Nesse furacão, quem somos nós?

Por Douglas Miranda

Estava aqui pensando com meus botões para poder rabiscar algumas ideias para esse sábado lindo e, de repente, me senti sendo questionado, talvez influenciado pelas leituras recentes que tenho feito. Como Freud nos definiria hoje? Isso mesmo, nós contemporâneos! Como seríamos definidos por ele? E na lata me veio uma resposta.

Histéricos e infantis, rsrsrsr, sim acho que ele assim nos definiria.

A teorização freudiana sobre o supereu enquanto herdeiro do complexo de Édipo e a ação do mesmo, tão marcada na melancolia, era um dificultador.

Freud denominou a essa culpabilidade delirante de dor moral e Lacan, que também se deparou com ela, chamou-a de dor de existir em estado puro.

Sempre suspeitei da energia positiva que as pessoas buscam em palavras. Não que seja de todo ruim, mas a vida é tão mais simples, caótica e indomável que se torna impossível e insuportável de sustentar essa eminente ideia utópica de que podemos controlar o que nos acontece em vida. De modo simples, quando o humano coloca sua mão para modificar em sua literalidade a natureza, muitas vezes desencadeia um efeito reverso drástico à sua própria existência.

A partir desse barulho, decidi escrever, sobre a minha restrita visão e contribuir de alguma forma com um suposto saber. A ideia é a metade de um todo, visto que não existe um todo-saber, mas uma ideia minúscula do que pode se tratar. O estilo original como podemos aprender nos escritos freudianos, lacanianos, depende da capacidade emocional de cada sujeito em suportar as adversidades da vida. Não sem um preço altíssimo a ser pago.

Acredito ser útil declarar que a repetição é única e sem ela não somos capazes de transformar a própria vida, desobstruindo o caminho para que sejamos cada vez mais criativos na experiência que se desenvolve a nossa frente. Sempre falta alguma experiência, alguns goles ou tragos e muita loucura esquizofrênica para suportar a vida e transformá-la. Essa falta é constitucional e se faz necessária.

A vida oferece uma experiência repetidas vezes, mas com um gosto não mais tão agradável, que, no entanto, traz consigo uma visão mais amadurecida de nós mesmos. Não nascemos com um manual de instrução. Para isso é fundamental que cada sujeito em vida seja capaz de acolher sua própria dor, reconhecendo as ferramentas que possui para, então, lançar-se em vida e apostar tudo em si mesmo.

A suavidade também provoca furacões e novos ventos que podem pôr sua vida em pluralidade. Um passo à frente e já não estamos no mesmo lugar. Sendo assim, a diferença de quem vive muitas vezes está em quem se permite ousar.

– Rhaissa Bittar e Estesia | Toda vez que eu dou um passo… | videoclipe oficial

O amor é a experiência que nos leva a uma vida possível de ser vivida.

Douglas de Miranda – Uma mistura de paulistano de nascença com cearense de alma
Pai do Gabriel – 41 anos – Estudante de Psicologia – Amante das Artes

.