Eu quero é botar meu bloco na rua

Esse ano não vai ser igual aquele que passou, eu não brinquei, você também não brincou…
Nós vamos brincar separados… Pela Pandemia do Coronavírus, pela H3N2, Omicron e por milhares de negacionistas desse desgoverno. Infelizmente.
Eu sou cria do carnaval de Beberibe/Morro Branco, Aracati, Iguape, Canoa Quebrada, Cascavel, Paracuru, Salvador…
Já fiz poupança um ano inteiro para garantir o carnaval, fiz dieta da moda pra não fazer feio com a fantasia, até já entrei no curso de dança para decorar direitinho as coreografias do momento. Amo esse período!
Quem nunca acordou arrependido numa quarta-feira de cinzas, de ressaca ou já fazendo planos para o carnaval do próximo ano, não curtiu o carnaval direito.
Se você não ficou rouco de tanto cantar as músicas que detestava ( que são moralmente ridículas e politicamente incorretas), surdo de curtir “paredão” e não sabe todas as coreografias da moda decoradas, você nunca esteve numa festa de carnaval.
Sim, eu desci na boquinha da garrafa, passei embaixo da corda, segurei o tchan, fiz peixinho nadando pra trás, imitei uma onda .. e se duvidar, hoje, ainda dou meus pulos kkkk
Carnaval que se preze tem que ter aglomeração, samba, suor e cervejas. Pode ser com a família, com amigos ou com a turma do trabalho. A gente pode alugar uma casa ou invadir a de um parente, mas é obrigatório fazer a “base” durante o dia, comer um bom churrasco e ensaiar as coreografias para fazer bonito na praça a noite, fantasiados ou não.
Quem nunca usou a célebre frase: ‘ se eu não lembro, eu não fiz!” Depois de emendar o “mela-mela” com a pracinha, não sabe o que é carnaval.
Se ao voltar pra casa você não estava com as roupas sujas de maizena, você curtiu tudo, menos o carnaval.
E, por fim, se você nunca inventou uma desculpa para não trabalhar na quarta-feira de cinzas, você não viveu o carnaval como deveria.
E “eu quero é botar meu bloco na rua, brincar, botar pra gemer…
Eu quero é botar meu bloco na rua, gingar, pra dar e vender”.
Mas, isso agora faz parte dos projetos para o próximo ano. Simbora, gente! Começar a poupança, a dieta, vender as milhas e refazer os planos.

Abraços,
Samya Régia.

Todos os dia, o dia todo

Só mais um dia na rotina de uma mulher, brasileira, nordestina, trabalhadora e mãe.
O bip do celular avisa a entrada de uma mensagem da escola. O coração dispara automaticamente.

  • Boa tarde, d. Samya!
  • Oi, tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
  • O João Vitor está com o nariz escorrendo e reclamando de dor na garganta.
  • Vou buscá-lo! – Não pensei duas vezes. Atitude como mãe e como cidadã em meio à Pandemia. – Vamos fazer o que tem que ser feito. Imediatamente começo o processo de desligar computador, fechar agenda, comunicar aos colegas e jogar as coisas na bolsa com a pressa que só as mães com o coração apertado conhecem.
    Ah, se a gente tivesse o poder de se teletransportar…
    Quem é mãe sabe: tudo, tudo, menos filho doente, por favor! – Dói neles, dói mil vezes mais na gente. Mas não é sobre isso…
    Estou com raiva, sim! Eu precisava trabalhar e mais que isso: eu queria ter ficado trabalhando. Estou p.. Porque não só voltei mais cedo do trabalho, como sei que amanhã, depois de amanhã e depois, depois e sempre, sou eu quem vai ter que faltar ao trabalho para cuidar do filho.
    Estou exausta porque durmo 1h, e levanto às 5h, e se o pequeno acordar nesse intervalo sou eu quem vai acalentá-lo.
    Estou com muita raiva por ter que adiar a manutenção das unhas, desmarcar o café com as amigas e ficar sem a sessão de acupuntura da semana.
    Nada disso tem a ver com meu amor pelo meu filho e ou é culpa dele ter adoecido, não é sobre isso. Ele, aliás, eles, sempre serão minhas prioridades. A questão aqui é outra. É sobre o papel do maternar solo, mesmo tendo um pai presente.
    É sobre o que foi enraizado em nós mulheres/mães quanto à responsabilidade desse cuidado quase que simbiótico entre mãe e filhos.
    É sobre a cômoda exclusão voluntária do pai nesse processo, principalmente quando nossas crias são pequenas.
    Tenho responsabilidade nisso, claro. Afinal, eu me permito viver dessa maneira sobrecarregada.
    A sociedade na qual estou inserida e fui educada, dentro dos padrões machistas, ensinou/ensina a reforçar crenças limitantes nos papéis da mulher enquanto mãe, dona de casa, esposa, que precisam ser priorizados.
    Já a vida da mulher, enquanto profissional deve ficar em segundo, terceiro plano, ou pior, se sobrar tempo.
    Como não pensar em Helena, a protagonista do filme A filha perdida?, – Esse filme veio mesmo para incomodar, para nos convidar a pensar no papel da mulher. Se fosse para encantar, a gente assistia à Sessão da tarde da Disney. Quem nunca viveu na pele da Helena? Quem nunca precisou fazer uma escolha difícil que fizesse bem só para si? Qual mãe nunca sentiu vontade de fugir (mesmo que por alguns instantes)? Jogar tudo para o alto e correr atrás de um sonho, da carreira profissional ou de um grande amor proibido?
    Helena fez. Abandonou as filhas, o marido e a vida cheia de frustrações. E foi julgada, impiedosamente, por isso. Mas Helena não foi sozinha. A culpa, a saudade, o julgamento, o medo, sempre foram seus “aliados”.
    Só mais um dia na rotina de uma mulher, brasileira, nordestina, trabalhadora e mãe.

Samya Régia
Mãe de João Pedro 19a e João Vitor 3a

Jogo da vida, uma fantástica aventura

Como vocês podem constatar, eu não ganhei a mega da virada…
Portanto, parte dos meus planos, que contavam com essa sacada da sorte, foram automaticamente cancelados.
Entretanto, os planos para 2022 que dependem unicamente de mim, todos eles estão mantidos e devidamente colocados no papel, minimamente detalhados, em local de fácil acesso para que eu possa visualizar sempre e acompanhar meus avanços em direção as realizações.
Estão mantidos todos os planos que dependem da minha força de vontade, da minha determinação, disciplina, perseverança, do meu suor e dedicação. Todos, absolutamente todos, estão mantidos. E só dependem de mim para que eles saiam do papel, do modo projeto, e passe para fase de execução e, consequentemente, realização.
Que saiam da fase do sonho, que é puramente subjetiva, e passe para fase de realização. E esse período, entre o sonho e a realização, nós chamamos de processo.
Processo é todo caminho que temos que percorrer para realizar algo. E esse processo é de cada indivíduo, e é único. Por isso, tem tempos de construção distintos e métodos diferentes.
Ah! Já ia esquecendo: não jogo na mega sena e em nenhum outro tipo de jogo de azar…
Aposto todas as cartas em mim mesma. Usei a “mega da virada” como exemplo figurativo .
Eu jogo mesmo, o jogo da vida! Bem mais desafiador. Com várias etapas a percorrer. Nesse jogo, uma vez por ano, são renovados créditos de 365 dias, com 24hs/dia em branco para que possamos escrever a história que escolhemos viver. E como únicos protagonistas.
Talvez essa construção não tenha a velocidade e a facilidade que para alguns planos, o dinheiro possibilita, mas o que realmente importa é o processo, o aprendizado que fica e o resultado que conseguimos com nosso esforço.
Não é a passagem de 2021 para 2022 que faz o ano ser diferente, não. É a nossa vontade de renascer, é a coragem de nos reinventar, de ressignificar desejos e fortalecer os laços com quem verdadeiramente caminha ao nosso lado.
É buscar ser a melhor versão de nós mesmos, todos os dias.
Acreditem, a semente da esperança foi plantada em solo fértil, cabe-nos agora, cuidar, regar, podar (quando necessário) e finalmente florescer.
Feliz 2022!

Mãe e seus superpoderes

Eu não sabia a força que tinha até me tornar mãe pela primeira vez… Depois, mãe, novamente! Eu achava que meu maior medo era de barata voadora… Aí, meu filho gripou. Eu achava que determinadas coisas (coisa, para bom cearense, é tudo que não conseguimos identificar) eram impossíveis… Aí, me tornei mãe e aprendi a dar nó em pingo d’água… Eu aprendi que não é não e pronto… aí, me tornei mãe e o não (as vezes) vira o só dessa vez…
Eu achava que conhecia o maior amor do mundo… me tornei mãe e entendi, definitivamente, que amor incondicional é o que sentimos pelas nossas crias…
Eu conhecia mágica no circo… Aí, me tornei mãe, meu filho se machuca, eu dou um beijo e a dor some, imediatamente.
Eu achava que o pôr do sol era o espetáculo mais lindo do mundo, me tornei mãe e me vi inebriada com a imagem dos meus filhos sorrindo…
Eu pensava que o Chico (Buarque) falava tudo que eu queria ouvir… até alguém chegar pra mim e dizer: minha mãe, eu te amo! Dandain, cá!
Eu achava que o melhor programa de sábado a noite era balada com as zamigas… Aí, me tornei mãe e me pego curtindo adoidado a coreografia da pintadinha, feita pelo miúdo, no quarto do filho mais velho… Ou fazendo um Tik Tok
Eu achava que o horário mais esperado do dia era o de chegar em casa depois do trabalho… Aí, me tornei mãe e o espero, ansiosamente, o horário de colocar meu filho pra dormir… E ficar sentindo saudade, contando as danações do dia….
A única coisa que não mudou depois da maternidade foi o milagre… porque a maternidade, desde sempre, é um milagre, da natureza ou da vida.

Um abraço, Samya Régia Antero.

Dos rituais de passagem à faxina interior

Há quem diga que não vivemos esse ano de 2021… Discordo. Vivemos, sim. E, mais que viver, sobrevivemos e continuamos, em meio a essa Pandemia e aos absurdos desse desgoverno.
Vivemos e vivenciamos muitas perdas. Perdemos entes queridos, acolhemos choro de amigos, vimos muitas empresas falindo, o crescimento exponencial da miséria, da fome e do desemprego e famílias inteiras indo morar na rua, entregues à própria sorte. Nosso país voltou ao cenário da fome.
Vivemos o aumento da violência doméstica e acompanhamos disparar os índices alarmantes do feminicídio, o aumento dos divórcios e das doenças psicoemocionais.
Mas, aqui estamos! Uns mais fortes, outros machucados e todos nós com o desejo de renovar as esperanças para o ano novo.
É isso que se faz necessário agora. Pegar papel e caneta e traçar novos planos, anotar desejos e metas. Materializar sonhos e aspirações de um mundo melhor, justo e feliz.
O que eu desejo e o que me proponho realizar, nem sempre estão na mesma sintonia.
Meu desejo é livre… Mas, ele, por si só, não basta. A realização do desejo está, intrinsicamente, ligado a energia que eu coloco para realizá-lo, as escolhas que vou precisar fazer e o “preço” que vou ter que pagar, por cada troca ou renúncia. Não adianta, por exemplo, querer ter mais saúde, se você não está disposto a se cuidar. Melhorar alimentação, fazer exercícios físicos, cuidar da sua saúde mental, entende?
Final do ano tem dessas coisas… Apesar de saber que sempre é tempo para recomeçar, o final do ano, encerra um ciclo de 365 dias.
E agora, zera tudo e temos mais 365 oportunidades para fazer e acontecer as mudanças que desejamos.
Chegou a hora dos rituais de passagem… De preparar a casa, esvaziar gavetas, tirar o que não usa mais dos guarda-roupas, fazer a energia circular. Desapegar.
Momento de fazer também a faxina interna, limpar o corpo e a mente para esse novo momento. Afastar os pensamentos negativos, ressignificar mágoas. Momento de perdoar. Deixar o passado, no passado e seguir mais leve, com coragem e confiança.
E, como dizia o sábio poeta Gonzaguinha:
“Fé na vida, fé no homem, fé no que virá… Nós podemos tudo, nós podemos mais, vamos lá fazer o que será”!

Feliz Natal!
Um ano novo cheio de boas surpresas e repleto de maravilhosas realizações.
Abraços, Samya Régia Antero

Num dia a gente chega, no outro vai embora…

Gente, vamos pensar um pouquinho, juntos?
Nessa fatalidade ocorrida com o vôo que ocasionou a morte precoce da cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas, todos nós paramos para pensar um pouco em nossas vidas. Na urgência de viver. Poderíamos aproveitar a consciência que emerge dessa dor coletiva e usá-la como gatilho para refletir sobre nossos comportamentos e atitudes de dois polos distintos: a procrastinação (no sentido real da palavra, no qual temos o péssimo hábito de adiar tudo) e o agora.
A morte do outro nos mobiliza, a gente morre um pouco, também…
E, neste caso, a morte de uma figura pública, jovem, com 26 anos de muitos sonhos e realizações, talentosa, com uma legião de fãs, falando a língua desses dezenas de milhões, nos leva ao luto coletivo.
A dor que dói no outro, dói em mim também.
Dói em mim como mulher, como mãe, como filha. Dói em mim pela juventude interrompida, como também doeu e dói a morte de milhares de jovens, vítimas de balas perdidas, das mulheres perdidas para o alfa feminicídio, da misoginia e de todos os preconceitos, das atrocidades e das 612 mil vidas perdidas deste desgoverno.
Viver esse luto por pessoas que não fazem parte do nosso “mundo” particular, nos traz uma sensação de solidariedade, fraternidade, irmandade, e porque não dizer que essa dor nos torna mais humanos?
Por um instante, pensamos em nossas vidas, em quantas coisas deixamos para depois, acreditando unicamente na imprevisibilidade do amanhã, do mais tarde… E nos pegamos fazendo juras e promessas cheias de urgências de: viver o hoje, de dizer que ama, de resgatar um projeto esquecido no fundo da gaveta e tantas outras coisas que ficaram adormecidas com a falsa promessa do depois.
E aí, não tem como fugir do clichê: a vida é um sopro! É agora! Hoje! No presente, único lugar em que é possível realizar sonhos, projetos e aspirações, porque o ontem é passado e o amanhã … Ah! O amanhã, a gente nem sabe se vem (chega).
Mas, se faz necessário o mas… “é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre”… E acima de tudo é preciso ter cALMA.
No nosso tempo, sem pressa, sem atropelos, sem nos violentar. Respeitando nossos limites. Sem emergência e sem imediatismos.
Um passo de cada vez.
E tá tudo bem!

Por trás de toda “guerreira”, existe uma mulher sobrecarregada.

Chamar uma mulher de guerreira não pode ser um elogio oculto sob a intenção de romantizar o sofrimento feminino.
Na Pandemia, nós mulheres, acumulamos não somente preocupações com o período, mas principalmente muito trabalho, gerando uma extraordinária sobrecarga emocional e comprometendo a nossa saúde mental.
Por causa da educação machista a que fomos submetidas e das crenças limitantes de que “somos as rainhas do lar”, “cuidadoras natas”, a distribuição das tarefas domésticas, além dos cuidados com os filhos, a administração doméstica e todos os fardos cotidianos, couberam e cabem a nós, mulheres. Que ainda temos (acreditem) uma vida pessoal para cuidar e uma carreira, fora (ou dentro) de casa.
Sabe quem é a “guerreira”? É aquela mulher que tem sono acumulado porque só dorme depois de dar conta (do almoço, etc.) do dia seguinte, ter colocado roupa na máquina de lavar e arrumar a mochila do pequeno para deixar na escola.
“Guerreira” é aquela mulher que sai correndo do trabalho para passar no supermercado, antes de buscar o filho na escola… a que acorda na madrugada, prepara o café de toda a família, leva o cachorro para passear, estende as roupas no varal e corre para deixar o filho na escola às pressas, para chegar um pouco mais cedo no trabalho e conseguir tomar seu café da manhã, antes de iniciar suas obrigações.
Mulheres, FUJAM DESSE TÍTULO! Repreendam, renunciem, esse sabotador de vidas. Esse “título” invisível, só aprisiona, mina a nossa saúde mental e é mais uma forma, que essa sociedade machista e patriarcal encontra para nos manipular.
Nunca ficou tão claro que verbos como: cuidar, arrumar, passar, lavar, cozinhar, ensinar, brincar, eram penduricalhos de conjugação preferencial feminino.
Daí, fica mais fácil a gente imaginar como essa Pandemia tem sido muito mais severa conosco, mulheres. Chega a ser prosaico e desumano, num só tempo, conjugado.
Por trás dessa “guerreira”, há uma mulher de autoestima em baixa, triste, cansada, estressada. Há uma mulher sempre posicionada em segundo plano. Seja, você mesma, sua prioridade!
Como não conseguimos dar conta de tudo perfeitamente, ficamos de mãos dadas com a culpa. E cada vez que o almoço atrasa, o filho chora porque quer colo na hora da reunião on-line, as roupas se amontoam no cesto, nós percebemos o quanto a fantasia de “guerreira” nos cai como uma luva.
E, por causa dela, vamos honrá-la acumulando angústia, ansiedades, depressão, cansaço, estresse… num pacote de fadiga física e emocional que compromete nossa qualidade de vida e comprime nossa autoestima.
Acreditem, não existe heroísmo na sobrecarga das tarefas domésticas, na criação e educação unilateral dos filhos.
Heroísmo está em você se respeitar, em colocar limites e dizer não aos outros e sim para si mesma.
Heroísmo é você ser resistência!
E sabe quem é guerreira de verdade? A viking Lagherta e suas lendárias congêneres escudeiras no curso da História! Kkkkkk

Abraços!

Samya Régia Antero.

Tornei-me a pessoa que eu mais temia.

Em meio a esta Pandemia, aos “lockdowns”, no isolamento social, estou tentando e conseguindo fazer uma reeducação alimentar, mudar minha relação com a comida e, ainda, fazer exercícios físicos em casa. Pasmem!!!
Cheguei no meu limite. Decidi mudar de vida e, mais ainda, mudar minha forma de ver a alimentação, a gordura corporal, a beleza e a saúde.
Claro, que tenho recaídas, que, às vezes, me autossaboto e literalmente meto o pé na jaca… aprendi, no entanto, que sou capaz de me perdoar e seguir.
Colocava na panela, juntamente, com o leite condensado, o chocolate e a manteiga, adicionava também, a ansiedade, o medo, as angústias, a tristeza. E misturava, misturava muito, até não conseguir dissociar um do outro. Depois degustava, com toda fome do mundo, como se não houvesse amanhã (mas sempre haverá).
Por muitas vezes senti-me alimentando de sentimentos não processados, frustrações não resolvidas, palavras não ditas, desejos não realizados, raivas não administradas. E a comida transforma-se em analgésico, algo curativo. A gente até acredita que dá certo, sentia uma falsa saciedade, um prazer momentâneo, mas… a culpa não tardava bater na porta. A vergonha e a culpa por não ter resistido, a sensação de fraqueza são desoladoras.
E como se tudo isso não bastasse, existem as pessoas… ah! As pessoas… Alguns de vocês são cruéis!
Nós temos espelho em casa. Entendam, não é só uma questão de emagrecer, não é tão simples assim.
É uma mudança de vida, de crenças. É sobre ter foco, determinação, saber fazer escolhas. É pararmos de comer emoções, sentimentos e comer “saudável”.
É entender, definitivamente, que exercício físico é fundamental para uma vida com qualidade.
O que a maioria das pessoas não sabem é que por trás do excesso, existe uma falta, uma carência.
E repito: alguns de vocês são cruéis! É, estou falando de você que adora dar pitaco, sem ter sido chamado ou jogar seus conselhos e suas opiniões, sem que tenhamos solicitado. Existe um abismo muito maior por trás da gordura.
Vocês não fazem ideia quanto os comentários maldosos e travestidos de “toques”, machucam.
Aquelas frases: ” Você tem um rosto tão lindo, devia emagrecer”. ” Miga, se eu tivesse esses olhos, emagrecia rapidinho”… ” Você ainda é nova para ficar gorda assim, se cuide enquanto é cedo”.  E a melhor de todas (para não dizer o contrário): ” Homem não gosta de mulher gorda, não”! Kkkkkkkk o riso é livre.
E eu tenho que ser o quê? E para quem?
Amigos, melhorem! Só temos obrigação de ser para nós mesmos. E ser o que a gente quiser ser. Melhorem!
 A tortura psicológica não se limita só a família, “amigos”, trabalho, não. Ela vai além… segue a ditadura da moda, feita exclusivamente para o corpo magro. Chegamos na loja, nos encantamos com uma roupa e escutamos a célebre frase: é tamanho único! Oi? Como assim tamanho único? Somos únicos na essência, no que não conseguimos mensurar.
Vocês fazem ideia do que isso é capaz de fazer com a autoestima de uma pessoa?
Onde que beleza está ligada ao peso? Que padrão é esse que vocês impõem? Que sociedade medíocre e doente é essa que avalia as pessoas por quilograma?
Pensem, respondam para si mesmos e melhorem. Sempre há tempo!

Abraços!

Samya Régia Antero.