Antigo normal: nunca mais

Rifa-se antigo normal de uma vez por todas.

Quarenta minutos de faxina na mesa de centro espelhada – com gavetões e nichos –, abarrotada de objetos e livros intocáveis de capa dura.

Costas arrebentadas de tanto arrastar dois trambolhos de madeira maciça, vulgos “mesinhas de cabeceira”, para tirar o pó acumulado.

Armário inflado de roupas, sapatos e bolsas que nunca serão repetidos ou até mesmo estreados.

IPVA caríssimo para rodar menos de mil quilômetros por ano, sem contar os gastos com combustível, estacionamento e manutenção.

Horas no trânsito caótico para ir à padaria ou mercadinho do bairro, em vez de usar as passadas ou pedaladas saudáveis.

Caminhadas na esteira em ambientes fechados, morando em uma cidade plana, que transborda sol, brisa, parques ecológicos e calçadões que beiram o verde mar.

Carimbos no passaporte para destinos turísticos da moda, com suas superlotações que sufocam a alma do lugar, cultura e estilo de vida dos moradores.

Festas para ver e, principalmente, ser visto.

Amizades às pencas que não se importam um tiquinho com o outro.

Cozinha meia-boca de restaurantes e bares caros, e filas gigantescas dos recém-inaugurados.

Lamentos por desgraça pouca, como a xícara de estimação quebrada acidentalmente.

Felicidade incessante, também conhecida como alienação, demência ou ingenuidade.

Diversão com filhos|netos no parquinho climatizado do shopping, quando se tem quilômetros de orla urbanizada, com quiosques, academias a céu aberto, parque infantil, quadras de vôlei e tênis de praia, anfiteatro, ciclovia, pista de cooper e de skate. Sim, é seguro.

O medo de andar nas ruas e se apoderar das calçadas e praças.

Carros estacionados nas ciclofaixas ou nas vagas prioritárias “só enquanto” pega o filho|neto na escola.

O pouco de tolerância que ainda resta para ouvir fofoca, maledicência e desinformação, como as criminosas fake news.

Por fim, como perfeição e santidade nunca fizeram parte dos meus planos, excluem-se da rifa laivos de arrogância que, porventura, alguém detectar nessas prendas.

Meu sobrenome é gratidão

Por Roberta Bonfim

Esse Lugar ArteVistas é um desejo de trabalhar junto a partir das individualidades, com textos e programas diversos que dialogam com outros diversos ampliando-nos. Eu, Roberta. Assisto a todos os programas, por fazer parte deles como operação e adoro, e também como público que ama aprender como faço com Mirabilia. 

Olho esse Lugar e percebo essa potência toda que somos individualmente e involuntariamente enxergo a lindeza que somos juntes.. Mas, descobri esses dias que por TENTAR (preciso da sistematização prática de Rafa Vasconcelos)  organizar o conjunto que podemos ser , há a interpretação de se estar trabalhando para mim,  que daqui também por todes,  para todes e é nisso que creio, que se todos fizerem um bocadinho fica massa e é no desejo de encontrar esse lugar que trabalho e faço isso na vida. Vivo de fazer associações e buscar os melhores caminhos de modo coletivo e vivendo essa busca na vida, percebo o quanto não nos ouvimos e já reagimos, como se reagir fosse mais fundamental que ouvir na construção do todo que somos.  

Mas se pensamos que somos essencialmente animais em desenvolvimento mental e tecnológico, talvez quem sabe chegarmos às nossas inteligências essenciais. E a questão que me vem assolando a mente é até que lugar o mental não nos afasta intuitivamente do essencial. Se atraímos o que sentimos, precisamos exterminar as violências e a escassez.  hihihi

Viagens e brincadeiras a parte, o que digo é que a construção do coletivo não é fácil, pois formar um coletivo é ir montando os quebra cabeças dos seres que somos, entendendo que algumas peças são mais fluidas, outras de mais difícil encaixe, outras de rápido encaixe e rápido desencaixe, observar a construção de um coletivo é perceber as nossas diversidades, nossas mudanças e a liberdade de mudarmos tudo, mas é preciso também ter cuidado com o outro e com o lugar que habitamos. E assim seguimos entendendo nossa individualidade e como melhor nos colocamos nesse lugar tão diverso que somos individual e coletivamente, pois cada um de nós é e carrega mundos.

Aqui não queremos caber em nenhum lugar, pois acreditamos na dilatação dos lugares. Aqui o desejo é que façamos o que nos faz feliz, não como uma obrigação, mas como um construir coletivo com individualidade e compromisso. 

Assim hoje somos de fato uma revista eletrônica, e se você que me lê é fera em revista e queira nos colaborar, aceitamos ajuda para essa divisão em editorias. 

Dentro dessa revista eletrônica que acredita na arte onde estiver, como caminho para transformações responsáveis necessárias e possíveis, temos os programas do canal e aqui segue os links de nossa programação linda e repleta de ArteVistas, brilho nos olhos e inspiração.

Na quarta da semana passada colocamos no ar o quarto episódio da nova temporada desse programa que completou 9 anos e que amamos realizar e aprender nesse caminhar. E um dos grandes aprendizados é que na prática a teoria é outra. hihihi Mas, olha que lindeza.

Na quinta o Conversa Entre Nós que tem apresentação de Silvia Helena conversou com parte da turma do Coletivo Fundo da Caixa, estavam com a nossa apresentadora psicóloga Mariana Vasconcelos e Cristian – Cris Graffiti , com rápida participação de lukes. 

Na sexta uma aula sobre o feminino, sobre história e direitos e com sotaque. Grata Marta Aurélia por Claudia. Casa D’Aurélia

No sábado teremos Novos Tempos e Novos Ciclos, mas Crica pediu para não seguir, Renatinha ia fazer uma cirurgia e eu fui tomar a primeira dose da vacina. Um dia emocionante de agradecimento ao SUS e a ciência.  Mês que vem voltamos a falar sobre maturidades.Domingo ainda não temos essa programação se você tiver vontade de contribuir esse lugar é nosso.

E ontem eu tive a grata honra e alegria de bater papo com três ArteVistas muito fundamentais para mim e esse lugar: Flaira Ferro, Eduardo Marinho e Tiago Gomes. Foi uma lindeza. 

E agora às 17 horas temos o programa Papo Atípico que é esse lugar para falarmos sobre o espectro autista, até o próximo programa eu sou apresentadora, depois que vai seguir esse barco junto com Marcelo Muz e Cris Cordeiro, será Mariana Castro. 

Gratidão por esse caminhar de tantos ArteVistas e que fazem cada dia mais crer no quanto somos massa se nos dispusermos a nos conhecermos e cuidarmos individual e coletivamente.

Já é Quarta

Por Roberta Bonfim

Hoje o tempo correu mais depressa que eu. Perdi compromissos, a filha chorou, técnico de internet em casa em tempos de pandemia, gata no cio, hambúrguer quebrado, uma planta seca, louça na pia. Limpei a casa de manhã na saída do técnico parecia ter passado um furacão. Aparelhos obsoletos, recicláveis se amontoam no quarto, a pilha do mouse acaba, assim como a água do garrafão às 3 da manhã. Coloco os custos no papel, as despesas dobraram, ou triplicaram. Já não ligo o ar condicionado e a energia segue subindo. Não entendo matemático. Leio Fernando Pessoa para amar e dizer tantos sins ao todo tudo que se deseja viver.

E nada disso era o que eu queria dizer. Me preparei para hoje, a bem da verdade foi ontem, onde minha filha me colocou para dormir antes de eu fechar as tarefas do dia. Tinha me planejado escrever sobre essa coisa de celebrar 9 anos, de olhar o processo e reafirmar a sua importância, perceber o quanto cada encontro e gravação narram um boa história, com aprendizados, escuta, sorrisos, arte, afeto e participação, pois nenhum processo é só. E sou muito grata por cada atravessamento. O universo sempre me foi muito justo, sempre que o que foi tirado, de outra forma foi reposto e mesmo as mais intensas dores da vida, que não se engane, não precisam ser tristezas, podem ser só uma dor, que sentimos, observamos, investigamos, tratamos e curamos. Talvez ainda não consigamos ver as feridas da alma com a mesma frieza que supostamente vemos as do corpo, que quando não frutos de um acidente, normalmente são já a alma clamando por socorro. E porque falo de alma ferida em meio ao texto de celebração que já começou todo coisado e que escrevo às 3 e pouco da manhã na companhia de Clarice Lispector (a gata).

Falo de saúde mental, talvez exatamente por isso. Me pergunto o que me acordou e me motivou a estar agora aqui sentada escrevendo, ao invés de estar dormido Talvez porque o sono regenere meu corpo, mas é a escrita que libera minha alma. Minha racionalidade não alcança, só me relaciono com ela pelas emoções e só me entendo, escrevendo. Pois as palavras ditas depois de pronunciadas me parecem todas embaralhadas, e não tenho qualquer garantia sobre o que foi de fato comunicado. Isso também deve ter haver com o fato de que escrevendo, há uma intensidade, pois é só um canal. Sei lá. Sei que minha memória universal integral sabe muito mais do que penso , mas ao perceber sempre sei tão pouco.

E lá se foram 9 anos, começamos agora a escrever a história desse décimo ano. E algumas coisas precisam ser ditas já. Para quem digo? Neste momento para mim, e se compartilho é para que a cada pessoa que leia, eu seja lembrada desse momento em que lembrei das coisas óbvias e importantes que eu já sabia

Meu Lugar Sou Eu – assim moro em mim. Aprendi isso com a vida e com a liberdade das não prioridades. se não faço parte do bando, não há porque seguir suas leis.

Sou uma urbana que gosta de silêncio. Sou uma nômade inveterada, que depois de muito tempo no mesmo lugar, precisa alterá-lo.

Amo o colorido. E mudo minha cor preferida de acordo com o meu bem prazer, pois gosto de todas.

Todas as contradições me habitam.

Amo gente, mas peço todas as noites por distâncias saudáveis. E tenho medo e fascínio pela multidão e conheço na pele e assim, na memória corporal a repudia das massas contrariadas e estimuladas à violência. E se o bando faz juntos, por maior que seja a agressão, rapidamente arrumam um culpado, para que pareça uma unidade. Olhemos a história. Ainda temos uma tremenda dificuldade em assumir que somos todes luz e sombra e é possível que exista um conceito, mas para mim é só esse distanciamento de nós a que somos induzidos desde o nascimento. E as tais expectativas geradas sobre nós é devastador quando não cabemos nelas, pois nos sentimos frustrados por destruir os sonhos de alguém, sem atentarmos que tudo bem, pois se trata das nossas vidas.

Falo dessas contradições todas porque elas nos abrigam, e em mim fazem absoluta morada e poderia neste agora contar umas boas histórias do que tenho vivido em emoções e respirações. Hoje ouvi uma briga dos vizinhos, minha filha teve medo e eu agradeci por cada escolha feita até aqui e por poder sem qualquer culpa aparente largar todos os “äfazeres” para ficar agarradinha com minha filha em paz, dando-lhe segurança. Estamos falando de um super gatilho? Estamos! Mas, que não me fisgou, não dessa vez, pois o amor tem um dom supremo de cura. E as memórias não se vão, mas as dores quando “resolvidas”, me parece que sim.

Voltando a esse Lugar ArteVistas, esse coletivo de seres que se desconhecem e hoje em parte por pura falta de interesse, curiosidade ou algo assim. E tudo bem. Pois creio mesmo nesse coletivo de indivíduos, que por hora ainda tem a mim como um fio condutor, mas essa engrenagem vai funcionar de modo fluido e sistemático, a partir das responsabilidades de cada indivíduo ou semi-grupo organizacional. É um sonho de fácil realização? Não. Mas, sou dessas que sonha. Gente! Sonho muito e se eu conseguisse pôr em prática pelo menos parte desses sonhos viveríamos em um lugar mais convivível, de certo. hihihi

Mas, vou tentar focar apesar do desejo de seguir com dedos soltos e fluidos no teclado, determinando por vontade própria e em uma velocidade que hoje quase me orgulha, deslizam e registram letras na tela. – Acho mais poética a escrita no papel, mas mais difícil de guardar no lixo das memórias. Tenho um caixote de memórias escritas a mão. Hoje temos um blog e o que era só meu pode também te alcançar. E vivemos juntes a emoção ilusória, eu de ser compreendida e você que me lê de me entender. Mas, acho massa.

Nesses encontros de vivências sem leituras humanas e expectativas tenho conhecido muitos ArteVistas e neste Lugar ArteVistas aprendendo tanto, tanto.

Na quarta passada teríamos encontro Arte na favela, mas Izabel Lima ficou sem internet, mas foi massa poder conversar um pouco com Cintia Sant’anna. Mês que vem nos reencontramos.

Quinta teve Conversa Entre Nós com Silvia Helena, que recebeu Glauber Filho com quem fiz a ponta da ponta de um filme – As Mães de Chico, Leo Suricate que já me tirou bons risos e que neste papos mexeu com meu coração e vai mexer com o seu se você apertar o play pra você. E encontrei Camilinho, Camiloco, esse cara massa com quem trabalhei na TV União lá no começo da faculdade de jornalismo.

Na sexta Marta Aurélia conversou com Carri Costa que quem conhece sabe o quanto é um ArteVista querido e engajado no seu trabalho de ser e propor teatro para a cidade de Fortaleza. E o Teatro da Praia conta com a sua colaboração.

Domingo celebramos 9 anos de caminhada, tivemos Até o Caroço com uma temática que amamos que é o veganismo, nesse encontro com Kerla e a turma do Occa Cultura Alimentar.

Na segunda teve Arte Onde Estiver e a conversa foi linda e cheia de bem querer a japa linda e inspiradora que vive em si e distribuir afeto onde passa Chris Ayumi, a bailarina da nossa primeira vinheta. Mas também com Bruno dlx, que realiza o Festival do Passinho dentre outras ações e que tem um brilho nos olhos necessário para nos manter na luta com dedicação. E Fernando Dantas que me inspira diariamente, ele e sua esposa são a representação de um amor profundo que eu já tinha visto de longe, mas que poder conhecer mais de perto é um privilégio e que juntos fazem a Associação Anjo Rafael e se oferecem a esses seres que somos com um amor e entrega missionária.

E neste terça teve MIrabilia pra eu tá linda nele treinando meu portunhol com maestria, mas a internet, ou a ausência dela não me permitiram, mas vou assistir já já e você vem também ouvir desses contos de fogueira. 

Tivemos outras emoções, mas conto no próximo texto, porque já são 4 horas e minha filha vai já acordar e Kitah que tá em Portugal já que coloca o texto dela na quarta.

E se é quarta tem estreia de episódio da Lugar ArteVistas – gravada no Poço da Draga, onde conversamos com Estevão, Doug, Dinha e Pirata.

Bela vida!

E se liguem nos textos desse blog lindimais!

Minha cidade Eu

Por Roberta Bonfim

Sou filha da terra sol, Fortaleza. Terra de belas praias e mesmo quando a cidade ainda não se relacionava com ela, e nem o turismo tinha ainda entendido como melhor vê-la e eu já estava caminhando entre as dunas a caminho do mar para ficar por horas ali na areia com a minha imaginação e toda a natureza que me rodeava. Podia ser também na praia do lido, na beira mar, porto das dunas, barra do ceará, nas pocinhas da hoje vila do mar.

Assim cresci, na areia perto do mar e com as dunas que se movimentam guiadas pelo vento fui aprendendo a sentir e perceber a cidade de Fortaleza que tudo já teve e já não tem. É que aqui tem ventos fortes e somos grãos de areia.

Olhar essas fotos é perceber que a Praia do Futuro abraçava seu nome na minha infância e junto com ela hoje somos presentes repletas de questões. Fortaleza é minha cidade e juntas estamos em permanente transformação. 

Começo me expospondo porque foi o que solicitei aos meus companheiros de grupo de estudo sobre cidade e coletividade, mas também por que semana passada dei entrevista para Marta Aurélia e foi um papo lindo, mas me expus um bucado, já pensei em apagar, mas fui ver as visualizações e só 28 contando comigo viram então pode ficar lá como mais um rico capítulo desse Lugar ArteVistas. Mas, se chegar até aqui e quiser saber como e porque estamos clica que falei mais que a boca.

Na quinta tivemos retorno dela a nossa ArteVista do Conversa entre Nós Silvia Helena que voltou linda e arrasante falando sobre movimento e dança.

E no sábado Ivina Passos conversou com o TIC Festival e eu me emocionei muito com Emídio e com as voltas que a vida nos permite viver sem sair do lugar.

E logo menos tem estreia de mais um papo necessário entre Cris Cordeiro, Marcelo Muz, Mariana Castro e Valéria que leva a refletir sobre todas as agressividades cotidianas que vivemos e fazemos. 

e se inscreve no canal que cada dia é uma maravilha nova!

Abraços silenciosos

Dor física ou dor na alma, qual delas machuca mais?

Quando fraturei gravemente o tornozelo durante um treino aeróbico, cheguei a desmaiar de tanta dor. Nos quinze dias que se seguiram à cirurgia de urgência, só consegui tirar breves cochilos. Foram sete meses muito difíceis até a completa reabilitação.

Relembro esse fato por dois motivos: nesse próximo domingo completam dois anos do ocorrido; e por mais doloroso que tenha sido, não se compara à dor profunda pela perda, no ano seguinte, da minha única e querida irmã para a COVID-19.

A dor na alma, essa parece que nunca passa. Ainda mais quando potencializada pelo luto coletivo que ora vivemos, pela inépcia e escárnio do poder público central frente à pandemia, o inadmissível adiamento na compra de vacinas e o consequente atraso na imunização da população.

Embora incomparáveis, ambas são dores que, no primeiro instante, parecem insuperáveis, mas vou me esquivar aqui de falar somente em superação. Porque antes de superar qualquer dor, é necessário ser acolhido nessa dor.

Quando se está sob intenso sofrimento – físico ou espiritual –, tudo o que não se quer ouvir é que “vai passar”, expressão até simpática mas que pode denotar indiferença à dor alheia. É como se lhe dissessem: “Pare de se lastimar, você não é o único ser que sofre”. Desfiar experiências similares superadas – na maioria das vezes, muito mais graves – também não vai ajudar a quem sofre. No fundo, todos sabemos que tudo passa, que nada é para sempre, nem as coisas ruins nem as boas. Mas apressar o processo para quê? Não existe vida sem sofrimento e cada pessoa tem seu próprio tempo e modo de reagir a ele.

Dizem que o sofrimento contribui para o crescimento humano [e deve ser mesmo], como inúmeros outros sentimentos também contribuem, mas eu prefiro enxergá-lo apenas como natural à existência. É preciso, portanto, parar de negá-lo. Só assim seremos capazes de enfrentá-lo e superá-lo no momento certo.

Enfim, se você não é especialista em comportamento – como também não o sou –, ao se deparar com as dores de alguém, apenas o acolha em silêncio, com um abraço, sem comentários ou julgamentos.

Então…

Por Roberta Bonfim

Então…

Estou no vazio do exesso.

Não encontro palavras então vou só compartilhar momentos.

Marta Aurélia conversa com Silvânia de Deus esse papo de Divas é belo e potente. E eu coloquei o nome da mulher errado, mas revisei a tempo. E hoje mais que antes desejo ser a mulher que pode vestir Sil. E você tem peça com seu nome?

E ontem conversamos com esses seres encantados. Tão lindo!

E esse blog é tão lindo com tantas lindezas. Gratidão.

Plantar um filho, escrever em uma árvore e ter um livro

Por Leila Castro

Digo-lhes: é preciso ter caos dentro de vocês mesmos, a fim de dar à luz uma estrela dançante”. (Nietzsche) 

A parede da paixão, manchada de vinho, bebida do Deus Baco, da Grécia antiga, mais um dos grandes mitos da história, mais uma das questões as quais não temos respostas e nem, se quer conhecemos as perguntas certas. Elas existem? 

. A mancha lembra sangue, dor, morte, mas é apenas a prova de um crime sem bandidos, nem mocinhos. Lembro da parede olhando para mim de forma reprovativa, culpando-me pelo o fato de eu tê-la tirado do senso comum, e isso tivesse acabado com sua vida. – Como se, isso fosse possível. Agora, no entanto, olha-me em tom de agradecimento, tornou-se única, ganhou personalidade e força, parece-me mais viva e alegre. Fiquei feliz ao vê-la.  Fico feliz sempre que há vejo.

  Os cacos no chão brilhavam refletindo a luz do sol, mas ainda traziam consigo a memória da noite anterior; felizmente, não guardavam rancor de mim, perceberam-se livres. Era por fim, cada um por si e o sol por todos. Peguei a vassoura para juntá-los e pude ver alguns pequenos fugitivos buscando seu lugar no mundo, ignorando o meu desejo de tirá-los dali. Ou será que não queriam partir por ainda crer que poderiam unir-se outra vez? Devia ter perguntado, mas isso só me veio agora quando ainda vejo alguns vidrinhos fugitivos. Um logo ali, em baixo da minha espreguiçadeira.

Se minha confortável cadeira falasse, ela agradeceria por tanta atenção, mas certamente iria pedir que eu a desse uma folga vez por outra, afinal ela não gosta de ter sempre a responsabilidade por meu conforto, isso pode ser um fardo muito pesado. Tentarei enfim, olhar outras cadeiras. Comprarei também uma bela cama, assim como um quadro para minha parede exclusiva, com quem cresci junto. Vou fazer uma faxina na vida e montar finalmente um lar. É hora de criar raízes, plantar frutos específicos, conquistar amigos presentes, sem ter de dizer adeus a todo instante. Talvez eu tenha um filho, quem sabe até um marido, o que não será difícil já que sempre tive muitos admiradores. Também plantarei uma árvore e escreverei um livro. Ou não seria melhor; Plantar um filho, escrever em uma árvore e ter um livro. Ou ainda, Plantar um livro, Escrever um filho e ter uma árvore. Tão pouco sei sobre o que quero. 

Lembrei-me de algum ditado… Acho que é chinês, que diz: “Não sei para onde estou indo, mas sei que vou?”. Não tenho certeza se é assim, mas é isso.

Meus pensamentos bem elaborados e utópicos, sobre o futuro, que já me bate a porta, me divertem.  

– Ai! Ai! A esperança nos preenche ou consome? 

O sol forte incomoda-me ainda um pouco, mas sei que irei contornar essa situação também, a questão agora é saber onde plantar raízes. Aqui ou em outro lugar, pode ser qualquer um. 

Sempre gostei de praia, as ondas do mar batendo nas pedras mudando as coisas de lugar, crianças correndo e sorrindo jogando a água pra cima. -Seria interessante morar em uma praia. Pisar na areia todas as manhãs, olhar o sol nascer, sentir a brisa batendo no meu rosto. Ao pensar nisso chego a fechar os olhos e consigo sentir o vento em meus cabelos… – No geral é o ventilador velho que levo sempre comigo aonde vou e que permanece sempre ligado, no entanto, é possível deixar-me levar pela imaginação e chego a andar em pensamento sobre os pequenos cristais gratuitos da natureza, a areia molhada pelo mar azul. Vendo-me refletida no chão, logo abaixo de mim.  – É sério! Consigo sentir!

Foto por Jill Burrow em Pexels.com

Definitivamente, quero e vou morar no litoral. Algum dia, talvez. Travo-me em um primeiro momento, mas meu corpo segue até o computador e quando dou conta já estou procurando cidades litorâneas, é preciso que sejam capitais, para facilitar na busca por um bom emprego e não passar fome, afinal se aprendi algo bem nessa vida, foi a gastar dinheiro. Nossa! Como faço isso com perfeição e rapidez. 

Mas não devo a ninguém! – Diz o meu cérebro antes mesmo que eu termine o pensamento. 

Tanto é o medo do julgamento dos outros que fazemos isso primeiro, nos julgamos, sem nem mesmo curtir o momento do prazer. Como somos cruéis conosco. Se, trabalhamos, e eu bem trabalho e ganho meu dinheiro; dessa forma posso e devo gastá-lo. É meu e foi conquistado para me satisfazer, não o contrário.

 – Sei disso, e ainda sim me justifico

E você tem se justificado muito? Me conta!

Coisa de Amor

Por Roberta Bonfim

Hoje é terça-feira e eu estou só a farofa, e inventando mais o que fazer, como um descompasso compulsivo sigo inventando novas missões. Felizmente a filha tá na casa da Vó, e eu ainda sim sobrecarregada, pensando sobre esse todo que nos tornamos enquanto Lugar ArteVistas, e somos duros e independentes, de modo que apesar dos muitos braços sigo com acúmulo de funções. Tento me perguntado cotidianamente porque? Pra que? Faz uns anos que essas questões me assolam, e venho buscando enraizar e se hoje existimos é parte significante porque o Poço da Draga nos deu um real motivo para existirmos, quando nos recebeu tão bem e nos fazem sentir de casa.

Sinto saudades de andar por lá de modo mais frequente, mas trabalhamos com o que temos com o que é possível no momento. Então no momento temos a nova temporada da revista que tá linda e no último papo conversamos com os ArteVistas Gustavo Luz, Sérgio Rocha e as maravilhosas Izabel e Marilac Lima, da ONG Velamar. 

Aproveita, assiste e se inscreve no canal.

Em maio o programa tá lindo e será aprofundado com Serginho e que chega para embelezar é Dinha, se liga que o programa sobe depois da live de aniversário do Poço da Draga.

Na quarta sem ser amanhã a outra, no dia 05 de maio, teremos a estreia do Poço de Afetos, com apresentação de Sabrina Lima, uma Filha do Poço. E a estreia vai ser um papo com Samir, estudante de educação física, que arrasa muito no salto da Ponte Metálica e como Sabrina é um Filho do Poço. Assumo que estou especialmente feliz com esse programa que é a realização de um sonho. E aproveito para agradecer Sabrina e ao Poço pela alegria e confiança de trocar ideias juntes. 

E se constrói a Escuta Poço onde psicólogos fazem atendimento com os interessados do Poço, estão responsáveis pela organização e melhor funcionamento da escuta , a psicóloga e apresentadora Silvia Helena e Izabel Lima da ONG Velumar, com parcerias incríveis e necessárias. 

Seguimos chamando a todes a colaborar com o Poço da Draga, esse lugar incrível que tanto amamos e admiramos e você pode contribuir com cestas básicas, quentinhas, afeto e boas energias. Você pode também apoiar 20 famílias chefiadas por mulheres com crianças e/ou idosos, com 180,00 reais por mês por quatro meses. Você pode apoiar integralmente uma família, como pode depositar qualquer valor na conta de Izabel Lima da ONG Vela Mar, que ela com apoio nosso e da turma linda do Ser Ponte organiza tudo para que esse apoio chegue a quem mais precisa nesse momento. Seja parte desse movimento apoie o Poço da Draga e como nos aqui seja um ArteVista e abrace esse Lugar de arte e afetos.

Muito amor pelo Poço que é razão motivadora, mais potente. Mas não posso negar que vivo e vibro a cada novo texto, quanto aprendo, tantos somos, e tem o canal, como a cada semana sou apreendida por ArteVistas encantades e sigo vivendo nessa frequência da arte em atividade. 

Grata!

Será?

Por Roberta Bonfim

Um texto é mesmo isso, né? Uma sopa de letrinhas que se misturam e se separam ao seu bel prazer e o escritor, inflado de sua pretensão e desejo pela possa crer que são deles as palavras que se formam sós, apenas usando-o como instrumento. Será?

E as canções, serão inspirações ou sopros do universo que ritmam os espaços, enchendo-os de sons e também de ruídos, a fim de nos salvar e enlouquecer, ao mesmo tempo. Mas, especialmente a música nos possibilitar falar, os ruídos nos libertam. Será?

As pinturas, certamente são a reprodução do visto, como presente externo aos olhos, ou nas viagens mentais sobre essas memórias que desconhecemos e nos visitam vez ou outra e que os de trações mais seguros arriscam desenhar. Será?

A dança é movimento e há movimento em tudo. Pois gente, tenho uma coisa para avisar, e espero que se te for um surpresa você assista a vários episódios do canal Lugar ArteVistas, para ser lembrado do que já sabe. De que a terra é redonda e em movimento permanente de translação e rotação. Será?

Será? Que no passado, já foi. No presente é, e no futuro… Será? Será que após o que vivemos estaremos para viver o será? E será que se não nos unirmos estaremos fadados a sermos os que foram e já não são? E então?

E como será que seria se de repente fossemos todes tomades por uma vontade sem fim de cuidar de si, talvez, se aprendêssemos a verdadeiramente nos cuidarmos com a atenção que merecemos, talvez, conseguíssemos cuidar do outro e que é também parte do mesmo todo que me me constitui e a você também. Será?

E nesse lugar tivemos estreias lindas no blog e no canal, e por falar em canal depois de anos eu tive coragem de organizá-lo, ele tá lindes. Será? 

Chega confere e depois me diz o que achou.

https://www.youtube.com/channel/UCgtYvtMKZi1GlAkvhUbdiVg