Onde vou estar agora

Eu seleciono bem as flores que vou usar, tiro galhos, sementes, e restos de folhagens… Com uma tesoura vou cortando pétala à pétala cada flor dentro do potinho … É um processo calmo e paciente que nem toda pessoa está afim de fazer, mas que para mim sem isso não faz sentido, preciso fazer essa ação até enxergar vários flocos verdes e cintilantes …

O perfume toma de conta do espaço, exala um cheiro de chuva com limão. Rapidamente me sinto um tamanduá socando seu nariz em um formigueiro profundo, farejando cada cheiro suculento para saciar seu desejo. Aquele perfume entra nos buracos do meu nariz com uma sensação adstringente limpando as estradas neurais de meu cérebro.

Pego uma seda, derramo todas as flores picadinhas nela, espalho com leveza. Minha mãe de santo sempre me diz que um padê jamais deve ser sacudido, deve ser organizado com as mãos. Meus dedos prontamente organiza aqueles pequenos flocos, verdes, aveludados, cristalizados, cintilantes; aquilo é um presente para mim e para mais ninguém então tem que ser bem feito.

Segundos depois já lanço aquele pequeno torpedo carregado de terpenos pressionados, aglutinados esperando serem eriçados para soltarem seu esperma quente e grosso em meus pulmões… um gozo que jorro na minha boca, risco o isqueiro e vejo a brasa se formar. Baforo devagar, arejo os pulmões, aterro a cabeça. Gozo em fim…

Fim … ?

Meu sonho era conhecer Moraes Moreira…

A tal maturidade

Chamar alguém de imaturo é como uma ofensa inaceitável, mesmo quando o acusado tem vinte anos ou menos; que nem um herege que se recusa a “vestir a carapuça”, para evocar a expressão eclesiástica medieval que se perpetua aos dias atuais.

Estava relembrando as inúmeras vezes em que me fiei ter atingido a sensatez e o equilíbrio que caracterizam a tal maturidade.

No primeiro beijo, me considerei a própria experiência. A primeira decepção amorosa trouxe a convicção de que eu me tornara precocemente madura. O ingresso na universidade veio escoltado da certeza de vivência máxima. A graduação, a primeira grana com o meu trabalho, a gravidez dos meus filhos, as amizades desfeitas por incompatibilidade ou desamor, o falecimento do meu pai… Um rol infinito de felicidades e tristezas da fase mais jovem.

Sempre que escalava um novo degrau da maturidade, eu acreditava que seria o último, que finalmente havia alcançado o real patamar da plenitude.

Dizem que a maturidade se instala [sem quaisquer garantias, descobri aos poucos] à medida que você desconstrói e humaniza seus heróis e heroínas – pais, amigos, companheiros, mestres –, e continua a respeitá-los e admirá-los da mesma forma.

A verdade é que a maturidade está a toda hora se evadindo. Além de chegar sem avisar, parte furtiva, sem aceno ou abraço.

De repente, no esplendor da terceira idade, a gente se pega, por exemplo, julgando uma pessoa querida que não atendeu às nossas exigentes expectativas. Pronto, a danada da maturidade escapuliu de novo, levando consigo tudo aquilo que incorporamos com ela, pois nunca anda sozinha, se faz acompanhar da tolerância, resiliência, compaixão e solidariedade.

Da próxima vez que alguém lhe surpreender com uma falha ou uma decepção, reflita antes de voltar à estaca zero do crescimento humano.

Proponho, portanto, vigília permanente às constantes fugas da tal maturidade. A gente se encontra na travessia. Boa sorte pra nós.

Onde mora a lembrança?

Será que mora no nome da minha mãe que tenho que dar pra minha filha? Mora na lápide, marcando data de vida e morte? Na letra das cartas nunca enviadas? Na culpa? Poderia mesmo ter feito diferente?

Mora na conversa que conta como era uma situação pra quem nunca viveu aquele momento, tentando buscar detalhes?

Será que a lembrança mora dentro do sonho, numa imagem que nunca aconteceu, mas poderia ter acontecido?

Mora no beijo de despedida?

Na música?

Na aflição?

Na alegria?

Na conquista?

Nos encontros?

Mora na imagem, na foto que não se mexe e você vai sempre ter só aquela posição?

Será que a lembrança mora naquela ação que você não lembra direito como aconteceu, mas sabe porque aconteceu? Na intenção?

Mora no trauma? No “eu não quero mais” ou “quero melhor”?

Mora no cuidado, carinho e zelo?

Mora na parte boa ou na parte ruim? 

Onde escuta a voz de novo?

Quando a gente percebe que algumas coisas estão indo embora, onde vamos buscar a lembrança?

Ela mora mesmo na memória?

Todos os dias são passado

A uma semana de entregar uma nova crônica para o “ArteVistas”, busco inspiração em fotos antigas de família.

Bem que eu gostaria de escrever algo leve e atual, mas em tempos de afastamento social e pouca empatia – mesmo atenuados pela brisa acolhedora de agosto no meu sertão praieiro –, o passado se mostra o melhor parceiro.

Lembro-me de uma entrevista em que o escritor amazonense, Milton Hatoum, afirma que “a literatura trabalha e reaviva o passado”. Portanto, não o lastimo, pelo contrário, louvo o passado; ele nos permite brincar com as palavras na tentativa de decifrar a alma humana.

Pego, então, os álbuns de fotografias e vou carimbando minhas digitais nas velhas páginas da infância, adolescência e juventude.

Estou nos braços da minha mãe, à frente do meu saudoso pai, boquinha prestes a soprar a primeira velinha. Uso um lindo vestido de organza azul feito pela parente modista, em perfeita composição com o laço da cabeça. Meninas vestiam azul às vésperas de 1960.

Aposto todas as velinhas sucessoras, que minha mãe não fez ali um apelo genérico, do tipo: “Que minha filha seja feliz!”. Arisca e cuidadosa como ela só, não submeteria o futuro da caçula a interpretações de divindades já tão sobrecarregadas de pedidos. Certamente encomendou os mínimos detalhes em silêncio, conforme a tradição: “Saúde, profissão digna, autossuficência, casamento por amor e filhos saudáveis”. Nessa ordem. Desejo de mãe é sagrado.

Salto treze anos e caio nas areias escaldantes do Pecém, jangadas ao fundo. Eu, irmã e primas. Férias de verão. Falar em verão no Nordeste é igual a “subir pra cima” ou “entrar pra dentro”. Não está de todo errado, mas é “over”, segundo os colonizados chiques. Excesso de coisa nenhuma.

Quatro temporadas depois e eis-me fantasiada de havaiana com uma querida amiga. Aquele carnaval ouviu meu grito de maioridade. Foi-se o arroubo juvenil, permanece a longeva amizade.

Devolvo o passado à estante e retomo a criação sem pressa do livro de gênero ainda indefinido, uma novela, talvez? Alterno com a leitura de um clássico literário. Estamos sempre trazendo o ontem. E lembrei-me novamente do grande Hatoum.

Afaste-se de pessoas tóxicas

Pessoas tóxicas, o que fazer com elas?

No artigo anterior, falamos sobre larvas astrais e como se limpar disso. Nesse artigo, vamos aprofundar isso ainda mais acessando possíveis raízes: pensamentos e pessoas.

Por estarmos conectados uns aos outros nas interações sociais, as vezes as energias negativas aparecem e não sabemos sua fonte.

O filme sobrenatural que assusta e também inspira a sempre afastar as Pessoas Tóxicas. Todo mundo já viu algum filme onde um personagem extremamente chato arrancou boas risadas. Porém em alguns casos nem tanto, pois algumas vezes esse chato lembra alguém na sua vida e pessoas do tipo no mundo real não são nada divertidas.

Esses chatos descritos em narrativas das mais variadas, geralmente foram inspirados em pessoas de carne e osso. Pessoas que na vida real são vistas como tóxicas. As Pessoas Tóxicas são muito conhecidas por nomes como Os Chatos, Os Malas e também como Os Encostos.

Outro ponto que você leitor(a) deve estar atento é a quantidade de horas assistida durante a semana de telejornais, programas policiais e outros programas que muitas vezes baixam nossa vibração.

De nada adianta você afastar pessoas tóxicas e ligar a tv e acessar um portal (sim a tv assim como celular tornam-se portais energéticos de transmissão de conteúdo) e descarregar um monte de lixo energético que irá comprometer a vibração da sua sala, ou do seu quarto, do seu campo ou da sua família!

No artigo anterior intitulado: “O que você está fazendo consigo mesmo?”, ao qual eu havia mencionado sobre larvas astrais e explicado sobre, aqui irei explicar as fontes da mesma e como você começar a tomar consciência sobre.

  • Política: um dos maiores portais de acesso de confusões, brigas, intrigas e conflitos entre familiares nos últimos 2 natais(muita gente passou o natal de 2018 e 2019 sem se falar por conta de briga política partidária). Será que precisa falar mais? Já existe argumento suficiente? Esse assunto deve ser evitado em conversas em redes sociais, presencialmente pois acaba baixando a vibração, acessando raiva, ódio, descontentamento e outros sentimentos tóxicos. E sim, como foi falado nos artigos anteriores, cada padrão vibratório acessa um conteúdo designado e abre larvas astrais ligadas a esse assunto;
  • Religião: tem um ditado popular que diz: “não se discute política, religião nem futebol”. Semelhante a política, discutir sobre religião também pode acessar baixas vibrações e assim acessar larvas astrais para a pessoa ou local ligada a aquele assunto. É outro tema que deve ser evitado;
  • Estádios de futebol: sim, esse local também gera muita larva astral. Já pensou que num estádio de futebol de cada 10 palavras que as pessoas falam, 5 são para xingar a mãe do juiz? E por aí vai…  quase todas as palavras faladas são de padrão vibratório baixo, então isso acessa conteúdos e larvas astrais semelhantes ao padrão vibratório. Observe se faz sentido isso quando se assiste uma partida seja na tv ou no estádio como as pessoas descarregam (de forma inconsciente) sua raiva, frustração, etc no jogador específico ou jogo ou time do “seu coração”..
  • Casas de swing/saunas/motéis: aqui estou colocando esses três locais diferentes num mesmo pacote porque aqui existe em evidencia a energia sexual mobilizada nesses locais. Locais aonde existe energia do sexo sem amor como é o que acontece em 9 de 10 casos de pessoas que vão a esses ambientes geram uma forma pensamento padrão de promiscuidade e um campo ordenador desqualificado. Dito isso, não
  • estou dizendo que não possa ir a um motel com seu marido de vez em quando, mas se puder alugar um apartamento de temporada em aplicativos especializados ou uma casa de praia, certamente será melhor do ponto de vista energético para passarem momentos juntos num final de semana por exemplo.

Finalizando, já vimos anteriormente, o primeiro passo para me afastar de pessoas tóxicas é eu deixando de ser tóxico. Com isso, eu passo a vigiar as formas pensamento internas.

Nesse artigo, trouxemos a tomada de consciência de conversa, padrões mentais e emocionais tóxicos para evitar. Cabe a você leitor avaliar esses assuntos e trazer a seguinte pergunta: Qual o custo de eu continuar essa conversa?

No próximo artigo daremos continuidade sobre isso, falando dos caminhos de mudança mental e formas de se auto limpar. Caso você se perceba preso em padrões densos de pensamento e não sabe como sair disso, buque conversar comigo e agende sua sessão online. Isso pode te ajudar a trazer caminhos de transformação que podem beneficiar sua relação afetiva, profissional, finanças e autoestima.

Antigo normal: nunca mais

Rifa-se antigo normal de uma vez por todas.

Quarenta minutos de faxina na mesa de centro espelhada – com gavetões e nichos –, abarrotada de objetos e livros intocáveis de capa dura.

Costas arrebentadas de tanto arrastar dois trambolhos de madeira maciça, vulgos “mesinhas de cabeceira”, para tirar o pó acumulado.

Armário inflado de roupas, sapatos e bolsas que nunca serão repetidos ou até mesmo estreados.

IPVA caríssimo para rodar menos de mil quilômetros por ano, sem contar os gastos com combustível, estacionamento e manutenção.

Horas no trânsito caótico para ir à padaria ou mercadinho do bairro, em vez de usar as passadas ou pedaladas saudáveis.

Caminhadas na esteira em ambientes fechados, morando em uma cidade plana, que transborda sol, brisa, parques ecológicos e calçadões que beiram o verde mar.

Carimbos no passaporte para destinos turísticos da moda, com suas superlotações que sufocam a alma do lugar, cultura e estilo de vida dos moradores.

Festas para ver e, principalmente, ser visto.

Amizades às pencas que não se importam um tiquinho com o outro.

Cozinha meia-boca de restaurantes e bares caros, e filas gigantescas dos recém-inaugurados.

Lamentos por desgraça pouca, como a xícara de estimação quebrada acidentalmente.

Felicidade incessante, também conhecida como alienação, demência ou ingenuidade.

Diversão com filhos|netos no parquinho climatizado do shopping, quando se tem quilômetros de orla urbanizada, com quiosques, academias a céu aberto, parque infantil, quadras de vôlei e tênis de praia, anfiteatro, ciclovia, pista de cooper e de skate. Sim, é seguro.

O medo de andar nas ruas e se apoderar das calçadas e praças.

Carros estacionados nas ciclofaixas ou nas vagas prioritárias “só enquanto” pega o filho|neto na escola.

O pouco de tolerância que ainda resta para ouvir fofoca, maledicência e desinformação, como as criminosas fake news.

Por fim, como perfeição e santidade nunca fizeram parte dos meus planos, excluem-se da rifa laivos de arrogância que, porventura, alguém detectar nessas prendas.

Meu sobrenome é gratidão

Por Roberta Bonfim

Esse Lugar ArteVistas é um desejo de trabalhar junto a partir das individualidades, com textos e programas diversos que dialogam com outros diversos ampliando-nos. Eu, Roberta. Assisto a todos os programas, por fazer parte deles como operação e adoro, e também como público que ama aprender como faço com Mirabilia. 

Olho esse Lugar e percebo essa potência toda que somos individualmente e involuntariamente enxergo a lindeza que somos juntes.. Mas, descobri esses dias que por TENTAR (preciso da sistematização prática de Rafa Vasconcelos)  organizar o conjunto que podemos ser , há a interpretação de se estar trabalhando para mim,  que daqui também por todes,  para todes e é nisso que creio, que se todos fizerem um bocadinho fica massa e é no desejo de encontrar esse lugar que trabalho e faço isso na vida. Vivo de fazer associações e buscar os melhores caminhos de modo coletivo e vivendo essa busca na vida, percebo o quanto não nos ouvimos e já reagimos, como se reagir fosse mais fundamental que ouvir na construção do todo que somos.  

Mas se pensamos que somos essencialmente animais em desenvolvimento mental e tecnológico, talvez quem sabe chegarmos às nossas inteligências essenciais. E a questão que me vem assolando a mente é até que lugar o mental não nos afasta intuitivamente do essencial. Se atraímos o que sentimos, precisamos exterminar as violências e a escassez.  hihihi

Viagens e brincadeiras a parte, o que digo é que a construção do coletivo não é fácil, pois formar um coletivo é ir montando os quebra cabeças dos seres que somos, entendendo que algumas peças são mais fluidas, outras de mais difícil encaixe, outras de rápido encaixe e rápido desencaixe, observar a construção de um coletivo é perceber as nossas diversidades, nossas mudanças e a liberdade de mudarmos tudo, mas é preciso também ter cuidado com o outro e com o lugar que habitamos. E assim seguimos entendendo nossa individualidade e como melhor nos colocamos nesse lugar tão diverso que somos individual e coletivamente, pois cada um de nós é e carrega mundos.

Aqui não queremos caber em nenhum lugar, pois acreditamos na dilatação dos lugares. Aqui o desejo é que façamos o que nos faz feliz, não como uma obrigação, mas como um construir coletivo com individualidade e compromisso. 

Assim hoje somos de fato uma revista eletrônica, e se você que me lê é fera em revista e queira nos colaborar, aceitamos ajuda para essa divisão em editorias. 

Dentro dessa revista eletrônica que acredita na arte onde estiver, como caminho para transformações responsáveis necessárias e possíveis, temos os programas do canal e aqui segue os links de nossa programação linda e repleta de ArteVistas, brilho nos olhos e inspiração.

Na quarta da semana passada colocamos no ar o quarto episódio da nova temporada desse programa que completou 9 anos e que amamos realizar e aprender nesse caminhar. E um dos grandes aprendizados é que na prática a teoria é outra. hihihi Mas, olha que lindeza.

Na quinta o Conversa Entre Nós que tem apresentação de Silvia Helena conversou com parte da turma do Coletivo Fundo da Caixa, estavam com a nossa apresentadora psicóloga Mariana Vasconcelos e Cristian – Cris Graffiti , com rápida participação de lukes. 

Na sexta uma aula sobre o feminino, sobre história e direitos e com sotaque. Grata Marta Aurélia por Claudia. Casa D’Aurélia

No sábado teremos Novos Tempos e Novos Ciclos, mas Crica pediu para não seguir, Renatinha ia fazer uma cirurgia e eu fui tomar a primeira dose da vacina. Um dia emocionante de agradecimento ao SUS e a ciência.  Mês que vem voltamos a falar sobre maturidades.Domingo ainda não temos essa programação se você tiver vontade de contribuir esse lugar é nosso.

E ontem eu tive a grata honra e alegria de bater papo com três ArteVistas muito fundamentais para mim e esse lugar: Flaira Ferro, Eduardo Marinho e Tiago Gomes. Foi uma lindeza. 

E agora às 17 horas temos o programa Papo Atípico que é esse lugar para falarmos sobre o espectro autista, até o próximo programa eu sou apresentadora, depois que vai seguir esse barco junto com Marcelo Muz e Cris Cordeiro, será Mariana Castro. 

Gratidão por esse caminhar de tantos ArteVistas e que fazem cada dia mais crer no quanto somos massa se nos dispusermos a nos conhecermos e cuidarmos individual e coletivamente.

Já é Quarta

Por Roberta Bonfim

Hoje o tempo correu mais depressa que eu. Perdi compromissos, a filha chorou, técnico de internet em casa em tempos de pandemia, gata no cio, hambúrguer quebrado, uma planta seca, louça na pia. Limpei a casa de manhã na saída do técnico parecia ter passado um furacão. Aparelhos obsoletos, recicláveis se amontoam no quarto, a pilha do mouse acaba, assim como a água do garrafão às 3 da manhã. Coloco os custos no papel, as despesas dobraram, ou triplicaram. Já não ligo o ar condicionado e a energia segue subindo. Não entendo matemático. Leio Fernando Pessoa para amar e dizer tantos sins ao todo tudo que se deseja viver.

E nada disso era o que eu queria dizer. Me preparei para hoje, a bem da verdade foi ontem, onde minha filha me colocou para dormir antes de eu fechar as tarefas do dia. Tinha me planejado escrever sobre essa coisa de celebrar 9 anos, de olhar o processo e reafirmar a sua importância, perceber o quanto cada encontro e gravação narram um boa história, com aprendizados, escuta, sorrisos, arte, afeto e participação, pois nenhum processo é só. E sou muito grata por cada atravessamento. O universo sempre me foi muito justo, sempre que o que foi tirado, de outra forma foi reposto e mesmo as mais intensas dores da vida, que não se engane, não precisam ser tristezas, podem ser só uma dor, que sentimos, observamos, investigamos, tratamos e curamos. Talvez ainda não consigamos ver as feridas da alma com a mesma frieza que supostamente vemos as do corpo, que quando não frutos de um acidente, normalmente são já a alma clamando por socorro. E porque falo de alma ferida em meio ao texto de celebração que já começou todo coisado e que escrevo às 3 e pouco da manhã na companhia de Clarice Lispector (a gata).

Falo de saúde mental, talvez exatamente por isso. Me pergunto o que me acordou e me motivou a estar agora aqui sentada escrevendo, ao invés de estar dormido Talvez porque o sono regenere meu corpo, mas é a escrita que libera minha alma. Minha racionalidade não alcança, só me relaciono com ela pelas emoções e só me entendo, escrevendo. Pois as palavras ditas depois de pronunciadas me parecem todas embaralhadas, e não tenho qualquer garantia sobre o que foi de fato comunicado. Isso também deve ter haver com o fato de que escrevendo, há uma intensidade, pois é só um canal. Sei lá. Sei que minha memória universal integral sabe muito mais do que penso , mas ao perceber sempre sei tão pouco.

E lá se foram 9 anos, começamos agora a escrever a história desse décimo ano. E algumas coisas precisam ser ditas já. Para quem digo? Neste momento para mim, e se compartilho é para que a cada pessoa que leia, eu seja lembrada desse momento em que lembrei das coisas óbvias e importantes que eu já sabia

Meu Lugar Sou Eu – assim moro em mim. Aprendi isso com a vida e com a liberdade das não prioridades. se não faço parte do bando, não há porque seguir suas leis.

Sou uma urbana que gosta de silêncio. Sou uma nômade inveterada, que depois de muito tempo no mesmo lugar, precisa alterá-lo.

Amo o colorido. E mudo minha cor preferida de acordo com o meu bem prazer, pois gosto de todas.

Todas as contradições me habitam.

Amo gente, mas peço todas as noites por distâncias saudáveis. E tenho medo e fascínio pela multidão e conheço na pele e assim, na memória corporal a repudia das massas contrariadas e estimuladas à violência. E se o bando faz juntos, por maior que seja a agressão, rapidamente arrumam um culpado, para que pareça uma unidade. Olhemos a história. Ainda temos uma tremenda dificuldade em assumir que somos todes luz e sombra e é possível que exista um conceito, mas para mim é só esse distanciamento de nós a que somos induzidos desde o nascimento. E as tais expectativas geradas sobre nós é devastador quando não cabemos nelas, pois nos sentimos frustrados por destruir os sonhos de alguém, sem atentarmos que tudo bem, pois se trata das nossas vidas.

Falo dessas contradições todas porque elas nos abrigam, e em mim fazem absoluta morada e poderia neste agora contar umas boas histórias do que tenho vivido em emoções e respirações. Hoje ouvi uma briga dos vizinhos, minha filha teve medo e eu agradeci por cada escolha feita até aqui e por poder sem qualquer culpa aparente largar todos os “äfazeres” para ficar agarradinha com minha filha em paz, dando-lhe segurança. Estamos falando de um super gatilho? Estamos! Mas, que não me fisgou, não dessa vez, pois o amor tem um dom supremo de cura. E as memórias não se vão, mas as dores quando “resolvidas”, me parece que sim.

Voltando a esse Lugar ArteVistas, esse coletivo de seres que se desconhecem e hoje em parte por pura falta de interesse, curiosidade ou algo assim. E tudo bem. Pois creio mesmo nesse coletivo de indivíduos, que por hora ainda tem a mim como um fio condutor, mas essa engrenagem vai funcionar de modo fluido e sistemático, a partir das responsabilidades de cada indivíduo ou semi-grupo organizacional. É um sonho de fácil realização? Não. Mas, sou dessas que sonha. Gente! Sonho muito e se eu conseguisse pôr em prática pelo menos parte desses sonhos viveríamos em um lugar mais convivível, de certo. hihihi

Mas, vou tentar focar apesar do desejo de seguir com dedos soltos e fluidos no teclado, determinando por vontade própria e em uma velocidade que hoje quase me orgulha, deslizam e registram letras na tela. – Acho mais poética a escrita no papel, mas mais difícil de guardar no lixo das memórias. Tenho um caixote de memórias escritas a mão. Hoje temos um blog e o que era só meu pode também te alcançar. E vivemos juntes a emoção ilusória, eu de ser compreendida e você que me lê de me entender. Mas, acho massa.

Nesses encontros de vivências sem leituras humanas e expectativas tenho conhecido muitos ArteVistas e neste Lugar ArteVistas aprendendo tanto, tanto.

Na quarta passada teríamos encontro Arte na favela, mas Izabel Lima ficou sem internet, mas foi massa poder conversar um pouco com Cintia Sant’anna. Mês que vem nos reencontramos.

Quinta teve Conversa Entre Nós com Silvia Helena, que recebeu Glauber Filho com quem fiz a ponta da ponta de um filme – As Mães de Chico, Leo Suricate que já me tirou bons risos e que neste papos mexeu com meu coração e vai mexer com o seu se você apertar o play pra você. E encontrei Camilinho, Camiloco, esse cara massa com quem trabalhei na TV União lá no começo da faculdade de jornalismo.

Na sexta Marta Aurélia conversou com Carri Costa que quem conhece sabe o quanto é um ArteVista querido e engajado no seu trabalho de ser e propor teatro para a cidade de Fortaleza. E o Teatro da Praia conta com a sua colaboração.

Domingo celebramos 9 anos de caminhada, tivemos Até o Caroço com uma temática que amamos que é o veganismo, nesse encontro com Kerla e a turma do Occa Cultura Alimentar.

Na segunda teve Arte Onde Estiver e a conversa foi linda e cheia de bem querer a japa linda e inspiradora que vive em si e distribuir afeto onde passa Chris Ayumi, a bailarina da nossa primeira vinheta. Mas também com Bruno dlx, que realiza o Festival do Passinho dentre outras ações e que tem um brilho nos olhos necessário para nos manter na luta com dedicação. E Fernando Dantas que me inspira diariamente, ele e sua esposa são a representação de um amor profundo que eu já tinha visto de longe, mas que poder conhecer mais de perto é um privilégio e que juntos fazem a Associação Anjo Rafael e se oferecem a esses seres que somos com um amor e entrega missionária.

E neste terça teve MIrabilia pra eu tá linda nele treinando meu portunhol com maestria, mas a internet, ou a ausência dela não me permitiram, mas vou assistir já já e você vem também ouvir desses contos de fogueira. 

Tivemos outras emoções, mas conto no próximo texto, porque já são 4 horas e minha filha vai já acordar e Kitah que tá em Portugal já que coloca o texto dela na quarta.

E se é quarta tem estreia de episódio da Lugar ArteVistas – gravada no Poço da Draga, onde conversamos com Estevão, Doug, Dinha e Pirata.

Bela vida!

E se liguem nos textos desse blog lindimais!

Minha cidade Eu

Por Roberta Bonfim

Sou filha da terra sol, Fortaleza. Terra de belas praias e mesmo quando a cidade ainda não se relacionava com ela, e nem o turismo tinha ainda entendido como melhor vê-la e eu já estava caminhando entre as dunas a caminho do mar para ficar por horas ali na areia com a minha imaginação e toda a natureza que me rodeava. Podia ser também na praia do lido, na beira mar, porto das dunas, barra do ceará, nas pocinhas da hoje vila do mar.

Assim cresci, na areia perto do mar e com as dunas que se movimentam guiadas pelo vento fui aprendendo a sentir e perceber a cidade de Fortaleza que tudo já teve e já não tem. É que aqui tem ventos fortes e somos grãos de areia.

Olhar essas fotos é perceber que a Praia do Futuro abraçava seu nome na minha infância e junto com ela hoje somos presentes repletas de questões. Fortaleza é minha cidade e juntas estamos em permanente transformação. 

Começo me expospondo porque foi o que solicitei aos meus companheiros de grupo de estudo sobre cidade e coletividade, mas também por que semana passada dei entrevista para Marta Aurélia e foi um papo lindo, mas me expus um bucado, já pensei em apagar, mas fui ver as visualizações e só 28 contando comigo viram então pode ficar lá como mais um rico capítulo desse Lugar ArteVistas. Mas, se chegar até aqui e quiser saber como e porque estamos clica que falei mais que a boca.

Na quinta tivemos retorno dela a nossa ArteVista do Conversa entre Nós Silvia Helena que voltou linda e arrasante falando sobre movimento e dança.

E no sábado Ivina Passos conversou com o TIC Festival e eu me emocionei muito com Emídio e com as voltas que a vida nos permite viver sem sair do lugar.

E logo menos tem estreia de mais um papo necessário entre Cris Cordeiro, Marcelo Muz, Mariana Castro e Valéria que leva a refletir sobre todas as agressividades cotidianas que vivemos e fazemos. 

e se inscreve no canal que cada dia é uma maravilha nova!

Abraços silenciosos

Dor física ou dor na alma, qual delas machuca mais?

Quando fraturei gravemente o tornozelo durante um treino aeróbico, cheguei a desmaiar de tanta dor. Nos quinze dias que se seguiram à cirurgia de urgência, só consegui tirar breves cochilos. Foram sete meses muito difíceis até a completa reabilitação.

Relembro esse fato por dois motivos: nesse próximo domingo completam dois anos do ocorrido; e por mais doloroso que tenha sido, não se compara à dor profunda pela perda, no ano seguinte, da minha única e querida irmã para a COVID-19.

A dor na alma, essa parece que nunca passa. Ainda mais quando potencializada pelo luto coletivo que ora vivemos, pela inépcia e escárnio do poder público central frente à pandemia, o inadmissível adiamento na compra de vacinas e o consequente atraso na imunização da população.

Embora incomparáveis, ambas são dores que, no primeiro instante, parecem insuperáveis, mas vou me esquivar aqui de falar somente em superação. Porque antes de superar qualquer dor, é necessário ser acolhido nessa dor.

Quando se está sob intenso sofrimento – físico ou espiritual –, tudo o que não se quer ouvir é que “vai passar”, expressão até simpática mas que pode denotar indiferença à dor alheia. É como se lhe dissessem: “Pare de se lastimar, você não é o único ser que sofre”. Desfiar experiências similares superadas – na maioria das vezes, muito mais graves – também não vai ajudar a quem sofre. No fundo, todos sabemos que tudo passa, que nada é para sempre, nem as coisas ruins nem as boas. Mas apressar o processo para quê? Não existe vida sem sofrimento e cada pessoa tem seu próprio tempo e modo de reagir a ele.

Dizem que o sofrimento contribui para o crescimento humano [e deve ser mesmo], como inúmeros outros sentimentos também contribuem, mas eu prefiro enxergá-lo apenas como natural à existência. É preciso, portanto, parar de negá-lo. Só assim seremos capazes de enfrentá-lo e superá-lo no momento certo.

Enfim, se você não é especialista em comportamento – como também não o sou –, ao se deparar com as dores de alguém, apenas o acolha em silêncio, com um abraço, sem comentários ou julgamentos.