contar dessa relação…

Uma das minhas preferidas, é de quando, num parque, eu acompanhava a brincadeira no pula-pula do meu filho João Pedro, na época com 5 anos, e a Leticia, com 2 anos, me chama, persistente: “Vó, olha aqui…” ” Vó, num sei o quê”… ” Vó”…
Uma senhora olhava admirada aquela cena…
Ela estranhou ao me ouvir, atenta, responder prontamente a todos as demandas da Leticia, se aproxima e pergunta:
… me desculpe, mas por que essa menina esta lhe chamando de vó? E continuou:
…você é muito nova pra ser avó!
Eu, prontamente, orgulhosa, respondi:
… Porque sou sua avó!!
Simples assim.
Mania que as pessoas têm em querer enquadrar todo mundo dentro da sua caixinha limitada, mania de pensar cheio de regras imutáveis e nada flexíveis. Mania de seguir o padrão que essa sociedade nada inclusiva , impõe, sobre às relações sociais e humanas. Desde quando, é preciso ser, “sangue do meu sangue” para que se ame incondicionalmente?

E, para além de títulos (que eu amo!), ser avó da Letícia, eu sou e sempre serei sua amiga, sua cúmplice, confidente e parceira. E serei tudo mais que ela quiser ou precisar, pois o que realmente importa é estar em sua vida e, a partir de agora, tatuada na sua pele, minha neta.
Letícia, te amo, infinito e além.

Resolver sem muitos ambientes

Por Roberta Bonfim

Só quem é Mãe, sabe da dor e delícia desse lugar. Não é trabalho fácil, nos exige mergulhos profundos em nós mesmas, reencontros e resoluções de questões com nossas próprias crianças interiores. Ser mãe é um abrir mão de tanto para se abrir ao novo que tememos e se apresenta a gente permitindo ou não.

Uma das grandes maravilhas da maternidade, por aqui, inclusive, foi aceitar que não controlo nada, nem a minha agenda. Na realidade nunca controlei de verdade, mas, tentava e assumo que ainda tento, no meu histórico cedo aprendi a pegar minhas rédeas para melhor caber em todos os lugares que a vida me possibilitou. E hoje sendo mãe da minha filha só agradeço por tudo que me preparou para ser a melhor mentora que posso para este ser tão querido e amado, que chamo e amo chamar de Filha, minha filha, filhota, filhotita, filhotota.

Esta semana a cria quietinha aqui de casa caiu no pula-pula e re-fraturou um dentinho que já estava na luta depois da queda no surf de banheiro que vivemos as vesperas do ano novo por aqui, acho que escrevi a respeito. Mas, em resumo, ela resolveu alagar a nossa casa e enquanto eu tentava secar ela surfou na água. E ser mãe é ter coração fortalecido para essas fortes emoções, para agir de modo sereno apesar do coração tá parecendo escola de samba. 

Voltando para esta semana. A bonita caiu na terça de tarde, mas segundo ela, esqueceu de avisar. Na quarta ela ainda não havia lembrado de avisar, e é plena inimiga do fim das brincadeiras. O fato é que na madrugada de quarta para quinta, meu coração me despertou mais cedo que de costume. Eram 4 da matina, quando ouvi um sutil gemido de dor da pequena, as mães que me lerem entenderão, essa intuição.

A quinta, que é dia corrido, foi remodelada pelo próprio universo, as estagiárias pediram um tempo para entrega do plano, a reunião que eu tinha foi desmarcada pelo outro pois estava longe, o fato é que tudo que tinha sido desenhado para ser vivido na quinta feira, na agenda montada aos domingos, transformou-se em olhares, chamegos, cuidados e observação da cria.

Nesta hora foi fundamental ter ao meu lado profissionais tão incríveis como a Dra Grace Teles e sua assistente que agora me fugiu o nome, mas ambas foram absolutamente gentis nos cuidados e atenção que ainda seguimos. Saímos do consultório mais de 19:30, com cria medicada e sob olhos cuidados meu e da Dra, que acompanha o processo de recuperação via fotos que enviamos a cada nova etapa do processo de melhora.

E aí você que me ler pensa: Que viagem a a pessoa fala da sua criança interior acolhida, e do dente quebrado da filha. E qual a ligação? A tranquilidade, a respiração, é que a cada nova acolhida a mim mesma, com tudo que sou, venho ficando mais tranquila e resolvendo as coisas sem acionar ninguém além do necessário para a resolução.  E como bem disse minha forte filha, estamos fazendo o melhor que podemos e assim vai dando certo.

Bela semana de recuperação, liberação, respiração e muito amor.

Brincar Junto

Ser a Mãe que sou me exigiu uma vida inteira vivida em sua plenitude e relações infinitas com os ambientes que somos, vivenciamos e habitamos. Assim, esta mãe que sou é a única que consigo ser, por ser a que sou, desse jeitinho exato que sou. 

E esta eu, hoje, vem com uma dica linda de diversão com a cria, os livros de perguntas e respostas são incríveis, aqui o sucesso foi tamanho que acabo de pedir o na faixa etária 5-6 anos, porque a anterior a cria aqui o que não aprendeu decorou do que temos de tanto que brincamos, coisa assim de todos os dias, quase, e é incrivelmente divertido e lindo ver o semblante de felicidade, curiosidades, expectativa pelas respostas. E não porque acertar seja incrível e errar seja terrível, em absoluto, ambos são legítimos, e só errando e treinando que aprendemos. Mas, só pelo desejo de descobrir. E é um modo bom de diversão e aprendizado junto.

Outra dica linda são os brinquedos educativos e feitos a partir do reuso de resíduo sólidos da Remes Rede. Aqui temos o das emoções que nos ajuda demais nessas descobertas, do alfabeto, dama e outros. Amamos. 

https://www.instagram.com/remes.rede/?hl=pt

E a dica final é, brinquemos com nossas crias. Pois somos o que eles desejam e precisam, pelo tempo que nos for possível, e dizer que as vezes vale a pena diminuir o ritmo para ficar de chamego um cadim mais ao acordar. Nossas crias precisam de nós.

Segurem suas cabras que meu bode está solto.

Escutei muito esse ditado popular e sou fruto da educação de um pai machista, que chegou ao ponto de propor, no meu primeiro emprego, aos 17 anos, pagar-,me o mesmo valor do salário para eu não assumir o emprego. Na sua cabeça, essa atitude pode até parecer cuidado, mas, na minha, para além do excesso de zelo, ainda havia o sentimento de posse, ciúme e dominação embutidos (0 amo mais que tudo, mesmo assim).
Na minha família, nós, mulheres somos a maioria ( e são mulheres incríveis) e crescemos ouvindo pérolas do tipo: ” Eita! Fulano só trabalha para os outros”, ” Sicrano, só faz o que gosta”, sempre que uma de nós engravidava de meninas. E isso sempre me incomodou. Mas, ao contrário do pai machista, tive uma mãe a frente do seu tempo, dona de si, muito batalhadora e visionária. Ela sempre foi minha referência e meu modelo. Talvez, esse tenha sido o motivo para que eu não sucumbisse e me tornasse, apenas, esposa e mãe dedicada (nada contra as mulheres que fizeram e fazem essas opção por livre escolha) e tenha estudado e trabalhado, desde muito cedo, o que me permitiu ter, hoje, um pensamento mais avançado e mais justo sobre a vida e as pessoas.
Eu, a todo momento, soube que seria mãe de meninos! Não me perguntem o porquê. Não sei explicar, mas eu sempre tive essa certeza. Deve ser essas coisas de mãe e seus superpoderes secretos.
Ou, talvez, tenha sido a minha vontade de criaram filhos mais justos, educados para conviver nessa sociedade como iguais, respeitando a mulher em sua essência . E assim foi feito!
Hoje, eu sou mãe de dois meninos, João Pedro, de 19 anos, e João Vitor, de 3 anos. Nós, eu e meu marido, os educamos para serem homens do bem e, desde que tomei consciência do desafio e da responsabilidade que seria conduzí-los no caminho da igualdade, dentro dessa sociedade machista, pensamos muito nesse questão da fala, dos comportamentos e das atitudes. E eu tenho a honra de dizer, em alto e bom som, que educamos um grande homem e que João Vitor tem a sorte de ter mais um exemplo dentro de casa pois João Pedro tem uma visão de mundo linda, respeitando a liberdade, a diversidade de gênero, de credo, de raça, de cultura ou de sexualidade.
Então, eu digo, sem medo de errar: Podem soltar as “cabras” de vocês, porque os meus “bodes” são criados e educados para respeitar, cuidar e amar, não somente as mulheres, mas as pessoas, sem distinção. Eles sabem que “não é não e ponto”, que o “não” é uma resposta completa, portanto, não precisa de justificativa.
E, se vale uma dica: mães e pais de meninas, fujam da educação limitante e opressora de vida de princesa. É muito mais divertido, dinâmico e libertadora criar meninas para serem super-heroínas, valentes, corajosas e acima de tudo, mulheres donas de si e protagonistas da sua própria história.

Abraços, Samya Régia.

Encanto

A magia do cinema, e das artes em geral, é mesmo uma linda mágica da empatia e do acesso, a emoções tão profundas que nem sabemos que nos habita. Este ano, aqui em casa, conhecemos a família Madrigal, família tema da nova produção da disney, que para nossa alegria vem desenvolvendo filmes mais diversos.

Uma lindeza sermos apresentada a esta família por Mirabel, que virou uma referência para minha pequena por aqui e aqui estamos sim falando de identificação e representatividade. Minha filha tem quatro anos e se percebe como marrom e vê no filme a beleza dos semelhantes, marrons, segundo ela. Sua primeira identificação foi com Antônio, o caçula da família, que tem como dom entender os animais. Mas, se você tem criança em casa, sabe que amam assistir ao mesmo filme com o que se identificam, várias vezes. 

Assim, hoje ela se identifica mais a Mirabel, com quem também eu me identifico e já sabemos as falas do filme decoradas, outra mágica dos roteiristas do filme, pois são contextos profundos, dando corpo e emoções a cada cada personagem, mas de modo simples e divertido em uma casa que se mexe e se comunica, só na magia.  O filme acontece em Encanto, uma vila encantada na Colômbia. E sobre representatividade nos desenhos infantis é sempre importante falar sobre, pois há ainda muito a ser feito em outro momento falamos mais a respeito. 

O fato é que na terceira ou quarta vez em que assistimos ao filme, minha cria olhou-me e disse que queria assistir a este filme com a sua avó (bisavó) e tentei instalar a Disney na sua casa, mas..

(Faço parte das pessoas que até gosta das facilidades dos apps e tal, mas não tenho menor paciência e/ou competência na execução dos processos de instalar, emparear, bla, bla, bla… mas depois que luto e consigo acho massa o resultado. Meu sonho de princesa é ter alguém que faça a parte chata e eu possa só usufruir da tecnologia em benefício do tempo).

O fato é que não consegui e isso foi gerando uma ansiedade, até que quando consegui calhou de chegar gente não assistiram no aconchego que mereciam, a avó viu em partes e com algum incômodo, entre falas. Mas, tornou-se recorrente ver minha cria cantando as músicas do filme que tem em si muitas subjetividades. Aí ontem estávamos tomando café, e a pequena cantando a canção de Isabela.

E a avó pergunta a classificação indicativa do filme, ao que eu respondo que é livre. E pergunto porque da pergunta, se acho denso, e ela disse que sim. E eu perguntei: Mas o lobo comendo a avó e chapeuzinho, a madrasta mandando matar a enteada, e história bíblicas como de Jó e Golias que são apropriadas. Aí ela quis defender com um: mas são histórias antigas, clássicas. Como se o antigo/ clássico se fizesse coerente só pelo tempo. E penso nas nossas pressões e dificuldades de falar sobre ações, reações e emoções envolvidas nas relações cotidianas. 

Aqui em casa amamos o filme inteiro, do princípio ao final. E se não tem Disney, segue aqui um com imagem e som, comprometido, mas com a história inteirinha. 

Xero e simbora!

Roberta Bonfim

Quem neste blog escreve sobre cinema é Jana Alencar, mas mesmo este dia sendo o dia de falar sobre maternidade resolvi