Liberdade ou ofensa?

É maravilhoso conviver apenas entre pensamentos iguais, não é?

Não, não é. É perigoso, abusivo e pode desabar para o totalitarismo, que fere de morte democracias e liberdades.

Perdi a conta das vezes em que cogitei me afastar dos contrários, felizmente recuei a tempo. Onde ficaria a verdadeira igualdade, sem distinções ou privilégios, que tanto defendo?

A vivência nos universos cultural e jornalístico alargou meus horizontes, trouxe-me novos afetos, debates calorosos, porém educados. Preparou-me, enfim, para trafegar por várias esferas.

Reconheço-me nas pessoas religiosas, embora a minha espiritualidade não se encaixe em uma prática institucional específica. Identifico-me também com aquelas que se definem conservadoras, a despeito da minha mente progressista. Aceitação mútua, diga-se. A única coisa inaceitável é a afronta à democracia, pelos altos danos coletivos. Como isso termina, todos sabemos, basta abrir os livros de História.

Muito fácil detectar o risco. Nos regimes autoritários, o primeiro pilar golpeado é a imprensa que apura e divulga denúncias de atos não republicanos de governantes. Desacreditar a imprensa é pena capital para as democracias. A sociedade tem o direito de saber o que acontece nos bastidores do poder e nós, jornalistas, temos o dever de informar.

Como cidadãos civilizados, é preciso reconhecer as fronteiras da livre expressão. Há uma faixa movediça entre o direito legítimo de se expressar e o ataque à honra de alguém. Somos livres para manifestar a nossa opinião, todavia se o fizermos de maneira violenta ou difamatória, estaremos cometendo um crime e responderemos por isso na justiça. Fora disso é o caos.

Democracias suportam diversidade. Não há o que temer. E quem for “cancelado” por expor respeitosamente seus pontos de vista, deve agradecer aos céus pelo livramento do convívio com extremistas que cortejam o fascismo, mal sempre à espreita, mas derrotado infinitamente.

Em tempo: este não é um texto analítico, pouco entendo de ciência política, contudo as mudanças mundiais que ora ocorrem são bem perceptíveis e preocupantes, atingem a todos e dizem respeito às nossas vidas.

Carta de despedida…

Oi sou eu aqui de novo. Vão se acostumando porque eu gosto de por meu humor aqui, já disse … azul agride menos os meus olhos. Eu já falei pra vocês que gosto de olhar o pôr do sol né…..!? Bom minha cabeça é bem fundida então eu não lembrar de algo é completamente normal para mim. Real que qualquer coisa no meu dia é completamente normal pra mim. Eu acordo, fumo meu cachimbo, ouço música, trabalho o que tenho que trabalhar… Az vezes minha cabeça leva uma rasteira, não sei de onde, e ela se vê pairando congelada em um turbilhão de informações simplesmente paralisando meu corpo e meu ser…. Outro dia estava andando de bici e parei num pico pra fumar um cigarro e ouvir uma música. Logo na ribanceira encontrei um caderno velho, jogado e parecendo que foi colocado ali, propositalmente. Tinha algumas páginas escritas, e nunca mais me esqueci do que estava escrito ali…

Não sei quem está lendo esta carta, mas saiba que ela não é uma justificativa. Por muito tempo eu me arrisquei a ser alguém, a ser eu e até mesmo me permitir ser você. Mas… eu só conseguia ser o que eu sempre soube ser. Queria te pedir desculpas, mas não consigo nem sinto vontade, quase como se eu fosse mentiroso se fizesse isso sabe. Não que você não mereça, mas é porque não tem motivos para eu pedir desculpas. Eu me lembro de quando você vociferava que eu estava sendo burro, muitas vezes ignorante e várias perdidas vezes de mal caráter. Eu nunca entendi porque eu era tudo isso, se meu corpo só respondia impulsos e reverberava suas palavras. O tempo todo você disse que era eu o problema, quando na verdade você só me dava seus 50% de culpa da relação. Eu não era carinhoso com você, porque você queria um príncipe encantado. Os cafés, cafunés, roupas dobradas, cervejas geladas, chupadas, saídas com colegas, festa em família, bares, chás, cigarros, e abraços … nunca eram pra você o suficiente … Por muito tempo eu não me sentia suficiente nem pra mim, quiçá pra você? Só sei que não quero mais ser eu…

Tem uma frase de uma música de Abidoral Jamacaru que eu adoro “… a parte que eu mais gosto do abismo é a beira…”