CULTURA DO ESTUPRO

E se alguém revelar a narrativa segundo a qual, de alguma forma, todos nós já fizemos parte da cultura do estupro?

Como mulher, numa festa, alguém já falou que “com esse decote, você vai pegar geral”? Que “com saia curta, você está dando mole”? E que “bebendo muito, vai dar pra quem quiser”?

Já escutaram de uma amiga ou da própria mãe, que, “se o marido quiser sexo e você disser não, ele vai buscar na rua”? Pois é… essa é a triste realidade dessa cultura.

Cultura do estupro é a lógica que diz que o estupro contra a mulher pode ser justificado, através do seu comportamento e da cultura, da educação que tivemos. É quando se diz que: :homem pode tudo mas, para mulher, nem tudo lhe convém”.

Só para que a gente entenda como funciona essa cultura, ela nada mais é, senão o ambiente que incentiva a banalização da violência de gênero contar a mulher. É a objetificação do seu corpo.

É aquela historinha de colocar uma mulher com corpo escultural de biquíni, para fazer propaganda de bebida, a novela do horário nobre encenando um homem branco, rico, bom pai, bom marido, tendo caso com garotinhas.

Tudo isso é campo fértil, minado e programado, para o surgimento de abusadores e estupradores, como esse caso hediondo e inimaginável a que sofreu essa mulher num momento de total vulnerabilidade feminina.

Pensar que poderia ser qualquer uma de nós, QUALQUER UMA, naquela mesa de parto. Exatamente, a vítima estava parindo, no mesmo momento em que sofria um estupro, uma violência inominável.

Choro por ela, choro por todas nós, que NÃO TEMOS UM ÚNICO DIA DE PAZ.

Choro por nossas crianças, choro por essa sociedade doente. Me revolto, tenho medo, mas não podemos permitir que esse medo, nos paralize. Precisamos falar sobre isso, precisamos tomar providências, precisamos de justiça.

Mas, muito antes disso, necessitamos acabar com a cultura do estupro, educar nossos filhos para respeitarem as mulheres, seu corpo e suas escolhas. Acabar com o machismo. E falar sobre educação sexual em casa e nas escolas.

Precisamos empoderar mulheres!

Precisamos salvar-nos dessa sociedade machista e misógina.
Uma mulher foi estuprada enquanto estava parindo, por um médico. Vocês entenderam onde chegamos?

Digo e repito: não é a nossa roupa, não é por causa do horário, se estamos sozinhas ou acompanhadas, ou o local que frequentamos.

É SOBRE A CULTURA DO ESTUPRO, e está tudo muito mal.

Desmistificando o feminismo

Nós, mulheres, existimos! “Existimos, mas a que será que se destina?”
Existimos para quê? Para assegurar a perpetuação da espécie? Para casar, criar e educar os filhos? Poupem-nos de tão limitado destino!
Nascemos para ser o que somos e sermos muito mais! Ser tudo quanto pudermos e quisermos, ser. Somos para ser e viver!
Vamos começar falando o que não é feminismo: não é simbologia de mulher mal amada, não é mulher que odeia homem, nem tão pouco mulher que quer ser como homem.
Feminismo é um movimento emancipacionista, nascido no século XIX, que tem socialmente como principal característica a luta pela igualdade de gênero entre homens e mulheres, no âmbito do trabalho, dos direitos civis, da justiça. Prevê a participação da mulher de forma efetiva na sociedade e na política. Com paridade de salários, quando ocupam os mesmos cargos e funções que os homens, o incentivo para exercer cargos políticos e em profissões que são desempenhadas, majoritariamente, por homens.
Precisamos normalizar a presença da mulher onde ela quiser, sem sermos constrangidas com piadas machistas ou comentários que nos menosprezam. Parar de enxergar a mulher como um objeto de prazer ou defini-la pelo tamanho da bunda ou do decote.
Faz-se necessário empoderar mulheres, desde a educação básica, ainda na infância, para que cresçam, seguras, fortes e livres de preconceito, com visão de futuro para além da maternidade, do casamento, dos cuidados domésticos e com os filhos.
É preciso empoderar as mulheres nas escolhas. Cada uma de nós com a prerrogativa de escolher, ser e fazer o que quiser. Livre das pressões sociais, dos padrões do patriarcado, em que elas têm que casar e ter filhos, caso contrário, não serão vistas como pessoas bem sucedidas.
Somos mulheres, somos multidão. Somos múltiplas, com realidades bem diferentes, educação, meio social, orientação sexual e pensamentos distintos, mas com o desejo comum de sermos aceitas, respeitadas e livres.
Mais didático, impossível!

Estranha seria a derrota

Vamos, após decantar, falar do BBB, sim! Ou melhor, vamos falar da final e debulhar a vitória do Arthur.
Alguém tem ideia do ocorrido? Consegue imaginar, ou suspeita, de alguma lógica e do real motivo desse desfecho?

Ok! Ele seguiu à risca o objetivo do programa, foi jogador e estrategista, manipulou, dentro e fora da casa…

Pois, vou arriscar dizer-vos que a resposta é simples e que ela é jogada em nossa cara diariamente: porque vivemos numa sociedade patriarcal, machista e misógina. E o Arthur é a cópia fiel disso tudo. Cara de bom moço, inteligente, macho alfa arrependido das traições conjugais, por pura falta de “amadurecimento”. É, gente, traição para o homem não é falta de caráter, não, é adolescência tardia, leve deslize, autoafirmação.

O Arthur representa toda a cultura de regalias, do manipulador de voz mansa, eterno adolescente que requer cuidados das mulheres “sobrecarregadas”, ops!, “guerreiras”, que dão todo suporte para que cheguem sempre ao pódio e ocupem o primeiro lugar.

É exatamente assim na vida das mulheres comuns, que abrem mão da carreira, abandonam faculdade, vida social, se colocam sempre em segundo plano e assumem os cuidados com os filhos para que seu parceiro, o pai do seu filho, siga com sua vida e colha vitórias, promoções e ascensão funcional.

Segue o baile para nós, mulheres. E sabe quando tudo isso vai mudar? Quando nós mudarmos primeiro. Quando deixarmos de ser pano de fundo e palco doméstico para que os homens pintem e bordem com nosso total e irrestrito apoio.

E basta de ser plateia, torcida ou escada.
Sejamos protagonistas!
Vamos subir no palco, no pódio, na mesa!
Vamos chutar o balde, soltar a voz, o grito, as amarras que nos tolhem e nos impedem de vencer!

Obs. Antes de começar o show de horrores, o teatro das ilusões, um pouco antes, ainda quando Arthur estava confinado no hotel, sua esposa descobriu outra traição… Ela poderia ter trazido os holofotes para si e acabado com a festinha dele no comecinho ainda, mas preferiu guardar sua dor, a humilhação, a vergonha e fazê-lo vencedor.

É sobre isso… E não está tudo bem.

Esse governo não me representa!

Se alguém no mundo olha para o Brasil atual, vê uma sociedade de moral adoecida.
E sentencia: o fascismo venceu, a hipocrisia reina soberana .
É inevitável não ouvir ecoar o grito do Cazuza, quando ele canta: “Brasil mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim”…
Porque fomos vencidos pela falsa sensação de segurança; passivos, deixamos sair do “armário ” preconceitos, o machismo mais primitivo, a homofobia, a misoginia e o desejo masoquista de escravizar o outro para nosso bel- prazer.
Deixamos claro nossa necessidade mesquinha de : justiça com as próprias mãos. Nos deixamos levar pela desculpa esfarrapada do: ” sou antipetista”.
Me poupe, se poupe e nos poupe.
Discordo com veemência da célebre frase: ” cada povo tem o governo que merece”… Não merecemos esse governo doente e fascista. Egos inflados, ausência absoluta de empatia, falso moralismo e egoísmo, não fazem um bom governo.
O que me conforta é saber que o tempo todo eu (e os meus) estávamos do lado certo da história, que não compactuei com o fim da nossa Democracia, nem com o fim dos direitos das minorias, não ajudei a destruir o sonho do filho da empregada doméstica de virar “doutor” . Nem me incomodei em dividir a poltrona do avião com o zelador do meu prédio…
Estou de luto pelo meu país e com pena do nosso povo. Desejei do fundo do meu coração estar errada e desejo mais ainda sorte para quem continua comigo nessa luta. Prometo seguir resistente, me manter firme e vigilante.
E lá vem Cazuza novamente: “grande pátria desimportante, em nenhum instante eu vou te trair. Não, não vou te trair”!
Não darei um único minuto de trégua para nossa luta por liberdade, igualdade e fraternidade.
Também por vocês, meus filhos João Pedro e João Vitor, não desistirei nunca. Como diria meu pai: ” eu envergo, mas não quebro”.
Quando “outubro chegar, saudade já não mata a gente”… E com ele venha a renovação da esperança de um governo melhor, e de um país mais justo e igualitário.
Que a máxima: governo do povo, feita pelo povo e para o povo, prevaleça.

Violência velada

Há bastante tempo, lemos, nos meios de comunicação e nas redes sociais, sobre violência contra as mulheres. Mas, não obstante a saturação, ainda é pouco, muito pouco. É pouquíssimo! Esses dias, acompanhei uma campanha muito inteligente, intitulada “Ele não te bate, mas…” Aproveitei a deixa para usar esse jargão e conversar com vocês. Pois bem! Nós, ainda, precisamos falar sobre esse assunto. E, talvez, a gente tenha mesmo que falar, falar e falar, até que entendam que, em pleno século XXI, nós, mulheres, temos o direito de sermos respeitadas, andar na rua sem ser importunadas com piadas, sem assédio na escola e no trabalho. Que, inclusive, temos direito a ocupar os mesmos cargos e receber os mesmos salários e mais uma infinidade de direitos, que nada tem a ver com a questão de gênero e, sim, com o preconceito dessa sociedade tóxica e machista.
Muito mais que falar sobre esse assunto, mostrar causas, estatísticas e formas de prevenção, se faz urgente, empoderar mulheres para não se submeter a isso. É absurdamente surpreendente, perceber que muitas mulheres ainda acham que estão sob cuidados, quando ele reclama de uma saia curta ou de um decote mais ousado.
Violência física não é a única forma de violência vivenciada por nós mulheres, não. Algumas delas são tão veladas, travestidas de supostos cuidados, “amor”, que, na maioria das vezes, temos dificuldades de identificá-las, mas que, geralmente, tem um dano psíquico tão forte que compromete nossa autoestima, autoimagem e autoconfiança.
Violência velada geralmente vem em forma de brincadeira ou uma simples “briguinha” de casal e são invasões sutis, patrocinadas normalmente por seus familiares, seu companheiro, seu chefe, colega de trabalho e que não faz uso da agressão física, mas usa e abusa da pressão psicológica, constrange, humilha e impõe o medo.
Ele nunca te bateu, mas disse que você não precisa trabalhar porque ele banca tudo. De uma maneira subliminar, o que ele está querendo dizer é que não acredita na sua capacidade de se autosustentar, que seu trabalho não é relevante, que mulher não tem que trabalhar fora, que ambiente corporativo é lugar de homens. Babaca, lugar de mulher é onde ela quiser.
Ele chegou da farra com os amigos e te forçou a fazer sexo, mas ELE NÃO TE BATEU.
Ele não te bate, mas reclama que você engordou, sugere (exige) que você emagreça, que não corte os cabelos e um monte de outras exigências, como se ele fosse dono do SEU corpo. Caso contrário, você será uma forte candidata a ser “trocada” (isso mesmo, muitas vezes, somos tratadas como objeto) por outra, dentro dos seus padrões de beleza.
Ele não te bate, mas diz que você não vai sair sozinha e exige a senha do teu celular…
Um dia ele chega estressado do trabalho, distribui gritos e grosserias, quebra coisas, te xinga, chuta o cachorro, mas ELE NÃO TE BATEU!
Quem nunca se pegou cantando, dançando, sozinha ou com uma turma de amigos, sem se dar conta dos absurdos que contém a letra de uma música? Besteira! Muitos dirão. Afff! Isso é coisa de feminista mal-amada…. Não, não é besteira. E, sim, é coisa de feminista muito cheia de amor próprio.
Prestenção! Olha o que diz a letra da música: “Vidinha de balada:”
“Vai namorar comigo, sim”… Oi? Típico autoritarismo do macho alfa. E a gente nem percebe que estamos validando esse comportamento. Se parássemos para pensar, o quão nocivo para nós, mulheres, é autorizar homens, mesmo que em tom de brincadeira, falar (cantar) legitimando essa autoridade.
“Eu vim acabar com essa sua vidinha de balada e dar outro gosto pra essa sua boca de ressaca”
Mas claro, impossível! Como se não bastasse a autoridade, eles ainda detêm a ilusão de que são donos do nosso corpo.
“Ele não te bate”… Mas quer que você acredite que essa música é só de brincadeira…

Abraços, Samya Régia.

Eu quero é botar meu bloco na rua

Esse ano não vai ser igual aquele que passou, eu não brinquei, você também não brincou…
Nós vamos brincar separados… Pela Pandemia do Coronavírus, pela H3N2, Omicron e por milhares de negacionistas desse desgoverno. Infelizmente.
Eu sou cria do carnaval de Beberibe/Morro Branco, Aracati, Iguape, Canoa Quebrada, Cascavel, Paracuru, Salvador…
Já fiz poupança um ano inteiro para garantir o carnaval, fiz dieta da moda pra não fazer feio com a fantasia, até já entrei no curso de dança para decorar direitinho as coreografias do momento. Amo esse período!
Quem nunca acordou arrependido numa quarta-feira de cinzas, de ressaca ou já fazendo planos para o carnaval do próximo ano, não curtiu o carnaval direito.
Se você não ficou rouco de tanto cantar as músicas que detestava ( que são moralmente ridículas e politicamente incorretas), surdo de curtir “paredão” e não sabe todas as coreografias da moda decoradas, você nunca esteve numa festa de carnaval.
Sim, eu desci na boquinha da garrafa, passei embaixo da corda, segurei o tchan, fiz peixinho nadando pra trás, imitei uma onda .. e se duvidar, hoje, ainda dou meus pulos kkkk
Carnaval que se preze tem que ter aglomeração, samba, suor e cervejas. Pode ser com a família, com amigos ou com a turma do trabalho. A gente pode alugar uma casa ou invadir a de um parente, mas é obrigatório fazer a “base” durante o dia, comer um bom churrasco e ensaiar as coreografias para fazer bonito na praça a noite, fantasiados ou não.
Quem nunca usou a célebre frase: ‘ se eu não lembro, eu não fiz!” Depois de emendar o “mela-mela” com a pracinha, não sabe o que é carnaval.
Se ao voltar pra casa você não estava com as roupas sujas de maizena, você curtiu tudo, menos o carnaval.
E, por fim, se você nunca inventou uma desculpa para não trabalhar na quarta-feira de cinzas, você não viveu o carnaval como deveria.
E “eu quero é botar meu bloco na rua, brincar, botar pra gemer…
Eu quero é botar meu bloco na rua, gingar, pra dar e vender”.
Mas, isso agora faz parte dos projetos para o próximo ano. Simbora, gente! Começar a poupança, a dieta, vender as milhas e refazer os planos.

Abraços,
Samya Régia.

Jogo da vida, uma fantástica aventura

Como vocês podem constatar, eu não ganhei a mega da virada…
Portanto, parte dos meus planos, que contavam com essa sacada da sorte, foram automaticamente cancelados.
Entretanto, os planos para 2022 que dependem unicamente de mim, todos eles estão mantidos e devidamente colocados no papel, minimamente detalhados, em local de fácil acesso para que eu possa visualizar sempre e acompanhar meus avanços em direção as realizações.
Estão mantidos todos os planos que dependem da minha força de vontade, da minha determinação, disciplina, perseverança, do meu suor e dedicação. Todos, absolutamente todos, estão mantidos. E só dependem de mim para que eles saiam do papel, do modo projeto, e passe para fase de execução e, consequentemente, realização.
Que saiam da fase do sonho, que é puramente subjetiva, e passe para fase de realização. E esse período, entre o sonho e a realização, nós chamamos de processo.
Processo é todo caminho que temos que percorrer para realizar algo. E esse processo é de cada indivíduo, e é único. Por isso, tem tempos de construção distintos e métodos diferentes.
Ah! Já ia esquecendo: não jogo na mega sena e em nenhum outro tipo de jogo de azar…
Aposto todas as cartas em mim mesma. Usei a “mega da virada” como exemplo figurativo .
Eu jogo mesmo, o jogo da vida! Bem mais desafiador. Com várias etapas a percorrer. Nesse jogo, uma vez por ano, são renovados créditos de 365 dias, com 24hs/dia em branco para que possamos escrever a história que escolhemos viver. E como únicos protagonistas.
Talvez essa construção não tenha a velocidade e a facilidade que para alguns planos, o dinheiro possibilita, mas o que realmente importa é o processo, o aprendizado que fica e o resultado que conseguimos com nosso esforço.
Não é a passagem de 2021 para 2022 que faz o ano ser diferente, não. É a nossa vontade de renascer, é a coragem de nos reinventar, de ressignificar desejos e fortalecer os laços com quem verdadeiramente caminha ao nosso lado.
É buscar ser a melhor versão de nós mesmos, todos os dias.
Acreditem, a semente da esperança foi plantada em solo fértil, cabe-nos agora, cuidar, regar, podar (quando necessário) e finalmente florescer.
Feliz 2022!

Dos rituais de passagem à faxina interior

Há quem diga que não vivemos esse ano de 2021… Discordo. Vivemos, sim. E, mais que viver, sobrevivemos e continuamos, em meio a essa Pandemia e aos absurdos desse desgoverno.
Vivemos e vivenciamos muitas perdas. Perdemos entes queridos, acolhemos choro de amigos, vimos muitas empresas falindo, o crescimento exponencial da miséria, da fome e do desemprego e famílias inteiras indo morar na rua, entregues à própria sorte. Nosso país voltou ao cenário da fome.
Vivemos o aumento da violência doméstica e acompanhamos disparar os índices alarmantes do feminicídio, o aumento dos divórcios e das doenças psicoemocionais.
Mas, aqui estamos! Uns mais fortes, outros machucados e todos nós com o desejo de renovar as esperanças para o ano novo.
É isso que se faz necessário agora. Pegar papel e caneta e traçar novos planos, anotar desejos e metas. Materializar sonhos e aspirações de um mundo melhor, justo e feliz.
O que eu desejo e o que me proponho realizar, nem sempre estão na mesma sintonia.
Meu desejo é livre… Mas, ele, por si só, não basta. A realização do desejo está, intrinsicamente, ligado a energia que eu coloco para realizá-lo, as escolhas que vou precisar fazer e o “preço” que vou ter que pagar, por cada troca ou renúncia. Não adianta, por exemplo, querer ter mais saúde, se você não está disposto a se cuidar. Melhorar alimentação, fazer exercícios físicos, cuidar da sua saúde mental, entende?
Final do ano tem dessas coisas… Apesar de saber que sempre é tempo para recomeçar, o final do ano, encerra um ciclo de 365 dias.
E agora, zera tudo e temos mais 365 oportunidades para fazer e acontecer as mudanças que desejamos.
Chegou a hora dos rituais de passagem… De preparar a casa, esvaziar gavetas, tirar o que não usa mais dos guarda-roupas, fazer a energia circular. Desapegar.
Momento de fazer também a faxina interna, limpar o corpo e a mente para esse novo momento. Afastar os pensamentos negativos, ressignificar mágoas. Momento de perdoar. Deixar o passado, no passado e seguir mais leve, com coragem e confiança.
E, como dizia o sábio poeta Gonzaguinha:
“Fé na vida, fé no homem, fé no que virá… Nós podemos tudo, nós podemos mais, vamos lá fazer o que será”!

Feliz Natal!
Um ano novo cheio de boas surpresas e repleto de maravilhosas realizações.
Abraços, Samya Régia Antero

Num dia a gente chega, no outro vai embora…

Gente, vamos pensar um pouquinho, juntos?
Nessa fatalidade ocorrida com o vôo que ocasionou a morte precoce da cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas, todos nós paramos para pensar um pouco em nossas vidas. Na urgência de viver. Poderíamos aproveitar a consciência que emerge dessa dor coletiva e usá-la como gatilho para refletir sobre nossos comportamentos e atitudes de dois polos distintos: a procrastinação (no sentido real da palavra, no qual temos o péssimo hábito de adiar tudo) e o agora.
A morte do outro nos mobiliza, a gente morre um pouco, também…
E, neste caso, a morte de uma figura pública, jovem, com 26 anos de muitos sonhos e realizações, talentosa, com uma legião de fãs, falando a língua desses dezenas de milhões, nos leva ao luto coletivo.
A dor que dói no outro, dói em mim também.
Dói em mim como mulher, como mãe, como filha. Dói em mim pela juventude interrompida, como também doeu e dói a morte de milhares de jovens, vítimas de balas perdidas, das mulheres perdidas para o alfa feminicídio, da misoginia e de todos os preconceitos, das atrocidades e das 612 mil vidas perdidas deste desgoverno.
Viver esse luto por pessoas que não fazem parte do nosso “mundo” particular, nos traz uma sensação de solidariedade, fraternidade, irmandade, e porque não dizer que essa dor nos torna mais humanos?
Por um instante, pensamos em nossas vidas, em quantas coisas deixamos para depois, acreditando unicamente na imprevisibilidade do amanhã, do mais tarde… E nos pegamos fazendo juras e promessas cheias de urgências de: viver o hoje, de dizer que ama, de resgatar um projeto esquecido no fundo da gaveta e tantas outras coisas que ficaram adormecidas com a falsa promessa do depois.
E aí, não tem como fugir do clichê: a vida é um sopro! É agora! Hoje! No presente, único lugar em que é possível realizar sonhos, projetos e aspirações, porque o ontem é passado e o amanhã … Ah! O amanhã, a gente nem sabe se vem (chega).
Mas, se faz necessário o mas… “é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre”… E acima de tudo é preciso ter cALMA.
No nosso tempo, sem pressa, sem atropelos, sem nos violentar. Respeitando nossos limites. Sem emergência e sem imediatismos.
Um passo de cada vez.
E tá tudo bem!

Por trás de toda “guerreira”, existe uma mulher sobrecarregada.

Chamar uma mulher de guerreira não pode ser um elogio oculto sob a intenção de romantizar o sofrimento feminino.
Na Pandemia, nós mulheres, acumulamos não somente preocupações com o período, mas principalmente muito trabalho, gerando uma extraordinária sobrecarga emocional e comprometendo a nossa saúde mental.
Por causa da educação machista a que fomos submetidas e das crenças limitantes de que “somos as rainhas do lar”, “cuidadoras natas”, a distribuição das tarefas domésticas, além dos cuidados com os filhos, a administração doméstica e todos os fardos cotidianos, couberam e cabem a nós, mulheres. Que ainda temos (acreditem) uma vida pessoal para cuidar e uma carreira, fora (ou dentro) de casa.
Sabe quem é a “guerreira”? É aquela mulher que tem sono acumulado porque só dorme depois de dar conta (do almoço, etc.) do dia seguinte, ter colocado roupa na máquina de lavar e arrumar a mochila do pequeno para deixar na escola.
“Guerreira” é aquela mulher que sai correndo do trabalho para passar no supermercado, antes de buscar o filho na escola… a que acorda na madrugada, prepara o café de toda a família, leva o cachorro para passear, estende as roupas no varal e corre para deixar o filho na escola às pressas, para chegar um pouco mais cedo no trabalho e conseguir tomar seu café da manhã, antes de iniciar suas obrigações.
Mulheres, FUJAM DESSE TÍTULO! Repreendam, renunciem, esse sabotador de vidas. Esse “título” invisível, só aprisiona, mina a nossa saúde mental e é mais uma forma, que essa sociedade machista e patriarcal encontra para nos manipular.
Nunca ficou tão claro que verbos como: cuidar, arrumar, passar, lavar, cozinhar, ensinar, brincar, eram penduricalhos de conjugação preferencial feminino.
Daí, fica mais fácil a gente imaginar como essa Pandemia tem sido muito mais severa conosco, mulheres. Chega a ser prosaico e desumano, num só tempo, conjugado.
Por trás dessa “guerreira”, há uma mulher de autoestima em baixa, triste, cansada, estressada. Há uma mulher sempre posicionada em segundo plano. Seja, você mesma, sua prioridade!
Como não conseguimos dar conta de tudo perfeitamente, ficamos de mãos dadas com a culpa. E cada vez que o almoço atrasa, o filho chora porque quer colo na hora da reunião on-line, as roupas se amontoam no cesto, nós percebemos o quanto a fantasia de “guerreira” nos cai como uma luva.
E, por causa dela, vamos honrá-la acumulando angústia, ansiedades, depressão, cansaço, estresse… num pacote de fadiga física e emocional que compromete nossa qualidade de vida e comprime nossa autoestima.
Acreditem, não existe heroísmo na sobrecarga das tarefas domésticas, na criação e educação unilateral dos filhos.
Heroísmo está em você se respeitar, em colocar limites e dizer não aos outros e sim para si mesma.
Heroísmo é você ser resistência!
E sabe quem é guerreira de verdade? A viking Lagherta e suas lendárias congêneres escudeiras no curso da História! Kkkkkk

Abraços!

Samya Régia Antero.