Carta de despedida…

Oi sou eu aqui de novo. Vão se acostumando porque eu gosto de por meu humor aqui, já disse … azul agride menos os meus olhos. Eu já falei pra vocês que gosto de olhar o pôr do sol né…..!? Bom minha cabeça é bem fundida então eu não lembrar de algo é completamente normal para mim. Real que qualquer coisa no meu dia é completamente normal pra mim. Eu acordo, fumo meu cachimbo, ouço música, trabalho o que tenho que trabalhar… Az vezes minha cabeça leva uma rasteira, não sei de onde, e ela se vê pairando congelada em um turbilhão de informações simplesmente paralisando meu corpo e meu ser…. Outro dia estava andando de bici e parei num pico pra fumar um cigarro e ouvir uma música. Logo na ribanceira encontrei um caderno velho, jogado e parecendo que foi colocado ali, propositalmente. Tinha algumas páginas escritas, e nunca mais me esqueci do que estava escrito ali…

Não sei quem está lendo esta carta, mas saiba que ela não é uma justificativa. Por muito tempo eu me arrisquei a ser alguém, a ser eu e até mesmo me permitir ser você. Mas… eu só conseguia ser o que eu sempre soube ser. Queria te pedir desculpas, mas não consigo nem sinto vontade, quase como se eu fosse mentiroso se fizesse isso sabe. Não que você não mereça, mas é porque não tem motivos para eu pedir desculpas. Eu me lembro de quando você vociferava que eu estava sendo burro, muitas vezes ignorante e várias perdidas vezes de mal caráter. Eu nunca entendi porque eu era tudo isso, se meu corpo só respondia impulsos e reverberava suas palavras. O tempo todo você disse que era eu o problema, quando na verdade você só me dava seus 50% de culpa da relação. Eu não era carinhoso com você, porque você queria um príncipe encantado. Os cafés, cafunés, roupas dobradas, cervejas geladas, chupadas, saídas com colegas, festa em família, bares, chás, cigarros, e abraços … nunca eram pra você o suficiente … Por muito tempo eu não me sentia suficiente nem pra mim, quiçá pra você? Só sei que não quero mais ser eu…

Tem uma frase de uma música de Abidoral Jamacaru que eu adoro “… a parte que eu mais gosto do abismo é a beira…”

Oi sou eu aqui de novo. Nos últimos anos eu tenho me permitido estar em imagens… Sempre me intrigou existir com esse físico, algo que sempre sinto que não me pertence, sempre me sinto que estou no receptáculo errado, sempre sinto que não preencho correto. É muito difícil ser eu … Talvez isso seja redundante, talvez seja óbvio, talvez seja… Talvez você esteja lendo sobre um eterno personagem e nem perceba… Talvez eu esteja mentindo isso tudo aqui, apenas para te ludibriar com minha falácia mansa e charmosa… Talvez nunca seja.

Mas uma coisa eu posso te assegurar que é verídica, planos de fundo nas tonalidades de azul agridem menos meus olhos. AH! Posso dizer outra verdade aqui, – Meus olhos são tão afiados a luz, que num completo breu eu posso ver teus ossos querendo me abraçar –

Adoro olhar o pôr do Sol

Esse conteúdo não é para crianças

Oi… sou eu aqui de novo. Confesso que ainda reflito sobre o que permito vocês lerem aqui, vocês entendem que vocês são vozes na minha cabeça né? Nesse momento eu estou ouvindo uma playlist no spotify baseada em uma banda, ou artista japonês que se chama “Ghost Data“. Uma experiência que se alguém se permitir a viver eu recomendo… Hoje eu e minha companheira fomos baleias. Ela como sempre se jogando no meu oceano de crise existencial… Tomamos uma cerveja que nunca bebemos antes, fumamos um baseado da melhor qualidade, delícia essa potente suficiente para existir apenas nas terras Kariris. Ela me paquera igual uma baleia, com olhar de oceano.

Uma noite de céu azul – claro – limpo – enluarado – quente – arejado.
Eu me ajoelhei diante dela… enterrei minha boca em um cacho de uvas suculentas, doces, cheias de sucos… minha boca cheia de água, lambuzou minha língua naquela fruta, doce, quente molhada, profunda.
Aquele arrepio no pé da nuca faz minhas garras de jaguatirica saltar na pele da onça … Como um rio deságua no mar eu sinto ela molhar.

Eu pedi a ela para afundar seus dedos nos meus caminhos de terra. Como quem desbrava uma estrada cheias de curvas. Em um instante eu sinto um rio escorrer entre meus dedos e um esporro – como um vulcão que goza sua lava para adubar a terra com seu amor, quente, grosso, sincero, profundo.

Posso não ser a melhor pessoa do mundo … mas pelo menos vou ser meu melhor mundo.

Onde vou estar agora

Eu seleciono bem as flores que vou usar, tiro galhos, sementes, e restos de folhagens… Com uma tesoura vou cortando pétala à pétala cada flor dentro do potinho … É um processo calmo e paciente que nem toda pessoa está afim de fazer, mas que para mim sem isso não faz sentido, preciso fazer essa ação até enxergar vários flocos verdes e cintilantes …

O perfume toma de conta do espaço, exala um cheiro de chuva com limão. Rapidamente me sinto um tamanduá socando seu nariz em um formigueiro profundo, farejando cada cheiro suculento para saciar seu desejo. Aquele perfume entra nos buracos do meu nariz com uma sensação adstringente limpando as estradas neurais de meu cérebro.

Pego uma seda, derramo todas as flores picadinhas nela, espalho com leveza. Minha mãe de santo sempre me diz que um padê jamais deve ser sacudido, deve ser organizado com as mãos. Meus dedos prontamente organiza aqueles pequenos flocos, verdes, aveludados, cristalizados, cintilantes; aquilo é um presente para mim e para mais ninguém então tem que ser bem feito.

Segundos depois já lanço aquele pequeno torpedo carregado de terpenos pressionados, aglutinados esperando serem eriçados para soltarem seu esperma quente e grosso em meus pulmões… um gozo que jorro na minha boca, risco o isqueiro e vejo a brasa se formar. Baforo devagar, arejo os pulmões, aterro a cabeça. Gozo em fim…

Fim … ?

Meu sonho era conhecer Moraes Moreira…