Aniversário de 1 ano de uma MÃE.

Lara Leoncio

No dia 13 de janeiro de 2021 Íris Luz faz um ano de nascimento e com isso comemoramos também um ano do nascimento de uma mãe. E vendo tudo que passamos nesse ano percebo como é tudo muito forte. 

Lembro do pavor que fiquei quando tava saindo da maternidade com aquele presentinho divino nas mão, sim pavor, pois passei 5 dias na maternidade e tudo o que eu precisava, qualquer dúvida sequer, eu tinha ao meu redor médicas, enfermeiras e muitos outros profissionais que podiam me socorrer, na hora que estava no carro com meu esposo indo pra casa que caiu a ficha, negocio ficou serio.

Foto tirada na maternidade, um descanso necessário.

Agora um ano depois, vendo minha pequena andar, falar, correr, sorrir, brincar, percebo que realmente o negócio ficou sério, mas com uma pitada de leveza, aconchego e muito amor. 

Fico tentando decifrar o sentimento ou transpor em palavras o que meu coração sente, mas como é complicado. Como é complicado descrever um amor, medo, loucura, alegria se nunca tinha sentido isso antes, tudo muito novo, mesmo eu tendo lido muita coisa, estudado muito e me preparado, não sabemos nem a dimensão desse sentimento. Mas vamos lá, vamos tentar…

foto do primeiro mês em casa.

Até agora, cada momento foi muito comemorado, desde a notícia, toda gestação até o parto. E até agora sempre foi a primeira vez… a primeira vez que chorou, a primeira vez que olhou, a primeira vez que mamou, a primeira vez que sorriu, a primeira vez que fez coco e xixi, a primeira vez que falou mamãe, papai, vovó, a primeira vez que sentou, que engatinhou, a primeira vez que ficou de pé no berço, a primeira vez que caiu, a primeira vez que ficou em pé só, a primeira vez que caminhou, só um passo, agora dois, a primeira vez que comeu, a primeira vez;

a primeira vez que eu sorri, a primeira vez que eu chorei, a primeira vez que eu amamentei, a primeira vez que eu consegui ir ao banheiro, a primeira vez que eu levei o cabelo, a primeira vez que eu escutei mamãe, a primeira vez que eu acalentei um choro, a primeira vez que eu esqueci de mim, por ela, a primeira vez que eu cuidei de mim, por ela, a primeira vez que recebi um abraço de amor de filha, a primeira vez que segurei na mão para ajudá-la a caminha… nossa quantas primeiras vezes que nunca serão repetidas. 

foto curtindo o ano novo

Como me encho de orgulho, vendo aquela menina que entrou na maternidade e saiu apavorada com uma grãozinho de vida nos braços, pra tudo que já conquistamos juntas. Toda a confiança, o respeito, o cuidado. Principalmente nesse ano tão maluco de pandemia, sem poder fazer tanta coisa que era comum fazer. Nossa, como tive medos enlouquecedores dentro desse um ano, não só por conta do que todas as mãe passam, que já é muita coisa, mas por medo de pegar uma doença que mata o tempo todo e sem ter cura ainda, pensar em deixá-la só, ou dela pela essa doença, não gosto nem de imaginar, o medo ainda paira. Efim… 

Hoje vejo um caminho lindo trilhado por duas recém nascidas. E percebo que ainda vão vir muitas outras primeiras vezes, mas também percebo que muitas dessas primeiras vezes tão bem vividas e comemoradas só vão sendo lapidadas dia após dia. 

Queria poder fazer uma festa grande para comemorar com todos que amamos essa nossa passagem tão importante, mas como estamos em tempos de se cuidar para um amanhã próximo, vamos comemorar a primeira vez de um aniversário de mãe e filha no aconchego de casa, nos braços do papai, vovó e Bisa.

Foto do meu grãozinho de vida curtindo a vida.

Sobre o tempo e minha morada

Lara Leoncio


Estamos em dezembro e cada dia mais me dou conta que o tempo não para pra esperar a gente aprender a lidar com ele. Ele corre, voa e quando nos damos conta nossa cria já fala, já anda, já sabe o que quer e principalmente o que não quer. 

Refletindo sobre o tempo, me pego lembrando que a exatamente ano atrás, no dia 14.12.2019, eu  estava com 37 semanas numa loucura sem tamanho correndo nas coxias do teatro Riomar Fortaleza, vestindo milhares de dançarinos incríveis com meu trabalho de figurino. Sim estava com um barrigão, minha Luz bem perto de nascer e todas as pessoas nervosas, pois era estreia, primeiro dia de festival, tudo tinha que ser lindo e eu não parava quieta (quem me conhece sabe que não consigo ficar quieta rsrsrs) todo mundo dizia que eu tinha que ficar na plateia, que a menina ia nascer nas coxias e eu só sorria e dizia “ – se ela nascer aqui, vai ser o dia mais incrível da minha vida, vai nascer em casa.” sim, em casa, é assim que trato meu trabalho, ele é minha morada, é nele que me sinto bem. 

As pessoas não  acreditavam no que estavam vendo, uma buchuda em ponto de parir correndo pra lá e pra cá, levantando e sentando no chão, trocando roupa de bailarinas e bailarinos. 

Foi um rojão de 3 dias, dois espetáculos por dia, a cada dança finalizada meu olho brilhava da coxia e sentia Íris Luz pula e percebia que não estava vivendo aquela sensação de dever cumprido sozinha.

  • Corre, vesti isso…
  • Levanta a perna…
  • Feicha o  ziper…
  • Agora é essa roupa…
  • MERDAAAA!!!

Nossa que sensação incrível, e saber que tudo que eu estava sentindo Íris Luz também estava era mais incrível ainda. Saber que ela vai estar comigo nas coxias sempre ao meu lado, ou na plateia me assistindo ou quem sabe eu assistindo ela, se ela quiser lógico, é uma coisa que me enche o coração.

O ano de 2020 foi  um ano atípico para todos nós, principalmente para quem trabalha com cultura, se fosse em outros anos estava na loucura com milhares  de figurino para confeccionar, num corre corre sem tamanho, ainda não sei como iria conciliar trabalho, maternidade, estudo enfim… tudo junto e misturado, mas iria estar nesse momento e as vezes me pego pensando como iria esta Íris com menos de um ano em meio desse turbilhão. Com a pandemia fizemos bem menos figurinos, mas mesmo sendo poucos consegui mostrar um pouquinho da minha arte para minha pequena e a cada um que fazemos o olho dela brilha, a cada retalho que cai no chão vira uma diversão na mão dela, se pega uma fita métrica, já coloca no pescoço e assim ela vai transformando o momento de produção em momento de diversão.

Mesmo com toda a loucura, o cansaço e às vezes não tendo paciência, ela é meu respiro colorido e é por ela, uma pequena de apenas 11 meses, que me tenho forças todos os dias pra continuar fazendo a minha arte. Ela vai ser  sempre a minha força e nunca meu empecilho, mesmo sendo muitas vezes difícil.

Hoje minha casa não é mais apenas nos teatros ou espetáculos, mas é também nos abraços e sorriso da minha pequena Luz.

Foto Íris Luz com 7 meses e já brincando com a fita métrica.

Somos Energia

Por Lara Leoncio,

Hoje, dia 09 de novembro de 2020, Íris Luz com exatamente 9 meses e 27 dias, venho compartilhar um assunto bem pessoal, venho falar sobre energia. A exatamente uma semana atrás, dia 02 de novembro, feriado do dias de finados, Íris começou a ter uma diarreia sem motivos, ficamos todos atentos para caso tivesse mais algum sinal que agravasse, como febre, moleza no corpo, vômito ou dor, e nada, graças aos deuses e deusas não sentia mais nada, só essa diarreia que não passava. 

Levamos ao médico e as perguntas eram, “- Tem febre? Percebe ela com dor? Vômito? Moleza no corpo?” e eu respondendo não pra tudo. Conclusão médica, “- Não é nada mãezinha, pode voltar pra casa e da fruta, como banana e maçã que ela vai melhorar, muita água e deixar ela mamar bastante” (coisa que ela faz sem precisar de prescrição médica rsrsrsr). Voltamos e nada da diarreia passar, até que na quinta feira decidimos ir pra outro médico, fizemos exames e tudo estava igual. Conclusão médica, “- Não é nada”. Mas dessa vez veio medicada para o intestino, para ver se melhorava. Enfim, já era domingo, sendo medicada e tudo do mesmo jeito. Foi então que minha avó, uma mulher de força, sabedoria e religiosa (evangélica) chega pra mim e diz “- Você precisa levar ela pra uma rezadeira, isso não tá certo, preciso que rezem na minha bisneta, tem gente que tá querendo ela, tem uma mulher que eu não quero que chegue perto da minha bisneta”. Foi aí que imediatamente caiu a ficha, não somos só corpo, também somos energia. 

As vezes esquecemos que não somos só matéria, esquecemos que exalamos energia cada milésimo de segundo da nossa existência e assim como existem pessoas que possuem força para extirpar os males, existem aquelas que levam o estigma do mal, que não tem  filtro, não purificam essa energia e acabam lançando coisas conhecido como olho gordo, quebranto, mau olhado. Não é que tenham a intenção de prejudicar seu semelhante; parece ser uma força incontrolável, muitas vezes causadas por frustrações e traumas pessoais que não foram cuidados. Na maioria das vezes, pessoas de mau olhado são piedosas, muito beatas e até reconhecem a maldição que levam e chegam a advertir que não lhes propiciem condições de atuação da força. Isso é muito louco, porque muitas vezes quem aconselha são as próprias pessoas que causam. 

Pensando nisso e ouvindo o conselho de minha ancestral direta, levamos a Íris Luz para uma rezadeira. Quando chegamos lá conversamos um pouco para explicar os sintomas e falei que não estava entendendo porque era tão persistente se não acusava nada demais em exames e ou coisas do tipo. Logo a rezadeira pegou suas folhas e começou a reza. A Íris começou a chorar muito, uma coisa incomum, tanto para rezas em bebês, como para Íris, pois sempre brincamos com ela com plantinhas e ela nunca teve essa reação. Tiveram várias sensações que não dá pra explicar muito aqui, mas o mais louco foi ao final quando fui receber o “laudo” do que tinha na minha filha. “Ela estava com muita energia distorcida e de desejo para si, como se uma pessoa estivesse sugando a energia de Íris, pois queria que ela fosse filha dela”. Minha avó disse tudo.

Depois disso, Íris Luz já está MUITO melhor. 

Não sei se você que está lendo isso vai acreditar, ou vai dizer só serviu pq já estava medicada, ou … ou… ou… eu só sei que eu tenho certeza que somos energias e que se não nos curarmos, nos perdoarmos, nos cuidarmos diariamente, nós afetamos pessoas que podemos até querer bem. Prejudicamos pessoas que não tem nada haver com a nossa falta de cuidado. Precisamos está bem para poder praticar e emanar o bem. E nossa ancestralidade precisa ser ouvida, nosso instinto natural precisa estar sempre aflorado, para poder está sempre mandando para longe todo mal que possa rodear os nossos pequenos, eles precisam dessa nossa atenção, para que nada de mal aconteça.

Se cuidem, se respeitem, se amem.

Foto de amor e cuidado tirada e presentiada pela Rezadeira Sara Maya.

Novos caminhos

Lara Leoncio

Comemorando hoje, dia 13 de setembro, 8 meses de uma profissão incrível que é ser mãe da Íris Luz. Nossa! Como é louca essa nova profissão, como é incrível poder acompanhar o crescimento e como é exaustivo um dia após o outro.

Esse mês ela começou a engatinhar e aqui em casa todos reaprendemos também, mamãe, papai e vovó sempre no chão acompanhando cada movimento da pequena. No começo era muito difícil, e muito doloroso pra todos, porque ela ainda não tinha tanto eixo e coordenação motora para poder engatinhar, às vezes a mãozinha não acompanhava a velocidade do corpo, então a cada dois passinhos era uma desequilibrada pra frente e se não estivéssemos SUPER atentos era queda de cara e seguida de choro. E então era colo, conversa dizendo que sabia que estava doendo, mas iria passar, e conversar com as plantinhas pra dor ir embora, esses são alguns métodos que super funciona por aqui, a conversa com as plantinhas é a mais eficaz, rsrsrs.

Depois novamente para o chão e o ciclo do engatinhar até o choro recomeçava, e como é doloroso pra mim essa dúvida se estamos no caminho certo. Pessoas chegavam dizendo ” – Tira ela do chão, ela é muito pequena pra tá no chão.” outras diziam ” – Deixa no chão que ela vai desenvolver mais rápido.”, e mais ” – Tá colocando a menina no chão porque não quer ficar com ela no braço, num inventou de ter criança agora não quer mais segurar…” Nossa como eu fico passada como as pessoas têm palpite e podemos nos proteger de todas as formas, dizer que não vamos escutar ou que já estamos acostumadas, mas como isso ainda nos atinge, pois sempre temos a dúvida e será que “ela”, a senhora palpite está certa? Mas uma coisa que estamos fazendo muito aqui em casa é observar o que para nós e para ela vai ser melhor e vamos em frente na decisão podendo rever essa decisão e voltar atrás a qualquer momento, sem dor, e muito menos sem nos dizer “eu disse”.

Então, mesmo sendo cansativo e até doloroso decidimos seguir e continuar colocando no chão e agora ela já tá bem desenrolada, vai pra todo canto e gosta de desafios, não pode ver um degrau, ou o ferro da mesa que quer subir ou passar por cima, e já se levanta em todos os cantos sozinha, precisa apenas de um apoio e as desequilibradas e quedas de cara cada dia vão acontecendo menos, então menos choros e mais palminhas, porque ela é dessas, quando consegue uma coisa nova ou difícil pede palmas.

E aí vem uma lembrança, não faz muito tempo que a comemoração era que ela está reagindo aos estímulos de voz ou já reconhece quem tá falando com ela, depois começou a se virar só, aí começou a sentar com ajuda inicialmente e depois sozinha e agora engatinhando… Não paro de falar que são os dias mais longos, mas os que passam mais rápidos da minha vida.

Poder acompanhar cada momento dela é incrível, estimular o desenvolvimento motor, estimular a fala e fazer festa a cada conquista é um dos momento mais incríveis da minha vida.

Essa é minha maternidade real, com todas as dificuldades, choros e cansaços, mas repleta de amor, cuidado e muita gargalhada.

Ass: Mãe da Íris Luz

Primeiro registro engatinhando.
Foto: Roberta Bonfim