Onde vou estar agora

Eu seleciono bem as flores que vou usar, tiro galhos, sementes, e restos de folhagens… Com uma tesoura vou cortando pétala à pétala cada flor dentro do potinho … É um processo calmo e paciente que nem toda pessoa está afim de fazer, mas que para mim sem isso não faz sentido, preciso fazer essa ação até enxergar vários flocos verdes e cintilantes …

O perfume toma de conta do espaço, exala um cheiro de chuva com limão. Rapidamente me sinto um tamanduá socando seu nariz em um formigueiro profundo, farejando cada cheiro suculento para saciar seu desejo. Aquele perfume entra nos buracos do meu nariz com uma sensação adstringente limpando as estradas neurais de meu cérebro.

Pego uma seda, derramo todas as flores picadinhas nela, espalho com leveza. Minha mãe de santo sempre me diz que um padê jamais deve ser sacudido, deve ser organizado com as mãos. Meus dedos prontamente organiza aqueles pequenos flocos, verdes, aveludados, cristalizados, cintilantes; aquilo é um presente para mim e para mais ninguém então tem que ser bem feito.

Segundos depois já lanço aquele pequeno torpedo carregado de terpenos pressionados, aglutinados esperando serem eriçados para soltarem seu esperma quente e grosso em meus pulmões… um gozo que jorro na minha boca, risco o isqueiro e vejo a brasa se formar. Baforo devagar, arejo os pulmões, aterro a cabeça. Gozo em fim…

Fim … ?

Meu sonho era conhecer Moraes Moreira…

Campo de magia: o que é e como se proteger

Desde a antiguidade a palavra magia soou e até hoje soa como algo negativo. Desde épocas muito antigas, existem escolas de iniciação ritualística. O conceito inicial básico de magia é forma-pensamento ou intenção, ou seja, se ela é ruim, torna-se magia ruim, se ela é forma-pensamento boa, torna-se magia boa.

          Algumas dessas pessoas desvirtuaram-se da proposta original que deveria ser a conexão com 4 elementos da natureza (terra, água, fogo e ar) e suas formas arquetípicas com intenção de elevação do espírito e respeito ao livre arbítrio alheio.

 Esses que por próprio livre arbítrio decidiram caminhar em águas turvas, se auto intitularam como magos negros, interferindo no livre arbítrio e sofrendo consequências dessas ações através do princípio de choque de retorno. Ou seja, se faço o mal, recebo o mal que inevitavelmente envio.

          Muitos desses seres desencarnaram e no plano astral exercem influencia sobre uma cadeia de comando  e com nós encarnados que estejam na faixa vibratória deles. Os magos negros ainda podem induzir a pessoa, através de seus sentimentos de culpa e baixa auto estima a achar que jamais poderão receber a Luz Divina, e não encontram objetivo em nada.

Em grande parte das vezes, infligem a si mesmos os mais diversos castigos e, mesmo quando recebem a ajuda de outros espíritos e das almas iluminadas, eles argumentam que seus crimes são imperdoáveis e anseiam por “castigos” que possam “purificá-los”. Vivem acreditando que são indignos de qualquer perdão, e se não forem auxiliados, podem chegar inclusive ao suicídio.

A prática da magia negra é explicada, à luz da doutrina espírita pelo Livro dos Espíritos em suas questões 549 e 550, sob o título de “Pactos”, de 551 a 556, sob o de “Poder Oculto, Talismâs e Feiticeiros”, e 557 “Bençãos e Maldições”. Ali se ensina que as ações de espíritos voltados para o mal sobre as pessoas podem ser impedidas, caso a pessoa objeto dessas ações invocar, em sua proteção, a ação de espíritos voltados para o bem.

Ensina, ainda, que para que uma pessoa tenha a ajuda de espíritos voltados para o bem, ela deverá manter-se em harmonia com eles, envolvendo-se, em todas as suas atividades e práticas, com pensamentos nobres e sempre procurando auxiliar aos necessitados.

Alguns espíritas erram ao achar que é só querer que se livra da obsessão. O médium altamente treinado, consegue…mas a sofisticação das obsessões só faz crescer. Hoje em dia não existem mais obsessões simples. Em geral são complexas, agravadas pela instalação de aparelhos astrais na região para-cervical (no corpo astral um espelho do corpo físico). Porém, as condições predisponentes são realmente dadas pela própria pessoa, que é ignorante ou ignora voluntariamente a Lei de Causa e Efeito, e usa seu arbítrio erroneamente, ou nem ao menos exercita durante a vida seu direito de escolhas.

Geralmente não é quem erra muito quem mais fica sob o jugo dos magos negros, mas quem se deixa levar, quem não se esforça para evoluir, e não compreende que suas dificuldades, na verdade são lições que ainda precisam ser aprendidas, exercitadas, restauradas. Preferem o lugar de vítimas, ou seguem o “deixa a vida me levar” ao pé da letra, ou pior, fazem escambo com a escuridão em troca de benefícios próprios. Esse último caso é o que mais acontece.

Casos como de pessoas que insistem em um relacionamento que já acabou e fazem uma “amarração” espiritual estão infringindo o livre arbítrio da pessoa em questão e muitas vezes sem saber fazem magia negra. O custo de retorno disso é alto pois gera cobranças pelo próprio ato gerado.

Caso você tenha feito isso no passado ou tenha sido alvo disso, saiba que isso é mais comum do que se imagina e pode ser resolvido. No próximo artigo, daremos continuidade desse ponto. Fale conosco e faça essa quebra energética.

A tal maturidade

Chamar alguém de imaturo é como uma ofensa inaceitável, mesmo quando o acusado tem vinte anos ou menos; que nem um herege que se recusa a “vestir a carapuça”, para evocar a expressão eclesiástica medieval que se perpetua aos dias atuais.

Estava relembrando as inúmeras vezes em que me fiei ter atingido a sensatez e o equilíbrio que caracterizam a tal maturidade.

No primeiro beijo, me considerei a própria experiência. A primeira decepção amorosa trouxe a convicção de que eu me tornara precocemente madura. O ingresso na universidade veio escoltado da certeza de vivência máxima. A graduação, a primeira grana com o meu trabalho, a gravidez dos meus filhos, as amizades desfeitas por incompatibilidade ou desamor, o falecimento do meu pai… Um rol infinito de felicidades e tristezas da fase mais jovem.

Sempre que escalava um novo degrau da maturidade, eu acreditava que seria o último, que finalmente havia alcançado o real patamar da plenitude.

Dizem que a maturidade se instala [sem quaisquer garantias, descobri aos poucos] à medida que você desconstrói e humaniza seus heróis e heroínas – pais, amigos, companheiros, mestres –, e continua a respeitá-los e admirá-los da mesma forma.

A verdade é que a maturidade está a toda hora se evadindo. Além de chegar sem avisar, parte furtiva, sem aceno ou abraço.

De repente, no esplendor da terceira idade, a gente se pega, por exemplo, julgando uma pessoa querida que não atendeu às nossas exigentes expectativas. Pronto, a danada da maturidade escapuliu de novo, levando consigo tudo aquilo que incorporamos com ela, pois nunca anda sozinha, se faz acompanhar da tolerância, resiliência, compaixão e solidariedade.

Da próxima vez que alguém lhe surpreender com uma falha ou uma decepção, reflita antes de voltar à estaca zero do crescimento humano.

Proponho, portanto, vigília permanente às constantes fugas da tal maturidade. A gente se encontra na travessia. Boa sorte pra nós.

A coisa de ser liberdade!

Por Gemini Luz

A coisa de ser liberdade! E sei que é frase clichê, mas é deliciosa a sensação de ser-se simplesmente, sem amarras ou coisas desse tipo. Esses dias vivi momentos de mudanças de chaves importantes da minha relação com a vida e daí depois de muitas curas venho sendo tomade pelo desejo de compartilhar a alegria de ser-me. O fato é que cruzando a porta de entrada normalmente eu teria percebido a disparidade e certamente ficaria constrangida e amedrontada pela iminência do novo. Mas, a real é que nem percebi nada, nem vi ninguém, pois estava me sentindo à vontade em mim e isso é libertador, penso, sinto.

Viver não é nem pode ser uma prisão. Precisamos exercitar o respeito a nós, ao outro e ao mundo e amar, porque o amor muda os campos e sorrir pois o sorriso o fortalece. 

E é o que desejo a quem chegar até este texto, que você não tema quem é e seja, pois ser é a grande liberdade.

Todos os dias são passado

A uma semana de entregar uma nova crônica para o “ArteVistas”, busco inspiração em fotos antigas de família.

Bem que eu gostaria de escrever algo leve e atual, mas em tempos de afastamento social e pouca empatia – mesmo atenuados pela brisa acolhedora de agosto no meu sertão praieiro –, o passado se mostra o melhor parceiro.

Lembro-me de uma entrevista em que o escritor amazonense, Milton Hatoum, afirma que “a literatura trabalha e reaviva o passado”. Portanto, não o lastimo, pelo contrário, louvo o passado; ele nos permite brincar com as palavras na tentativa de decifrar a alma humana.

Pego, então, os álbuns de fotografias e vou carimbando minhas digitais nas velhas páginas da infância, adolescência e juventude.

Estou nos braços da minha mãe, à frente do meu saudoso pai, boquinha prestes a soprar a primeira velinha. Uso um lindo vestido de organza azul feito pela parente modista, em perfeita composição com o laço da cabeça. Meninas vestiam azul às vésperas de 1960.

Aposto todas as velinhas sucessoras, que minha mãe não fez ali um apelo genérico, do tipo: “Que minha filha seja feliz!”. Arisca e cuidadosa como ela só, não submeteria o futuro da caçula a interpretações de divindades já tão sobrecarregadas de pedidos. Certamente encomendou os mínimos detalhes em silêncio, conforme a tradição: “Saúde, profissão digna, autossuficência, casamento por amor e filhos saudáveis”. Nessa ordem. Desejo de mãe é sagrado.

Salto treze anos e caio nas areias escaldantes do Pecém, jangadas ao fundo. Eu, irmã e primas. Férias de verão. Falar em verão no Nordeste é igual a “subir pra cima” ou “entrar pra dentro”. Não está de todo errado, mas é “over”, segundo os colonizados chiques. Excesso de coisa nenhuma.

Quatro temporadas depois e eis-me fantasiada de havaiana com uma querida amiga. Aquele carnaval ouviu meu grito de maioridade. Foi-se o arroubo juvenil, permanece a longeva amizade.

Devolvo o passado à estante e retomo a criação sem pressa do livro de gênero ainda indefinido, uma novela, talvez? Alterno com a leitura de um clássico literário. Estamos sempre trazendo o ontem. E lembrei-me novamente do grande Hatoum.

Corpo Matéria

Por Gemini Luz

É no corpo que sentimos a passagem do tempo, é ele que aponta os lugares de tensão e também é ele que reage aos mais sutis sinais. Ele quem adoece quando não aceitamos o caminhar fluido do existir. Esses dias iniciei uma terapia nova a partir do corpo e o que posso dizer a respeito? É transcendental curar a alma sem tocar nas feridas, apenas liberando o fluxo e agradecendo pelo existir e pela a chance de poder fazer diferente.

Na vida temos muitas chances, mesmo os mais desprovidos de oportunidades estão cheios de chances. Cada dia é uma nova chance! Escolho trabalhar todos os dias, pois acredito em nós, acredito nos sorrisos, nos brilhos nos olhos e no mar de chances que precisam ser aproveitadas. 

Não estamos aqui para salvar ninguém de coisa alguma, mas por crer que arte, afeto e participação transformam realidades. Boa jornada e ouça seu corpo ele guarda memórias para além da matéria.

“Carpe diem”

Dia desses, ao rever “Sociedade dos poetas mortos”, renovei meu encantamento pela célebre passagem em que o professor John Keating diz a seus jovens alunos: “Carpe diem! Aproveitem o dia, garotos. Façam suas vidas serem extraordinárias”.

Desde a primeira vez que assisti o filme de Peter Weir – há três décadas –, caí de amores pelo professor fictício de literatura e o antigo conceito latino. Que jovem não gostaria de ter um mestre que o acolhesse em suas angústias e inseguranças, além de incentivá-lo a fazer as próprias escolhas? Lembro que saí do cinema abraçadinha ao Sr. Keating.

De lá pra cá, muitas mudanças. Em mim, no mundo e na prática inadequada da tal concepção. “Colha o dia”; “curta o dia”; “aproveite o momento” transformou-se em “viva impulsivamente”; “consuma tudo o que puder de uma só vez”. O resultado são adultos imaturos, que não sabem lidar com frustrações, numa busca incessante por prazeres que duram o tempo de um suspiro.

Então, qual a definição correta de “aproveitar o momento”? Para alguns poucos, permanece a ideia anterior à era cristã, do romano Horácio em seu poema de louvor à vida: aproveitar o que há de bom em cada instante, devido a incerteza do amanhã. Mas de que forma?

“Aproveitar o dia”, gente querida, é fazer coisas úteis para a humanidade. Nada com “se jogar” como se não houvesse amanhã. O nome disso é “imprudência” e “imaturidade”. É necessário, sim, dar o passo seguinte, simplesmente porque o futuro é logo ali e exige de nós sensatez e responsabilidade.

Mesmo à volta com a terrível pandemia da Covid-19, agravada pelo descaso do poder público central, torço pelo resgate de emoções singelas que dispensem dinheiro, como comover-se com o brilho da lua cheia, o horizonte colorido no pôr do sol, o canto dos pássaros, uma palavra de conforto, o sofrimento do outro, o sorriso de uma criança ou as brincadeiras de um bichinho de estimação, desde que respaldadas pelo essencial a uma existência digna.

Fazer da vida algo extraordinário é um ato coletivo de resistência. Em vez de esbanjarmos o agora com futilidades e atitudes egocêntricas, usemos a nossa potência para o crescimento e satisfação de todos e todas. Isso é “carpe diem”.

(des) Construção

Por GeminiLuz

Me desconstruo desde o dia que nasci e não nasci faz muito, mas já nasci me desconstruindo. Nasci no berço de uma família híbrida e eu era estático e padronizado para operar em outros lugares, que não aquele que eu estava. Aos quatro anos, tentei inconscientemente a minha primeira fuga daquela realidade, mas fui pega em flagrante e me levaram de volta para aquele lugar chamado casa, onde não caibo.

Lembro quando eu estava na barriga que eu me sentia completamente sufocada, não à toa nasci antes do previsto, só para sentir a liberdade na minha pele avermelhada, nasci com rosácea e até hoje ela me visita a cada forte emoção, assim para fugir dela, desconstruo as fortes emoções, mas sentido-às intensamente o exercício tá na identificação do ego e seus externalistas, eu graças a rosácea aprendi a controlar o entre e desconstruir esse cenário de realidade em que o outro é obrigado externalizar as emoções com toques irônicos da mente que é tão engraçada achando ter controle sobre algo e aí os agentes externalizantes fazem a festa e é essa a hora que minha rosácea entraria em cena, mas desconstrói o caminho de acesso ao externo, e construiu um que liga ela ao meu umbigo e minha ligação com o cosmos que somos e aí me desconstruo de novo inteira, para ser reprogramada e liberar o resultantes ao mundo que me certa mantendo-me com no caminhar de me desconstruir, enquanto me construo em mim.

Observo as pessoas… Observo também a pessoa que sou e que me torno a cada novo instante em que me desconstruo E estou feliz em poder compartilhar essas desconstruções por aqui.

Antigo normal: nunca mais

Rifa-se antigo normal de uma vez por todas.

Quarenta minutos de faxina na mesa de centro espelhada – com gavetões e nichos –, abarrotada de objetos e livros intocáveis de capa dura.

Costas arrebentadas de tanto arrastar dois trambolhos de madeira maciça, vulgos “mesinhas de cabeceira”, para tirar o pó acumulado.

Armário inflado de roupas, sapatos e bolsas que nunca serão repetidos ou até mesmo estreados.

IPVA caríssimo para rodar menos de mil quilômetros por ano, sem contar os gastos com combustível, estacionamento e manutenção.

Horas no trânsito caótico para ir à padaria ou mercadinho do bairro, em vez de usar as passadas ou pedaladas saudáveis.

Caminhadas na esteira em ambientes fechados, morando em uma cidade plana, que transborda sol, brisa, parques ecológicos e calçadões que beiram o verde mar.

Carimbos no passaporte para destinos turísticos da moda, com suas superlotações que sufocam a alma do lugar, cultura e estilo de vida dos moradores.

Festas para ver e, principalmente, ser visto.

Amizades às pencas que não se importam um tiquinho com o outro.

Cozinha meia-boca de restaurantes e bares caros, e filas gigantescas dos recém-inaugurados.

Lamentos por desgraça pouca, como a xícara de estimação quebrada acidentalmente.

Felicidade incessante, também conhecida como alienação, demência ou ingenuidade.

Diversão com filhos|netos no parquinho climatizado do shopping, quando se tem quilômetros de orla urbanizada, com quiosques, academias a céu aberto, parque infantil, quadras de vôlei e tênis de praia, anfiteatro, ciclovia, pista de cooper e de skate. Sim, é seguro.

O medo de andar nas ruas e se apoderar das calçadas e praças.

Carros estacionados nas ciclofaixas ou nas vagas prioritárias “só enquanto” pega o filho|neto na escola.

O pouco de tolerância que ainda resta para ouvir fofoca, maledicência e desinformação, como as criminosas fake news.

Por fim, como perfeição e santidade nunca fizeram parte dos meus planos, excluem-se da rifa laivos de arrogância que, porventura, alguém detectar nessas prendas.

Ser Humanos

Por Roberta Bonfim

“Eu me desenvolvo e evoluo pela minha filha”, mas também pela minha criança com quem sempre me reconecto para resolver alguma questão. A bem da verdade é que somos repletos de questões, problemáticas, crenças, valores, desejos, frustrações, traumas, escolhas. Pois tudo é uma escolha, mesmo não escolher, é uma escolha por não escolher.

Vivi desconstruções a cada troca com o outro e as vezes mesmo sem a troca, apenas pela observação. E empatia é o exercício de verdadeiramente se colocar no lugar do outro e não de desejar o outro se encaixe no que você entende por verdade. Outra recorrência é julgarmos agressivo a nossa não aceitação, mas nem sempre atentamos como nós recebemos o diferente a nós, se não estamos reproduzindo a agressão.

Em tempos pandêmicos, com perdas, e com os encontros…

Des construir-se é necessário!

Reinventar-se é aceitar-se como se é e como bem dizia Leminski “isso de ser o que se é além vai nos levar além”.

Sejamos-nos.Humanos