É de caminho que se vive.

(Fonte: Imagem de 二 盧 por Pixabay)

Hoje eu acordei com um grande insight em minha mente. “Eu preciso apreciar o caminho que as coisas percorrem até se concretizarem”. Calma, eu irei explicar. Mesmo que essa frase a princípio não tenha muito sentido, ela é basicamente o que dá sentido à vida.

Por muitos anos, eu venho repetindo uma ação rotineira em minha vida: “Não terminar o que começo…”. Isso é algo que tenho muita dificuldade em resolver. Sou a mestra dos cursos acumulados, do violão esquecido, dos livros empilhados na prateleira, dentre outras tantas coisas não concluídas em minha vida. Eu nunca tinha parado e observado como esse padrão se repetia, até que sonhos importantes começaram a bater em minha porta e eu não tinha determinação para dar continuidade a essas grandes ideias.

Eu acredito que esse seja um padrão em uma grande parcela das pessoas de minha idade e/ou mais novas. Sou da geração dos anos 90, em que as pessoas começaram a ter uma melhor qualidade de vida e os filhos que nasceram a partir daí tiveram mais oportunidades de estudos e facilidades que a geração anterior, portanto, maiores oportunidades de sonhos, de se qualificar para um futuro bem diferente de seus genitores. Tudo isso em teoria é o certo, mas por que na prática muitos acabam se tornando adultos sem ter feito algo realmente significativo em suas vidas? Algo que preencha sua alma e satisfaça seu Ser? Muitos se tornaram repetidores de ordens, em um trabalho cansativo e estressante, enriquecendo seu patrão e vendo sua vida passar em janelas de escritórios, fábricas e em diversas formas de trabalho repetitivos.

Hoje, aos 30 anos, estou buscando mudar minha vida. Existem sonhos que quero alcançar e fazer a diferença aqui nessa existência. O principal deles é me tornar uma pessoa cada vez melhor e dessa forma poder ajudar aos que estão ao meu redor. Tenho alguns projetos que giram em torno dessa ideia central, porém no último ano, em que esses sonhos começaram a surgir, comecei a identificar uma enorme força de resistência dentro de mim. Um grande medo de atingir meu potencial máximo. E na mesma intensidade que a motivação vinha ela ia embora.

Nos ensinaram a sonhar grande, a ter coisas materiais, a ser o melhor da classe, a ter a melhor formação possível gerando um grande clima de competição em todo lugar que estivéssemos, e isso me trazia uma grande desmotivação pois não é a forma que eu vejo mundo. Mas, não é de competição e nem de fracasso que fala esse texto, fala de caminhos. E onde entram os caminhos em tudo isso?

Não nos ensinaram a imaginar e muito menos a desfrutar o caminho que teremos que passar para obter nossos sonhos. Só nos ensinaram apenas a querer, a desejar algo material ou intelectual. Contudo, não nos ensinaram que para isso ser atingido, é necessário dedicação, tempo empregado diariamente, errar muitas vezes até dar certo e dar continuidade apesar dos obstáculos. Falta-nos persistência, afinal, nada se materializa do nada, é necessário esforço, energia, cuidado e tantas outras importantes qualidades ao se desenvolver um projeto. 

Vejamos o exemplo de uma casa. Para sua construção é preciso começar pelo projeto, depois faz-se a estrutura, levanta-se as paredes, faz-se o acabamento e só então estará pronta para alguém morar, são muitas etapas de construção e tudo isso leva tempo, investimento e dedicação. Te pergunto, qual foi a última vez que almejou algo e imaginou o caminho que isso levaria para se concluir? Eu te parabenizo, caso isso seja rotineiro em sua vida, mas acredito que não é algo comum na vida de muitos, inclusive na minha.

E se ao pensarmos em algo ou ao desejarmos desenvolver algo a gente já imaginasse o caminho que iremos percorrer? Se eu como espiritualista, alguém que quer falar de muitas coisas para expansão da consciência, em vez de sonhar me vendo dar palestra, apenas olhasse para mim e imaginasse “qual caminho devo percorrer para chegar até lá?” Ou quando eu observasse a conquista de alguém e visse que eles concluíram algo x ou y em suas vidas, em vez de me colocar como vítima e dizer que foi fácil para ele, por que não me questionar qual foi o caminho que ele trilhou para chegar até alí?

A gente tem a eterna mania de comparar o palco das pessoas com nossos bastidores. Eu tenho uma proposta a lhe fazer, que tal a partir de agora você começar a admirar os caminhos percorridos pelos outros e por você mesmo? E se isso se tornar o tema principal da sua vida? Talvez você consiga olhar para trás, entender a longa jornada que percorreu e amar o seu caminho. Assim também será mais fácil amar a si mesmo, pois dará valor a cada escolha que fez e te levou ao momento presente. Acredito que essa forma de ver a vida trará muito mais foco e determinação para atingirmos nossos sonhos e ter a força para caminhar por toda essa jornada, que é VIVER!

Com amor,

All Franca

Perspectiva

Cara amiga bruxa,

Agora, estou em um novo ponto de vista.

Passei duas lunações e meia na praia da baleia (Itapipoca-CE). Aprendi com a civilização maia, a contar tempo observando o movimento da natureza, uma lunação é o período que a lua leva para retornar a sua fase nova, dura aproximadamente 1 mês. Conseguir uma boa relação com a lua vem sendo uma pesquisa diária. Ao observar as suas fases, percebi a reverberação destas no meu corpo físico, emocional (astral) e energético (etérico). Para falar sobre eclipses, por exemplo, é preciso primeiro sentir a experiência de vivê-los com consciência. Comecei a treinar a expansão do meu campo intuitivo, por meio de meditação e calendário lunar, para observar as influências destes eventos em mim.

A ação gravitacional da lua me interessa. Imagina a força que esse astro opera sobre nós por meio de seus movimentos cósmicos? Penso que, assim como as marés, o nosso corpo liquidamente enche e seca, como o movimento de sístole e diástole respiratória, movendo nossas águas numa dança de correntes marítimas. O mar precisa de seis horas por dia para encher e mais seis para secar, refazendo seu ciclo sempre em horários diferentes. Na praia da baleia observei que nos períodos de lua nova ou cheia, a maré estava alta próxima ao horário em que o sol se punha ou nascia. Isso quer dizer, que neste mesmo período a maré estava baixa ao meio dia ou meia noite. Nesses momentos de oposição e conjunção entre sol e a lua, o mar aumenta a sua amplitude. Na baleia, por exemplo, existem pedras que só aparecem nessas fases da lunação, pois o recuo e o avanço da maré ficam maiores, revelando, por exemplo, o que estava escondido pelas águas nos momentos das fases crescente ou minguante. Daí te pergunto: o que tu tens revelado de si mesma na lua nova ou cheia, quando tua maré baixa te revela? Ou como tua ação avança nos períodos de maré alta?

Outro efeito gravitacional que a lua exerce sobre nós são os momentos de seu apogeu e perigeu, ou seja, quando ela está mais distante ou próxima da terra. No mapa astral, verificamos isso por meio da proximidade da lua com lilith. Quanto maior a proximidade entre elas, mais distante a lua está da terra, portanto está no seu apogeu. Quando a lua está mais próxima da terra, em seu perigeu, seu efeito sobre as águas é muito maior, aumentando a amplitude das marés, podendo até gerar ressacas no mar.

Porque então nós estaríamos de fora desse efeito gravitacional, já que nosso corpo é composto de 70% de água?

Tenho pesquisado textos antigos de ocultismo e esoterismo (se quiser, podemos trocar sobre isso), para descobrir mais sobre esses ensinamentos. Nossos antigos sábios já falavam que o elemento água simbolizava nossas emoções. No tarot, por exemplo, a leitura do naipe de copas (elemento regente: água) nos conduz para interpretar o corpo emocional do consulente. A lua na astrologia, como também a carta A Lua (arcano XVIII do tarot de marselha), traz muito sobre a forma como reverberamos nossas emoções, como nos relacionamos, ou como revelamos a nossa intuição. Hoje ela esta se aproximando de sua fase quarto crescente, saindo da fase nova, momento em que nos sentimos mais introspectivas (podendo também indicar começos de novos ciclos, ou plantio de sementes/ideias), para iniciar a força de ação. Nesta semana de eclipse em câncer mergulhei nas raízes da minha existência, voltando para fortaleza para adubar minha árvore genealógica. Quando abri a minha composteira, vi que o biofertilizante (líquido liberado pela decomposição de cascas de frutas e legumes, rico em nutrientes) estava seco. Resolvi o problema colocando um pouco de água no recipiente, para poder utilizar este líquido nas plantas que ficaram em casa. Adubar as relações, para fortalecê-las. Me preparando aqui para o eclipse lunar em capricórnio, local onde se posiciona a minha lua natal. Assunto o qual tenho com algumas amigas de mesma lua… mania temos de internalizar sentimentos profundos e de ser autossuficiente para resolver questões emocionais…rs…

Mudar a perspectiva do olhar para si enxergar internamente, tem me causado descobertas delicadas. Observar as minhas marés tem me proporcionado encontros com um desconhecido inconstante, fazendo-me percorrer por águas calmas, cristalinas, turvas ou turbulentas, levando meu corpo a um passeio por tsunamis ressaqueados, redemoinhos gigantes e leves marolas. Tudo ao mesmo tempo. Aprendo com isso a ser tormenta azul, kin do calendário maia, mais precisamente a ser o olho do furacão, que em seu centro a vacuidade do ar se presentifica, enquanto em suas extremidades tudo se transforma.

Minha amiga bruxa, a alquimia da vida está em como manipulamos os ingredientes energéticos. Abaixo segue um poema que escrevi em tempos de redemoinhos gigantes, é uma música também, espero um dia poder arranjá-la.

Olha,

Não é nada fácil

Se perceber em desconexão

Das próprias palavras emitidas em vão

Sei que o processo de desconstrução é lento

Pois o que passa dentro de mim

É muita carência

Por não saber lidar com o que está aqui

Dentro.

O lado de dentro de mim

Mora alguém que ainda não conheci

Eu sou algo indeterminado e em constante fluxo

A camada superficial do meu ser é apenas a beira do precipício

A profundidade se dá no percurso

MERGULHA

Tenho alegria de mergulhar em mim, tenho descoberto a minha criança perdida. Gosto de brincar com ela.

Te amo e saudades.

Um beijo de sua amiga bruxa.

Praia da Baleia, 2020.

Natália Coehl é mestranda em artes pela UFC e graduada em Licenciatura em Teatro pelo IFCE. Pesquisa técnicas de movimento, como: dança, mímica, artes marciais, meditação e derivas urbanas. Escreve aos sábados para o blog Lugar ArteVistas.

Felicidades, teimosia e parabéns – oito anos do Lugar Artevistas

Olá, caro leitor!

Hoje é um dia muito especial para a Lugar ArteVistas, 20 de junho de 2020, data em que comemoramos oito anos de seu nascimento. Fui convidada pela nossa Artevista Roberta Bonfim a trazer algumas palavras em vista dessa comemoração. Me senti honrada e ao mesmo tempo nervosa, pois como poderei passar em um simples texto o que esses oito anos representam? Garanto que me esforçarei para trazer um pouco do amor que tenho por esse lindo Lugar.

Mais por teimosia e sem muita pretensão, em junho de 2012 iniciou-se esse projeto. Seu nome veio como um presente através de uma confusão da Roberta (fundadora), ao ouvir a música de Jorge Ben Jor, “Os alquimistas estão chegando”, mas para ela o que ouvia era “Os artevistas estão chegando”… E de fato os Artevistas estavam chegando, pois estamos aqui hoje para celebrar toda essa caminhada. Eu digo que o Universo dá Spoilers, sempre algo que será importante  em nossas vidas, ele dá um jeito de apresentá-lo antes, de uma maneira simplória e desapercebida, e só nos damos conta depois que a transformação já aconteceu.

No início apenas como uma revista eletrônica no Youtube, e a cada nova experiência, a cada novo conteúdo criado, a Lugar Artevistas foi ganhando forma, notou-se a importância do lugar em que estavam inseridos e sua representatividade. Seja no cortiço de artistas, seja na feira nordestina no Rio, seja em tantos outros lugares que foram de extrema importância para a consolidação dessa teimosia de Roberta, o Lugar Artevistas estava lá, embrionário, sendo gestado com muito amor e persistência. Um desses lugares que não poderia deixar de citar foi o Poço da Draga, em Fortaleza-CE, onde nasce campanhas sociais de revitalização artística, apoio aos moradores, entrega de cestas básicas e tantas intervenções proporcionadas pela existência da revista.

Houve tempos de altas, hiatos, reinvenções, mudanças, que aos poucos foram moldando-o até o surgimento do nosso blog em 2018. Hoje contamos com 16 ArteVistas produzindo textos com diversas frentes de conteúdo, e  já vos digo que é apenas o começo, muito ainda está por vir. 

Oitos anos… Aos que me acompanham sabem que falo sobre autoconhecimento e não poderia deixar de falar desse tema em minha escrita, portanto podemos extrair um pouco de informação que número oito nos trás, o qual chega como um grande vigor para ampliar nossa força. Podemos citar a numerologia como base, pois segundo ela os números trazem potências energéticas que podem ser aplicados em nosso dia-a-dia. Sendo assim, devido às comemoração dessa data tão especial, trarei algumas informações desse número para nós, para que assim possamos nos preparar para esse próximo ano que se inicia hoje.

O número 8 na numerologia está ligado ao equilíbrio e à justiça. Ele é um número de mediação, visto que tem valor entre círculo e quadrado, céu e terra, o que confere a ele uma posição intermediária no mundo. É comum que o número seja lembrado junto ao infinito, cujo símbolo é o 8 deitado. Devido a esse simbolismo o 8 representa o ilimitado, o fluxo sem início ou fim. No Tarot ele se refere à completude, ao caráter totalizador, também o considera como símbolo de equilíbrio e de justiça — sendo a carta VII, que indica ponderação, análise, racionalidade e rigor, sendo que o desafio move quem é influenciado pelo número 8. E todo o empenho no campo profissional, além disso, é também empregado com sucesso no âmbito espiritual. Percebe-se que esse número na numerologia se traduz em equilíbrio e é relacionado a líderes dedicados e bons gestores. As energias que emanam dele devem ser usadas para tomar decisões ponderadas, dirigir uma organização com equilíbrio e usufruir da autoridade com justeza. Quem recebe influência do número 8 tem como destino a prosperidade econômica. 

Fonte: https://www.iquilibrio.com/blog/oraculos/numerologia/numero-8-significado/).

Ou seja, é hora de arregaçar nossas mangas e expandir, criar, crescer e desenvolver com muito amor nosso Lugar Artevistas. Para mim tem sido encantador estar na equipe, me reinventar a cada novo texto, atravessando meus limites internos e criativos, compreender que a arte e o autoconhecimento caminham juntos. E também não podemos deixar de citar a grande transformação, humana, que trouxe a fundadora a todos nós que aqui estamos. Para ela, o Lugar Artevistas deixa de ser uma simples teimosia e passa a ser um legado, no qual poderá deixar registrado tudo aquilo em que acredita, a princípio para sua filha, mas sabemos que é para todos que por aqui passarem. O meio da arte precisa ser levado a mais lugares e estaremos aqui, sempre nos reinventando, nos desenvolvendo e criando. São momentos ímpares de superação, dedicação e mão na massa, em que deixa de ser apenas uma projeto e passa a ser um compromisso com a sociedade, que está tão carente de um novo olhar para a vida. Obrigada aos oitos anos, sejam bem vindos os novos anos que estão por vir.

Com amor,

All Franca

Tentar subir num coqueiro mudou a minha forma de observar o mundo.

Por Natália Coehl.

Corpo… mente… essa dualidade inexistente. Onde decido viver uma experiência ou rejeitá-la? Não estou aqui para criar justificativas ou problemas passados, que me colocou numa percepção de ser urbano, ao invés de sentir experiências de vida em localidades menos populosas e industrializadas. Sim, são dois contextos diferentes, que criam caminhos de aprendizagem distintos. Porém, existe algo que os relaciona: o propósito do sistema local. Tenho me perguntado muito sobre como os campos energéticos de uma cultura é criado, pois acredito que os hábitos dos que vivenciam um determinado território, são geradores de energia cultural, criando assim um inconsciente coletivo. Cada território tem o seu, inclusive, o planetário. Percebo isso na matemática, onde os conjuntos separados também fazem parte de um todo maior. 

A curiosidade de vivenciar uma subida em um coqueiro, colocou-me no campo energético do espaço onde estou. Em Baleia, Itapipoca, os territórios são separados pelos coqueiros. Aqui não se diz que se é dono de um pedaço de terra, e sim que se é proprietário de tantos coqueiros. Houveram alguns casos de pessoas de fora da região que após a compra de terra, receberam visita do proprietário dos coqueiros, solicitando o pagamento por eles. Território sempre foi causa para os humanos guerrearem, Baleia não sai por menos. A briga é grande, principalmente porque aqui é também território indígena (Tremembés da Barra), além de também ser uma localidade onde os olhos dos estrangeiros crescem com a vontade de usar seus privilégios financeiros, para se apropriar dessas terras e criar seus “incríveis” empreendimentos para turismo em massa.

Voltando a curiosidade de conhecer o campo energético de uma localidade, subir em coqueiros é um hábito, ensinado de geração em geração. Ao viver esse registro de corpo aprendo uma cultura ancestral, datada de muito antes da chegada de qualquer estrangeiro. Mais uma vez, pensar sobre a nossa colonização e como a curiosidade pode ser opressora e extrativista, se faz necessário. Porém, chegar alguns passos pra cima de um coqueiro, fica um aprendizado de como conseguimos sobreviver durante tanto tempo, sem os exageros eletrônicos e industrializados do sistema. Tenho buscado aprender tecnologias que me distancia de formatos devastadores, para subir no coqueiro preciso de uma corda costurada, força no corpo e uma roupa que proteja meus braços. 

A costura de corda é uma tecnologia de pescador. Brito me ensinou. Esta técnica é utilizada para unir pontas de corda, porém não se trata de um nó, mas sim uma dança, uma simbiose entre dois opostos para criar uma união mais resistente. Inclusive pode-se fazer a união entre pontas de uma mesma corda, para, por exemplo, criar este suporte que auxilia o corpo a subir em coqueiros. Este aparato serve para segurar meus pés, os impedindo de deslizar para os lados. Abraçada no coqueiro, posiciono os meus pés o mais próximo possível dos meus braços, impulsiono a força pra cima, e assim vou subindo… Não é fácil e precisa de força, mas não treinamos yoga, meditação, capoeira, podemos também treinar subir em coqueiros. Rs…

A cada dia, a curiosidade de descobrir como sobreviver sem precisar ir a um supermercado aumenta. Várias pesquisas sobre agroflorestal, permacultura e movimentos que se encaminham para essa filosofia, são lançadas na internet diariamente. Essa pandemia me fez pensar sobre como o ser urbano caça seu alimento. Já que o assunto é saúde, é importante pensar que alimentação é nosso primeiro “remédio”, é a forma como nutrimos o corpo. Enquanto isso, nos intervalos do Jornal Nacional, a propaganda do agronegócio segue de vento em popa, influenciando nossos olhos a salivar agrotóxico e não a enxergar a intensa produção de lixo. Mas o dinheiro compra tudo, né? Vendemos nossos valores por ele, porque precisamos sobreviver e comer! Mas se aprendermos a subir em coqueiros? Rs… sei que só isso não basta, porém esse aprendizado pode nos abrir gosto para criar novos movimentos dentro do sistema, este o qual não tenho nenhum apego com sua sobrevivência. “Next”! Por mim a reunião planetária já pode ser marcada para que possamos decidir juntos os próximos movimentos. Já pensou? A internet é a dimensão que pode nos auxiliar para que este encontro aconteça (de alguma forma ele acontece, mas não oficialmente). Enquanto isso, administro a minha vida nessas duas dimensões, a de viver na pequena localidade da Baleia e a de me conectar à grande dimensão global. Como aprendi no Simpósio Varela, não estamos isolados socialmente, estamos isolados fisicamente. Tenhamos apenas cuidado, pois a dualidade não existe, na verdade ela existe dentro do uno e isso é o maior paradoxo da existência humana. 

Corpo. Ai, como amo o corpo. Ai, que saudades dos corpos. Dos corpos dos meus familiares, amigos e amores! Sem meu corpo não posso ter a sensação de subir num coqueiro. Sem meu corpo não posso sentir a sensação de abraçar, beijar, transar. Sem meu corpo não posso sentir cheiros, nem escutar o som do mar, muito menos a música chata do vizinho de final de semana. Sem meu corpo não posso sentir a diferença do corpo do outro e o que o outro aprendeu e viveu até agora. Sem meu corpo não posso ser curiosa, nem vasculhar os espaços que ainda não conheço. Sem meu corpo não posso viver. 

Sem minha energia, minha filosofia, também não estaria viva. Sem a minha energia, meu corpo se movimentaria diferente. Porém sem a simbiose, sem o encontro dos dois lados da corda, sem a costura e nem a lapidação desse encontro, também não estaríamos aqui. 

Mas o que fazer com tudo isso?

Acho que gosto de subir em coqueiros. Abraçá-los para descobrir os espaços e as protuberâncias do seu corpo e como juntos podemos descobrir encaixes para a nossa dança acontecer.  

Minha alma

Olá minha alma!

Agora eu vejo você

Agora entendo que eu sou você e nada além disso.

Por muito tempo tentei fugir, me esconder, virar minhas costas a você.

Mas quanto mais longe eu ia, mais próxima eu estava.

Há algo em mim que me dizia isso.

Uma voz bem baixinha, que aos poucos foi crescendo, tomando forma

Até que se tornou um grito intenso, um grito de ajuda e libertação.

Um grito que pedia amor e reconhecimento.

Agora eu sei quem é você

Agora eu compreendo que você sou eu

E que juntos e unidos, somos tudo e todos ao mesmo tempo

Não existe limite para nós, existe apenas a expansão.

 

Minha alma

Eu senti sua falta

Mesmo sabendo que você nunca partiu

Pois era eu quem estava partida

Havia apenas fragmentos de uma consciência moldada pelo mundo

E não foi fácil viver nessa ilusão, acreditando que não havia algo assim em mim.

Era um buraco infinito, insaciável, constante, destoante.

A vida estava sem forma, sem cor, sem propósito

Eu apenas sobrevivia, um dia de cada vez

Fazia as contas do tempo de vida que ainda me restava.

 

Minha alma

Agora eu sinto você

Acolho-a por completo, cheia de luz, cheia de amor e cheia de descobertas.

Hoje sei que que a vida não acaba e que tudo se renova.

Contudo sempre me lembrarei das ilusões deste mundo.

Estando sempre atenta para identificar quando estou imersa em alguma.

Como é bom saber que sou mais que esse corpo físico

Mais que meu dinheiro, mais que meu nome, mais que meus status social…

Como é bom saber que não existe o erro, existe apenas experiências

E a cada situação em desequilíbrio, que antes eu julgava ser dor.

Hoje as vejo como oportunidades de mudança

Pois são através delas que sou lapidada, que evoluo, que me torno alguém melhor

E assim os ciclos de aprendizagem e crescimento vão se repetindo.

Dessa forma, a cada dia me aproximo mais da minha melhor versão

Nesse intenso aprimoramento existencial

Sorte a minha tudo ser infinito, pois sempre haverá uma nova chance de fazer melhor

Logo eu, tão cheia de sombras, cheia de pontos cegos, sempre terei a chance de mudar.

 

Minha alma

Agora que eu percebo você

E graças a isso eu sei que estou no caminho que você preparou para mim

O caminho do amor, da gratidão, do acolhimento, da transformação.

Na jornada que faz aflorar quem realmente sou, um ser de luz e amor

Gratidão minha alma, por além de existir se fazer presente e ter gritado tão alto

Ao ponto de me fazer fugir e a voltar.

Pois agora estou completa!

All Franca

Mergulho

Por Natália Coehl.

Para mergulhar é preciso estar na superfície de algo. Às vezes aquoso, mas nem sempre, existem muitas formas de submergir nas camadas profundas da existência. Mas, para falar de mergulho, talvez seja necessário pensar sobre o que é superfície.
Superfície é aquilo que os olhos enxergam, ou o que o corpo sente por meio do tato, ou peso? É a camada superficial de algum território? Posso chamar de território tudo aquilo que tem superfície? Se superfície for território, território é tudo aquilo que os olhos enxergam, ou o que o corpo sente por meio do tato, ou peso? Então território pode ser a estética de alguma coisa ou a percepção sensorial da mesma?
Iniciar com o olhar, enxergar a superfície, sentir o território e mergulhar nele. Como seria dançar essa dança? Olhar, ver, sentir e mergulhar. Olho, vejo, sinto e mergulho.
Olhar é ver a estética, inanimada, como se fosse uma foto, dela posso criar mil e uma histórias imaginárias. Uma foto pode ser criada para simbolizar estruturas, influenciadoras mentais. A captura da mente pode ser fatal, direcionando o corpo para um determinado sentido de movimento. Se fixar na camada superficial dos territórios, pode criar um corpo sintonizado com o sistema de reprodução em série, onde tudo que chega como novidade é tomado aos olhos como um flash de novas tendências na moda, conduzindo a massa a entrar na dança, desse mar de ondas beirais. O movimento de vai e vem das ondas da costa, são leituras superficiais do que está no fundo.
Já ver, é observar os detalhes, pensar sobre o que pode estar além da imagem e decidir se aproximar do território de interesse. Porém, adentrar no território de interesse pode ser fatal sem a ação de senti-lo. Sem a percepção do que não é o meu território – chamo meu corpo de meu território e o que está fora dele de território do outro –, tenho a impressão de estar invadido involuntariamente o espaço do que está fora de mim – se é que existe esse limite entre corpos, descordando do que falei anteriormente. Sentir é perceber sinais observados pela visão, tato e energia. Mergulhar é então a permissão cedida à entrada. Essa cessão é intuitiva e vai acontecendo na relação.
Para mergulhar é preciso coragem, pois o que está submerso, escondido irá ser revelado. Mergulhei e agarrei as pedras lá no fundo para ver o que estava em baixo do território. Sem ar, voltei à superfície e contando até três, puxei o folego e adentrei novamente nessas águas, agarrando nas pedras, agregando meu corpo a esse outro ambiente. A maré o conduzia a um movimento, senti-me uma alga sendo balançada pelo mar. Insaciada, como se quisesse ser de casa nas águas profundas, desagarrei-me das pedras e voei num deslocamento rasante beirando-as. A profundeza traz intimidade.
Sonhar com água me é muito comum, em alguns deles consigo respirar em baixo dela. Talvez tenha experiência em mergulhar, ou melhor, gosto desse ato. Desde pequena, nadando no fundo da piscina, brincando de fôlego, ou dançando o balanço da água, encontro no mergulho um hábito conhecido, onde parece que estou em casa. Em ambientes submersos é possível vasculhar os cantos do incognoscível, embora este seja algo que nunca pode ser descoberto.
Hoje, após aprofundar estudos de astrologia, identifico a característica descrita acima, próxima ao movimento de Marte no signo de Peixes. Este aspecto, também presente no meu Mapa Natal, acontece agora, acabando por influenciar à todxs nós. Tenho mergulhado há um mês na Praia da Baleia em Itapipoca-CE. Esse mergulho indica que tenho vivido neste território durante este período de quarentena. A opção de sair do ambiente cidade e me direcionar para um lugar onde possa pesquisar a vida em comunidade, é um sonho sonhado quando estou acordada. Tenho produzido muito esse pensamento e a vida me colocou por esse período aqui. Mesmo em quarentena, tenho conseguido realizar alguns movimentos espaciais, sem muitos contatos próximos. Nesse período tenho estudado para o mestrado, realizado escritas para o blog, trabalhado com radiestesia, além de criar em minha mente uma vida imaginária, porém, essa vida pensada tem se corporificado aos poucos. Os textos que tenho escrito para o Blog Artevista, tem se encaminhado para pensarmos como a mente pode ser criadora de movimento, e tudo isso depende muito de como focamos nosso pensamento. O mergulho é importante para verificar as cavernas do nosso ser, e observar o que está escondido por ali. O que tenho pensado? O que tenho criado para minha existência? Aqui, o movimento tem acontecido em alguns aspectos. Como estratégia de percepção de movimento nessa lunação em Gêmeos, que nos pede para estarmos atentxs ao que está próximo da gente, acabou me chegando uma pequena comunidade, Vera e Xéu. Amigos os quais tenho trocado experiências de vida. Conseguir viver fora do Sistema Capitalista me é algo sonhado. Quero aprender a dança de existir em outros contextos. Com Vera iniciei uma horta, temos espalhado sementes, esperando elas brotarem. Vera é uma pessoa admirável, seu movimento se dá praticamente um segundo depois que ela tem alguma ideia. Ela é do tipo de pessoa que corporifica de forma quase instantânea o que tem intenção de realizar. Xéu é engenheiro de pesca e mergulhador, está criando aqui uma estrutura de cultivo de algas. Aprendi com ele, a reconhecer Hypnea Musceiformis e a Sargassum Vulgares, que são ervas utilizadas para a criação de cosméticos. Tem também a Gracilaria Birdiae, mais conhecida como macarrão do mar, essa é comestível e deliciosa. Porém, a comunidade da Baleia não se alimenta dessa alga. Algo curioso, pois acompanha muito bem com peixe, além de ser nutritiva.
Para entender isso é preciso mergulhar e perceber como as relações acontecem nesse território, entender o movimento das pessoas aqui. Baleia é uma praia onde o turismo do Kitesurf chega nos meses de vento, trazendo pessoas de outros países com o intuito de praticar apenas o sport. Pergunto-me como essa troca se dá com a comunidade, que já vive aqui muito antes do turismo chegar. Parando para pensar sobre formas menos colonizadoras de adentrar a um território, como podemos pensar a forma como viajamos? Lembrando agora da pesquisa de mestrado do querido amigo Tomaz de Aquino, “O Ator Estrangeiro”, onde ele traz a reflexão entre o carácter extrativista do turismo, onde as viagens são programadas, perdendo assim a característica de ser estrangeiro. O conceito de estrangeiro para Tomaz traz o ato de se perder, misturar e dissolver ao território mergulhado, trocando assim afeto e corpo, misturando as águas, levando consigo um pouco do lugar, deixando também um pouco de si.
Só ver não basta, é preciso mergulhar e se dissolver, se renovar, dar um pouco de si, é preciso se relacionar, abrir a escuta, é preciso afeto. Existem várias formas de adentrar territórios, como podemos criar a nossa?

Qual o seu lugar no mundo?

Por All Franca.

Qual o seu lugar no mundo?

Quantas vezes nos questionamos sobre isso? Desde pequenos somos bombardeados com a pergunta corriqueira: “O que você vai ser quando crescer?”, num momento em que nem sabemos o que é crescer, sabemos apenas o como é Ser. Afinal toda criança sabe o que é Ser, para elas bastam apenas viver, cada dia é uma descoberta, não precisam de máscaras, papéis ou disfarces para suas emoções, elas apenas são o que são. Contudo, à medida que vão crescendo e  essa pergunta chega aos seus ouvidos, inconscientemente elas começam a acreditar que não “são” algo, que precisam “Ser alguém”… E nesse ponto começa nossa conversa de hoje.

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(Imagem de Gerd Altmann por Pixabay)

Nos últimos anos de minha vida, passei por diversas tentativas de “Ser alguém no mundo” conforme a sociedade prega. Quando me formei no ensino médio, fiz vestibular para diversas federais para Ciências da Computação, acreditava naquela época que era uma área promissora, não passei e acabei fazendo o curso Técnico em Informática. Depois entrei na faculdade para fazer Sistemas de Informação, fiquei um ano e meio, percebi que não era para mim. Dois anos depois passei em Licenciatura em Matemática, foi mais um ano ali, saí novamente para entrar em Engenharia Mecânica, o curso que eu acreditava ser a minha salvação, foi, ele me faria “ser alguém”. Fiquei nele por 6 anos, sofri por muitas coisas que passei nesse período. Mas hoje, acredito que o que mais doía era ter a certeza que eu não estava “sendo nada” ali. Estava sendo só uma repetidora de equações e raciocínio lógico e foi nesse cenário que iniciou-se meu despertar Espiritual (assim que chamo o processo de se conectar com sua essência divina). Foi apenas a partir do meu despertar que comecei a perceber quem realmente Sou. E digo para você que não foi um processo simples, precisei enfrentar muitas partes inconscientes minhas, muitas dores emocionais e muitas sombras, contudo passar por isso foi libertador. E aos poucos fui encontrando quem sou.

Antes desse processo, eu sentia um grande vazio dentro de mim e imaginava que ele seria suprido ao ter sucesso profissional. Me deparar com um mercado competitivo já dentro da própria universidade, me deixou mais perdida e infeliz do que já vinha experienciando. O meio acadêmico é avassalador, te engole feito uma onda se você não está entre os primeiros da turma, no ambiente de exatas então, você se torna apenas seu coeficiente de rendimento.

Hoje, depois de muitos altos e baixos compreendi que sou muita mais do que a sociedade espera de mim, que já sou um Ser completo e que minha existência aqui no planeta é devido ao meu propósito de vida, que descobri nesse caminho. Tal propósito se desenrola em levar consciência para o maior número de pessoas possível, e por isso estou aqui hoje a escrever.

E digo para você que, ainda não encontrou seu lugar no mundo, digo-lhe que está tudo bem está perdido e digo-lhe mais, você já é tudo que precisa ser! Sua natureza é divina e completa, você não precisa da aprovação da sociedade, dos familiares, ou de todos os meios que os reprime. Você guarda um grande potencial dentro de você, porém depende de você querer enxergar. No começo não é tão natural entender isso, mas aos pouco, com perseverança, amor e compaixão por você mesmo, será possível ter essa compreensão. Busque no fundo do seu coração, o que realmente te faz feliz? O que faz teu coração palpitar? Aquele sonho antigo, que para muitos não era promissor, mas para sua alma é ele que a completa, onde ele está? Não sabe ainda se tem algum sonho? Tudo bem, comece olhando para você, desenvolvendo seu amor próprio, dando valor a cada milímetro cúbico de quem és (se é que podemos medir o infinito que somos em milímetros cúbicos rsrs). Dentro de você tem uma vozinha que te diz o que fazer e você apenas a ignora pois você foi treinado a ignorar. Saia do botão automático, procure viver, deixe de apenas sobreviver, é chegada a hora de todos os seres humanos compreenderem seu infinito valor, não deixe essa onda passar, você já tem um lugar no mundo, você já é alguém. Se conecte com seu coração, não há problema se o caminho der voltas, o que você não pode é ficar parado no mesmo lugar.

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(Imagem de Jill Wellington por Pixabay)

A busca por Ser alguém na vida, me mostrou apenas que já sou, sempre fui e sempre serei. Hoje vivo feliz com meu propósito e estou cada vez mais compreendendo quem sou. Você também é capaz de viver assim, pois você já tem o seu lugar no mundo e esse lugar é dentro de você. Viva a sua verdade!

Com amor,

All Franca.

 

Heresia…

Por Natália Coehl.

O contexto histórico da palavra título deste texto se faz como algo tenebroso e que é melhor ser evitado. As marcas impregnadas no corpo, a partir de crenças fundamentalistas e ortodoxas, nos assombram até hoje, gerando bloqueios de possíveis novos movimentos. Porém, quero aqui trazer reflexão diante deste contexto histórico e buscar apresentar um pensamento perante o nosso momento atual.

Nossa civilização hoje traz o conceito de heresia da inquisição europeia, onde os cristãos caçaram e mataram qualquer cidadão que praticasse rituais e crenças (acreditando-se serem diabólicas), que não fossem as realizadas pela Igreja Católica. Muitas pessoas foram mortas, em sua maioria mulheres, pois eram tidas como bruxas. A religião e o estado se uniram para controlar a população, pois precisavam que os camponeses operassem em outro sistema, deixando o feudalismo e se encaminhando para o capitalismo. Silvia Federici, em seu livro Calibã e a Bruxa, explica muito bem como essa mudança foi obrigada e como tudo isso afetou as Américas. Basicamente, esses dois poderes precisavam de mão de obra para construir seu novo império sistêmico, para isso instituiu o pecado e a culpa como estratégia de controle dos corpos, designando a mulher como geradora dos futuros proletariados. A igreja então empregava assim suas convicções a partir de sua leitura patriarcal da Bíblia. Nós todos sabemos a quantidade de livros que foram queimados pela inquisição e os que ficaram foram os salvos pelos seus ateadores de fogo, restando apenas os que lhes eram convenientes, e talvez alguns a mais, escondidos em casas de alguns pagãos, que conseguiram resistir à inquisição, preservando assim outras filosofias antigas.

Para os gregos, heresia vem da palavra hairesis, que significa escolha, preferência, partido (religioso) e seita. Diante dessa reflexão, quem escolhesse filosofias diferentes da cultura local era considerado um herege. Existem vários registros de comunidades que foram dizimadas na inquisição, por realizarem rituais de adoração à Cristo de forma diferente da Igreja Católica. Esses rituais eram horizontais, onde mulheres e homens assumiam a guiança das seitas (Silvia Federici). Podemos, também, trazer para essa reflexão casos que aconteceram aqui no Brasil, como Canudos e a figura de Antônio Conselheiro (Bahia), e Caldeirão do Beato José Lourenço (Juazeiro do Norte-CE). Todas essas organizações sociais viviam de forma independente do governo e por isso foram atacadas por ele. O que doía (dói) para o estado e a igreja era a existência de pessoas, fora eles, com o poder de capturar muitas mentes, e que agiam em prol de sua comunidade, se organizando de forma DIFERENTE e INDEPENDENTE das operadas pelas ordens hegemônicas.

Então, se a mente for geradora de corpo e consequentemente de movimento deste: podemos supor – se, “digamos”, que nossas mentes foram capturadas pelo sistema hegemônico, é claro – que estamos produzindo corpo e movimento que não são nossos? Se sim, diante dessa louca esquizofrenia, posso perguntar: qual é a SUA heresia? Qual a sua filosofia? Quais são os seus valores?

Pergunto-me constantemente, como seria uma vida onde as hierarquias não existissem e as trocas pudessem ser realizadas de diferentes formas, em acordo com ambas as partes, sem sentimento de posse. Uma utopia que o filme “La Belle Verte” me fez sonhar.

Talvez estejamos parados hoje por cometer excessos, como diz Krenak, que a Mãe Terra nos deu um tapa na cara e nos colocou de castigo, para pensarmos sobre os nossos atos em existência. E disse ainda, que só iríamos poder sair de casa, vivos, se tivéssemos aprendido a lição.

Acima te questiono qual é a tua heresia. Dentro dessas questões, digo que é importante lembrar que existe a mente individual e a coletiva, e quando entramos em sintonia criamos uma energia fortíssima, por meio dos nossos hábitos, e a partir disso conseguimos a força da materialização. Parece magia? E é, pois magia é prática, é movimento. É verdade que fé move montanhas. Mas que montanhas são essas que estamos movendo? E se nos perguntarmos, o que pode acontecer ao movermos essa montanha? Até quando a fé cega irá nos mobilizar energia? Diante de tempos como esse, onde o governo tem desestabilizado mais ainda nossas estruturas diante da pandemia, só consigo pensar que essa montanha foi movida por uma grande potência coletiva gerando estragos ainda maiores neste momento, do que se tivéssemos uma mente coletiva que conseguisse dialogar entre suas diferenças. Porém a realidade é outra e estamos aqui recebemos o que criamos com a nossa mente coletiva.

Mas e qual é a estratégia agora? O que podemos fazer para não termos a mente capturada? O que devemos fazer para manter uma mente forte, porém herege?

Talvez seja entender que a unidade é parte do todo. Diante disso penso, em como vamos pular os muros tão bem construídos dos outros, ou como vamos receber os que pularam o nosso muro? Diante de uma sociedade que construiu sua individualidade como uma fortaleza, e a proteção dela é dada com guerra; diante de uma sociedade que construiu sua força invadido territórios alheios e dizimando tudo que lá existia, escravizando o que sobrava; pensemos, como conhecer, como respeitar, como dialogar… Cautela… Quem sabe assim conseguiremos nos conectar em rede, agindo de forma cíclica com a natureza e suas leis maiores, sem geração de resíduos e acúmulos amontoados, os quais a sociedade capitalista nos deu como resultado. Importante lembrar, que muitas dessas sociedades invadidas e dizimadas, poderiam estar tranquilas vivendo suas vidas em acordo com a natureza. Talvez possamos aprender com os que se mantém em resistência…

O jogo virou?

FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa. São Paulo, SP. Editora Elefante. 2017.

Acolhendo suas sombras

Por All Franca

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Imagem da internet.

Essa semana foi de muita atividade para mim, muita reflexão e muitos insights, nesse contexto eu decidi escrever esse texto para ajudar você, caro leitor, a se entender e lidar melhor com suas próprias sombras. Afinal se tem uma coisa que esse período de quarentena está fazendo conosco é estimular o contato com nossas dores, medos e angústias. Esse lado que na maioria do tempo está suprimido pela rotina e situações cotidianas, nos tornando reféns da nossa própria inconsciência. Precisamos observar esses comportamentos por outros ângulos e entender um pouco mais sobre a imensidão que é Ser Humano e como existe vários aspectos nossos que precisam de acolhimento e depois transmutados, pois só assim poderemos partir para uma vida mais conscientes.

Desde pequenos começamos as manifestações de nossas sombras, sejam elas desencadeadas por processos sociais, emocionais, materiais, etc. Ao mesmo tempo que elas surgem, somos incentivados a escondê-las, a parar, a bloquear qualquer sensação que esteja em desacordo com o senso comum. Assim a gente vai crescendo com esse sentimento de culpa por esses sentimentos inconscientes. Uma coisa eu tenho certeza, todo Ser aqui encarnado possui um ego, e esse ego gosta de viver polarizado no negativo, então todos já vivenciaram suas sombras e suas ações inconscientes. A pergunta é, o que fazer quando esse lado nosso aflora?

Para responder essa pergunta, primeiro temos que compreender quem somos. Somos seres em evolução, aprendendo a ser humano, passamos por momentos de alegria e dor. Essas oscilações são constantes em uma vida inconsciente, pois você se torna refém dos seus sentimentos quando os gatilhos mentais os acionam. O perigo da inconsciência é reproduzir repetitivamente nossas ações, sem que haja um aprendizado e evolução do nosso ser. Cá para nós, pense em uma situação que sempre se repete na sua vida? Quantas vezes você gritou com alguém por impulso e depois se sentiu culpado? Quantas vezes você gastou demais em um momento de tristeza ou empolgação? Quantas vezes você foi inconsequente com suas ações por conta de um momento e depois pagou o preço disso? Quantas vezes você disse que não faria mais algo ou tomaria alguma atitude e no fim voltou a fazer? Todos esses ciclos de inconsciência vão se repetir até que você aprenda a lição por trás daquilo e mude suas ações.

Se fôssemos ensinados desde pequenos a observar nossas sombras e a partir do seu reconhecimento refletirmos o que está desencadeando essas emoções e atitudes, e a partir dessa observação, compreender que não somos perfeitos e podemos sempre mudar e evoluir, buscando nos tornar alguém melhor, tenho certeza que pelo menos uns 70% dos nossos problemas deixariam de existir. Nós não podemos controlar as adversidades da vida, a única coisa que podemos controlar é nossa forma de reagir perante elas. Enquanto estivermos jogando nossos sentimentos obscuros embaixo do tapete, não saberemos o que os motiva e assim não poderemos curar a causa real deles e sempre reagiremos inconscientemente quando os gatilhos se manifestarem.

Então, comece admitindo que não é um ser perfeito e que está tudo bem ser que é, e almeje a melhor forma para evoluir. Está tudo bem não saber o que fazer com esses sentimentos nos momentos que eles surgem, mas aceite que eles estão aí, tente entender por que essas ações se repetem. Busque por traços da sua personalidade, do seu meio social, das suas dores mal resolvidas, tudo que te leva a agir assim. Se você sente inveja de algo ou alguém por exemplo, busque o que falta em você, pois ao almejar algo do outro é porque acredita que falta algo em você. Se sente raiva, qual a dor que está desencadeando essa raiva? E assim para cada sentimento distorcido que você tiver, os usem como grandes professores, pois são eles que vão lhe mostrar o que precisa ser visto e curado dentro de você. E a partir dessa compreensão, dessa integração de quem somos, podemos construir uma realidade melhor para nossas vidas, construir uma nova perspectiva para tudo que se apresenta. Está tudo bem não ser perfeito, o que não se pode fazer é deixar a vida acontecer e estagnar enquanto ela passa. Você veio aqui para transcender toda a inconsciência que lhe permeia. Coloque luz onde precisa ser visto, acolha suas mazelas e assim busque meios de curá-las.

Com Amor,

All Franca.