SOBRE REDISTRIBUIR A VIOLÊNCIA

Estava aqui pensando enquanto escrevo que nos últimos anos só tenho cá eu falado de raça, imagino que para quem me escuta deva em algum momento parecer meio sacal, desde que me descobri negro fiquei pensando sobre diversos modos de narrar, e a exemplo do que acontece em todas as sociedades a narrativa define o recorte histórico e organiza o que se convencionou a chamar de fato histórico.

O fato histórico serve para criar uma distância entre eventos que marcaram de morte esse mundo, e lhes dão contornos mas suaves, eles são remodelados e dessa forma funcionam melhor para estômagos frágeis, como é sabido a história precisa ser arrumada para que a sociedade possa entender e assim continuar a viver de uma forma digamos mais feliz. 

Daí nascem os mitos dos heróis nacionalistas, dos nomes que em nome de Deus e da pátria exterminaram iguais em prol de um futuro desejado, nesse futuro no entanto não cabe uma série de sujeitos que não se moldam bem a essa ideia de futuro e a solução fundamental é o extermínio, quer seja pelas ações de biopoder que o estado se utilizá por toda a história, quer seja pela obliteração total dessas pessoas, como nos casos de guerras cada vez mais e mais sangrentas, tudo isso depois é vendido e organizado de modo que o cidadão de bem possa dormir o sono dos justos em berço esplêndido; o fato histórico coloca uma distância entre o sangue derramado, e os  milhões de pessoas que morrem de fome ao redor mundo, e ou sofrem de toda a sorte de pragas criadas e organizadas pelo capital e pelo poder dos hegemônicos, dessa casta maldita, que vive a vida dita normal, sob um sol tropical que brilha sobre esses rostos rosados e sorridentes dos futuros mandatários das nações.

Em resumo o fato histórico coloca qualquer questão como superada, os genocídios de milhares de civilizações por toda a história, o tráfico negreiro ocidental, a escravidão no Brasil, a bomba atômica, a primeira guerra mundial, a luta pelos direitos das mulheres e as sufragistas, as lutas por direitos trabalhistas, o genocídio judeu, os 111 presos do carandiru, a morte de milhares de nordestinos pela seca de 1915, os campos de concentração cearenses na Belle Époque, a chacina da Candelária, a chacina dos 11 no Curió, e tantos outros eventos sangrentos marcados na história, a ideia de fato histórico quando coloca todas essas questões no passado ela sugere que como essas coisas foram superadas podemos pensar então sobre um pacto civilizatório de futuro, criando um pacto de cordialidade porque afinal tudo é passado.

É nessa ideia que se sustentam os debates em torno dos racismos ou das violências praticadas por grupos hegemônicos que de tão habituados a entender a história como algo passado, sem consequências no presente,  agem com extrema violência quando se veem questionados em seus privilégios, então voltando ao início desse texto, muito embora falar de raça para negros inclusive seja cansativo, não falar é aceitar que a escravidão foi superada e que isso não traz impactos negativo  sobre os docentes, como do ponto de vista das mulheres seria aceitar que a luta sufragista tenha sido suficiente para acabar com o machismo, e nesse sentido construir um pacto sobre o futuro sem questionar, que homens ainda matam mulheres por se sentirem senhores desses corpos, negros não podem aceitar a ideia de que as relações com brancos sejam saudáveis quando esses brancos ainda vivem os privilégios implantado por seus ancestrais, então olhar para uma pessoa branca sobretudo as em situação de privilégio econômico é entender que ele em última instância representa um espectro de morte do meu ancestral, seus ancestrais mataram os meus e não venha me falar em um país multiracial, recriando o mito das três raças tão utilizado no império e na nova república, e não utilize essa retórica por que ela fala de estupros e outras formas de violência que são inomináveis, e não venham me falar de riqueza cultural, quando para negros estarem aqui não foi uma escolha, e claro que esses traços afro descentes na cultura cria uma estética e uma ideia de cultura, mas não podemos esquecer que isso que chamamos de identidade cultural nasceu da ideia de que o branco achava que era superior e por isso poderia se utilizar de todas as outras espécies para que pudessem até hoje ter seus descentes sobre uma montanha de privilégios sem fim.  

28.05

Imagem de arquivo.

É crucial que falemos de raça e que pensemos em redistribuir essa violência vivida por inúmeros corpos, brancos não entenderam a ideia de raça partindo de diálogos afáveis como os criados em espaços acadêmicos ou em rodas  de maioria branco, e isso coloca a questão essencial sobre o branco no fato histórico; quando você, meu caro amigo branco vai se mancar, sair do seu lugar de sujeito universal para elaborar um debate real sobre a violência que é racismo?

Somente com a marcação racial auto imposta ou imposta pelo povo preto, somente assim poderemos olhar uns nos olhos do outro e conversar sobre acabar com a ideia de raça, larguem mão dos seus privilégios ou questionem eles para que possamos criar um ambiente de diálogo possível, essa questão não será resolvida de forma pacífica porque esse tempo já passou têm alguns séculos, mas ainda podemos fazer essa leitura e essa mudança de perspectiva com impactos menos agressivos para ambos os lados; Ailton Krenak em estratégias para adiar o fim do mundo, fala de algo como criar um pacto civilizatório entre homem e natureza para que possamos reagir ao extermínio planetário, mas reconhece que o tempo está acabando e acabou,  sobre o pacto civilizatório eu acredito que seja uma saída, mas tenho certeza que esse pacto só seria possível com redistribuição de recursos, reorganização do tecido social e uma obliteração do sentido de poder e superioridade que o homem branco criou sobre si mesmo e que seus descendentes replicam todos os dias do auto de seus apartamentos,  o que constatamos no entanto sobretudo sob um governo totalitário é que essas pessoas brancas jamais abrirão mão de seus privilégios, como uma raça pensando junto sobre superar os problemas históricos a que somos acometidos, uma vez que essa reflexão não virá, a única saída é a desobediência civil e civilizatória.

Aqui mais uma questão  fica evidente, pessoas brancas são capazes de criar uma reflexão sobre seus privilégios e pensar uma sociedade horizontal quanto à garantia de condições de existências justas? Pessoas negras estão preparadas para tomar tudo que nos foi tirado na marra, com a força de seus pulsos? Seremos capazes de assumir a ideia de revolução com tudo que ela tem? força e violência? Porque sim, revoluções são violentas, elas não podem acontecer de outra forma, porque até esse momento da história que tem privilégios nunca abriu mão dele sem matar, e exterminar. O povo preto é capaz de assumir o lugar da desobediência civil pelo direito a existir nesse mundo sem que seja uma roleta russa constante? Se sim, tenho medo e pena do que podemos nos tornar, se não tenho medo e pena do que poderemos nos tornar, parafraseando Ailton Krenak, estamos chegando ao limite de qualquer possibilidade de negociação, o tempo está acabando e o fim do mundo se aproxima, quer seja como evento epistemicída quer seja como evento revolucionário, uma coisa é certa o mundo que aí está precisa acabar.

Quanto ao fim do mundo planetário, não sei se temos mais tempo, a natureza se manifesta como a madrasta que sempre foi, ela também deseja uma liberdade absoluta, esperemos e nos preparemos, o fim do mundo está em curso. 

Kiko Alves –  28 de Maio de 2020 / Narrativas do Fim do Mundo.

“menininha”

Me sinto como se eu tivesse que ter uma conversa semanalmente, sendo colunista de um blogue. Às vezes a “coisa” flui, e eu gosto. São as raras exceções, gostar do que escrevo.

Por acaso vi passando hoje na linha do tempo de um amigo, no Facebook, essa citação da Hilda Hilst:

“Na verdade, para fazer uma literatura que seja considerada essencial, você precisa ler muitíssimo, estudar muitíssimo e, só depois de muitos anos, é que você fica mesmo apta a trabalhar. Você pode ter um processo intuitivo, bonitinho e tal… mas não será ‘literatura’ essencial. Outro dia, vi no Caderno 2 uma menininha escrevendo um poema e todo mundo dizendo que era um gênio. Uma bobagem enorme. O processo demora muitos anos; quinze, vinte anos, para de repente se poder dizer: ‘Agora acho que está bem, que eu consegui o melhor de mim.'”

(HILDA HILST – “Fico Besta Quando Me Entendem”.)

Andei pensando em, parar de escrever, foi numa dessas noites enquanto eu tentava meditar, deitada sobre um caminho de pedras. Mais parecia uma lutadora de esgrima, tentando me esquivar dos pensamentos.

Só escrevo por angústia. E estou mais para essa “menininha” que escreve intuitivamente.

Clarice dizia não gostar muito de estudar, o intelectualismo a exauria. Os intelectuais conceituam tudo, a vida, a morte, o amor, a arte. Para ser bem aceita no meio artístico é preciso ser intelectual e conceituar, aí sim se faz arte, e se alcança um status. Melhor é ser nada, e estar ao mesmo tempo em tudo. A arte é um perigo psicológico, e esta, eurocêntrica e falocêntrica, é brutal, exclui, dita. Seria ela um tipo de ditadura, sem intervenção militar, mas que ainda assim dita as regras do belo, do que é ou não arte? Particularmente, sou a favor de uma arte libertária, acessível. Cada ser possui subjetividades, portanto, é capaz de produzir arte.

Saindo da arte, e indo para o universo onírico, onde a realidade acontece, eu poderia falar só sobre a minha vida onírica. Embora seja igualmente perturbada, há uns lampejos de beleza.

Essa noite eu sonhei que o mar tinha uma língua, e que lambia os meus pés me fazendo cócegas. Depois, que eu engatinhava sobre as pedras, até vir uma onda e me alcançar. E por fim, eu entrava num barco, cuja a capitã era minha avó materna. Seguíamos por alto mar, desbravadoras, e ela me apontava para uma lua vermelha. Também sonhei derrubando um bolo de aniversário, mas não era o da Roberta Bonfim. Tomara que isso não seja um mal presságio. Eu adoro bolo de aniversário.

No meu último aniversário não teve. Não teve nada de aniversário. Mas ganhei dois presentes do Zé, o primeiro uma pintura, o segundo, fomos à estreia do Cine Ceará 2019, assistir A Vida Invisível de Eurídice Gusmão. Não tínhamos convite, mas ganhamos um par do Pablo Arellano.

Que cerimônia cansativa. A próxima eu poderia ir de pijama, se bem que, durmo desnuda. Tão cansativa que quando começou o filme eu e o Zé já estávamos cansados, eu achei indelicado pedir para sair na metade, mas ele me convidou, e eu o agradeci. Saímos e fomos comer uma massa, penne, me lembro, à carbonara. Deus foi muito feliz em ter criado o bacon, melhor que a humanidade. Se é que ele existe mesmo, e a tenha criado. Eu não acredito. Voltando à minha relação com o Zé, ele é um dos meus melhores amigos. Temos uma relação profissional e de amizade. Nossas conversas ao telefone não duram menos que uma hora. Recebo seus áudios de 30’ ao Whatsapp e os ouço. Se eu pudesse eu gravaria nossos diálogos. Outro dia ele me contou do encontro com a Hilda Hilst e me falou uma frase que ela deixou escapar pra ele “o homem é só, mas constelar na essência”. Essa frase estampava o cartaz da peça teatral O Verdugo, escrita por HH durante os anos de chumbo, de forte engajamento político, revolucionário, e poético, como o era o teatro hilstiano, e toda a sua obra poética, falar do gozo é um ato político e poético, também.

Pausa para ligar pro Zé. E fazer uma pesquisa rápida sobre O Verdugo.

O cenário e o figurino foram assinados por ele. A peça foi montada no Teatro Oficina, e bombardeada pela ditadura, pelo teor político e libertário que apresentava. Já que nos anos de chumbo, a censura era a “namoradinha do Brasil”.

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Cartaz da montagem de O verdugo no Teatro Oficina (Reprodução). Fonte: Cult Revista.

“Só é liberdade se for”. Zé Tarcísio. Um homem do teatro, das artes plásticas, do cinema. Um libertário.

O material para pesquisa sobre O Verdugo encontra-se no seu arquivo, no atelier, ali no entorno do Centro Dragão do Mar de Arte Cultura. Quando voltarmos, quero me debruçar sobre ele. Ele me sugeriu aprofundar.

Voltando à língua do mar, que no sonho me lambera os pés, não é um fetiche, mas a língua pode e deve ser muito bem usada.

Pensei num poema, nada genial, mas “bonitinho”.

“Na hora dourada, a língua do mar lambia os meus pés, sujos de areia.

E o vento me soprava nos ouvidos segredos de marinheiros e Yemanjás.

Os marinheiros, que após longos meses ao mar, aportando por terras desconhecidas voltam para suas casas sedentos.

A Ponte Velha, o Mara Hope, testemunham o amor em noite de lua cheia.

E o pescador, homem simples, deleita-se sobre os seios da amada.”

Afinal, a conversa foi para um outro lugar, que eu não pretendia, mas, escrevo ao sabor do vento, como sabem, por isso chamo essa coisa de “coisas de tempo e vento”.

Coisas de Tempo e Vento por Marcelina Acácio.

Celebrando e Agradecendo

Por Roberta Bonfim.

Às vezes ensaio me sentir culpada por ter esse olhar Polyanna, ensaio me entristecer, me rebelar, ensaio muitas coisas, minha cabeça até se cansa quando tento desenhar caminhos para me tornar esse ser…. E não sou, nunca fui e possivelmente não serei. Falta em mim o dom para sofrer. Definitivamente não sou boa nisso e quando o desespero bate normalmente opto pelas crises de riso, ou sobrecargas de funções, ao ainda uma boa série como The is us que me levaram a prantos sem fim. Meu terapeuta dizia que sou inteligente. Ele repetiu tanto isso em nossas sessões que me convenceu e também me convenceu, ou me deixei convencer que as culpas não me vestem. Houve um momento em que ele quase se assustou com minha ausência de lágrimas ao falar sobre o que deveriam ser dores, e em algum lugar devem mesmo ser, mas não sei senti-las, ou aprendi muito bem a  racionalizá-las e então buscar caminhos outros que me possibilitem continuar existindo. 

E por que escrevo tudo isso? Porque hoje só desejo celebrar e agradecer e quase retomo o ensaio de culpa. Pois como celebrar em meio a uma pandemia? Como agradecer quando tantos fazem a passagem e,ou estão doentes? Como celebrar quando deveria tá chorando com o desgoverno que chefia o executivo do país que tanto amo? Mas, celebro e agradeço. E apesar do ensaio não me sinto minimamente culpada por celebrar e agradecer a vida, as histórias, as de verdade, aquela que não nos ensinaram na escola. Celebro e agradeço aos amigos, aos ArteVistas que comigo compartilham-se e compartilham sonhos. Celebro e agradeço a vida!

Hoje especialmente celebro os 114 anos da Ponte Velha, lugar com o qual me relaciono desde a barriga da minha mãe. Lugar que sempre, em todas as ocasiões me recebeu e tratou bem, lugar que fez nascer o Poço da Draga. Então celebro agradeço ao Poço da Draga, seus guardiões da memória, seu povo tão bom de papos e abraços. Celebro e agradeço pelas vidas de cada um que ali resistem e narram nossa história. Agradeço a Marilac e Isabel Lima, por serem as mãezonas que são, ao Serginho por ser este amante do lugar que lhe deu e dá vida. Celebro e agradeço Seu Chico, o Seu Lunga do Poço da Draga. Manelzim, que além de pescador dedica-se a ensinar capoeira aos seus. João e Maria, um casal lindo de se ficar perto ouvindo as história do tempo do trilho e tantos mais que a vida, histórias e convívio me ensinou a amar. Celebro e agradeço pois ArteVistas incríveis aceitaram nosso convite de realizar uma live de 10 horas amanhã (27 de maio de 2020) em comemoração a este Lugar, que nos inspira a todos nós. Agradeço a nossa equipe linda que se mobilizou para fazer acontecer. E que vai ser uma loucura linda e repleta de afeto, carinho, arte e desejo que mais se somem a este lugar, para entenderem mais sobre nossa própria história, que esqueceram de nos contar. Nossa forte relação com o mar. Nós que moramos na esquina do Brasil, a um oceano da Europa. Nós que vivemos, sentimos e somos Fortaleza.

Então, estou celebrando e agradecendo!

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IMAGEM DE DIVULGAÇÃO ANIVERSÁRIO DO POÇO DA DRAGA

E tem mais. Ontem teve mais uma estreia do especial Melhores Momentos da Lugar ArteVistas -arte onde estiver, na Varanda Criativa. Esse Lugar que amamos habitar e que devido as circunstâncias não estamos podendo ir celebrar a vida ao lado do querido ArteVista  Gustavo Portela e dos seus. Mas, com o programa matamos saudades e respiramos. E se você que está me lendo não assistiu, aproveita que tem o link aqui em baixo e aperta o play. Garanto que será uma respirada profunda que te encherá os pulmões de crença e amor pelo futuro que há de vir,  e virá. No foco a cozinheira que apresenta o quadro Arte na Cozinha, Clara Freitas e sua risada mais gostosa, nossa fotógrafa ArteVista que amamos Lorena Armond, o produtor e músico Marcelo Freitas, o músico pernambucano Almério, a cantora baiana Luedji Luna, e o multiartista Gyl Giffony, deixam claro em suas falas, crenças, pesquisas e lutas que é urgente que nos relacionemos com nossos lugares para que encontremo-nos e fortalecemo-nos e assim, possamos contribuir com o mundo em que existimos. Grata Kiko Alves por ter feito esse corte tão lindo e conseguido resumir um mês em 20 minutos.. 

    PROGRAMA DE ONTEM

E como a semana é mais que ontem e hoje, agradeço a Allana Peixoto por ter me desafiado a compartilhar rotina, fiquei muito me sentindo blogueirinha e foi lindo e importante saber que o nosso dia a dia aqui em casa inspirou e provocou leveza ä seres que nos são queridos. Não dou conta do sempre, pois gente pense numa coisa pra dar trabalho, mas tentarei sempre postar sorrisos, compartilhar aprendizados e certamente que depois de tantas horas de live, ficarei mais safa com a internet. Agradeço também ao nosso advogado Eduardo que me deu o melhor presente dos últimos tempos, conseguimos registrar nossa marca, agora somos formalmente Lugar ArteVistas -arte onde estiver e podemos trabalhar com mais segurança e alegria, pois nossa marca querida, feita pelo nosso designer Marcelo Muz, ainda terá muita história para contar.

Boneca lugar

LOGO LUGAR ARTEVISTAS

E tenho mais a agradecer. A campanha em prol do Poço da Draga vem possibilitando deixar essas famílias em situação possível de existir, e outros parceiros maravilhosos vem se somando. Além da Associação Anjo Rafael, que jamais me cansarei de agradecer pelo trabalho incrível que fazem, e por me ensinarem com exemplo a sempre transformar dor em amor, a turma do Spray do Bem, aqui organizada pelo Além da Rua, e todos os artistas envolvidos. Mas também ao João Furtado, do Iprede que vem junto com os seus fazendo um trabalho de milagres e afeto, a turma do Auê e tantos.. E a todos que estão colaborando, se somando e vibrando positivamente para que passemos por tudo que estamos passando da forma mais leve possível. É fundamental que deixemos a vibração boa, que chamemos pelas chamas violetas de cura e transmutação. É importante agradecemos pela nossa saúde e ficarmos em casa, para manter a saúde dos nossos. Lembro que somos todos um e que devemos trabalhar essa cura coletiva.Alguns perdemos, outros ainda irão e a vida vai seguir e mais que antes faz-se urgente que nos melhorarmos como seres e saibamos como somar ao nosso próximo. O mandamento amar ao próximo como a nós mesmos, nunca esteve tão em alta no meu coração e torço que esteja também no seu, pois é exatamente isso. O próximo somos nós mesmos e para sairmos disso fortalecidos é fundamental e urgente que pensemos coletivamente.

‘’AMAI AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO’’

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Nossos corações se enchem de gratidão igual a Dona Maria Zenir. Mas sabemos que a campanha do Poço da Draga não pode parar. ⠀ Vamos sempre lembrar que são mais de 500 casas com duas ou mais famílias dividindo espaço e sem sua fonte de renda. ⠀ São trabalhadores que hoje estão de mãos atadas mas que não perdem a esperança. ⠀ Quem puder ajudar pode transferir qualquer quantia para a diretora da ONG @velaumarong @marillac.lima3 ⠀ ⠀ ⠀ Luiza de Marillac Lima Ferreira⠀ Cel (85) 9 8775.3596⠀ CPF: 657327823 20⠀ Agencia 3468 1⠀ Conta 118270- 6⠀ Banco Brasil⠀ ⠀ #lugarartevista #artevista #arteondeestiver #arte #art #batepapo #afeto #música #dança #teatro #criação #criatividade #coletivo #artevistas #cultura #amor #organization #organizaçãosemfinslucrativos #profit #ong

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E por falar em amor, gente… O que é este blog, se não lugar de pleno amor? Nesta semana tivemos duas estreias de ArteVistas tão cheias desse amor, Juliana Veras e suas memórias afetivas, que afetam o coração e Mari Trotta, uma mãe que tanto me inspira, isso além de outros textos tão necessários. Gente, só tenho a agradecer a todos e cada um por se compartilharem e permitirem essas trocas que de certo nos fazem tanto bem. 

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IMAGEM DE DIVULGAÇÃO

A parte a isso sigo Polyanna, buscando sempre o que celebrar e agradecer, pois neste mundo de tantas matrix, podemos escolher até tal ponto o que queremos visualizar e assim viver. Grata por me ajudarem a perceber o quanto a humanidade é linda, o quanto somos um ambiente buscando equilíbrios e movimentos. E por falar em movimento, celebro e agradeço ao reggae, samba, forró e carimbó que nos ritmam aqui por casa. Sigamos com força, foco, fé, amor e muito aprendizado. 

Celebração e gratidão! 

Parabéns Poço da Draga! 

Carne de carnaval

Por Indyra Gonçalves

Começou o carnaval, oficialmente. E hoje o nosso sextou tem muito glitter, tiara, dicas preciosas, pegação com consentimento, amor gostoso com camisinha, bebidas com ou sem álcool e muita festa, como deve ser o carnaval. O nosso papo vai entrar também na avenida com quem curte silêncio, paz, filme e edredom. Claro, reforçar que fantasia não é convite; não, aqui ou no Japão, é não; beijo forçado é assédio e crime, que travesti não é fantasia, assim como índio, profissões, homem vestido de mulher ou pintar a pele com a cor preta. É carnaval e também tempo de celebrar a diversidade, o respeito, a igualdade de gênero, para curtir a folia sem julgamentos, seja pela roupa ou pelo que a pessoa decide beber. Afinal de contas, carnaval ou não, respeitar as diversas formas de aproveitar os momentos da vida é fundamental. Então, coloca a alegria, a fantasia ou pijama e vem chegando que o bloco do carnaval está na avenida!

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Essa, sem dúvida, é a melhor época do ano. A minha carne é de carnaval, assim como minha alma e o meu coração. E para começar a folia com o pé direito, convido vocês a celebrar o respeito. Já pode esquecer a ideia machista de que no carnaval pode tudo. De jeito nenhum. No Carnaval ou em qualquer época do ano, tudo o que pode tem que partir de um consentimento. Tem que pedir para beijar, passar a mão na bunda, pegar no peito, transar, filmar, fotografar. Eu, particularmente amo esse tesão que o carnaval provoca, mas tudo a partir do meu desejo combinado com o do outro.

Então, a mina que bebeu não quer dizer que está fácil, pelo contrário. A mina que bebeu, bebeu porque gosta de beber e quer aproveitar o carnaval de boa, sem importunação. E as gatas com shortinho, pouca roupa ou decotão, não estão pedindo nada. Elas querem apenas curtir o carnaval, o verão, o calor da folia e claro, mostrar, se assim quiserem, seus corpos. Guarda essa informação, vamos respeitar as minas, as manas e as monas. Porque se a mina disser não, é não. E para quem não conseguir segurar a onda e partir para o desrespeito pode acabar no bloco dos presos, porque assédio é crime, bebê.

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Campanha Não é Não distribuiu tatuagens em Salvador (Itala Martina/Divulgação)

 

Desde o carnaval do ano passado, após a aprovação da Lei 13.718/2018, assédio sexual ou importunação sexual é crime, ou seja, roubar beijo, encochar, puxar o braço à força e tocar no seio de uma mulher sem permissão são algumas das ações proibidas e dá cadeia. A pena para importunação sexual pode variar entre 1 e 5 anos, sendo aumentada em caso de agravantes.

Com muito brilho, cor e rebolado Gretchen e a prefeitura de Recife mandam o aviso  no vídeo Pequeno Manual Prático de Como Não Ser um Babaca no Carnaval. Em nova versão de ‘Conga La Conga’, a rainha do Rebolado manda um recado contra o assédio no Carnaval de 2020.

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Gretchen e a Prefeitura do Recife lançam campanha contra o assédio

sexual para o Carnaval 2020. Foto: Ana Braga / Prefeitura do Recife

Confiram o vídeo babadeira da campanha Pequeno Manual Prático de Como Não Ser um Babaca no Carnaval: https://www.youtube.com/watch?v=nqvKanNhH2Q.

Muita gente pode estar pensando nos motivos pelos quais um assunto tão básico e que parece tão óbvio ainda esteja em debate e presente em campanhas em pleno 2020. Pois é, também faço essa pergunta, já que respeitar as individualidades, o que as pessoas desejam ser e são é completamente óbvio. Porém, os números de assédio a nós mulheres, especialmente no carnaval ainda são altos. Um levantamento, realizado pela Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo (SSP) – obtidos pelo Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação, apontou, no carnaval de 2018, 571 crimes sexuais em todo o Estado. Os dados fazem referência ao período de 8 a 14 de fevereiro daquele ano. Entre os crimes estão estupro, estupro de vulnerável, atos obscenos e assédio.

Durante esse período, infelizmente, o número de queixas de mulheres que sofrem violências sexuais aumenta 20% em relação ao resto do ano, conforme dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), do Disque 100 (Disque Direitos Humanos) e do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Mesmo com tantas campanhas, especialmente no carnaval, algumas mulheres não denunciam. Os motivos são os mais diversos e não cabe aqui julgamentos, mas sim apoio. Aproveito para convocar todas as mamas a denunciar, gritar, pedir ajuda. 180 em gente babaca! Confiram essas dicas que recebi para fortalecer a nossa sororidade no carnaval:

  1. Ao ver uma mulher em uma situação desconfortável, ajude-a! Vá até ela e fale: “oi amiga, te achei!” e tire ela de lá.
  2. Ao ver um mulher sozinha alcoolizada ou inconsciente, cheque se ela está acompanhada de pessoas em que ela confie.
  3. Ao ver um homem sendo agressivo com uma mulher, fique ao lado dela ou a tire de perto dele se for preciso.

Carnaval é uma festa popular e política, claro. Aliás, a política está em tudo. Estaremos fantasiados (em alguns casos com fantasias que representam protestos sociais, políticos e econômicos), talvez bêbados, beijando as mais diversas bocas (no meu caso, vou aproveitar a boca do meu amor), transando muito (sempre com camisinha, tá), dançando e celebrando a festa que é o carnaval. Isso tudo é um ato político e democrático. Porque o carnaval é exatamente isso: respeito, diversidade, liberdade, manifestação de desejos, pertencimento. Carnaval é curtir os espaços públicos, coletivos, o direito de ser quem quiser. E para você que acha que o carnaval não representa tudo isso, apenas pare e repense.

Essa é a festa do amor, das cores, das minas, das monas, pretas, dos pretos, das travestis, da família, dos índios, das lésbicas, de homens e mulheres. Não esqueça que assim como o assédio, homofobia é crime punida pela Lei de Racismo (7716/89), que hoje prevê crimes de discriminação ou preconceito por “raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”. Deixe a galera amar e respeite a diversidade.

Para quem deseja curtir o feriadão longe do barulho e da agitação, em Fortaleza, a dica é a programação do cinema do Dragão do Mar, que irá exibir nove filmes entre os dias 20 e 26 de fevereiro. Na lista de longas está o vencedor do Oscar 2020, Parasita. Os ingressos estão partir de R$ 8 (meia) com valor promocional na terça-feira (25), com bilhetes a R$ 5,00 (meia). E para quem é do bloco Unidos do Sofá tem pipoca, brigadeiro e Netflix.

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Cena do filme Parasita – vencedor do Oscar 2020

No mais, não esqueçam de ficar hidratados, comer bem, compartilhar a folia com os amigos, abusar do glitter (optem pelo biodegradável), beijar, transar (com camisinha) muito com quem quiser fazer o mesmo ou só ficar de boa sem fazer nada. Bom carnaval!

Acidum Project_ Curumim_Fortaleza

Somos uma revista eletrônica cultural e temos por objetivo conhecer Lugares e artistas, que aqui chamamos ArteVistas, por suas formas e crenças, que trazem arte pra vida.
Estamos muito alegres com essa edição pois conseguimos, mesmo que em tempos outros realizar o sonhado em outro momento.
Agradecemos muito a turma Acidum que tendo virado a noite trabalhando foram cheios de simpatia e amor no coração conversar conosco e ao Curumin e turma que depois de uma maratona de shows nos receberam para um papo descontraído.
Agradecemos geral pois desde muito cedo entendemos que este Lugar só existe com a participação de todos.

Como amamos fazer isso o que fazemos!

Se curtir, se increve na página e compartilha com quem acredite que vá se identificar.

Urru! Simbora!

#arteondeestiver #lugarartevistas #gratidao