Vejo o Tempo Incerto

por Júlio @casamentopoetico

Dia após dia uma pergunta filosófica buberiana atravessa meu pensamento, como um relógio sem pilha na parede. Sem corda, sem força, sem propulsão para a vida. Estático, sem brio nem vigor. “O que faz com que você seja você”?

O relógio parado não marca as horas, não define o tempo, apenas se propõe a existir, semelhante a um quadro na parede.
Então, vejo o tempo incerto, de um presente estagnado, sem passado declarado, sem futuro alcançável. Estático. Mecânico. Árido e interminável é o tempo, afirmava Neruda.
Nenhum ponteiro se mexe.
Basta uma pilha e todo elã vital se recompõe, basta uma vontade de existir para que tudo se refaça, basta um mecanismo e todo movimento se renove. Marcadores, numeração, o fato de dar corda faz acordar, faz a cor dar, faz a cor de ar, invisível, intermitente, renovado. Como que vindo de dentro. Eu sou eu e as minhas circunstâncias, nos lembra Ortega y Gasset, independente se o mundo não está bem e o tempo pareça incerto, escolho estar feliz. Outra questão fundamental: por que as horas difíceis demoram a passar enquanto os momentos felizes voam ligeiramente? O poeta Virgílio aponta uma resposta plausível (ars longa, vita brevis) a vida é breve e arte longa, a oportunidade fugaz.

Covid-19 e emoções: uma relação direta

Por Daniel Hamido

Ao longo desses últimos 12 meses analisando o padrão energético do vírus
covid-19/Sars/Cov-2, pude fazer correlações importantes. Como terapeuta, procuro
encontrar padrões recorrentes assim como se fazem cientistas em suas pesquisas
acadêmicas, porém sem o rigor científico. E com estudos de casos de uma, duas,
três…. cinquenta pessoas, consegue encontrar esse padrão.


Os estudos de caso que pude fazer ao longo desses últimos 12 meses desde
quando comecei a atender pessoas em março de 2020 mostraram que quando o
padrão vibratório baixa do indivíduo- esse possui relações com algum aspecto
emocional- o estado de saúde fica comprometido. Quando o padrão vibratório
aumenta -livre de padrões vibratórios densos, mas apenas sutis- o estado de saúde fica
estabilizado. Existe um gráfico – dos mais simples- que é um dos primeiros a medir
isso. Ensino inclusive em meus cursos como a pessoa fazer a automedição de seu
campo energético.


Em radiestesia, uma técnica a qual domino há 5 anos- muito antes da covid e
pandemia- pude observar com as pessoas atendidas em formato remoto- elas em suas
casas e eu na minha- que a repetição de um elemento chamado “larva astral”. Larva
astral são consciências extrafísicas que atuam no campo energético de pessoas que
vibram em energias de baixa frequência. Elas atuam em diversos locais e setores, bem
como associando ao inconsciente coletivo daquele local. Exemplo: motéis possuem
larvas astrais específicas da promiscuidade. Nem todo mundo que vai lá é promíscuo,
mas quem vai acaba pegando um pouco dessa energia do inconsciente daquele local
que é a promiscuidade.


E assim existem larvas astrais em estádios de futebol (sim, lá também!), saunas
gays, muitos outros locais e se você não cuidar até mesmo na sua própria casa! No
próximo artigo, vamos falar sobre esses locais a mais e nos aprofundar sobre esse
tema que considero pertinente.
As larvas para atuarem precisam de um “ambiente energético” propício. Assim
como colônias de bactérias hospedeiras precisam de um Ph, glicose e outros
elementos físicos, as larvas astrais precisam desse ambiente também! Quais são esses
ambientes?

 Pouca iluminação do sol;
 Baixa vibração do pensamento (reclamações, murmurações, ressentimentos,
mágoas, raiva, ódio, vingança, medo, dúvida, insegurança, etc)
Com esses 2 elementos acima por muito tempo, fica o ambiente energético
propício para que a pessoa pegue covid-19, adoeça, agrave o caso e desencarne
fisicamente. Por quê? Por que a larva astral precisa que o padrão vibratório do
hospedeiro esteja com baixa de frequência!

Em outras palavras, não tenha receio do vírus, nem alimente ele
energeticamente com medo, nem dando poder a ele com medo que sente por ele,
nem negligenciando ele. Ele não é apenas mais um vírus. Mas também não um ser
mitológico de 7 cabeças “cavaleiro ceifador”. Ele vibra na frequência que cada
indivíduo vibra! Caso a pessoa vibre por exemplo no medo ele se “alimentará”
energeticamente desse medo e o estado de saúde irá agravar, podendo a pessoa ir até
a óbito. Já em outro cenário, caso a pessoa vibre na gratidão, no perdão, no amor, no
auto-perdão, mesmo que pegue o vírus, nada irá acontecer a você, podendo muitas
vezes ser um vírus assintomático nos moldes físicos de percepção.


Você tem 2 opções de agora em diante. Fazer de conta que não leu esse artigo
e dizer que nada disso faz sentido e “pagar o preço” da negligencia energética ou
buscar se cuidar mais da emoções, do padrão vibratório que são aspectos diretamente
associados. No próximo artigo, irei compartilhar dicas simples para que você possa ter
condições favoráveis para sua casa energética, sua morada física, seu corpo possam
vibrar de forma harmônica independente do covid bater na sua porta.

Exercícios Telepáticos

Tenho criado aranhas no meu quarto. Quando vou limpá-lo, algo que faço frequentemente, limpo suas teias, mas não as mato. Será que assim cultivo um grão de floresta perto de mim? Elas vivem no teto, atrás dos livros e entre as plantas que tenho aqui. Pergunto-me: porque elas não comem as muriçocas? Essas que passam a noite inteira em festas dionisíacas com o meu sangue, tocando suas músicas cheias de Bs e Zs. Então pensei, que podia começar a cantar junto aos seus sintetizadores naturais, talvez isso me levasse a essas farras dionisíacas em sua companhia. Será que assim teria que beber o meu próprio sangue? Uma coisa é certa, ele deve ser muito bom, gostoso e viciante, pois elas vêm “aos monte”, para me penetrar e me saborear. Essa vida na cidade é uma experiência, digamos, conflitante… não sei mais o que é sujeira, acho que estou me misturando à floresta. Às vezes, quando tenho a oportunidade, passo horas a me esfregar na areia ao observar uma formiga caminhando. Para onde ela está indo? Os biólogos ganham por essa observação. Devo ter escolhido a profissão errada, mas posso ser bióloga também, sou artista. Quando se é artista pode ser tudo! Será? Inclusive os biólogos também podem ser artistas. Estou aqui a brincar de ser bióloga, mas porque separar as coisas? Eu observo as formigas, às vezes sou picada por elas, observo as aranhas, às vezes limpo as suas teias, que aliás são suas técnicas de sobrevivência. É como se alguém destruísse o nosso supermercado. Não! Uma teia de aranha não tem nada a ver com supermercados. Talvez uma agrofloresta tenha mais a ver. Já pensou em fazer uma feira numa agrofloresta? Ela tem até organização, departamentos em cada sistema, nada parecido com as prateleiras de supermercado, um pouco mais “bagunçado”, mas nem tanto. Aqui tem café, banana, cacau e milho… Imaginando agora, eu saindo do meu prédio e, simplesmente, após um passo, acabo por entrar na floresta (agrofloresta), em um passeio pelo mato vou fazendo a minha feira, quase como que se tivesse ido a um restaurante, ao qual vou escolhendo os ingredientes e comendo-os ao mesmo tempo. Ah! Parecido como a época em que éramos caçadores-coletores, só que um pouco mais tecnológico.  Vou andando e catando algumas seriguelas, vou comendo e andando, espalhando as suas sementes pelo caminho, posso também juntá-las para plantá-las em outro lugar. De repente vejo uma manga rosa em um galho mais ao alto da mangueira, vejo um caminho que dá para subí-la, pego a manga que desejei e a chupo em cima do pé. Vejo um cacho de bananas, colho-o. Pego um pouco de café, uma jaca e alguns cacaus. Colho um pouco de feijão. Vou até a horta, pego alguns legumes. Que rua mais incrível. Sonho! Sonho! Sonho!! Imagino! Intenciono!!!! Magia pura. Hoje tenho guardado e plantado sementes. Imagino um mundo cheio de árvores frutíferas, trepadeiras subindo nas paredes dos prédios, flores nascendo dos bueiros, os bichos andando soltos. Um tigre passando se roçando em mim pedindo carinho e ao lado dele uma vaca leiteira a caminhar. As plantinhas nascem coloridas. Quando as olho, sinto o que elas estão a me dizer. Telepaticamente de alguma forma, capto o que elas estão me falando. Como o tigre e a vaca, eu começo a escutá-los. Até as aranhas estão a me falar! Volto então ao meu apartamento no quinto andar de um prédio em Fortaleza-Ce, percebo que as aranhas daqui também estão a me falar: não destrua as minhas teias, deixa eu me alimentar. Aí Krenak, realmente o nosso mundo está sendo higienizado. Minhas práticas urbanas, ampliadas com um microscópio cogumelar, podem me levar além dos meus sentidos tecnológicos, ao os fazer voltar a funcionar.

Meu texto Sobre a Existência

Por Júlio César Martins Soares

O poeta Schiller numa série de cartas sobre a Educação estética do homem enfatiza que “a natureza não trata melhor os homens do que as demais obras, age em seu lugar, onde ele não pode agir por si mesmo como inteligência livre. O que o faz homem, porém, é justamente não bastar com o que dele a natureza fez”.

No sentido estrito da arte Schiller apontar para a ideia de que “nas asas da imaginação o homem abandona os limites estreitos do presente, em que o encerra a mera animalidade, para empenhar-se por um futuro ilimitado”, onde encontra toda a busca do existir em plenitude, em toda a busca pela perfeição. Por perfeição aqui não se entende no sentido estrito da palavra e como julga o senso comum, como algo pronto e acabado, mas numa vertente em afirmar que a junção de per + facere (por+ fazer) indica-nos o caminho de verificar que é algo que está por fazer, em construção, ad aeternum, em contínuo fazimento. De que o sujeito está produzindo constantemente sua história de vida.

Noção parecida, no entanto, pode ser encontrada na afirmação heraclitiana que nos propõe uma possibilidade ainda maior no sentido de que tudo é um constante devir e um eterno vir a ser, esse pensamento aponta para o conceito de uma construção gradativa e perene, de uma fabricação permanente que renovando permanece, que constantemente se afirma e se constrói. Desta forma, retornamos aos primeiros filósofos na concepção de vida como uma luta constante, de um eterno embate de forças contrárias do finito em relação ao infinito, do uno em relação ao todo, do homem em relação à vida.

Ainda, recordo Nietzsche que afirmava a ideia do filósofo deixar ressoar em si a consonância do mundo, para então extraí-lo em conceitos tornando-se contemplativo como o artista plástico, compassivo como o religioso e ansioso por fins e causalidades como o homem da ciência. Ao pensar essa tripartição: homem, filosofia e existência, acredito cada vez mais a necessidade de não ser possível um autoconhecimento que ultrapasse os caminhos da filosofia, sendo mais exato, creio não haver autoconhecimento que não palmilhe as sendas filosóficas, mas acredito mais ainda que não adianta conhecer-se muito ou ter uma existência longa sem ter tido o prazer de amar o outro.

Não sou feio nem bonito, nem artista, nem poeta, tenho o rosto do infinito e uma alma sempre inquieta. Sou inquieto o tempo inteiro, canção nenhuma me revela, sei que o amor não dorme, nem cochila, sempre vela.
Sou goiano. Poeta. Filósofo. Casado. Marido da Alana. Pai do Pedro Antônio e Benjamim. Psicanalista e mestre em educação. Tenho um perfil no Instagram @casamentopoetico em que falo de amor e poesia, porque acredito que o amor jamais morre, sempre vence.

O Tantra te convida a vir para o corpo

Tantra te convida a vir para o corpo

Vivemos em uma sociedade que perdeu o corpo. Curioso ver que estamos ao mesmo tempo obcecados pela estética e pela saúde – aparência e funcionamento – e desconectados do corpo que pulsa e sente. Nossa relação com o corpo que sente é de ódio ou ignorância, ou uma combinação dos dois.

Nessa difícil relação há uma enorme influência da cultura, família, caminhos religiosos e sistema educacional. Vivemos sob a égide de um modelo patriarcal, apoiado fortemente no protagonismo da mente e do homem sobre as supostas “forças antagônicas”.

A mente é mais importante que o corpo, assim como o homem é mais importante que a natureza. Assim, em nosso movimento histórico-civilizatório, reprimimos e suprimimos o feminino, inclusive a confiança nos sentidos, no instinto humano, na intuição. Assim como a natureza é vista como sendo caótica e perigosa se não for controlada, tal como são vistas as mulheres, o modelo patriarcal traduz os sentimentos como sinal de fraqueza e vulnerabilidades, quase uma distração.

E, especialmente no Ocidente, com o predomínio da tradição judaico-cristã, predomina uma visão espiritual que trata o corpo como fonte de pecados e um inimigo à elevação do espírito. Por fim, incorporamos uma visão de mundo baseada no saber científico, que despreza aquilo que não é observável ou mensurável.

Perdemos assim o aspecto sagrado do corpo e substituímos pelo entendimento da “máquina de bom funcionamento, cujas partes podem ser substituídas, mas que por fim se desgasta e acaba”. Ou seja, criamos um contexto cultural que combina o predomínio da mente sobre o corpo, que culpabiliza o corpo pelos desejos mundanos e pelo pecado, e que despreza o sutil, o misterioso, o abstrato. Na verdade, criamos assim um enorme problema para o ser humano e sua real necessidade de autoconhecimento, a partir do fato que somos induzidos a nos desligar do nosso corpo.

O arcabouço do conhecimento em psicologia e antropologia diz que o corpo expressa a maneira pela qual a pessoa experimenta a si mesma e vive no mundo. Portanto, devemos reconhecer que a nossa expressão corporal é moldada pelos acontecimentos passados e, principalmente, pelas interpretações que delineamos a partir deles.

Todas as experiências contam, e aquelas mais significativas certamente produziram assinaturas de energia em nosso corpo, justamente pela nossa incapacidade em dar vazão a suas expressões e sentimentos decorrentes.

Freud diz que “no inconsciente nada termina, nada é passado ou esquecido”. A psicanálise afirma que as emoções não-resolvidas irão penetrar no comportamento, manifestando-se de diversas formas, como por exemplo nos sonhos, pensamentos, brincadeiras, sintomas físicos e padrões de relacionamento. Assim, temos uma conta que não fecha: enquanto o modelo cultural vigente nos induz a nos desligar do corpo que sente, está claro que estamos assim nos afastando de toda e qualquer possibilidade de construir um desenvolvimento saudável do ego.

 Enquanto nos mantivermos afastados da consciência corporal, não seremos capazes de lidar com as couraças musculares decorrentes da nossa necessidade de nos defender das emoções, memórias difíceis, traumas e estresses. Predominarão assim as demandas da família, sociedade e religiões sobre as nossas reais demandas por autoaceitação, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

Wilheim Reich e seus seguidores nos deram de presente a possibilidade de compreender que quando fechamos a torneira dos sentimentos difíceis – dor, raiva, medo – estamos também fechando a torneira do prazer, da coragem, da alegria e do amor. Em outra palavra, estamos fechando a torneira da vida, da vitalidade, do estar aqui e pertencer a esta existência.

Ao nos defender das emoções, enrijecemos os músculos e, principalmente, nos condicionamos a estar em estado de luta, de prontidão, de controle. Assim, perdemos ainda mais a condição de confiar na abundância da existência, na perfeição da consciência universal, na arquitetura suprema que organiza e disponibiliza tudo aquilo que precisamos para viver em harmonia e em paz. Não podemos: devemos estar prontos para a luta!

O Tantra é um caminho de desenvolvimento pessoal que sempre seguiu em caminhos opostos a esta visão apresentada acima. A tradição tântrica valoriza o corpo, a energia humana, os sentidos humanos e, principalmente, o casamento sagrado entre o masculino e o feminino, em nós, nas relações com os outros, com a natureza e com a existência.

As escrituras tântricas apresentam uma visão da vida como algo especial que se realiza no aqui e no agora – diferentemente da visão da vida como uma preliminar que te prepara para o reino dos céus, onde aí sim, toda a existência irá finalmente fazer sentido.

As várias facetas da tradição tântrica são convergentes em afirmar que as práticas tântricas são relevantes para todos aqueles que buscam cultivar autoconhecimento e estão sinceramente engajados na tarefa da evolução espiritual.

Mas a sociedade ocidental em geral ainda confunde tantra com sexo. Isso apenas empobrece o que é a essência do Tantra.

Tantra é um estado de conexão com a nossa consciência superior, e a prática tântrica o caminho que nos leva ao contato com a essência divina, algo que já experimentamos e que está disponível em nós. Para o Tantra, o mundo não é uma realidade externa imposta a nós, mas uma experiência de co-criação – o mundo é ao mesmo tempo externo e interno. Se nos prendemos à ideia de vítimas de uma realidade sobre a qual não temos qualquer poder de transformação, estamos nos condenando ao sofrimento constante de quem é apenas receptor dos desígnios de forças externas, e apenas reforçamos a importância do estado de “permanente luta”. O mundo na visão tântrica é parte do nosso estado de consciência.

Para o Tantra a busca consiste em viver uma experiência de transcendência, tendo o corpo humano como o principal “veículo” para viabilizar esse novo estado. Mas transcendência do que, exatamente? O verbo transcender significa superar algo, ir além de algum limite.

Uma boa forma de interpretar esse estado de transcendência tem a ver com a ideia dos ciclos de existência. Enquanto na tradição cartesiana ocidental a passagem do tempo é vista como uma experiência linear que liga o passado ao futuro, a abordagem tântrica a visualiza como uma interessante criação e recriação de ciclos.

A existência e o universo para o Tantra parecem pulsar em ciclos de expansão, contração e relaxamento. Especialmente, a cada ciclo o ser humano proporciona a si mesmo oportunidades de aprendizado e expansão de consciência.

Os ciclos respiratórios são bons exemplos, bem como as experiências meditativas e as experiências orgásticas. Casamentos, relacionamentos, projetos, cursos, dentre outros exemplos, estão acontecendo a todo tempo conosco. Mas, em nossa desconexão com o corpo e com o autoconhecimento a partir do fluxo de sentimentos e da expressão energética, desprezamos o potencial de renovação e aprofundamento que esses ciclos oferecem.

Em especial, nos identificamos com as reações emocionais e atitudes decorrentes das experiências vivenciadas nesses ciclos. Assim, muitos de nós trazem entendimentos limitantes do tipo: “todo homem (mulher) é igual”, “prefiro ficar sozinho (a)”, “não consigo ser bem sucedido (a)”, “não mereço ser amado (a)”, “não sou capaz”, “meu corpo não é capaz de me levar ao orgasmo”, “sexo é sujo” e por aí vai. São nada mais nada menos que identificações do nosso ego, que retiram boa parte da nossa capacidade de compreender a auto-responsabilidade que temos com a criação das nossas realidades.

O Tantra, em sua essência, é um convite a transcender essas identificações limitantes do ego, transcender as divisas autoimpostas entre o que é material e o que é divino, entre o que é inferior e o que é superior, certo e errado, claro e escuro; transcender as dualidades e reconhecê-las como aspectos de uma mesma energia.

O Tantra é o caminho da celebração da existência, de aceitação da nossa condição de seres em constante processo de evolução e do compromisso inabalável com o autoconhecimento. Para essa arte-ciência é a realização aqui e agora de todo o potencial humano. A experiência de vida se dá no estado de relaxamento, não na luta. Na luta, o movimento energético cessa e o ser humano se enrijece. Isso vai contra a vida. Vida para o Tantra é movimento, é fluxo constante, assim como as águas se movimentam em direção ao oceano, em determinados momentos em fluxo mais caótico, em outros mais contemplativo e sereno.

Para essa realização, precisamos regressar ao corpo, reconhecendo-o como o instrumento sagrado de conexão com as várias possibilidades que a existência abundante nos oferece. Quando tivermos plenamente a consciência do nosso corpo e das nossas emoções, teremos definitivamente criado as melhores condições para fazer escolhas autônomas e saudáveis em nossa vida e criar e manter relacionamentos saudáveis e que aprofundem na intimidade.

Esse movimento de regresso ao corpo não poderá ser feito diretamente pela mente, ela não é o melhor agente para isso. Ou seja, voltar-se para o corpo não pode ser feito a partir de um movimento intelectual, teórico e científico. Aliás, não poderá ser feito sem o protagonismo da energia corporal. Ela é o elo de ligação entre todas essas possibilidades, ela é o continuum que interliga as dimensões, o mundano e o espiritual, a mente e as emoções.

Por esse motivo, as práticas tântricas envolvem o despertar da energia corporal.

Na essência do Tantra está a busca pelo estado meditativo, ou seja, a realização do compartilhamento do protagonismo da existência entre todos os centros de controle, ao invés apenas da mente.

Na meditação criamos experiências de conexão com o silêncio das nossas entranhas, com o poder dos nossos chakras e, em suma, reduzimos o poder de influência das identificações limitantes do nosso ego – daí a ideia da transcendência que citei acima. No Tantra a respiração, a meditação e a movimentação energética são instrumentos poderosos de expansão do ser. O Tantra se realiza no aqui e no agora!

Vem buscar esse movimento de consciência corporal do aqui e agora. Sua vida pode dar grandes saltos de consciência.

Atravessei um portal

Olha,

Não é nada fácil se perceber em desconexão, das próprias palavras emitidas em vão. Sei que o processo de desconstrução é lento, pois o que passa dentro de mim é muita carência, por não saber lidar com o que está aqui dentro.

O lado de dentro de mim mora alguém que ainda não conheci.

Sou algo indeterminado e em constante fluxo, a camada superficial do meu ser é apenas a beira do precipício. A profundidade se dá no percurso.

Mergulho…

Orgasmo Terapêutico, você sabia que isso existia?

O orgasmo acorda inúmeras potencialidades do corpo, que ainda estão latentes. O orgasmo estimula produção dos hormônios indispensáveis à felicidade e ao relaxamento. Alguns desses hormônios são ocitocina e endorfina que o ser humano não produz em um nível satisfatório.
meditação orgástica

Em pleno 2021, é surpreendente a grande quantidade de mulheres que não sentem orgasmo ou que nunca alcançaram um orgasmo de qualidade, afetando diretamente a sua qualidade de vida.

               Vivemos na chamada era da informação, mas parece que não temos informação alguma sobre o orgasmo e a sua importância, vital para a nossa saúde, física, mental, emocional e espiritual.

O orgasmo acorda inúmeras potencialidades do corpo, que ainda estão latentes. O orgasmo estimula produção dos hormônios indispensáveis à felicidade e ao relaxamento. Alguns desses hormônios são ocitocina e endorfina que o ser humano não produz em um nível satisfatório.

Para se ter uma ideia de como a endorfina é rara em nossa liberação química, são necessários pelo menos 60 minutos de exercício físico intenso com frequência cardíaca estando na faixa de 60-85% da frequência cardíaca, máxima do indivíduo para esse elemento químico neurotransmissor estar em níveis aceitáveis para um relaxamento adequado e sensação de bem estar.

Com o orgasmo sendo intenso e por 15 minutos essa mesma quantidade já alcançada, segundo muitas mulheres consultadas. Disso nasceu OM ou Orgasmic Meditation ou a Meditação Orgástica.

Com isso, casais de todo mundo já tem surtido ganhos em suas relações com mais afetividade, redução do estresse, redução da ansiedade e mais conexão a dois.

          O orgasmo, além dos inúmeros benefícios ligados à saúde, ainda aumenta a imunidade, a empatia -ferramenta de inteligência emocional cada vez mais requisitada em entrevistas de trabalho e emprego- a criatividade, ampliando ainda mais o autoconhecimento e a qualidade da relação amorosa. Além disso ainda traz um aumento de foco e produtividade de quem se permite ao processo.             

          Você leitora pode trazer seu companheiro para aprenderem juntos essa técnica e obterem ganhos duradouros na relação como redução de disfunções sexuais que acometem as mulheres como ausência de orgasmo ou vaginismo que são dores que muitas mulheres sentem ao fazer relação sexual com seus companheiros.

          Vale citar que o vaginismo possui um profundo campo psicossomático associado, ou seja, é uma doença clinica classificada na área médica mas que possui forte impacto do mal estar na relação a dois. Ou seja, aquilo que a mulher não quer falar, o corpo acaba falando porem de forma silenciosa. Fique atenta a isso.

          Outras indicações do orgasmo terapêutico é quando você sofre daquelas dores de TPM. Os meninos ficam de zoação dizendo que TPM=treinadas para matar! 😊 Com o orgasmo gerado, as dores tendem a reduzir e aliviar com o processo sendo vivenciado com frequência.

          Se você está com desafios na intimidade da relação, já recomendo a você um curso focado para casais que atua com técnicas antigas do Tantra que usam meditação, respiração e práticas a dois que ajudarão ambos também a acessar o orgasmo. Mas fique tranquila, tudo é respeitando o tempo e o ritmo de cada um e é uma prática muita séria e sadia ao contrario do que muitos imaginam…

          Segundo muitas referencias da área como Shree Rajneesh Osho que cita:
O orgasmo é o envolvimento do corpo total: mente, corpo, alma, tudo junto. Você vibra, o seu ser completo vibra, dos pés à cabeça. Você já não está no controle; a existência tomou posse de você e você não sabe quem é.

Osho

        Finalizando esse texto, peço que você leitora traga um olhar para esse lugar da sua existencialidade. Como você lida com seu orgasmo?

Fontes: https://www.healthline.com/health/orgasmic-meditation-101

https://www.osho.com/pt/citacoes-portugues/osho-cita%C3%A7%C3%B5es-sexo

Onde estão os espíritos da cidade?

Gosto de pensar como Kazuo Ohno fala sobre espíritos: “o espírito pouco a pouco se transforma em cinzas. Quando expiramos, ele se desprende do corpo. Eu também respiro. Meu espírito se estende por todo o céu, torna-se cinza e tomba no chão” (OHNO, 2016, p. 54). A sensação a qual Ohno descreve a partir do modo como a percebe, vem-me como um movimento entre a dissolução da matéria e a materialização da mesma, trazido pela respiração, a qual se percebe quando se tomba no chão. Para entender melhor a sensação de Ohno, resolvi parar o fluxo mental de escrita para experimentar o corpo que tomba, proposto em seu livro Treino (em) Poemas. Nessa experimentação percebi que quando expirava, um leve tombamento acontecia, como se meu corpo físico se separasse sutilmente do meu corpo etérico (etéreo). Este continuava suspenso, como se expandisse, contrapondo o movimento da matéria visível aos olhos. Na inspiração, a sensação foi a de que meu corpo físico estava sendo puxado para cima, como se ela o trouxesse para ocupar o mesmo espaço do corpo etérico. Talvez o tombo para Ohno tenha relação em como ele percebeu em seu corpo a gravidade operada pela terra, mostrando como nós, seres vivos nascidos nela, sentimos a presença do corpo físico. Ao expirar, esvazia-se o corpo de ar, como se o entregasse à terra. Já na inspiração, inflados como um balão, a sensação é de desafiar a gravidade. Nesse sentido penso, como percebemos o nosso espírito na cidade? 

Como pesquisa de criação e busca de sentido para o movimento de corpos urbanos, passei a praticar derivas pelas ruas da cidade, com o intuito de realizar movimentos os quais alteram os gestos rotineiros propostos por grandes centros urbanos. 

Na cidade o sentido é certeiro, sempre predeterminado por uma força hegemônica e controlado pelo relógio. Como estratégia de alteração do movimento, saí à deriva com um pêndulo de radiestesia, como dispositivo de guiança de caminho. Em cada encruzilhada perguntava para ele qual sentido deveria seguir, para que pudesse encontrar um local para realizar uma meditação. A intenção era perceber como meu corpo vibrava ao meditar na rua da Cidade de Fortaleza. Acabei parando em um portal urbano, este se abriu devido a obra do metrô da Avenida Santos Dumont, pois esta fechou o fluxo da rua, fazendo com que fosse aberta uma passagem secreta em um muro que separava um prédio comercial e um posto de gasolina. Sentei ao lado do portal para meditar. Pessoas atravessavam o portal sem saber o que estavam fazendo, sentia a vibração eletrizante e ativa delas, ainda mais por que marte passava por áries e ainda realizava conjunção com minha lilith natal. Bruxaria pura. A sensação era de estar realizando uma ação controversa e que a qualquer momento podiam me levar embora como louca. Estava apenas meditando, buscando meu sentido de vida e meu espírito, questionei essa minha própria sensação de boicote. A energia urbana de condicionamento é tão intensa, que acaba reprimindo movimentos que se desassociam com a coreografia cotidiana. Porém Einstein já nos disse, E=MC², para alterar campo energético é preciso dançar diferente. 

Em outra saída busquei alterar o campo energético de cultura modificando a minha coreografia respiratória. Busquei exercitar técnicas de Pranayama, que são propostas de exercícios respiratórios propostos pelos yogues. Antes de sair de casa pratiquei o Pranayama da abelha (Bhramari) e o de levitação (Murcha), ambos me colocam em estados mais concentrados e calmos. A intenção era trabalhar o oposto do fluxo respiratório da cidade, este que é rápido e curto, investindo em ciclos mais lentos e profundos. Ao sair à deriva me mantive praticando o Pranayama Ujjayi, este tem uma sensação de estar bocejando de boca fechada, e é muito praticado nas práticas de movimento da yoga. A máscara dificultou a respiração, mas me mantive firme na prática. Neste processo senti meu tempo dilatado, não me senti apressada, apenas caminhava, observando o sentido do meu espírito ao observar a gravidade da terra tomando o meu corpo na expiração. Li muito a palavra urbanização, pensava em seu oposto desurbanização. Li muitos mantras espalhados pela cidade em formato de propagandas, refleti sobre como a cidade investe  nesse condicionamento contínuo de continuarmos com a estrutura da urbanização. Sempre desconfio das tendências da moda. Urbanizar para mim é igual a enconcretar. Mas o que estava procurando? Comecei a pensar sobre as sincronicidades. O que estava atraindo para o meu caminho? Foi aí que uma ação esquisita aconteceu, dois carros pararam para mim, durante um bom tempo, esperando que atravessasse a rua, que nem estava com a intenção de atravessar, mesmo assim atravessei com calma, sem receber nenhuma buzinada e nem arranques de carros. Sei que isso não é material suficiente para comprovar uma sincronicidade, porém é algo pouco provável de acontecer na cidade. O tempo pode nos distanciar do espírito.

Nesta busca por ações que contrapõem as rotinas urbanas, procuro danças que façam sentido ao espírito. “Danças” está no plural, pois não acredito em coreografias fixas. Entendo o processo de criação de movimento em experimentação contínua e aceito as repetições se elas fizerem sentido ao espírito. Lembro aqui do povo Yanomami e a sua dança dos Xapiris. O capítulo “Iniciação” do livro “A queda do céu” de David Kopenawa e Bruce Albert (assim como o filme Xapiri, encontrado facilmente no youtube e vimeo) nos contam de forma muito mágica o ritual de iniciação deles para receber os Xapiris (espíritos da floresta) em sua casa (cabeça). Nesse ritual de iniciação eles “bebem” (sopram para dentro das narinas) o pó de yãcõana repetidas vezes durante dias, com o intuito de preparar a casa/cabeça para receber os Xapiris, para que nelas eles possam dançar. Atravessada por esse ritual me pergunto: quais espíritos da cidade cultivamos em nossas cabeças? Como eles dançam em nós e como dançamos com eles? Essas perguntas não são tentativas de comparar essas culturas e nem de me apropriar dela. Na verdade, é uma maneira de abrir o campo de visão para pensar diferente sobre os sentidos da existência urbana. Assim me pergunto: quais são os espíritos da cidade? Qual o espírito do prédio? Do asfalto? Do concreto? Qual o espírito do sinal de trânsito? Do ônibus? Qual o espírito da estátua que fica no meio da praça? O que a nossa civilização nos diz com os signos os quais veneramos? Como isso afeta o nosso movimento? Qual o espírito do computador e do celular? Como esses elementos nos compõem e o que eles dizem de nós?

 Assim o sentido se perde e o espírito se escapa…

Ballet Filosófico

Experimentar novos movimentos na cidade tem sido práticas as quais tenho vivenciado dentro do contexto urbano. Minha primeira pergunta nessa pesquisa é se é possível alterar campos energéticos de cultura? Já venho escrevendo neste blog sobre a fórmula da teoria da relatividade, E=MC², e suas possíveis pistas, que nos diz que para alterar frequência energética é preciso alterar movimento e/ou massa/corpo. Neste rastro, farejo sinais preciosos que me colocam em diálogo entre a criação de existência e as fissuras deixadas pelo urbanismo colonial. 

Acabo de assistir ao documentário da Netflix chamado “O Começo da Vida”. Falar sobre o agora é falar sobre a energia de descobrimento da vida que existe na criança, pois elas estão em estado de criação constante. Gosto de conversar com minha amiga e parceira Livia Rios sobre o brincar. Já trabalhamos muito tempo juntas. Pesquisamos e vivemos o estado de palhaço, este que nos faz buscar o movimento das crianças como fonte de inspiração, nos ajudando a mergulhar no período de nossa infância, para assim resgatar esse estado de curiosidade tão importante para vida que experiencia. Confesso, tenho percebido em mim movimentos de minha criança e adolescente, esse contato se manifesta como um dispositivo o qual aciono para ter novas possibilidades de viver a energia criacional destes estados de presença. Esse documentário, fala sobre a importância da presença dos pais e da comunidade para valorizar e levantar a autoestima das crianças, para que elas, assim, não tenham medo de experimentar, nem de errar. Por que perdemos esse estado quando nos tornamos adultos? Por que temos tanto medo de viver novos movimentos? Somos adultos que foram pouco influenciados positivamente? Sem querer gerar culpas… Existem também os medos dos pais, pois estes também foram crianças. Existe um padrão que está criando adultos com baixa autoestima. Como alterar esse movimento?

Ao observar o movimento urbano, percebo que a experimentação do corpo está aprisionada e para soltá-la é preciso encontrar o devir-criança, devir-animal, devir-vegetal, devir-elemental… Como seria ser vento na rua? Por onde escorro ou penetro nesses espaços se for água? O que meus instintos dizem para mim quando ando pelo espaço urbano? Observando a cidade com outros olhares, começo a perceber o sentido das estruturas criadas. Sinceramente, não vejo nenhum, porém se olharmos e sentirmos esses espaços por meio dos devires acima, vamos ter outras possibilidades de vivências e alterar esses espaços. Alteração de movimento amplia o campo existencial. 

Outro dia, em meio as minhas pesquisas e práticas de Pranayama, exercícios de respiração da Yoga, quis testar como seria realizar um destes exercícios andando pelo espaço urbano. Criei um programa performativo, este tinha dispositivos de investigação para o pré-caminhar, caminhar e pós-caminhar. O tempo que estive na rua respirei um ciclo longo e profundo, confesso que a máscara dificultou essa experimentação, porém este acessório não me distanciou de resultados interessantes. Trabalhei com a respiração Ujjayi, técnica utilizada nas práticas de Yoga. Ela tem um som particular, porque a glote é acionada como um quase bocejo de boca fechada. Essa respiração é profunda e duradoura, acontece sempre pelo nariz e tem relação com o movimento operado pelo corpo. Escolhi uma respiração lenta e longa, como forma de contrapor o ritmo veloz da cidade. Achei interessante, pois meu ciclo respiratório estava sempre querendo mudar para o ritmo mais rápido, como se o fluxo da cidade quisesse me colocar no movimento padrão, porém minha intenção trabalhava para que continuasse com o exercício. O que mais alterou no meu campo de consciência foi que meu corpo não estava com pressa de realizar nenhum movimento, mas também não perdia tônus e nem presença. Nesse mesmo caminho, trabalhei também a relação com o olhar. Olhar nos olhos de alguém que passava por mim, para lembrar a forma interiorana de cumprimentar os que nos atravessava. Olhar nos olhos de alguém em um contexto urbano pode ser uma afronta, nesse contexto aconteceram: desvio de olhar, desconfiança, não percepção que eu estava olhando e possível clima de paquera. Com a respiração em ciclos lentos e profundos, a ansiedade para agir rapidamente é alterada, colocando o meu corpo para pensar sobre meu movimento, conseguindo alcançar um transe meditativo neste processo.

Esse treinamento de alteração respiratória, induziu meu estado energético, trazendo espaço para que meu campo emocional aja sem pressão; aumentou meu campo de percepção do espaço-tempo, ampliando meu estado de atenção, sem tensionar o corpo; e organizou os encontros sincrônicos de uma forma bem particular.

Tenho estudado a sincronicidade por Jung e também pela filosofia do povo maia. É interessante observar esses acontecimentos e como eles vão acontecendo a partir das intenções criadas. Jung fala que a sincronicidade se relaciona com os afetos, estes podem ser múltiplos, pois são campos emocionais que criamos e com isso atraímos o que vibra na mesma frequência que nós. Por exemplo, sabe aquele dia que tudo dá certo? Estamos vibrando numa certa frequência que atrai os acontecimentos da vida, pensar sobre o que estamos passando é pensar sobre como estamos vibrando. Nosso campo emocional é o mais sensível e rápido de todos, age imediatamente aos acontecimentos. É importante saber disso para entender o que estamos atraindo para o nosso espaço-tempo de vida. Ao trabalhar a respiração em um tempo longo e profundo, percebi que os encontros que tive ao andar no espaço urbano foram, de certa forma, tranquilos. Carros esperaram eu atravessar a rua tranquilamente, sem buzinar ou acelerar para que apressasse o meu passo. Achei esquisito esse momento, pois passei um longo período de tempo urbano para começar a atravessar a rua. 

Reflito, diante desses pontos os quais apresento a vocês, possíveis pistas que podem nos ajudar a criar vida diferente. Passamos por um ano de muita provação, nosso campo emocional, psicológico, físico se desestabilizou. A rua virou um lugar de passagem rápida, sem muitos encontros. Ficamos em casa por muito tempo, nossos olhos cansaram de telas, nossa cabeça quase explodiu de tanto pensar. A tristeza chegou, foi difícil se relacionar com a carência, o vazio assolou a vida, o sentido se perdeu. Porém diante de crises existe sempre a experiência de se recriar. Sabemos que os nossos movimentos estão sem sentido e agora é o momento de abrir o campo de visão para ver a multiplicidade que existe no mundo e começar a se relacionar com ela de formas menos exploradoras. Estamos também sendo explorados. O que fazer? Essa é a busca.

Um dia desses estava conversando com minha a Livia em um banquinho da Praia de Iracema, vendo as ondas bater nas pedras e se espalhar pelo ar, formando um belo desenho de espuma branca. Falávamos sobre os sábios que andam e moram nas ruas, de repente um catador de latinhas parou ao nosso lado para dizer que deus tinha enviado uma missão pra ele, a de catar as latinhas que deixamos na praia para que nós possamos utilizar uma praia limpa. Disse que era esse o serviço dele, portanto ele precisava de dinheiro como pagamento pelo trabalho que estava prestando para nossa sociedade. Em nossa sociedade um catador de latinhas ganha uma miséria pelas latinhas que cata, porém a importância social deste trabalho é enorme. Por que ainda realizamos serviços à nossa comunidade que não tem sentido para ela? Se paga muito bem para serviços que aumentam a quantidade de lixo no mundo, que aumentam a diferença social, enquanto o serviço deste homem não era valorizado? Ele é um sábio, enxerga a existência sem véus. Para onde estamos apontando o nosso pensamento criacional? Como pensamos em serviços que sejam realmente importantes para a vida em comunidade?

Enquanto caminho pela cidade danço outras danças, para pensar sobre a vida neste agora. Sou uma bailarina filósofa, sou brisa, água e furacão. Minha expiração soltada num tempo maior que a inspiração é sem dúvidas um avanço tecnológico ancestral, que retoma a percepção que somos natureza. Nossa programação é impermanente, não podemos controlar a vida, somos partículas desse todo. O que temos é a experiência, nossa professora, que nos ensina pelo movimento. Axé para os dias que virão e, sem deixar de lembra-los, que o ano vira sempre no agora, não precisamos esperar datas comemorativas para atravessar portais, as sincronicidades já estão acontecendo.