Uma conversa com Maria Vitória

Hoje nosso encontro é com gostinho de saudade.

Vamos relembrar esse papo para lá de delicioso com a maravilhosa e talentosa atriz Maria Vitória, no querido Theatro José de Alencar.

Uma conversa sobre arte, teatro, maternidade e vida.

É só dar o play.

Alimentação e autoconhecimento

Manuela Ramos

“Doutora, ainda bem que apareceu a senhora, porque eu tenho dez (10) dietas lá em casa, e nenhuma presta. As nutricionistas são horríveis”.

Nós poderíamos iniciar essa conversa falando sobre diversas vertentes ligadas à nutrição. No entanto, vim aqui convidá-los a fazer um breve passeio sobre o mundo que eu percorri como profissional, nesses temas, e sua aplicabilidade na vida das pessoas. Peço a você que, junto comigo, possamos pensar em propostas sobre uma nutrição aplicada à sua realidade. Como eu, realmente, posso te ajudar?

Quando iniciei a faculdade de nutrição, em 1992, ficava encantada com a possibilidade de entender como funciona nosso organismo. Pensava em como o alimento iria constituir o nosso corpo. Vi muita bioquímica, fisiologia, fisiopatologia. Algumas aulas relacionadas à saúde pública. Uma disciplina de psicologia. Confesso que, naquele momento, as pessoas iam se transformando em um conjunto de reações químicas, e eu, cada vez mais querendo entender aquele mundo. Fiz iniciação científica em bioquímica, segui o fluxo, indo parar no mestrado/doutorado em Fisiologia Humana, na USP. Fui para estudar suplementação e câncer.

Cada vez mais, eu estudava muita bioquímica. Sabia muito de nutrição, do funcionamento do organismo, de fisiologia e a dita bioquímica. E Isso tudo é, sim, muito importante, mas, para mim havia um longo caminho até os indivíduos, eu queria chegar mais perto. 

Dei muitas aulas de Fisiologia Humana em universidades, até que, em 2005, em Fortaleza, recebi o convite da Professora e psicóloga Ângela Andrade, para estruturar e criar o projeto de extensão PRONUTRA, Programa de Nutrição aos Transtornos Alimentares e obesidade, da Unifor – Universidade de Fortaleza. E foi lá que comecei a deixar os ratos, sapos e células de lado, e comecei a ouvir pessoas. Desde então, quando comecei a ouvir aquelas falas, nunca mais consegui deixar de ouvi-las. Entendi que existe muita coisa para além da comida ou do peso, da Fisiologia ou Bioquímica, ou até mesmo da própria nutrição. Percebi, dentro do contexto da nutrição, que o ato alimentar é um ato relacional, que há um elo entre os alimentos e os sentimentos.

Também trabalhei no IPREDE, onde acompanhei a mudança de um Instituto de Prevenção à Desnutrição, ao Instituto de Desenvolvimento Humano. Trabalhei com desnutrição e, na época, com crianças obesas e suas famílias. Tive a oportunidade de estudar, na instituição, sobre desenvolvimento humano e outros projetos relacionados. Fui conhecer muitas moradias dessas famílias, que são completamente carentes. E as falas que eu ouvia, só iam se multiplicando, e ficando mais complexas. Agora teríamos que auxiliar as pessoas no desenvolvimento de competências relacionadas à mudança de hábitos alimentares, assim como no Pronutra, mas aqui tudo ficou bem mais complexo: autoconhecimento, auto-estima, autoconfiança, visão confiante de futuro(?), sentido de vida(?), plenitude(?), reconhecimento do outro, convívio com a diferença, comunicação, interação, resolução de problemas, leitura e escrita (?). As pessoas não entendem o que você está falando. Aprender a aprender? Sim! São também objetivos!

Com uma equipe interdisciplinar, com uma nutrição focada na escuta, na empatia; com ações assistencialistas? Também! Fui parar em um doutorado em Psicologia – Desenvolvimento humano, na UNB. Por incrível que pareça, era muita matemática, mas isso é outra história.

Assim, para além da academia e com minha experiência de vida, segui percebendo corpos psíquicos, sociais, físicos, mentais, emocionais e espirituais. Seres que, muitas vezes, manifestavam seus limites de suportabilidade, por meio de sintomas alimentares, alguns utilizando canais de expressão oral e corporal, como uma maneira de manifestar conflitos e dificuldades emocionais. Por meio de aspectos como oralidade, voracidade, impulsividade, compulsividade, transgressão, agressividade, passividade, dentre outros, podia-se tentar compreender as relações que o corpo estabelecia com o mundo exterior. Sem delimitações de inclusão, exclusão e sem uma identificação do que é meu e o que é do outro, a realidade e seus próprios afetos, assim como as relações com os alimentos, tornam-se complexas e angustiantes.

     O profissional, mesmo com todo esse conhecimento, se vê amarrado diante da complexidade do que o outro trás.

“Nos primeiros dias, foi mais difícil. Final da primeira semana, eu estava confusa. No final de semana, foi mais difícil. Comi docinhos num churrasco, só 3, foi um avanço, mas com muito sofrimento. Me senti feliz ao levar a lancheira com temperos para o trabalho, mas desconto minhas raivas na comida. Gosto de comer. Associo a comida a todos os sentimentos, felicidade, impaciência.”

Daí trazermos, também, essa responsabilidade para você. E a consciência de que caminharemos juntos, pensando na sua realidade, na sua vida, em toda sua amplitude.

Fisiologicamente, se pensarmos que impulsos irresistíveis podem tornar-se compulsivos, vindos de pensamentos que não conseguem ser habilmente afastados da mente; que obsessões, em condições patológicas, perturbam a vida, tornando-se estímulos constantes; que nossos comportamentos tornam-se automáticos pelas repetições, e que esses, tornar-se-ão, muitas vezes, nossos hábitos diários, como o de escovar os dentes. Se pensarmos que nosso cérebro regula o comportamento motivado classificando nossas ações em boas ou ruins, e, fazendo, assim, milhões de associações, muitas vezes não por alterações estruturais, mas por excesso de ativação, podemos concluir que esses estímulos constantes, compulsivos, repetitivos, relacionados à comida, poderão virar um hábito. Ou seja, para reverter a formação de um hábito, teremos que começar pela sua auto observação.  

Você acredita na existência de um caminho de autoconhecimento, quando falamos de alimentação? Quais suas relações de afeto, emoções, desejos, fantasias, quando falamos de alimentação? 

Voltamos a tal escuta que falei anteriormente, mas que, agora, está relacionada ao seu corpo. Você terá que ouvir o seu corpo em todos os seus contextos, para chegar ao tão sonhado e tirano peso ideal, ou qualquer que seja seu objetivo relacionado à nutrição.

Aí retornamos para aquele profissional Nutricionista, o mesmo a quem demos o poder de modificação de nossos hábitos. E chegamos lá entendendo que tudo parte de nós, de como nos vemos, nos observamos, nos escutamos. De como a relação entre comida e corpo perpassa pelo auto-cuidado, pela conexão consigo mesmo. Preciso da sua ajuda para entender a sua verdadeira motivação, assim, as dietas não serão mais acumuladas. Você saberá diferenciar fome física, de fome emocional. Você se libertará da tirania das dietas, comerá intuitivamente, com atenção plena, se reinventará. E o profissional fará uma verdadeira Terapia Nutricional, tendo como objetivo a criação de um conceito positivo para com o alimento, mobilizando o melhor de nós, para lidar com nossas escolhas. Será um sucesso!

 “A experiência de comer devagar foi ótima, me senti saciada e só comi a metade do chocolate, estou feliz!”

Cliente após uma vivência sobre comportamento alimentar.

Manuela Ramos é nutricionista, doutora em Fisiologia Humana pela USP e doutoranda em Psicologia – Desenvolvimento Humano pela UNB.

Não está exercendo no momento nenhuma dessas atividades.

Teatro e resistência em tempos de pandemia

Karlos Aires

Que o teatro é uma das artes que mais enfrenta dificuldade para resistir, isso a gente já sabe. Quem não lembra do Teatro Jornal de Boal onde os grupos sofriam repressão e precisavam mudar diariamente os roteiros para continuarem em atividade? Hoje, a pandemia causada pelo novo coronavírus mostrou-se como mais um obstáculo e como sempre a arte se reinventa para continuar sobrevivendo.

Hoje, quero partir para uma reflexão mais racional sobre este assunto. Por isso, trago a fala de alguns profissionais do teatro para dialogar conosco sobre suas experiências. Como o diretor da companhia municipal de teatro de São Gonçalo do Amarante (CE), Ivan Lourinho. Para ele, que também integra como ator o Grupo Mirante de teatro Unifor, há inúmeros benefícios nos novos formatos que encontrou para resistir.

“A primeira questão é a vontade de não parar. A partir do momento que você deseja continuar produzindo, seja dirigindo, seja atuando, a gente teve que buscar caminhos para poder conseguir continuar trabalhando e não parar. Isso tanto como diretor e como ator”, conta Lourinho que iniciou com o grupo do município cearense um novo espetáculo para o final de 2020 e o processo de montagem tem sido inteiramente online.

“Comecei com exercícios de vídeos individuais e a gente foi evoluindo esses exercícios. Passamos a fazer em dupla e depois em grupos. Gravamos alguns vídeos para poder nos vermos e eu também gravava nossos encontros com algumas interpretações. Hoje temos ensaio direto, tudo à distância. Eu converso com os atores individualmente, a gente chega em um consenso do que é o personagem como ele se desenvolve na trama”, pontua.

Ivan Lourinho é diretor da companhia municipal de teatro de São Gonçalo do Amarante (CE) e ator o Grupo Mirante de teatro Unifor.

Já para João Paulo Lima, artista, pesquisador, educador, coreógrafo e diretor, há muitos pontos positivos e estes cobrem as dificuldades. “Eu acho que há muitos pontos positivos, mas temo a precariedade das obras. A gente vai receber esse feedback daqui há um tempo, depois que essa necessidade de estar todo tempo compondo dessa maneira passar, disse o ativista das causas dos artistas PCDs.

“Eu tenho muito receio de como a gente pode ser capturado pelo poder público e privado. Mais uma vez o artista ser vítima de ser diminuído nos valores, até mesmo dos trabalhos, por utilizarem essa desculpa de que se faz uma obra com celular na mão. E não é verdade. Eu acho que a gente tem que ter muito cuidado a partir de agora sobre como vamos desenvolver isso como trabalho, como política, como sustento. Apesar disso, eu acho super interessante, acho que tem mais a acrescentar do que precarizar o trabalho”, colocou.

João Paulo Lima: artista, pesquisador, educador, coreógrafo e diretor. Ativista das causas dos artistas PCDs.

E partindo da visão técnica, o cenógrafo Klebson Alberto compartilhou que o momento não tem sido nada favorável, mas que organizou o Fórum das Áreas Técnicas em Espetáculos Artísticos e Culturais do Ceará que reúne iluminadores, sonoplastas, produtores, figurinistas e também os cenógrafos. Ele explica que este grupo já passa normalmente por um processo de invisibilização por estar nos bastidores e que a pandemia acentuou isso.

“Uma das ações que conseguimos fazer foi junto ao Porto Dragão compor uma equipe técnica para auxiliar os processos que vão  ser gravados dentro do equipamento neste período de retomada. Até então eu estava parado e não tinha trabalho de cenografia para mim, até porque as pessoas estão tentando produzir tudo com o material que tem dentro de casa.  Tem sido um momento de captação via editais e de cobrar que esses editais contemplem os técnicos. Fui contemplado no edital “Dentro de Casa” com uma vídeo-aula falando sobre Introdução à Cenografia. Está é uma articulação mediante a inclusão nas políticas públicas culturais para sanar esse processo de invisibilização”, finalizou.

Klebson Alberto é cenógrafo e designer.

Karlos Aires é jornalista e ator. Pesquisa música e artes cênicas. Escreve aos domingos para o Blog Lugar ArteVistas.

O palhaço

O Palhaço…
Nem sei direito como começar a escrever… Tampouco que caminho seguir no decorrer do texto, pois há muito para falar sobre enquadramentos, planos de detalhes, a maquiagem discreta, com a expressão perfeita. E o roteiro? E a força de dois tão maravilhosos atores em cena? E tem a direção de Selton Mello e tem o próprio Selton que foi minha primeira paixão quando fazia Tropicaliente. (Hihihihi) Deixo tudo isso claro, para o caso do texto ficar bagunçado.

Quando ouvi falar do filme, já quis ver, mas tudo foi ficando bem enrolado, até que finalmente consegui e chorei. E não foi feito gente, porque gente chora normal, eu chorava desesperadamente. Chorava por lembrar dos circos de cidadezinha que tive a honra de assistir e visitar, porque lembrei da infância, senti cheiros que nem acreditava ainda guardar na memória. Ai ! E porque vi o palhaço, o ser que sempre me assustou por sua bipolaridade. Como podia aquela pessoa ser tão triste e nos fazer rir tanto? Chorei porque vi atores maturos, atuando linda e simplesmente. Não havia grandes efeitos, nem grandes nada. Tudo quase pequeno de tão grande.

O que vem se tornado uma característica de Selton Mello, que a cada nova produção se mostra mais apaixonado pelo cinema e em O Palhaço, talvez, ele tente demonstrar um pouco de onde vem também toda essa paixão. Do circo, do oral, do pulsante, poético, do de verdade.

Em tempos de “Amanhecer” (Saga Crepúsculo); Avatar e X-men, assistir O Palhaço é um bálsamo, um recanto de encontro com a alma. E aquele palhaço de alguma forma nos parece todos nós, esmagados por uma tristeza de não sermos o que sabemos.

É no picadeiro que a alegria se revela e sua tristeza ajuda na graça de nos fazer sorrir. São histórias das cidadezinhas, com seus prefeitos, pessoas e histórias. De alguma forma somos apresentados a todos da trupe e compartilhamos de suas relações. Puro Sangue (Paulo José) e Pangaré (Selton Mello) são pai e filho e são uma dupla e amam o mesmo oficio e é a descoberta desse amor que os separa e une.

O Palhaço então trata um pouco da tristeza dolorida de ter que deixar uma vida para trás e ir em direção a uma nova. Como se lembrasse que, se tudo está ruim, é porque ainda não terminou e lá no final tudo vai dar certo. O sorriso de criança, a mesma que espiava por baixo das arquibancadas, pode até se esvair ao perceber que o mundo fora do picadeiro não é tão alegre, nem seus problemas podem se resolver como um passe de mágica, mas, ainda assim, tudo é carregado ao final feliz por essa esperança que é real aos que vivem da arte.

E é essa magia da arte que faz com que Paulo José, mesmo doente há vários anos, saia dessa realidade frágil e viva esse personagem profundo e sensível, que serve de âncora para o filho ao mesmo tempo em que parece se esconder em um canto de trás das cortinas do picadeiro antes de entrar, como se demonstrasse o quanto talvez seja mesmo difícil encontrar graça onde você é o responsável pelos risos.

A piadas contadas dignamente por Zé bonitinho despertam o riso de Beijamin e servem de catarse para o personagem “se redescobrir”. A trilha sonora é algo delicioso. As imagens, planos, tonalidades.O ventilador, a certidão, a ingenuidade e o amor.

Todas essas nuances sobram para o Selton Mello diretor, que não perde nenhum desses olhares, gestos e emoções, tudo está estampado em seu filme. É definitivamente um filme vivo, de emoções e desafios fortes e fundamentais. Uma das grandes relembranças que vivi. Sou grata ao terminar.

E penso que todo mundo, por qualquer razão, ou mesmo sem ela merece assistir O Palhaço.

A criança para sempre impura

Uma mão fria apertou-lhe a garganta, e não a deixou respirar a vida.

A outra, ainda mais gélida, fez-lhe doer as entranhas.

A flor silenciada desfez-se em sangue.

Isto foi dos 06 aos 10 anos.

Me lembro que nasci com uma vagina, e que fui criada pelos meus avós maternos, e que eles tiveram 11 filhos, 04 mulheres e 07 homens. Cresci entre os meus tios, como irmã caçula, cercada de cuidados que eu julgava exagerados por parte da mãe e do pai, hoje eu entendo que não o foram. Fui sempre obediente, nunca os questionei.

Próxima aos 32 anos, concluo os porquês.

O corpo feminino desde a idade infantil, é objetificado, sexualizado, fetichezado.

Observo que uma criança do sexo masculino desnuda é motivo de graça, enquanto que uma criança do sexo feminino desnuda parece ofensivo. Me lembro de ouvir algumas vezes o adjetivo “feio” para uma menina desnuda.

Isto faz parte da estrutura social forjada pelo patriarcado, onde o direito à liberdade feminina inexiste.

Quando soube do caso da “menina de 10 anos”, entrei imediatamente para o banho, pensei no seu sexo sendo penetrado sem que ela o quisesse, senti nojo do meu corpo.

É uma consequência, sentir nojo do próprio corpo, tornado impuro.

Este é um texto que mereceria algumas laudas, no entanto não me exercitarei, mas reforço que o tema é urgente, e não pode ser esquecido.

EU, A CRIANÇA PARA SEMPRE IMPURA

Criança sem pecado!

Concebida pelo divino sem mácula.

Virgem flor inaugurada na dor.

Primavera tão cedo desflorada.

Quem apresentara-lhe a maldade?

Quem derramara-lhe o mel?

O que de ti roubaram é o sangue doce que percorre minhas veias

e alimenta minhas linhas.

Eu, a que escrevo com as mãos sujas desse mesmo sangue.

Eu, a criança para sempre impura.

Impura!

Este texto foi escrito por Marcelina Acácio, em lugar do texto de hoje de Juliana Veras, que não pode ser publicado, pelo que lamentamos.

Somos sementes

Matheus Prestes

“TENTARAM NOS ENTERRAR MAS NÃO SABIAM QUE ÉRAMOS SEMENTES ” provérbio mexicano.

Acho incrível e linda essa frase. Ela é poderosa!!! Essa imagem de que todos somos sementes é a pura realidade, nós temos o poder de florescer em nossa caminhada a partir de nossas experiências. Com tudo que nos acontece podemos aprender algo. Sempre digo que sou um semeador (além de semente) e que presto bastante atenção a minha semeadura. Nossos dias, nossa mente e nossa vida são nossa “terra” que podemos preparar para colocar as sementes que gostaríamos de ver nascer. Muitas vezes plantamos inconscientemente. Aí mora o perigo. Pois a semeadura é opcional mas a colheita, obrigatória! Sendo assim, hoje eu penso mais antes de falar, de agir, de decidir, pois tudo são “sementes”. Podemos ir matando aos poucos nossas sementes ou ir criando espaço com autoconhecimento, adubando com pensamentos e regando com atitudes e palavras para que quando menos esperamos, ocorra aquela explosão de energia e mágica que se dá numa vida com sentido e plena.E falando em sementes aproveito para deixar aqui uma receita de suco verde com sementes germinadas (nesse caso já se tornaram brotos) de lentilhas. O suco verde é uma grande ferramenta que uso para dar ao meu corpo na parte da manhã vitalidade, oxigenação, alcalinidade e poder de desintoxicação. E às vezes alio isso à mágica dos germinados. Imaginem a energia vital e potência que uma semente precisa para conseguir romper seu momento estático e buscar pela vida. É muita coisa!!! E é nesse momento que podemos desfrutar delas. Quando estão ainda no comecinho. Apenas apontando um rabinho. Ali alguns nutrientes se multiplicam e outros que quase não existiam podem aumentar em até 600%. É pura vida tchurma!!! Vamos lá:


água de 1 coco ( e polpa quando conseguirem abrir )

1 inhame

1 cenoura

3 beterrabas pequenas

1 beringela

ramas de cenoura

talos de salsão

folhas de rabanete

folhas de alface

galinhos de manjericão

naco de gengibre


Lentilhas germinadas
Para germinar: pegue um punhado de sementes secas, lave bem, coloque num vidro e cubra com água potável. Deixe assim por 8 horas. – escorrer numa peneira, enxague bem e acomode essa peneira numa vasilha e busque cobrir as sementes, pode ser uma tampa ou mesmo pano. – você irá umedecer essas sementes 2x por dia, manhã e noite, até que o pólo germinativo apareça, quando o “rabinho aparecer” é hora de desfrutar do poder. Lembre sempre de enxaguar bem antes de consumir. pode ser em saladas, no suco como eu faço ou mesmo nas suas receitas. Para retirar as películas, coloque as sementes numa vasilha grande, encha de água e com as duas mãos vá “apertando-as” carinhosamente, esfregando uma mão na outra com as sementes no meio delas que as casquinhas irão sair e boiar. Daí é só pescar com uma peneirinha essas que boiam. Não precisa tirar 100%. Bater tudo e depois de tudo misturado acrescentar as sementes germinadas e bater mais um pouco. Às vezes eu bato a primeira parte toda, coo, volto para o liquificador e daí coloco as sementes, bato mais um pouco e tomo. Se presenteiem com luz, alimentos de verdade, reconhecíveis. Seu organismo agradecerá e responderá a isso. A sensação é de purificação e banho interno! Bons momentos a todos!

Matheus Prestes é ator, inquieto e questionador. Nascido em Ribeirão Preto foi parar em São Paulo por impulso da vida. Trabalha com teatro, cinema e tv. É um apaixonado pela vida e suas possibilidades. Foi no meio da caminhada que teve um feliz encontro com a alimentação que transformou sua mente e vida. Hoje, casado, pai de duas almas recém chegadas tem um grande prazer em compartilhar o que me lhe faz bem.

Sobre escrever dramaturgia

Por Juliana Veras.

Obs.: Esses meses de 2020 em quarentena me fizeram mais dramaturga. *risos* Não que eu não escrevesse antes. Apenas, agora decidi dar mais atenção ao ofício.

Escrever um texto dramatúrgico exige muita: dedicação, concentração, capacidade de trabalhar no escuro, cumplicidade com as pessoas que estão criando com e inspirando você; exige saúde, alguma alegria, música; alguma paz. Exige também a capacidade de desistir com velocidade de uma ideia que você achava genial, assim como para a direção também, tanto quanto a capacidade de investir numa ideia que você tem certeza de que é maravilhosa, apenas não se revelou completamente ainda. Como compor músicas. E eu faço essas coisas todas. Exige também uma capacidade imaginativa de antever como serão as cenas, ao menos ter um vislumbre mínimo de cenário, às vezes figurino, sonoridades… Muitas vezes eu só consigo sair de uma cena quando termino de compor a música atrelada à ela.

Pensar e desenvolver dramaturgia exige sanidade. Exige ter uma caixa interna pra guardar bruscamente e o mais rápido possível todos os seus demônios imediatistas do pensamento. Porque você precisa ter esses demônios ativos também para escrever dramaturgia. Eles precisam existir e poder destruir o mundo todo se você deixar. É a música da caixa onde confinamos nossos demônios do pensamento sendo esmurrada por eles de dentro para fora que inspira o fluxo do pensamento criativo das cenas sendo escritas. Como os Titãs presos no Tártaro após devorarem o deus Dioniso. Os gritos e urros deles são a música que faz o universo girar.

Escrever para teatro exige isolamento, imersão, residência, retiro. Exige visitar lugares importantes, lugares muito inspiradores, abismos reais no mundo terreno. E dar-se um tempo nesses lugares e, depois, nos lugares quartos-de-escrita, com objetos trazidos daqueles lugares para se inspirar.

Escrever exige piração. Tanto que está dentro da palavra inspiração. E expiração. Piração. Mas uma pira boa. Uma pira de fogo do juízo lapidado, roído e amolado até quase fragmentar, até atingir aquele microtamanho que possa penetrar preciso e certeiro no tecido do texto…. O tecido do texto tem sua textura. Suas entranhas. Como se ele já nascesse pronto e a gente precisasse apenas atingir algum ponto vital dele para fazê-lo formar-se sob nossos olhos. Escrever exige olhos.

Os olhos exigidos para escrever são isso: a capacidade de registrar cada pedaço de inspiração fulminante, no meio do dia, no estado de criação aberto às vezes por meses a fio ou mais tempo ainda, onde a nossa mente está antenada para a possibilidade de, em qualquer conversa trivial cotidiana, surgir uma cena incrível, genial e necessária.

Escrever exige memória. Lembrar com o corpo e a mente a voz e a postura da amiga na lanchonete, contando a história sobre batatas e a casa do caralho, anos antes de a escrita estar sendo desenvolvida, mas num tempo em que eu já sabia que um dia iria escrever. Escrever exige invocar a escrita por muito tempo antes de ela começar a acontecer; às vezes, anos antes.

Escrever exige compreensão das pessoas amadas com quem se convive, de que pode ser que precisemos estar um pouco mais ausentes do que de costume. Pode ser mesmo que nos ausentemos sem nem sequer percebermos. Escrever exige ser perdoada por estar com a mente ausente, psicografando a mensagem de personagens ficcionais extraídos direta e essencialmente de pessoas e situações reais que inspiram e apontam os caminhos do que escrever, de como e, principalmente, por que e para quem. Escrever exige conexão com uma verdade sólida, concreta e real, presente no tempo presente. Exige entender o agora que precisa se manifestar através da escrita, por mais que a imersão às vezes precise nos tirar do agora agoral.

Escrever exige uma capacidade de se conectar com o agora de todos os tempos, com as emoções primitivas e fundamentais do humano, as emoções primordiais. Como os dons mais elevados para o pensamento cristão, a fé, a esperança e a caridade. Escrever exige conexão com as emoções mais elevadas, os instintos humanos e os pensamentos humanos de todos os tempos e como eles reverberam no agora.

Escrever exige uma capacidade de se desconectar das importâncias triviais e efêmeras dos humanos, que não traduzem os sentimentos primordiais humanos. Exige saber anular as besteiras, mas exige também a capacidade de usar as besteiras do agora trivial para conectar os humanos com o agora transcendental ou primordial.

Escrever exige perdoar a si mesma por estar um pouco desconectada com as importâncias triviais humanas. E exige sobreviver à necessidade de sair da imersão para atividades como comer, dar aulas, ensaiar, dormir e outras coisas que desconectam da concentração absoluta de estar escrevendo. Mas em estado de criação da escrita, estamos sempre em algum grau conectadas com a escrita. As situações do dia a dia mais diversas, desde as quase mortes a tomar o café antes de esfriar, quando prestamos muita atenção, falam a nós exatamente as coisas que estávamos precisando ouvir para fechar ou desenvolver uma ideia.

Escrever exige desenvolver ideias bestas que serão cortadas. Escrever exige uma tremenda admiração por si mesma, pela sua inteligência e criação, para que alguma falta de confiança não distraia as ideias de se desenvolverem.

Escrever exige em algum momento estar pronta para dividir as ideias. Exige de vez em quando catar opiniões, emoções e relações das atrizes e o ator que estão criando comigo sobre os detalhes do que estou escrevendo. Porque está sendo escrito pra eles encenarem. Sem eles não fará sentido, não é outra literatura, é teatro, e temos um tempo para produzir tudo isso. Eles precisam ir se conectando logo. Pois quando estou com eles muita coisa é mudada, eu sei. Portanto, aqui, escrever significa desapegar-se de absolutamente quase tudo que estou criando, em detrimento do envolvimento absoluto dos atores que estão criando comigo o espetáculo. Aquilo com o que eles não se envolverem, não faz sentido e deverá ser cortado.

Escrever e dirigir exige de mim a capacidade de provocar os atores e fazê-los envolvidos com o que estamos criando. Exige muitas leituras antes de escrever para pensar além e poder propor inspirações assertivas. Escrever exige a capacidade de se inspirar. Mesmo que de vez em quando tenha que jogar as ideias mais incríveis fora, em algum momento.

Escrever exige a capacidade de jogar ideias incríveis fora no momento certo. Uma ideia incrível pode ser responsável por outras ideias incríveis, então, muitas vezes é importante que ela fique ali. Por muito tempo. Escrita. No canto de rodapé. Como um escólio. Escrever é coisa também de escoliasta.

E a história não tem fim.

Juliana Veras e as Feras,

Em construção da dramaturgia de espetáculo de teatro a partir do mito grego de Ariadne e a trajetória humana de desbravamentos, abandonos e resiliência, desenvolvido em processo colaborativo na Companhia Crisálida de Teatro por Elaine Cristina, Elô Temóteo, Jéssy Santos, Juliana Veras, Rafaely Santos, Ohana Sancho e Paulo de Souza, junto ao precioso apoio de Flávia Câmara, nossos familiares e amigos.

Evoé!!

Receitas e novos passos

Matheus Prestes

Caros leitores, tive uma passagem meteórica por esse lugar mágico de troca e informação. Vou me ausentar pois sinto que preciso investir e me dedicar mais aos meus projetos. Eu e minha companheira estamos abrindo um negócio de alimentos à base de plantas, fora isso temos as duas crias, faculdade, teatro, casa e uma variedade de “missões” que precisam de nós para seguir sendo. Saio de cena mas não desse local de artes. Sintam-se convidados para nos acompanhar e trocar no Instagram do BEGODVERDE. Como falar sobre alimentação e não deixar nenhuma receita? Aqui vão duas que tenho na bagagem com um pouco de informação. São apenas bases para atiçar a criatividade de vocês. Agradeço a atenção até agora e desejo bons passos a todos!!!!

Da série: ” Mas e os doces? Sou viciado em açúcar! “
É meu amigue, infelizmente essa frase não é maneira de se expressar. O açúcar tem um poder viciante que é pesquisado com milhões de dólares para que seja de máxima eficiência. Na minha opinião, um crime.O estudo é em cima do PONTO DE ÊXTASE, no qual a pessoa bebe ou come acima de sua saciedade sem se dar conta. Tudo isso é minuciosamente calculado para que ” os clientes “,principalmente crianças consumam além do necessário. (aqui reside o crime, um público sem informação e totalmente manipulável). O açúcar atua no cérebro da mesma forma que a cocaína. Tem um poder viciante tal qual. Mas como é liberado e faz parte de um mercado imensamente rentável todos a aceitam de forma até subserviente. Altamente acidificante, relacionada a diabetes, obesidade, câncer, hiper atividade e muitas outras doenças ela está por todos os lados, do suco ” natural ” ao tempero para churrasco. A indústria sabe do poder ” cativante ” do açúcar e o coloca em lugares que nem imaginamos para que aos poucos cada vez mais fiquemos atados a esse pó branco, que junto com sua turminha, farinha de trigo refinada e cocaína, deveriam ser usados com muito mais atenção e consciência. Mas cada um sabe de si e a melhor ferramenta para não ser conduzido como um fantoche é a informação que hoje em dia, graças à internet está aí para quem quiser tirar a venda. Saber se alimentar faz parte do amor próprio. Todas as nossas escolhas têm consequências e impactos. Tente as melhores. Bom,chega desse blá-blá-blá conspiratório e vamos à guloseima.
Bolo do resíduo de coco com calda de chocolate!!!
9 colheres de sopa de aveia passada no processador até virar farinha resíduo do leite de coco

2 colheres de sopa de linhaça hidratada

1 xícara de farinha de arroz

3 colheres de sopa de óleo de coco

1 colher de sopa de vinagre de maçã

1/2 xícara de açúcar de COCO

1 xícara de leite de coco

1 1/3 de água ( se puder use a solarizada )

1 colher de sopa de fermento

15 gotas de extrato de baunilha

Liquidificador e depois forma untada com óleo de coco

Forno até que ao cutucar com a faca e nada saia ou muito pouco
Calda
Tãmaras hidratadas

Alfarroba

Cacau 100%

Água

Processar até o ponto mágico de CALDA encantadora

Xerém de castanha de caju para matar a pau!

Pena que não dura 1 dia!😜

Matheus Prestes é ator, inquieto e questionador. Nascido em Ribeirão Preto foi parar em São Paulo por impulso da vida. Trabalha com teatro, cinema e tv. É um apaixonado pela vida e suas possibilidades. Foi no meio da caminhada que teve um feliz encontro com a alimentação que transformou sua mente e vida. Hoje, casado, pai de duas almas recém chegadas tem um grande prazer em compartilhar o que me lhe faz bem.  Escreve aos domingos para o blog.

Lives como fonte de conhecimento e pesquisa na cena artística.

Você já percebeu que as lives estão se tornando uma ótima fonte de conhecimento e pesquisa? Você tem acompanhado as transmissões ao vivo sobre arte? Muitas delas trazem bons nomes da cena artística local para narrarem suas jornadas. Quem nunca se interessou em saber como aquela atriz, cantor, bailarina ou poeta iniciou sua carreira?

Eu consigo perceber nessas lives que estão acontecendo uma ótima oportunidade para entender melhor como estas pessoas chegaram até aqui. O Grupo Bagaceira de Teatro, por exemplo, realizou algumas transmissões entrevistando outros grupos. Nos diálogos é possível compreender como eles iniciaram e lutaram para se manterem ativos na cena local.

Mas, para além dos artistas em geral, locais importantes de Fortaleza também estão ganhando mais visibilidade e tornando acessível suas histórias. É o caso do Poço da Draga, que ganhou do ArteVistas mais de 3 horas de live com a participação de diversos nomes que podem falar com propriedade sobre a região.

A transmissão foi realizada no dia 27 de maio e celebrou os 114 anos do Poço da Draga. O vídeo na íntegra pode ser conferido no final desse artigo. Artistas como Cauê, Daniel Medina, Nigroover e Juliana Veras abrilhantaram o momento. Além de Kiko Alves falando sobre o projeto cinema no Poço, Marilac Lima, Fernando Dantas da Associação Anjo Rafael e encerrando com o músico Junior Pantera.

E você? Quem gostaria de ver em uma live falando sobre a cena local e sua resistência? Que contribuição você acredita que é importante para que a cena local? Que assunto gostaria que fosse trabalhado nesse formato mais acessível? Deixa aqui nos comentários sua sugestão e quem sabe o ArteVistas não pode abordar na próxima live? Aproveita e compartilha esse artigo com seus amigos e em suas redes. Até a próxima!

Link do vídeo a ser incorporado no final do artigo:

Karlos Aires é jornalista e ator. Pesquisador sobre música e artes cênicas. Escreve aos domingos para o blog Lugar ArteVistas.