Você já se viu em camadas?

Por Roberta Bonfim

Quantas camadas temos, quantas somos? Quantos pontos de vista podem existir sobre o mesmo tema foco? Quantos seres forem possíveis? Se olharmos por exemplo o mesmo lugar, exatamente o mesmo, por dez anos ele será o mesmo lugar? E suas pessoas serão? Essas talvez possam ser as camadas dos lugares. 

A primeira vez que ouvi essa palavra empregada para o homem, foi em uma sala/auditório, da Faculdade de Direito de UFC, ali no centro da cidade, de Fortaleza. Ouvi da boca da atriz, diretora, Bruxa, que faz as comidas mais loucas e deliciosas, a maravilhosa Francinice Campos, quando ensaiamos para um espetáculo teatral, ali eu conhecia Garcia Lorca, e o li e encenei, mas não o repreende, nem a ele e nem suas camadas naquele momento, e mesmo hoje, sei tão pouco e respeito tanto. E o teatro apresentou para o meu ser as camadas.

Na sequência reencontrei  uma das mulheres de minha vida, Clarice Lispector, e sua escrita que mexia e mexe, sempre, com todas as minhas camadas. E então Frida Kahlo e Fernando Pessoa, daí pra frente nunca mais consegui ver a vida por por um prisma, o exercício é era perceber sob quais graus essas camadas eram ativadas e meio que assim nascemos enquanto Lugar ArteVistas, já que somos compostos do que nos afeta e emociona. 

Depois percebi o conceito de camadas também ao que tange às espiritualidades. Os planos, camadas, prismas, menos dualidades, mais subjetividades. Estou fazendo uma pesquisa de revisão de artigos e muito pouco estudamos sobre essas camadas, sobre as relações pessoa-ambiente. E como não pode deixar de ser lembro de Fernão, a Gaivota, falando na escrita de Richard Bach, sobre quebras de tempo espaço, e a possibilidades das camadas.

Hoje esse texto deveria ser de All Franca, que normalmente habita este lugar nas terceiras semanas de cada mês, mas por razões impeditivas, ela não pode escrever, e nem eu na real, tanto que o texto só tá entrando no sábado, mas consegui, com ajuda colaborativa de Ana Luna fazer esta entrega antes das 10 da manhã de uma domngo, quase ontem.

É isso cheguem junto nesse Lugar e mês que vem All Franca vai tá aqui para melhor explicar as camadas que a norteiam e a alegria de ser terapeuta holística, dentre outras existenciais. abraços em todos eu sou Roberta Bonfim e vim aqui tapar um buraco com atraso.

Nesse furacão, quem somos nós?

Por Douglas Miranda

Estava aqui pensando com meus botões para poder rabiscar algumas ideias para esse sábado lindo e, de repente, me senti sendo questionado, talvez influenciado pelas leituras recentes que tenho feito. Como Freud nos definiria hoje? Isso mesmo, nós contemporâneos! Como seríamos definidos por ele? E na lata me veio uma resposta.

Histéricos e infantis, rsrsrsr, sim acho que ele assim nos definiria.

A teorização freudiana sobre o supereu enquanto herdeiro do complexo de Édipo e a ação do mesmo, tão marcada na melancolia, era um dificultador.

Freud denominou a essa culpabilidade delirante de dor moral e Lacan, que também se deparou com ela, chamou-a de dor de existir em estado puro.

Sempre suspeitei da energia positiva que as pessoas buscam em palavras. Não que seja de todo ruim, mas a vida é tão mais simples, caótica e indomável que se torna impossível e insuportável de sustentar essa eminente ideia utópica de que podemos controlar o que nos acontece em vida. De modo simples, quando o humano coloca sua mão para modificar em sua literalidade a natureza, muitas vezes desencadeia um efeito reverso drástico à sua própria existência.

A partir desse barulho, decidi escrever, sobre a minha restrita visão e contribuir de alguma forma com um suposto saber. A ideia é a metade de um todo, visto que não existe um todo-saber, mas uma ideia minúscula do que pode se tratar. O estilo original como podemos aprender nos escritos freudianos, lacanianos, depende da capacidade emocional de cada sujeito em suportar as adversidades da vida. Não sem um preço altíssimo a ser pago.

Acredito ser útil declarar que a repetição é única e sem ela não somos capazes de transformar a própria vida, desobstruindo o caminho para que sejamos cada vez mais criativos na experiência que se desenvolve a nossa frente. Sempre falta alguma experiência, alguns goles ou tragos e muita loucura esquizofrênica para suportar a vida e transformá-la. Essa falta é constitucional e se faz necessária.

A vida oferece uma experiência repetidas vezes, mas com um gosto não mais tão agradável, que, no entanto, traz consigo uma visão mais amadurecida de nós mesmos. Não nascemos com um manual de instrução. Para isso é fundamental que cada sujeito em vida seja capaz de acolher sua própria dor, reconhecendo as ferramentas que possui para, então, lançar-se em vida e apostar tudo em si mesmo.

A suavidade também provoca furacões e novos ventos que podem pôr sua vida em pluralidade. Um passo à frente e já não estamos no mesmo lugar. Sendo assim, a diferença de quem vive muitas vezes está em quem se permite ousar.

– Rhaissa Bittar e Estesia | Toda vez que eu dou um passo… | videoclipe oficial

O amor é a experiência que nos leva a uma vida possível de ser vivida.

Douglas de Miranda – Uma mistura de paulistano de nascença com cearense de alma
Pai do Gabriel – 41 anos – Estudante de Psicologia – Amante das Artes

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Ego e poder, como trabalhar isso e poder iniciar um processo de libertação?

Por Daniel Hamido

Na minha caminhada da vida, tenho visto como ego e poder andam lado a lado. É uma linha muito tênue que separa ambas. Tão tênue que a falta de consciência de um indivíduo sobre si, pode trazer ao indivíduo uma total “cegueira” seja ela de ordem espiritual, mental ou emocional.

​Vamos dar um exemplo. Se a pessoa é vegetariana, é claro e notório que ela come apenas frutas e vegetais e defende o não consumo de alimentos a base de animais. Ponto. Até aí está tudo certo. A partir do momento que ela acredita ser superior ao outro que não é vegetariano, porque ela é vegetariana, ela caiu na armadilha do ego espiritual e mental.

Vamos a outro exemplo. Uma pessoa que é praticante da consagração da Ayuasca defende o uso da substancia alucinógena para obter ganhos espirituais quaisquer sejam eles. Para esse exemplo esses ganhos também não importam. Quando que ela acredita ser superior ao outro que não consagra a Ayuasca, porque ela consagra, ela caiu na armadilha do ego espiritual.

Percebe-se que isso é uma linha tênue, pois é um movimento que traz prazer, desejo e uma intenção de compartilhar com o máximo de pessoas. As redes sociais são as principais plataformas de propagação disso atualmente. 

Mas o que deveria ser um meio digital de compartilhamento de ideias, muitas vezes acaba sendo um meio de disseminação em alguns casos de brigas, insultose discursos ofensivos que muito mais fazem mal ao individuo do que bem. 

E aí, o ego vai mais uma vez operar afirmando aquilo que para ele é o mais importante: a sua opinião. Dito isso não estou dizendo que a pessoa não possa expressar sua opinião. Mas num nível inconsciente o ego não gosta de ser contestado, censurado, “humilhado”.

Uma crítica ou ponto de visto divergente contra aquela afirmação qualquer que seja é um insulto e humilhação para o ego. E ele reagirá agressivamente, porque num nível inconsciente ele diz para si: “quem é essa pessoa para me contestar?” ou “o quanto ela é superior para dizer o que eu devo fazer?”  

Segundo Osho, o indivíduo com alto nível de ego – ou egoíco – acredita que o poder dele é medido na quantidade de pessoas que ele interfere. Não importa se essa interferência é boa ou ruim. Ele quer apenas saber em quantas vidas ele interveem, interfere e possui de domínio. 

Esse domínio gera nele um “ar de superioridade”, uma sensação ilusória de que ele é superior aos outros a partir do ponto que ele interfere. Seja isso na CiPAT da empresa, seja como gestor de uma empresa privada, seja como gestor de um fundo de investimentos, seja como representante do povo -um político- ou qualquer cargo público qualquer. 

Diante disso, como trabalhar isso? Como desconstruir algo que foi construído ao longo dos anos e anos e que muitas vezes foi gerado um reforço “positivo” daquilo que o ego entende como reconhecimento?

Essa conversa franca, essa leitura por si só já ajuda a trazer uma tomada de consciência a respeito. Cada um que possua um desejo sincero em seu coração, com a leitura, a busca em materiais verdadeiramente que tragam o autoconhecimento, poderão vivenciar suas melhores fases de tomada de consciência aonde quer que seja: política, religião, direitos humanos, direitos das mulheres, direitos de classes, direitos de igualdade entre cores. 

E ao trazer o seu ponto de vista em relação a algo no que quer que seja, seu ponto de vista será defendido por você mesma sem nenhum ou qualquer ar de superioridade nem se preocupando com a aprovação do outro nem tampouco com a desaprovação ou não concordância do outro também. E o fato do outro não concordar com seu ponto de vista em algo não faz dele ou dela seu inimigo nem dele ser inferior. 

o fato do outro não concordar com seu ponto de vista em algo pode ser visto apenas como igual porque você iniciou o desejo sincero de trazer luz para suas sombras do seu ego. Vamos dar continuidade desse assunto no nosso próximo artigo. Até lá.

Daniel Hamido

Terapeuta Tântrico formado pela Comunna Metamorfose, Instrutor de Delerium Privativa – Treinamento Multiorgástico para Casais com as (Sensitive Massagem, Êxtase Total Massagem, Yoni Massagem e Lingam Massagem, G-Spot e P-Spot Massagem). Formado como mestre reiki, radiestesia e apometria – técnicas de identificação, limpeza e correção energética- ministra cursos na área para uso pessoal. Formado como Master em Eneagrama pelo Ibeth(Instituto Brasileiro de Eneagrama e terapias holísticas). Formando em Educação Física pela Universidade Federal do Ceará.

Não desistir também é uma vitória!

All Franca

Essa quarentena tem sido muito desafiadora para todos nós, já se passaram dias e dias desde que tudo começou e estamos aqui, fortes porém não tão firmes. Para mim está sendo um momento um pouco tenso, a produção já não está no mesmo gás, já não sei mais quais são minhas prioridades, inclusive vos escrever não é algo muito confortável. Há pouco ainda pensei em desistir umas 50 vezes antes de sentar aqui para escrever, mas me dei mais uma chance, uma chance de seguir, de ter esperança que essa fase vai passar, de que conseguirei me reencontrar.

Acho um pouco difícil esse reencontro, pois já nem me lembro mais quem eu era antes dessa pandemia, não lembro qual eram meus gostos, nem minhas prioridades, muito menos meus planos para o ano de 2020. Sinto que vivi uns 10 anos em 8 meses e estou vivendo, me reinventando e seguindo.

O caminho do autoconhecimento também é isso, passar por suas sombras, ressignificar seus desejos e entender cada vez mais o real sentido de ser adulto. Certas horas só queria voltar às preocupações que tinha enquanto criança, que geralmente estavam relacionadas às férias escolares ou qual seria o próximo episódio de Dragon Ball Z.

Por hoje me sinto vitoriosa, por decidir sentar e escrever, sei que alguns de vocês se identificarão com esse texto e quem sabe ele fará alguma diferença em sua vida. Saiba que está tudo bem também não dar conta, assumir seus limites e nem sempre estar na maior de suas inspirações. Essa é a vida aqui na Terra, cheia de dualidades, situações controvérsias e tudo isso que estamos acostumados a viver. Não pense que maturidade emocional está relacionada a não passar perrengues e desconfortos e sim, em como você lida com essas situações. Esse é o diferencial, saber que tudo irá passar, inclusive seus momentos de baixa vitalidade. Por isso, quando eles se instaurarem, apenas observe, deixe as coisas se desenrolarem, ainda que lentamente, deixe as decisões para serem tomadas em tempos mais amenos. Às vezes só não desistir já é uma grande vitória, continue seguindo e reencontrando sua motivação, ela está aí em algum lugar.

Com amor

All Franca

A existência atual

Douglas Miranda

Imagem da Internet.

Dar voz, ter voz …

Ter ou não ter …

Quantos seriam os dilemas existenciais?

Diria que um tempo sombrio paira sobre nossas cabeças e inevitavelmente acabamos por questionar nossa existência.

Que pulsão seria essa, segundo Freud?

Qual é a essência dessa existência, diria Kierkegaard?

Que tipo de diálogos teríamos se esses referenciais ainda estivessem entre nós?

Quando falamos sobre existencialismo os questionamentos são tantos.

Mundo líquido? Bauman me ajuda, “please” !!!!

E então, caimos na pergunta mor.

O que é existencialismo?

Na minha concepção é um tanto quanto estranho falar sobre esse assunto, particularmente me dá um certo nó na garganta, porque a vida vai passando e, sei lá, fica cada vez mais difícil reavaliar significados.

Imagino que a suavidade seja um caminho.

Fazer da existência uma afirmação constante de alteridades, se a realidade da mesma nos aprisiona ao compasso ritmado da vida, talvez seja preciso experimentar a imprecisão do acontecimento.

Caminhar num passo peripatético e mutante e a cada passo um traço de nós se (des)faz.

Talvez encontrar encanto no acaso.

Dizer sim à vida.

Viver é movimento!!!

Viver é possiblidades!!!

Quiçá poesibilidade, não é mesmo?

Gosto de uma frase de Soren Kierkegaard que diz “A vida não é um problema a ser resolvido, mas uma realidade a ser experimentada”.

Voltando aos dias atuais, penso que a modernidade é a era em que nossa existência (social) depende do olhar dos outros: acabamos por ser o que conseguimos fazer que os outros acreditem que somos.

Se você não ganha likes suficientes, você acaba não se reconhecendo.

No final das contas seu espelho e seu travesseiro não bastarão.

A filosofia do contente é uma armadilha de consumo. A existência tem amplitude, que inclui: medos, perdas e dores.

E aí, quem é quem para dizer quem é o quê?

Douglas de Miranda, uma mistura de paulistano de nascença, cearense de alma, pai do Gabriel.

41 anos. Estudante de psicologia. Amante das Artes

Carências, desejos e apegos, como trabalhar isso de forma saudável e efetiva?

Daniel Hamido

            Tenho me colocado no lugar do interagente e buscado entender o que o move a vir fazer uma sessão? Alguns, carência afetiva como motivador. Outros, o desejo pelo sexo ardente a toda e qualquer pessoa. Outros, o apego ao tempo, à relação, a um status de “marido”, de “esposa”. Alguns vêm e passam anos analisando isso em psicoterapia até identificarem, mas aí vem a pergunta: “E o que fazer com isso?”

            Quando busquei a terapia tântrica há 7 anos atrás, estava numa busca de me encontrar, de curar de mim, sarar a ansiedade alucinante que abatia minha mente, tratar a ejaculação precoce que vinha e trazia cada vez mais insatisfação ao sexo na relação. Fui percebendo que não era somente eu que sentia isso. Segundo pesquisas, a ejaculação precoce atinge 3 em cada 10 homens saudáveis. Fui percebendo que isso é mais comum do que se imagina, porém é uma dor silenciosa.

            Assim como eu busquei tratar questões minhas, outras pessoas vêm buscar tratar aquela carência doentia de querer preencher aquele vazio existencial no peito com alguma pessoa. Na minha caminhada pude perceber que essa busca seria frustrada e que a pessoa na verdade não iria preencher aquilo que de fato queria, mas preencher um vazio com mais vazio se não buscasse pelo caminho certo.

            Vivemos numa sociedade patriarcal, repressora e que incentiva ao homem na região nordeste do Brasil a propagar: “homem não chora!” Isso gera uma repressão. Quando existe um desejo por algo ligado à sexualidade, isso gera recalque e frustração. Esse recalque pode gerar agressividade ou mais repressão para terceiros.

            Muitas vezes um cenário, uma relação, um contexto não tão bom. Por quê? Muitas vezes ali pode ter um apego a algo. O mesmo apego que gera “o pegar algo” também é o fator limitante à evolução. O apego está associado a uma crença inconsciente na escassez de que falta a mim algo, posso ficar sem algo, isso um dia irá me faltar. Quando esse apego é na relação, a mesma relação não fica boa. Quando esse apego é no profissional, a pessoa pode ter uma insatisfação no trabalho ou emprego. Quando esse apego é em objetos da casa, a vida financeira não fica legal nem saudável.

            E o que tudo isso que foi falado tem a ver entre si? Dentro do entendimento energético, existem os chackras que são centros energéticos. Nós possuímos centenas de centros energéticos no corpo. Os 7 principais são ao longo da coluna.

Imagem da Internet.

O chackra básico (cor vermelha) é o chackra associado à energia material, energia terra, energia da sexualidade.  Todos esses conteúdos emocionais tais como apegos, desejos e apegos estão associados ao chackra básico em desequilíbrio ou em excesso, ou insuficiente ou oscilante entre um pólo e outro.

Sabe-se que quando esse chackra básico está desequilibrado gera problemas de ordem material tais como disfunções sexuais, impotência, ejaculação precoce ou excesso de libido. As meditações ativas assim como a massagem tântrica podem ser uma alternativa para tratar esses conteúdos emocionais de forma direta, real e prática.

Procure um terapeuta tântrico sério com formação na área e com experiência para te ajudar e sua relação afetiva, sua profissão suas finanças (e vida financeira) podem dar um salto quântico de evolução.

Daniel Hamido é terapeuta Tântrico formado pela Comunna Metamorfose, Instrutor de Delerium Privativa – Treinamento Multiorgástico para Casais com as (Sensitive Massagem, Êxtase Total Massagem, Yoni Massagem e Lingam Massagem, G-Spot e P-Spot Massagem). Formado como mestre reiki, radiestesia e apometria – técnicas de identificação, limpeza e correção energética- ministra cursos na área para uso pessoal.

Prazer

Acho que estou perdendo o excesso de defesa. Por muitos e ainda em outros vários momentos da vida fui e sou uma fêmea arredia, daquelas que desbravam o território sempre na defensiva e em alerta para que algo ruim não aconteça. Ainda vivemos numa sociedade bastante machista e violenta, uma mulher precisa ter suas técnicas para defender seu corpo território. Porém, assumir que meu corpo está ficando poroso, cheio de espaço vazio, sendo penetrado pela existência é no mínimo uma declaração de amor curiosa. Meu campo energético de cultura está se deixando ser atravessado, esses momentos acontecem quando me sinto livre para essa entrega. Percebi com isso o limite tênue entre invadir e penetrar um território. A diferença está na sensação de prazer, e isso tem a ver com a vontade de si entregar ao movimento ou não. Andei pesquisando a palavra prazer no google e achei curioso o caminho simbólico dado a ele pela internet, nos levando a um significado imagético apenas sexual. E o ato de gozar com o segundo da materialização de um movimento? Estamos tendo prazer na vida? Ou buscamos essa sensação em experiências condicionadas e pré-determinadas como um cano de escape de uma vida irritante e frustrada? Essa organização social que nos ensinaram na infância nos encaminha a uma vida de prazeres ilusórios. Não caia nessa estratégia de marketing, o prazer está naquilo que tu sente e não naquilo que te mostram.

Como podemos penetrar territórios com amor e entrega?

Essa brincadeira acontece em relação entre e não em disputa de territórios.

Estamos há muito tempo reproduzindo em nosso campo energético de cultura a frequência |guerra| para conquistar territórios. Criamos com isso movimentos agressivos, invasivos, destruidores, ciumentos, sentimos que possuímos o objeto conquistado e este está sob o comando do “dono”. Segundo minha amiga Elisa Porto, “às vezes me sinto como um poste mijado”. Rs…

Acho instigante as diferenças e semelhanças entre os campos energéticos de cultura dos macacos chimpanzés e dos bonobos.  Essas espécies têm características físicas semelhantes, porém seus movimentos operam em registros bem opostos. Os chimpanzés são territorialistas, vivem numa sociedade patriarcal e guerreiam com bandos que não são o seu. Já os bonobos vivem em uma sociedade matriarcal, aceitam outros bandos e fazem sexo o tempo todo com vários parceiros diferentes sem se importar com o gênero. Culturalmente eles utilizam o sexo para compartilhar diversos tipos de sensação dentro da relação entre eles, e o parceiro específico pode ser todo o bando. Rs… adoro os bonobos. Uma sociedade monogâmica é pautada na posse, desse jeito a relação em grupo só acontece em um harém, tendo um sultão, como macho alpha, monopolizando o movimento do grupo inteiro. Pensando nessa inversão de valores, ao me imaginar, por exemplo, dominando vários machos, percebo que estarei realizando o mesmo monopólio de corpos. Será que assim não estarei realizando a mesma ação agressiva e territorial? Não quero ser uma latifundiária do prazer. Quero abundância!

Hum… (esse foi um ronronar de gato, eles fazem isso quando sentem prazer).

Para a abundância coletiva acontecer será necessário muito cultivo e afeto envolvidos, dentro da frequência |amor|. Sinceridade para falar sobre como sentimos prazer. Mas como o outro sente? O que o outro deseja? Onde nossos desejos se encontram, sem que uma invasão aconteça? Será que estamos nos ouvindo, ou estamos criando jogos que falseiam a escuta da relação, manipulando assim o movimento do corpo do outro ou se deixando ser manipulado? Existe limite para o território do corpo?  

Hoje o vento me atravessou pelo tempo. Senti meus poros serem preenchidos por ele, deixei o tempo escorrer em mim, enquanto o vento me penetrava de leve. Me abri para o seu sopro, que circulava por meus espaços. Senti prazer! Estou tendo um caso de amor com ele. Mas também com o mar… com a areia… com o coqueiro…

Quero fazer uma declaração:

Estou cultivando encontros de amor…

É de caminho que se vive.

(Fonte: Imagem de 二 盧 por Pixabay)

Hoje eu acordei com um grande insight em minha mente. “Eu preciso apreciar o caminho que as coisas percorrem até se concretizarem”. Calma, eu irei explicar. Mesmo que essa frase a princípio não tenha muito sentido, ela é basicamente o que dá sentido à vida.

Por muitos anos, eu venho repetindo uma ação rotineira em minha vida: “Não terminar o que começo…”. Isso é algo que tenho muita dificuldade em resolver. Sou a mestra dos cursos acumulados, do violão esquecido, dos livros empilhados na prateleira, dentre outras tantas coisas não concluídas em minha vida. Eu nunca tinha parado e observado como esse padrão se repetia, até que sonhos importantes começaram a bater em minha porta e eu não tinha determinação para dar continuidade a essas grandes ideias.

Eu acredito que esse seja um padrão em uma grande parcela das pessoas de minha idade e/ou mais novas. Sou da geração dos anos 90, em que as pessoas começaram a ter uma melhor qualidade de vida e os filhos que nasceram a partir daí tiveram mais oportunidades de estudos e facilidades que a geração anterior, portanto, maiores oportunidades de sonhos, de se qualificar para um futuro bem diferente de seus genitores. Tudo isso em teoria é o certo, mas por que na prática muitos acabam se tornando adultos sem ter feito algo realmente significativo em suas vidas? Algo que preencha sua alma e satisfaça seu Ser? Muitos se tornaram repetidores de ordens, em um trabalho cansativo e estressante, enriquecendo seu patrão e vendo sua vida passar em janelas de escritórios, fábricas e em diversas formas de trabalho repetitivos.

Hoje, aos 30 anos, estou buscando mudar minha vida. Existem sonhos que quero alcançar e fazer a diferença aqui nessa existência. O principal deles é me tornar uma pessoa cada vez melhor e dessa forma poder ajudar aos que estão ao meu redor. Tenho alguns projetos que giram em torno dessa ideia central, porém no último ano, em que esses sonhos começaram a surgir, comecei a identificar uma enorme força de resistência dentro de mim. Um grande medo de atingir meu potencial máximo. E na mesma intensidade que a motivação vinha ela ia embora.

Nos ensinaram a sonhar grande, a ter coisas materiais, a ser o melhor da classe, a ter a melhor formação possível gerando um grande clima de competição em todo lugar que estivéssemos, e isso me trazia uma grande desmotivação pois não é a forma que eu vejo mundo. Mas, não é de competição e nem de fracasso que fala esse texto, fala de caminhos. E onde entram os caminhos em tudo isso?

Não nos ensinaram a imaginar e muito menos a desfrutar o caminho que teremos que passar para obter nossos sonhos. Só nos ensinaram apenas a querer, a desejar algo material ou intelectual. Contudo, não nos ensinaram que para isso ser atingido, é necessário dedicação, tempo empregado diariamente, errar muitas vezes até dar certo e dar continuidade apesar dos obstáculos. Falta-nos persistência, afinal, nada se materializa do nada, é necessário esforço, energia, cuidado e tantas outras importantes qualidades ao se desenvolver um projeto. 

Vejamos o exemplo de uma casa. Para sua construção é preciso começar pelo projeto, depois faz-se a estrutura, levanta-se as paredes, faz-se o acabamento e só então estará pronta para alguém morar, são muitas etapas de construção e tudo isso leva tempo, investimento e dedicação. Te pergunto, qual foi a última vez que almejou algo e imaginou o caminho que isso levaria para se concluir? Eu te parabenizo, caso isso seja rotineiro em sua vida, mas acredito que não é algo comum na vida de muitos, inclusive na minha.

E se ao pensarmos em algo ou ao desejarmos desenvolver algo a gente já imaginasse o caminho que iremos percorrer? Se eu como espiritualista, alguém que quer falar de muitas coisas para expansão da consciência, em vez de sonhar me vendo dar palestra, apenas olhasse para mim e imaginasse “qual caminho devo percorrer para chegar até lá?” Ou quando eu observasse a conquista de alguém e visse que eles concluíram algo x ou y em suas vidas, em vez de me colocar como vítima e dizer que foi fácil para ele, por que não me questionar qual foi o caminho que ele trilhou para chegar até alí?

A gente tem a eterna mania de comparar o palco das pessoas com nossos bastidores. Eu tenho uma proposta a lhe fazer, que tal a partir de agora você começar a admirar os caminhos percorridos pelos outros e por você mesmo? E se isso se tornar o tema principal da sua vida? Talvez você consiga olhar para trás, entender a longa jornada que percorreu e amar o seu caminho. Assim também será mais fácil amar a si mesmo, pois dará valor a cada escolha que fez e te levou ao momento presente. Acredito que essa forma de ver a vida trará muito mais foco e determinação para atingirmos nossos sonhos e ter a força para caminhar por toda essa jornada, que é VIVER!

Com amor,

All Franca

Perspectiva

Cara amiga bruxa,

Agora, estou em um novo ponto de vista.

Passei duas lunações e meia na praia da baleia (Itapipoca-CE). Aprendi com a civilização maia, a contar tempo observando o movimento da natureza, uma lunação é o período que a lua leva para retornar a sua fase nova, dura aproximadamente 1 mês. Conseguir uma boa relação com a lua vem sendo uma pesquisa diária. Ao observar as suas fases, percebi a reverberação destas no meu corpo físico, emocional (astral) e energético (etérico). Para falar sobre eclipses, por exemplo, é preciso primeiro sentir a experiência de vivê-los com consciência. Comecei a treinar a expansão do meu campo intuitivo, por meio de meditação e calendário lunar, para observar as influências destes eventos em mim.

A ação gravitacional da lua me interessa. Imagina a força que esse astro opera sobre nós por meio de seus movimentos cósmicos? Penso que, assim como as marés, o nosso corpo liquidamente enche e seca, como o movimento de sístole e diástole respiratória, movendo nossas águas numa dança de correntes marítimas. O mar precisa de seis horas por dia para encher e mais seis para secar, refazendo seu ciclo sempre em horários diferentes. Na praia da baleia observei que nos períodos de lua nova ou cheia, a maré estava alta próxima ao horário em que o sol se punha ou nascia. Isso quer dizer, que neste mesmo período a maré estava baixa ao meio dia ou meia noite. Nesses momentos de oposição e conjunção entre sol e a lua, o mar aumenta a sua amplitude. Na baleia, por exemplo, existem pedras que só aparecem nessas fases da lunação, pois o recuo e o avanço da maré ficam maiores, revelando, por exemplo, o que estava escondido pelas águas nos momentos das fases crescente ou minguante. Daí te pergunto: o que tu tens revelado de si mesma na lua nova ou cheia, quando tua maré baixa te revela? Ou como tua ação avança nos períodos de maré alta?

Outro efeito gravitacional que a lua exerce sobre nós são os momentos de seu apogeu e perigeu, ou seja, quando ela está mais distante ou próxima da terra. No mapa astral, verificamos isso por meio da proximidade da lua com lilith. Quanto maior a proximidade entre elas, mais distante a lua está da terra, portanto está no seu apogeu. Quando a lua está mais próxima da terra, em seu perigeu, seu efeito sobre as águas é muito maior, aumentando a amplitude das marés, podendo até gerar ressacas no mar.

Porque então nós estaríamos de fora desse efeito gravitacional, já que nosso corpo é composto de 70% de água?

Tenho pesquisado textos antigos de ocultismo e esoterismo (se quiser, podemos trocar sobre isso), para descobrir mais sobre esses ensinamentos. Nossos antigos sábios já falavam que o elemento água simbolizava nossas emoções. No tarot, por exemplo, a leitura do naipe de copas (elemento regente: água) nos conduz para interpretar o corpo emocional do consulente. A lua na astrologia, como também a carta A Lua (arcano XVIII do tarot de marselha), traz muito sobre a forma como reverberamos nossas emoções, como nos relacionamos, ou como revelamos a nossa intuição. Hoje ela esta se aproximando de sua fase quarto crescente, saindo da fase nova, momento em que nos sentimos mais introspectivas (podendo também indicar começos de novos ciclos, ou plantio de sementes/ideias), para iniciar a força de ação. Nesta semana de eclipse em câncer mergulhei nas raízes da minha existência, voltando para fortaleza para adubar minha árvore genealógica. Quando abri a minha composteira, vi que o biofertilizante (líquido liberado pela decomposição de cascas de frutas e legumes, rico em nutrientes) estava seco. Resolvi o problema colocando um pouco de água no recipiente, para poder utilizar este líquido nas plantas que ficaram em casa. Adubar as relações, para fortalecê-las. Me preparando aqui para o eclipse lunar em capricórnio, local onde se posiciona a minha lua natal. Assunto o qual tenho com algumas amigas de mesma lua… mania temos de internalizar sentimentos profundos e de ser autossuficiente para resolver questões emocionais…rs…

Mudar a perspectiva do olhar para si enxergar internamente, tem me causado descobertas delicadas. Observar as minhas marés tem me proporcionado encontros com um desconhecido inconstante, fazendo-me percorrer por águas calmas, cristalinas, turvas ou turbulentas, levando meu corpo a um passeio por tsunamis ressaqueados, redemoinhos gigantes e leves marolas. Tudo ao mesmo tempo. Aprendo com isso a ser tormenta azul, kin do calendário maia, mais precisamente a ser o olho do furacão, que em seu centro a vacuidade do ar se presentifica, enquanto em suas extremidades tudo se transforma.

Minha amiga bruxa, a alquimia da vida está em como manipulamos os ingredientes energéticos. Abaixo segue um poema que escrevi em tempos de redemoinhos gigantes, é uma música também, espero um dia poder arranjá-la.

Olha,

Não é nada fácil

Se perceber em desconexão

Das próprias palavras emitidas em vão

Sei que o processo de desconstrução é lento

Pois o que passa dentro de mim

É muita carência

Por não saber lidar com o que está aqui

Dentro.

O lado de dentro de mim

Mora alguém que ainda não conheci

Eu sou algo indeterminado e em constante fluxo

A camada superficial do meu ser é apenas a beira do precipício

A profundidade se dá no percurso

MERGULHA

Tenho alegria de mergulhar em mim, tenho descoberto a minha criança perdida. Gosto de brincar com ela.

Te amo e saudades.

Um beijo de sua amiga bruxa.

Praia da Baleia, 2020.

Natália Coehl é mestranda em artes pela UFC e graduada em Licenciatura em Teatro pelo IFCE. Pesquisa técnicas de movimento, como: dança, mímica, artes marciais, meditação e derivas urbanas. Escreve aos sábados para o blog Lugar ArteVistas.