Será?

Por Roberta Bonfim

Um texto é mesmo isso, né? Uma sopa de letrinhas que se misturam e se separam ao seu bel prazer e o escritor, inflado de sua pretensão e desejo pela possa crer que são deles as palavras que se formam sós, apenas usando-o como instrumento. Será?

E as canções, serão inspirações ou sopros do universo que ritmam os espaços, enchendo-os de sons e também de ruídos, a fim de nos salvar e enlouquecer, ao mesmo tempo. Mas, especialmente a música nos possibilitar falar, os ruídos nos libertam. Será?

As pinturas, certamente são a reprodução do visto, como presente externo aos olhos, ou nas viagens mentais sobre essas memórias que desconhecemos e nos visitam vez ou outra e que os de trações mais seguros arriscam desenhar. Será?

A dança é movimento e há movimento em tudo. Pois gente, tenho uma coisa para avisar, e espero que se te for um surpresa você assista a vários episódios do canal Lugar ArteVistas, para ser lembrado do que já sabe. De que a terra é redonda e em movimento permanente de translação e rotação. Será?

Será? Que no passado, já foi. No presente é, e no futuro… Será? Será que após o que vivemos estaremos para viver o será? E será que se não nos unirmos estaremos fadados a sermos os que foram e já não são? E então?

E como será que seria se de repente fossemos todes tomades por uma vontade sem fim de cuidar de si, talvez, se aprendêssemos a verdadeiramente nos cuidarmos com a atenção que merecemos, talvez, conseguíssemos cuidar do outro e que é também parte do mesmo todo que me me constitui e a você também. Será?

E nesse lugar tivemos estreias lindas no blog e no canal, e por falar em canal depois de anos eu tive coragem de organizá-lo, ele tá lindes. Será? 

Chega confere e depois me diz o que achou.

https://www.youtube.com/channel/UCgtYvtMKZi1GlAkvhUbdiVg

Sobre uma pergunta que me fizeram

Por Alicia Pietá

“O que você já teve/deixou de fazer por ser mulher?”


Respondi:

Por ser mulher transexual eu não tive a chance de escolher meu sexo quando nasci (claro) e por isso fingi, por vinte e tantos anos, ser uma pessoa que eu não era.
Por ser uma mulher transexual eu não tinha a chance de ter um relacionamento amoroso comum por vários anos, desses bem padrãozinho mesmo, isso por que a sociedade não nos enxerga, os homens nos vêem como objeto sexual, marginais ou simplesmente somos invisíveis à maioria das pessoas.
Mas… Nunca deixei me abater por isso e sempre dei minha cara à tapa.

“Quem não veio ao mundo para incomodar, não deveria ter vindo ao mundo.” Dias Gomes.

Covid-19 e emoções: uma relação direta

Por Daniel Hamido

Ao longo desses últimos 12 meses analisando o padrão energético do vírus
covid-19/Sars/Cov-2, pude fazer correlações importantes. Como terapeuta, procuro
encontrar padrões recorrentes assim como se fazem cientistas em suas pesquisas
acadêmicas, porém sem o rigor científico. E com estudos de casos de uma, duas,
três…. cinquenta pessoas, consegue encontrar esse padrão.


Os estudos de caso que pude fazer ao longo desses últimos 12 meses desde
quando comecei a atender pessoas em março de 2020 mostraram que quando o
padrão vibratório baixa do indivíduo- esse possui relações com algum aspecto
emocional- o estado de saúde fica comprometido. Quando o padrão vibratório
aumenta -livre de padrões vibratórios densos, mas apenas sutis- o estado de saúde fica
estabilizado. Existe um gráfico – dos mais simples- que é um dos primeiros a medir
isso. Ensino inclusive em meus cursos como a pessoa fazer a automedição de seu
campo energético.


Em radiestesia, uma técnica a qual domino há 5 anos- muito antes da covid e
pandemia- pude observar com as pessoas atendidas em formato remoto- elas em suas
casas e eu na minha- que a repetição de um elemento chamado “larva astral”. Larva
astral são consciências extrafísicas que atuam no campo energético de pessoas que
vibram em energias de baixa frequência. Elas atuam em diversos locais e setores, bem
como associando ao inconsciente coletivo daquele local. Exemplo: motéis possuem
larvas astrais específicas da promiscuidade. Nem todo mundo que vai lá é promíscuo,
mas quem vai acaba pegando um pouco dessa energia do inconsciente daquele local
que é a promiscuidade.


E assim existem larvas astrais em estádios de futebol (sim, lá também!), saunas
gays, muitos outros locais e se você não cuidar até mesmo na sua própria casa! No
próximo artigo, vamos falar sobre esses locais a mais e nos aprofundar sobre esse
tema que considero pertinente.
As larvas para atuarem precisam de um “ambiente energético” propício. Assim
como colônias de bactérias hospedeiras precisam de um Ph, glicose e outros
elementos físicos, as larvas astrais precisam desse ambiente também! Quais são esses
ambientes?

 Pouca iluminação do sol;
 Baixa vibração do pensamento (reclamações, murmurações, ressentimentos,
mágoas, raiva, ódio, vingança, medo, dúvida, insegurança, etc)
Com esses 2 elementos acima por muito tempo, fica o ambiente energético
propício para que a pessoa pegue covid-19, adoeça, agrave o caso e desencarne
fisicamente. Por quê? Por que a larva astral precisa que o padrão vibratório do
hospedeiro esteja com baixa de frequência!

Em outras palavras, não tenha receio do vírus, nem alimente ele
energeticamente com medo, nem dando poder a ele com medo que sente por ele,
nem negligenciando ele. Ele não é apenas mais um vírus. Mas também não um ser
mitológico de 7 cabeças “cavaleiro ceifador”. Ele vibra na frequência que cada
indivíduo vibra! Caso a pessoa vibre por exemplo no medo ele se “alimentará”
energeticamente desse medo e o estado de saúde irá agravar, podendo a pessoa ir até
a óbito. Já em outro cenário, caso a pessoa vibre na gratidão, no perdão, no amor, no
auto-perdão, mesmo que pegue o vírus, nada irá acontecer a você, podendo muitas
vezes ser um vírus assintomático nos moldes físicos de percepção.


Você tem 2 opções de agora em diante. Fazer de conta que não leu esse artigo
e dizer que nada disso faz sentido e “pagar o preço” da negligencia energética ou
buscar se cuidar mais da emoções, do padrão vibratório que são aspectos diretamente
associados. No próximo artigo, irei compartilhar dicas simples para que você possa ter
condições favoráveis para sua casa energética, sua morada física, seu corpo possam
vibrar de forma harmônica independente do covid bater na sua porta.

Fitas pretas

No funeral do meu avô, meu pai alfinetou uma fita preta na lapela, símbolo de luto pela perda do ente querido.

A cena fixou-se na minha jovem retina, por ter sido talvez o meu primeiro contato com a morte de um familiar. Meu pai permaneceu com seu adereço de pesar por um longo período. À época, apenas as mulheres enlutadas trajavam-se completamente de preto. As crianças, de modo geral, eram liberadas da convenção.

Essa lembrança afetiva emergiu após me deparar dias atrás com a imagem de fitas pretas amarradas à tela de proteção da varanda de uma amiga virtual – status que em nada invalida a minha concreta admiração por seus posicionamentos.

Tratava-se de um manifesto de luto coletivo diante da assustadora marca de trezentas mil vidas brasileiras perdidas para a COVID-19 em doze meses. Trezentos mil pares de olhos que não mais piscarão à luz do sol, trezentos mil corações que não mais se inspirarão sob a lua cheia, trezentos mil pares de mãos que não mais afagarão rostos amados, trezentas mil bocas que não mais sorrirão ou beijarão, trezendas mil pessoas que não abraçarão mais os pais, avós, filhos, netos, irmãos, sobrinhos e amigos.

A triste alegoria da fitinha preta na lapela agiganta-se na tragédia que ora vivemos. Dizer que a morte é natural não conforta quem perdeu um, dois, três ou mais parentes para a terrível doença. É, antes, de uma monstruosidade sem limites e total falta de empatia, atitude própria de mentes doentias. É desesperador ver dezenas de milhares chorando familiares que poderiam estar vivos se tivesse havido, por parte das autoridades competentes, controle imediato e rígido ao uso de equipamentos de proteção, celeridade na aquisição de vacinas para imunização em massa da população e ajuda financeira contínua aos mais vulneráveis, como muitos países o fizeram e ainda fazem.

Na ausência de vacinas para todos e de auxílio emergencial suficiente, só nos resta a autorreclusão e doses de solidariedade. O que mais precisa acontecer para entendermos que a “vida normal” anterior à pandemia do novo coronavírus – encontros com amigos, viagens, farturas e megacelebrações – não combina com esse momento de dor coletiva? Chega de falsos discursos de compaixão e pseudodilemas entre salvar empresas ou vidas. É preciso dar um basta aos que estimulam desobediência civil ao confinamento obrigatório responsável, aglomerações e brindes macabros à morte de brasileiros dos grupos prioritários, principalmente.

Em vez de perdermos tempo rebatendo provocações, vamos exigir do poder público federal providências emergenciais para tentar salvar o emprego de trabalhadores e livrar da fome os mais necessitados. E também reverter erros e omissões de 2020, como o atraso na compra de vacinas, a inexistência de um plano nacional de imunização e a incitação a manifestações de rua que proliferaram o vírus exterminador.

Enquanto toda a população não for vacinada, a prioridade continua sendo salvar pessoas. Economia de nenhum país sobrevive a quase quatro mil mortes diárias somente por Covid-19, entre trabalhadores e consumidores em geral, incluídos operários, professores, médicos, estudantes, enfermeiros, advogados, artistas, informais, desempregados, aposentados, profissionais liberais, empresários, comerciantes e políticos.

Precisamos assumir que estamos em guerra contra um único inimigo: o vírus, que, se não for combatido, vai continuar matando pessoas e eliminando empregos dos [ainda] vivos. Ficar um ano – ou mais – confinado – total ou parcialmente – é ético, é obrigatório, é dever de todos. Caso contrário, não haverá amanhã.

Vamos refletir e rever nossos atos, antes que o futuro reivindique a nossa responsabilidade. A cobrança pode vir de um filho, filha, sobrinho, sobrinha, aluno, aluna, neto ou neta: “Como você contribuiu para salvar vidas na pandemia de 2020 e 2021”? Ninguém vai perguntar se salvamos empresas.

Qualquer ação é válida. Até amarrar uma fitinha preta na tela da varanda para demonstrar que a gente se importa com a dor do outro e que as vítimas não serão esquecidas.

*

Imagem: Regina Dalcastagnè

Desejo e Teimo

Por Roberta Bonfim

Texto que escrevi para semana passada e não subiu, mas desejo compartilhar, então teimo. hihih

Estamos em meio a uma pandemia, panelas batem timidamente ao meu lado direito, nenhuma ao lado esquerdo, e tudo bem, também não bater panelas. Depois de mais de 3 anos estou só em casa, sem criança. Na casa que eu moro é a primeira vez que dormirei sozinha, Eu estava na realidade apreciando o silêncio, que me foi tomado por panelas e baterias,e gritos baixos de fora Bolsonaro, genocida. Não me dei ao trabalho de ouvir a fala do próprio, como não me ative as panelas  E ok bater panelas. De onde moro o bater panelas há uma ano, quando começou a pandemia e a grande maioria ainda apoiava o chefe do executivo, eu ainda batia panelas e tinha no peito um coração cheio de esperança de que esse homem sairia. Gravei cada panelaço e o que descobri é que muitos, como eu, deixaram de pegar a panela, elas amassam com a batia e nada, além de perturbar cães e gatos, já tão estressados com o que vivem, trabalhando dobrado para limpar campos áureos. Mas, aí é pauta para outro texto. O fato, é que meu único e absoluto desejo individual, egocêntrico e pretensioso, quando pensamos na cidade e seus sons, era só a manutenção do silêncio que me fora usurpado, junto com tanto mais. 

As panelas batiam e eu pensava em saúde mental, lembrei mesmo de um curso que preparei de arte como caminho para promoção da saúde mental, 

Ao tempo que nunca se falou tanto em necessidade de saúde mental. Saúde física tá em falta, são números que como opção de vida, para manutenção da tal saúde, optei por não acompanhar as atualizações da nossa tragédia sanitária, em meio a um desgoverno, quando enfrentamos uma pandemia mundial, além da percepção de uma série de questões estruturais que nos agridem e também nos coloca como agressores carrascos. As normas, as caixas, e todos em casa, se entreajudam, para caber em salas de aula, papos, sites de namoro virtual. Janelas. As vezes minha cabeça completamente insana tem vontade de simplesmente dizer ok para tudo e descer desse Jipe. Mas, no decorrer da construção das histórias modificadas e creditadas que nos vestem até a escolha por tirar a própria vida é imbuída e pesada pela culpa cristã, que mantém o sistema de exploração. Porque afinal de contas é melhor ser explorado do que queimar no marmore do inferno. E ao vivermos agressões cotidianamente, e agredidos vamos começando a crer que a agressão é normal e faz parte, é inclusive prova de amor, ou pior, que ela só existe no outro, o que faz de nós agressores ferozes salvos pela ignorância de seus atos.  As mulheres mais que ninguém crescem com esse padrão. O garoto que a ignora, destrata, possivelmente o faz, dizem, que por gostar dela. Eu aqui humildemente alerto que esse tipo de sentimento é insuficiente, injusto, desleal e agressivo, pois gera um movimento, de ações e de omissões repetitivos. Me pergunto se não estamos o tempo todo nessa gangorra. Oszlak & O’Donnell, (1976, p. 21), disse que o “conjunto de ações e omissões que manifestam uma modalidade de intervenção do Estado em relação a uma questão de interesse de outros atores da sociedade civil. Desta intervenção, pode-se inferir uma determinada direção, uma determinada orientação normativa, que, presumivelmente afetará o futuro curso do processos social desenvolvido até então, em torno do tema”.

Quando pensamos em saúde, ela é, rapidamente, o oposto da doença, mais do que a construção da saúde em sua amplitude. É o que precisa ser cuidado para ser restabelecido, antes de uma crise de modo geral nada é doença, dizem. E o que somos, então, senão uma sociedade adoecida, amedrontada, humilhada? Uma humanidade adestrada à hipocrisia, ao fazer o que digo e não o que faço. Ao “se fosse eu faria…”, mas não se trata de… E é. O fato é que por vezes me pego pensando, assim no meio do nada, entre uma varrer a casa, escrever um artigo, contar uma história para minha filha, assistir a uma desenho animado (aqui será pauta do meu próximo texto na Mãe que Sou. Somos agredidos pela necessidade imposta de seguirmos um padrão, para sermos mais facilmente tangidos. Nos vejo como seres sem bases de sustentação, sem perspectivas sobre o futuro estável pelo qual se destruiu o todo a fim de construir. E como isso o DNA fica insalubre. Cada época tem seus valores e a humanidade está em construção, mas se somos racionais, precisamos refletir sobre o já vivido e juntes entendermos respeitosamente as diferenças. Mas, não temos essa escola interna, não temos essa memória genética, nunca antes vivemos esse lugar de respeito às diferenças, não sabemos fazer isso, e tudo bem, é caminho, vai que um dia.

Descartes Gadelha, diz “somos todos filhos da seca”, e pontua que o que mudou foram os desejos, por um tempo, espaço, consumos, mas, o buraco impreenchido da ausência de termos uma história, uma origem, brasileira, é, um buraco na saúde social, que sem base relacional com o lugar, segue o padrão da invasões, das agressões, dos planejamentos binários de dominação. e tudo isso é insalubre, adoecedor.

Enquanto isso, outros números de comprovação de doença social sobem no país, como os números da fome, das agressões à mulher, violências sexuais, números de casos de depressão e tentativas, algumas como êxito de suicidio. Isso sem contar a educação pública online, sem com que o aluno tenha nem comida, imagina, um celular e uma boa internet. O que abre para outro papo que não seguiremos, que é o ofertado de internet para as favelas.E aqui podemos falar também de iluminação pública, posto de saúde, psicólogos e médicos disponíveis para atender quem precisa. 

Há tem tem os negros, os indígenas, tem quem mora na rua e quem se quer tenha um CPF, na sociedade do consumo, e sofrem agressões constantes pela existência, as galera LGBTQ+, que eu particularmente e sem nenhum juízo de valor, gosto de me apresentar com simpatizante da causa, e lembro da fala de André Lion. Compartilho papo.

A importância dos determinantes históricos na compreensão dos determinantes de saúde-doença.

• Ao analisar recuando no tempo → retira-se a naturalização do atual 

“O que julgamos ser nem sempre o é, e o que julgamos não ser, talvez, seja” (Polignano,2001).

• Realidade atual gera mudança nos conceitos de qualidade de vida, de

estilo de vida, de saúde e de doença.

E para não dizer que não falei das flores, vamos as nossas coisinhas:

Blog – Temos Artevistas noves no pedaço, e te convidamos a chegar mais perto desse blog que se constrói à tantas mãos, letra, palavras, histórias e ricos aprendizados. Nesta semana que vivemos, ontem teve texto da Mãe de três, Mayane Andrade, às terças sou eu, quartas até amanhã teremos a alegria de dois textos, as Cartas de Kitah, e o texto de até quando der de Marcelina, nossa poeta querida, autora do livro que a gente ama De Vento Em Poesia, que tem ilustrações incríveis de Thyara, na primeira quinta do mês o texto é da sertaneja inspirada e inspiradora Bárbara Matias, e a sexta de (Des) construção da forte e leve Celma Prata, e no sábado aprendizados individuais com auxílio de Daniel Prem Hamido, o domingo com os encantados do coletivo Abayomi. E na segunda tem o texto sobre os desenhos que escreverei. E na próxima terça já passo a agenda da semana seguinte. 😀 

Canal – Estamos nessa de sermos um canal com programação diária, estamos já em rede com o Arte Onde Estiver, apresentado por mim, às segundas, na terceira terça de cada mês temos o Mirabília – Roda de Cintos do Mundos, uma parceria com a Escola de Narradores Online, na quarta quarta do mês temos revista lugar ArteVistas, nova temporada, e na terceira Periferias, um produto Invenção do Lugar, projeto do nosso ArteVista Kiko Alves, que escreve conosco e o texto da quinta passada, tá incrível, as quintas rola uma Conversa Entre Nós, com Silvia Helena e na sexta tem a diva Marta Aurélia e sua Casa d’Aurélia, ao sábados temos já na rede Mentalizando Mapas Culturais, com Ivina Passos, e Novo Ciclo – Estamos Vivos, com Crica Carneiro, e nos domingos de abril teremos o projeto Noda de Caju, cedido por Bárbara Matias e equipe para transmitirmos e deixarmos no nosso rico acervo ArteVistíco.

A Campanha do Poço da Draga ainda está frágil, mas se fortalecendo, e conseguiremos ter fé que conseguiremos na medida das nossas possibilidades apoiar esse lugar que tanto amamos. Vamos juntes afastar a fome desse Lugar.

Por hoje é só!

abs repletos de boas energias e o desejo de nos conectarmos com o nós.

O DESEJO É UM CORPO ILHADO

DERIVAS SOBRE O DESEJO, E A CRIAÇÃO DE UM FILME SOBRE RAÇA 

Por Kiko Alves

A construção do projeto saudade por vezes é interrompida por pura falta de perspectiva, cada vez que olho o problema ele se atualiza e cria uma série de outras reflexões, todas elas passam pela possibilidade de pensar um mundo, de recriar um mundo, que luta contra o racismo. 

Recentemente conheci uma personagem que me trouxe uma série de reflexões sobre o lugar da narrativa negra na literatura e sobretudo no cinema, mas antes ainda em contato com outro texto de Fred Moten e Stefano Harney, sobre a possibilidade do estudo como uma ferramenta para se pensar o futuro, a ideia central são os estudos negros, em “The Undercommons”, os autores criam uma brecha para repensarmos o estudo. 

Nessa ideia de repensar o estudo preto, compreendido aí como o estudo “sem finalidade”, o estudo que possibilita a fuga, que cria espaços de reflexões sobre a condição vivida por negras e negros sobretudo em torno do estudo, a fuga indefinida em meio a noite negra dos subcomuns. Estudar é fugir, como quando nos damos conta que há algo de condenado nessa realidade, e que não há portanto para onde fugir se não rumo à própria fuga, ao domínio opaco e impreciso, especulativo, que vai a todo momento confrontando o mundo visto e entendido. 

Voltando portanto ao desejo, encontro na personagem de Octavia Butler uma certa pulsação em busca dessa fuga, ou ela incorpora a fuga para permanecer e por tanto o desejo de vida, ou de habitar o pós apocalipse me coloca em estado de reflexão sobre por onde seguir na busca desse corpo e desse desejo. Lauren Olamina, personagem central do livro, “Parable of the Sower “, dá-se conta de que o mundo como lhe foi dado conhecer está por um fio. Lauren é hiperempata Isto é, tem a habilidade de absorver as dores e intensidades de todas as coisas vivas à sua volta, e isso, ao mesmo tempo em que a enfraquece parece permitir que ela se conecte com as forças que lhe cercam de maneira singular – uma conexão que se faz pela dor, num espaço afetivo compartilhado onde os efeitos das violências, dos eventos traumáticos, ainda que sufocantes, guardam também possibilidades de aprendizado. De estudo. 

A grande musa da Ficção científica, Octavia Butller, mesmo que não creditada pelo mundo branco, aponta uma ideia e uma possibilidade de mundo para os povos pretos, habitamos a diáspora desde 1500, mas como sugere Octávia precisamos fazer um exercício de pensar o

futuro de pensar a realidade que dura e que ao durar podemos ir raqueando a realidade para que possamos existir nesse mundo, pensar o futuro parte de uma reflexão e ação no presente. 

Nossa ancestralidade na apontava essa ideia, já narrado pelos contos Yorubá já existente no Brasil desde que começou o tráfico negreiro por essas terras, que fala “ Exù matou um pássaro ontem com a pedra que só jogou hoje””, essa saudação feita para o Orixá do movimento nós da pista de caminhos a se pensar sobre a construção de um mundo preto, narrar o passado, criando no presente para então que possamos criar um futuro para o povo preto. 

Este texto podia considerar-se o fecho de uma uma pequena série sobre a ideia da busca por um desejo não erotico de um diretor negro na esteticas cinematográfica, fico no entanto sempre “desejando” contiuar a analisar minhas errancias sobre o que poderia ser esse corpo posto em cena, e nesse fluxo questionar o que seria cinema negro e quem racializa meu cinema? Quem racializa minhas imagens? Eu ou o mundo que me coloca no lugar de falar apenas quanto narro a minha dor, sou autorizado a falar apenas de raça, quero continuar pensando com alguma profundidade a problemática da descolonização numa perspetiva decolonial. 

Em Crítica da Razão Negra, numa paródia à Crítica da Razão Pura de Kant, onde se demonstra a ligação estrutural entre o conceito da modernidade e o da colonialidade, e onde Mbembe teoriza sobre o que caracteriza como a negrificação do mundo e a planetarização desta condição que, segundo ele, extravasaria as fronteiras cromáticas cristalizadas nas identidades biológicas e sociológicas dos sujeitos racializados – e em que o negro é, no fundo, todo o deserdado do mundo como todos os colonizados eram os “danados da terra”, na acepção fanoniana e cesairiana. 

No entanto, apesar das várias encruzilhadas em que vou e levo meu texto, quero tentar terminar voltando a ideia da busca pelo desejo, para a construção desse filme, voltemos ao estudo como estratégia possível. 

Todo capítulo de Parable of the Sower inicia com versos de um outro livro, escrito por Lauren e chamado Earthseed: o livro das coisas que vivem . É uma teologia experimental que reorganiza a ideia de Deus e o narra como Mudança, força tão irresistível e inexorável quanto maleável e caótica: Deus existe para ser moldado, assim como o futuro. Narrar aqui as ideias da ficção especulativa pode parecer desconectado da ideia central que busco pelo desejo, no entanto aqui encontro uma possibilidade de pensar o desejo, como projeto futuro, criando narrativas nas encruzas do pensamento, repovoar o mundo de uma ideia diferente do desejo, (seria possível?), pode parecer anacrônico querer pensar repensar o

desejo em uma perspectiva negra, ainda assim tem me parecido o caminho mais correto nesse processo de busca pelo pertencimento, olho para o mundo e por vezes o vejo com olhos desencantados, e as questões surgem como pensar o desejo em um contexto de pandemia global, seria esse o caminho, qual quesão a comunidade negra deveria debater? O que interessa nesse momento da união? Unificar forças para combater o mal presente? Devemos aderir ao movimento goodvibes de apartamentos e lutar para o retorno a ideia de normalidade que estava posta? Normalidade para quem? 

Meu cinema é cinema, mas é também negro na medida que olho o mundo com esse marcador, não deixo de ser negro quanto penso, por tanto penso como negro, ou esse é o desejo pensar como negro, quanto penso o desejo no cinema e sobretudo no meu cinema ele é essecilamente politico por que o corpo negro no mundo e localizado, pelo estado, pela morte pela libido do branco e da branca, mas nenhum desses desejos salva a população negra ou de forma mas simples, esses desejos que são externos não lhe colocam nem mesmo como humanos se não sub humanos, mesmo quanto não narrado, então pensando por esse caminhos essas encruzilhadas do meu texto talvez reflita um pouco a dificuldade de pensar um mundo não branco, um desejo que não animaliza, de um desejo de potência, um desejo das coisas vivas e que habitam esse mundo. 

Minha atitude perante essa ideia tem sido a mesma de Lauren perante os livros velhos da biblioteca de casa: retorno a essas ideias, e autores, com a aposta de aprender, sempre com a ideia do estudo para a fuga, nas linhas e entrelinhas dos debates e nas zonas cinzentas da vida, perceber coisas que possam me ajudar a passar pelos tempos que se desenham. 

A grande sacada da ficção especulativa é a de representar do futuro aquilo que está já em jogo no presente, e o que está em jogo no presente é o futuro. 

Kiko Alves 

Março de 2021

Meu texto Sobre a Existência

Por Júlio César Martins Soares

O poeta Schiller numa série de cartas sobre a Educação estética do homem enfatiza que “a natureza não trata melhor os homens do que as demais obras, age em seu lugar, onde ele não pode agir por si mesmo como inteligência livre. O que o faz homem, porém, é justamente não bastar com o que dele a natureza fez”.

No sentido estrito da arte Schiller apontar para a ideia de que “nas asas da imaginação o homem abandona os limites estreitos do presente, em que o encerra a mera animalidade, para empenhar-se por um futuro ilimitado”, onde encontra toda a busca do existir em plenitude, em toda a busca pela perfeição. Por perfeição aqui não se entende no sentido estrito da palavra e como julga o senso comum, como algo pronto e acabado, mas numa vertente em afirmar que a junção de per + facere (por+ fazer) indica-nos o caminho de verificar que é algo que está por fazer, em construção, ad aeternum, em contínuo fazimento. De que o sujeito está produzindo constantemente sua história de vida.

Noção parecida, no entanto, pode ser encontrada na afirmação heraclitiana que nos propõe uma possibilidade ainda maior no sentido de que tudo é um constante devir e um eterno vir a ser, esse pensamento aponta para o conceito de uma construção gradativa e perene, de uma fabricação permanente que renovando permanece, que constantemente se afirma e se constrói. Desta forma, retornamos aos primeiros filósofos na concepção de vida como uma luta constante, de um eterno embate de forças contrárias do finito em relação ao infinito, do uno em relação ao todo, do homem em relação à vida.

Ainda, recordo Nietzsche que afirmava a ideia do filósofo deixar ressoar em si a consonância do mundo, para então extraí-lo em conceitos tornando-se contemplativo como o artista plástico, compassivo como o religioso e ansioso por fins e causalidades como o homem da ciência. Ao pensar essa tripartição: homem, filosofia e existência, acredito cada vez mais a necessidade de não ser possível um autoconhecimento que ultrapasse os caminhos da filosofia, sendo mais exato, creio não haver autoconhecimento que não palmilhe as sendas filosóficas, mas acredito mais ainda que não adianta conhecer-se muito ou ter uma existência longa sem ter tido o prazer de amar o outro.

Não sou feio nem bonito, nem artista, nem poeta, tenho o rosto do infinito e uma alma sempre inquieta. Sou inquieto o tempo inteiro, canção nenhuma me revela, sei que o amor não dorme, nem cochila, sempre vela.
Sou goiano. Poeta. Filósofo. Casado. Marido da Alana. Pai do Pedro Antônio e Benjamim. Psicanalista e mestre em educação. Tenho um perfil no Instagram @casamentopoetico em que falo de amor e poesia, porque acredito que o amor jamais morre, sempre vence.

O DESPERTAR DE MOTTI: MAS PODE SER O SEU!!!!

Por Silvia Helena de Amorim Martins

Você nunca sabe o que pode acontecer.

O jovem Motti, pertence a uma família judia e tem seu destino traçado pelas convenções, se relaciona em sua maioria com pessoas da mesma crença e hábitos. É um homem com o destino traçado pelos outros, o ponto de virada inicia quando o rapaz começa a se sentir incomodado com o comportamento intrusivo da mãe que passa a procurar uma noiva para o filho e ele não aceita se submeter a um casamento sem amor.

Ao logo da película, percebemos o quanto é incomodo ao outro quando o rapaz passa a tomar suas próprias decisões, a mãe sempre repete a mesma frase: “Quando você era criança era tão bonzinho e agora é isso”. Vamos nos demorar um pouco nesse trecho, guiar a própria vida, fazer escolhas e dizer não é uma atitude rebelde e libertadora. Mas sempre trará conflitos quando o outro percebe você como propriedade: “Meu filho (a), meu namorado, minha namorada, meu marido, minha esposa”. Sinto lhe dizer que nada é seu!!! Pessoas não são objetos e estão conosco por que desejam e dependendo das circunstancias podem deixar de desejar.

Aos poucos Motti vai despertando para o mundo e para sí, sua primeira mudança é livrar-se da barba, depois mudar os óculos, algo muito simbólico, o rapaz passa a escolher outro modo de ver e se colocar no mundo, após roupas, amigos e assim por diante, um passo de cada vez. 

E eu lhe pergunto: você vai começar esse despertar por onde? Estamos fechando fevereiro de 2021, não façamos desse ano uma reprodução de 2020. Sempre existe uma porta a ser fechada e outra a ser aberta! Algo que precisa chegar ao fim para dar lugar a um novo começo.

Mas, para algo mudar é necessário que você dê o primeiro passo rumo ao desconhecido, eu sei não é fácil, mas provavelmente a situação que você está inserido também não está agradável. O que será que lhe prende ao velho? Será o medo do novo? O medo de perder algo? Mas será que as perdas também não trazem ganhos? Eu acredito que sim.

Vale destacar que o caminho da mudança é desafiador, exige sustentar a decisão, em um determinado momento do filme Motti é expulso de casa como castigo por escolher se relacionar com uma mulher não judia. Mas mesmo amargando a dor da perda da família, a solidão ele não retrocede, ele continua seguindo no que acredita. E eu te pergunto você segue o que acredita? O caminho que você está trilhando é da ordem do seu desejo ou do que desejam para você? O melhor para sí é diferente do melhor para os outros! O que você acha de desconstruir lugares, posicionamentos e dinâmicas de relacionamento em que você está na posição infantilizada (quando o outro escolhe por você)? 

Eu acredito que se esse texto tem o poder de sucitar reflexões e que vai chegar em quem precisa despertar. Então sigamos!!! Um grande abraço! Se cuida daí, que eu me cuido daqui.

Terça de Não Carnaval

Nesta terça carnavalesca do não carnaval, o texto não é meu mas de Leo Machado, com quem conversei, na segunda da semana passada, junto com Zé Filho e Robinho e foi massa. Fiquemos com a reflexão de Leo, que mesmo em ano não carnavalesco faz sentido.

A gliterização do carnaval de Salvador

Por Leonardo Machado

Quarta feira de cinzas. O último trio passou. Só dá tempo para uma saideira e um pouco de descanso para voltar a dura realidade da vida. Tudo vai embora junto com o último trio da quarta, menos o glitter. A porra do glitter não sai. Já estamos no segundo dia pós carnavral e eu ainda não consegui me livrar dessa zorra.

Já foi carnaval, cidade. Satanás vai pra Porto Seguro e Jesus volta pra Salvador para começar a reorganizar as coisas. A primeira coisa que ele faz é dialogar com o prefeito para convencê-lo a não esticar a festa. Uma boa ação. Acredite: o prefeito não te ama e quer te matar de cirrose.

A cada término do carnaval vem uma polêmica a ser discutida no trabalho, em bares, redes sociais e coletivos.

A bola da vez é: A viadagem no carnaval de Salvador.

O velho e cansado papo que sempre começa assim: eu não tenho nada contra gay, maaaaaaas….

Eu já fui um desses caras, heteronormativo privilegiado que fazia cara feia quando o Crocodilo passava. Até descobrir que alguns amigos de infância já tinham se assumido gay para as amigas e escondido dos amigos, tipo eu.

Diante do exposto eu comecei a questionar.

Porque eles estão fazendo isso?

Será que eles não confiam em mim?

Aos poucos eu fui percebendo o quanto era difícil para meus amigos gays essa aproximação. E que nós (héteros) levantamos esse muro.

Minha primeira empatia com a causa foi tomando uma cerveja com um amigo que conheço desde molequinho, lá no condomínio que eu morava. Francisco, apelidado por mim como Chicão, estava abalado psicologicamente por um namoro mal sucedido que ele teve com um cara. Estávamos lá. Apenas eu e ele. Bebendo uma cerveja e dialogando sobre o romance que acabou. Ouvindo meu amigo atentamente me vejo levemente emocionado porque estava passando pelo mesmo cenário. Tava recém terminado com Gabi(minha namorada na época), relacionamento de 7 anos. A dor de Chicão era a minha dor, éramos todos iguais naquela noite.
Chico falou sobre o sexo deles, o que eles gostavam de fazer juntos, das brigas e das resenhas. E eu na gaiatice disse:

  • Porra Chico é a primeira vez bato um papo gay. Que estranho, né?

E ele riu.

Outra personagem que me fez ter sensibilidade sobre a causa foi Carol. Ela tinha uma marca de camisa chamada “Oxe Véi” e eu comprava sempre alguma novidade na mão dela. Teve um dia que eu fui na casa dela para pegar uma das milhares de camisas que eu tenho. Sou convidado para entrar e vejo uma casa toda cheia de cor. Estava ela e Geo(sua namorada) no cantinho da varanda finalizando uma embalagem. Não sei porque, mas ao entrar na casa delas eu senti uma leveza surreal. Não demorei muito lá, mas foi o suficiente para entrar no carro pensando: que bacana o namoro dessas meninas.

Eu vi a beleza em uma forma de amor pelo qual eu não estou inserido. E afirmo queridos ouvintes: É possível!

Um tempo depois Carolzinha descobriu um câncer e com a firmeza de uma mulher partiu pra dentro dessa doença escrota. Eu via tudo de longe porque nunca fui íntimo das meninas, mas ficava numa torcida grande. Parecia que eu tava vendo uma novela. Eu só queria que no final tudo desse certo e elas ficassem juntas. E ficaram. Carol venceu o câncer, casou com Geo e escreveu um livro lindo sobre tudo isso.

E eu comprei, claro!

https://gramho.com/explore-hashtag/CarolinaMagalh%C3%A3es

Tem uma passagem dedicada só ao amor das duas, que ao ler, chorei.

Chico, Geo e Carol indiretamente me fizeram ter sensibilidade. Já não sou o cara que fazia cara feia ao ver o trio de Daniela Mercury. Eu sou o cara que ao som de Maimbê Dandá, com um lata de cerveja quente na mão, dança e mentalmente fala para os foliões do bloco: arrasem, amem, pulem, vibrem, sintam. O carnaval é de vocês também.

A polêmica sobre a vultosidade do gay na folia é a trágica fala privilegiada de quem quer manter seu privilégio.

Antes o carnaval era palco da chuparinação dos héteros, hoje o bolo está sendo repartido.
E isso incomoda.

Vazou um vídeo de uma mulher de outro estado que veio para Bahia curtir o carnaval. Ela, revoltada grita que nunca mais vem pra terra da folia porque só tem viado. Provavelmente ela gastou uma boa grana para curtir o carnaval, mas não comeu ninguém.
Essa senhora deveria seguir os conselhos do velho Raul Seixas.

Tente outra vez!

Até porque há uma voz que CANTA, uma voz que DANÇA e uma voz que GIRA pairando no ar.

Reparem…

Essa frase de Raulzito é bem “Largadinho” né?

Um velho amigo conversando comigo disse que se incomodava com a putaria que a comunidade LGBT tava promovendo no carnaval.
Beijo de tripo, quádruplo. Um em cima, um em baixo, um puxando e o outro vai, aí ai ai.

Rindo, questiono ele daquela vez que a gente pegou 3 mulheres de vez na Ondina no carnaval de outras épocas e ele fica sem resposta. Não satisfeito pergunto daquela vez que a gente ajudou um amigo a escalar um camarote para beijar uma menina que tava lá em cima e ele meio que sem graça responde:

  • Mas aí é diferente.

E eu retruco:

  • Isso se chama privilégio masculino. Bem vindo ao seu mundo.

Entendam…
A inserção do gay na avenida é um ato revolucionário, político, de amor.

É um grito!

De forma extrovertida eles e elas estão dizendo: Não nos machuquem, nos respeitem, não nos mate, é só amor, a gente EXISTE.

É só isso. Enxerguem o belo. Como eu havia dito: é possível.

É tão bom cair na folia e encontrar com Chicão, Thiagão, Luis, Jorge, Pitoco, Thales e outros mais.
Eles estão sempre com uma fantasia foda, uma mensagem bacana, 1 kg de purpurina no corpo e quase bêbados(que nem eu).

Fica a dica: Se você não é capaz de aceitar que essa galera veio pra ficar creio que seja melhor procurar outros locais para curtir a temporada de festa. Soube que no Alaska o carnaval é bem bacana. Fica bem pertinho. Fica lá na casa da disgraça a direita.
Não pense duas vezes, reúna seus amigos, dividam a passagem em 40 vezes no Hipercard e sintam o calor do carnaval do Alaska.

Eu sou a favor da gliterização do carnaval.

Essa galera é massa.

Você já viu uma linha de 10 viado de frente pra uma linha de 15 esperando Ivete largar um “vai buscar Dalila” pra sair na mão? Eu nunca vi!

Você já viu a polícia ter que atuar numa briga generalizada de gays? Nunca houve!
Nem o programa do Bocão conseguiu mostrar.

Você já viu um taxista, moto taxista, Uber, dono de hostel, hotel ou apartamento reclamar porque boa parte dos seus clientes são gays?

Entendam…
A moeda tá circulando na cidade. Isso gera emprego e renda. Essa galera, inclusive, tá ajudando a melhoria da financeira da tia do isopor que tá lá ralando pra caramba sob condições humilhantes.

Portanto, largue de ser trouxa e saia da bolha. E digo mais: Não ouse contrapor essa rapaziada fisicamente. Eles são muitos, aprenderam arte marcial e estão fazendo academia.

O mundo machista não irá perdoar ver você voltando pra casa marcado por um cruzado de purpurina na ponta do queixo ou uma chave de glitter. Seria um nocaute e tanto.

Por fim…

Voltando pra casa na segunda de carnaval, no final do circuito Barra – Ondina, mais precisamente conhecido como monumento das gordinhas, ao abaixar as cordas do trio de Daniela Mercury presenciei um turma de 30 abraçados e gritando algo do tipo: aí que delícia, que delícia é ser viado.

Eu, com minha cerveja quente, observo tudo e solto um riso de aprovação. Que massa. Isso é carnaval.

Sabe o que eu quero?

Eu quero tudo!

Ou melhor…

Não quero nada!

Não quero 8 nem 80, eu quero o bloco do prazer.

E quem não vai querer?

Texto de Léo Machado – Eterno folião, hétero e apoiador da gliterização do carnaval de Salvador.