Pequenos votos de Ano Novo

O ano começa e a gente aqui a fazer mil planos, votos e promessas.

Promessas me lembram logo a privação de guloseimas e vaidades empenhada por alguns a fim de alcançarem uma graça ou aproximarem-se do divino.

Reconheço que a intenção declarada é das melhores, mas desculpem se não boto muita fé na sua força transformadora, no sentido de tornarem o mundo um lugar mais solidário e humanista.

Por que não substituir o sacrifício de abster-se de chocolates, doces, vinhos, cervejinhas, esmalte, maquiagem ou bijus, por atitudes que promovam uma real melhoria comunitária?

Eis meus singelos votos para 2022:

1. Priorizar – sempre que possível – os próprios desejos e necessidades; só podemos ajudar o próximo se estivermos bem, tipo a metáfora da máscara de oxigênio nos aviões, conhecem? (“Em caso de despressurização, coloque primeiro a sua máscara para depois auxiliar a pessoa ao lado”). Pois é!

2. Não adiar mais o curso de idiomas ou as aulas de piano, aquarela ou canto

3. Voluntariar-se em instituições de acolhimento para ler para idosos ou contar histórias para crianças, por exemplo

4. Providenciar a feira do amigo enfermo ou passear o cãozinho da vizinha idosa

5. Aprender – e multiplicar – artes manuais: costura, retalhos, crochê, fuxico ou bordado

6. Cuidar da saúde mental e física praticando esportes coletivos, como tênis ou vôlei de praia; moramos num país tropical com cerca de 7.500 quilômetros de litoral

7. Fazer um balanço dos afetos: estreitar os laços benéficos e afastar os tóxicos. Felizmente os meus primeiros ganham em disparada

8. Descartar corretamente o lixo doméstico; o reaproveitamento de objetos gera um ambiente mais sustentável

9. Reduzir todo e qualquer desperdício; comprar apenas o básico e indispensável; dar preferência a fabricantes que trabalham de forma sustentável

10. Postergar viagens de lazer para depois da pandemia; há muitas opções de diversão na nossa cidade

Já sabemos que mudanças globais partem de atos pontuais. Não carece, no entanto, renunciarmos aos pequenos prazeres da vida. Eles podem ser o fôlego que precisamos para socorrer o outro. Feliz ano!

Desafios chegam para serem vividos

Por Roberta Bonfim

Parei de enfrentar a vida já faz um tempo. Mas, tenho um ego forte, então é cotidiano o desafio de colocar o que penso debaixo do tapete a fim de não gerar um caso, de não polemizar, ou abrir mão desse papel de legal que conquistei depois de anos de piadas mal contadas, em um corpo gordinho. E olha que ainda levo de doida, ou doidinha por tá fora dos padrões. Há quem diga que sou espontânea, mas eu que sei o quanto me pondero sobre e quando falo.

Criou-se inclusive uma fama sobre mim de ser bastante chata e exigente, eu que sempre trabalhei muito mais que o meu trabalho de fato peço e provoco para que façamos mais que só a nossa parte. Mesmo porque quem define isso no contexto do existir? Quem fez essa divisão? 

Essa semana foi mais difícil do que de costume, pra começar vivi o susto da possibilidade de um incêndio. Na terça passada. Deixo aqui um texto sobre essa vivência. 

Terror nas Escadas

Ontem vivi o que eu já havia sonhado, mesmo assim o ontem mexeu comigo.

A bem da verdade como o resto da sociedade ando bem remexida por dentro e isso com o ontem me levam a pensar sobre as nossas reais prioridades!

Ontem foi só um susto! E são agoras lembranças que vou compartilhar para elas saírem de mim.

Eu já dormia, ontem tinha sido um dia de muitas demandas e emoções, coloquei minha filha pra dormir e fui com ela ao encontro de Morfeu, quando ouvi um alarme bem alto, o primeiro chamado deve ter me acordado, e eu agradeci pelo sono leve no ato. Me levantei, tentei entender do que se tratava e logo percebi que era o alarme de incêndio, vesti um short rápido, peguei a bolsa e disse as gatas que estava tudo bem e torci para que estivesse. A vizinha bateu forte na porta perguntando o que era e eu disse com uma tranquilidade assustadora que era o alarme de incêndio e que precisávamos descer. Ela saiu gritando e eu desisti de acordar Ana Luna a peguei no colo ainda sonolenta coloquei a máscara sem tirar o tapa olho e segui descendo as escadas. E foi nas escadas que senti mais uma vez a tal quebra do tempo espaço que eu havia citado de tarde e que já conhecia de outros momentos latentes da vida.

Passos rápidos na escada, minha filha acordou ainda de tapa olhos, e em movimento e ensaiou chorar e eu dizendo “Tá tudo bem meu bem! Quer que mamãe vá mais devagar? Mamãe vai! eu dizia sem alterar a velocidade dos pés que descia o mais rápido que eu conseguia eu falava lentamente, enquanto descia rápido os 14 andares. Quem passava ou saia das portas de emergência me ouviam também, ouviam algo. Eu observava e via animais correndo do suposto fogo e não sei exatamente se na hora ou no processo a memória global me traz a mente e a alma a dor da Amazônia. Pensei nos indígenas vendo suas aldeias queimadas e correndo para se manterem vivos. Os bichos correndo pela sobrevivência, abandonando seu bando para sobreviver. Pensava nisso e nas gatas que não consegui levar e isso mexeu muito comigo. Em caso de incêndio eu só salvo a mim e mais um (minha filha) . Descobri isso ontem! Havia medo descendo as escadas, senhoras, crianças, outras mães como eu carregando sua cria no colo. 

E mesmo  e apesar do meu espírito dizer que estava tudo, havia o medo entre os andares com a luz sépia. Eu buscava e não identificava o calor e isso era uma tranquilidade. 

Todos desciam correndo, ninguém falava nada. O alarme de incêndio ainda ecoa agora na minha cabeça. E o pensamento de que somos bichos muito indefesos e amamos a vida! Mesmo com medo da possibilidade do fogo quase todes estavam de máscara. O que comprova a rapidez do pensamento e nossa capacidade auto defesa.

E por aqui em mim o que fica e reverbera é a relação com a prioridade, e sobre o que de fato preciso. 

Compartilho esse texto pois precisei dele para perceber e aceitar que foi só um susto e tudo segue. Amém!

………

Na quarta tivemos a estreia linda do Poço de Afetos com Sabrina Lima e Pedro Sami em um papo cheio de afeto e responsabilidades pelo Poço da Draga. 

Na quinta não tivemos Conversa Entre Nós, Silvia Helena que o apresenta tá precisando ficar off e desmarcamos mais até que ela volte vou ficar recepcionando seus convidados.E a sexta foi cheia de emoção. Dinha deixou sua linda arte como presente às Mães do Poço da Draga. Conseguimos também fazer as entregas às 10 famílias apoiadas, E você pode apoiar também.

De noite entrou o papo com o maravilhoso Nirton Venâncio, falando sobre o Pessoal do Ceará , poesia, histórias da cidade. papo maravilhoso como bem gosta Marta Aurélia.

No sábado teve Mentalizando Mapas Culturais com a apresentadora, a mais coisada desse canal, Ivina Passos é inspiração e recebeu o Cosmo e o Festival Galhofo. E foi um doce encontro de relações e boas histórias.

O domingo foi dia das mães e estreamos o programa com mais sabor do canal. Até o Caroço apresentado por Kerla Alencar, com a parceria da Occa Cultura Alimentar para conversar com cozinheiras autodidatas que amam a cozinha. E foi incrível começar com histórias do São Sebastião.

Ontem tive a missão de apresentar a Lugar ArteVistas e consegui, em partes, eu acho. E não estou certa se me fiz entender. Mas, ouvi coisas bonitas e sou grata pela chance de poder tentar apresentar. Ontem também tive um papo potente com Beto Lemos, João Furtado e Pedro Orlando. E foi incrível. Sai renovada para mais uma semana.

E ainda teve a Materna – um papo sobre maternidade com Alana Alencar, que deixou seu texto aqui neste blog que tá cada vez mais lindo e potente. 

E vamos que vamos que agora preciso entrar no grupo de estudo.

Quantos vivem em ti?

Não havia tempo 

Já é hora.

Esperar não é fazer

Mas, hoje já não quero correr,

Nem deixar de fazer.

É que sou, 

Somos

Feitos desses tantos, 

Penso.

Entendi faz tempo que além do meu quase permanente desejo de solidão, quando estou junto gosto de tá junto. 

E aqui nesse lugar ArteVistas somos tantos, e tão queridos e sou tão grata e feliz por cada um.  

Tenho tanto a dizer mas escrever é também se deixar ir, e ando precisando me poupar para fruir em outros lugares.

Logo retomo com mais palavras e sentimentos para compartilhar. Grata!