Trilhas sonoras, caminhos e arquitetura

Fortaleza me desperta lembranças de infância.

Não cresci aqui, não sabia praticamente nada do estado do Céu de Suely e que eu pintava imagens mentais com base nos clipes de Selvagens e Cidadão Instigado, mas antes de toda uma vivência de juventude de músicas indies, era meu sonho com 8 anos morar aqui. Especificamente sozinha num apartamento com plantas. Esse foi meu primeiro critério procurando moradia aqui, uma tentativa de me identificar na natureza e da necessidade de me sentir em casa. Não é pelo fato de morar seguindo esse sonho que as lembranças são vividas ou nascem baseadas nesse aqui.

Mas sim em todo caminhar feito, minhas memórias passam pela morada no centro de Aracaju, nas contínuas idas ao interior e na mudança para um residencial aberto. Fortaleza me lembra Aracaju, me lembra Salvador, me lembra das viagens compridas e longas que hoje em dia sei que eram curtas até demais. Fortaleza é uma contínua playlist de músicas que tocavam no carro de meu pai em 2007 com Fagner, Belchior, Amelinha e pela visualização de minha mãe empolgada botando o vinil de Falcão pra tocar esperando minha reação de risada.

As casas conjugadas, o neoclássico junto com os azulejos portugueses, os portões de ferro com design curvado, os restaurantes que possuem muito espaço vazio e ao mesmo tempo são ocupados por aquela sequência de mesas e cadeiras retilíneas.

Eu consigo sentir o cheiro dessa lembrança. O inhame e o jabá. Nunca gostei muito de tomar café no mercado. Não gosto de acordar cedo. Mas gosto das vozes desse restaurante.

Escuto o barulho dos ônibus parando no sinal, quase como um momento suspiro intenso em que eles fazem um “tcha”. Passar na frente das praças. O contraste. Casa conservada. Casa conservada. Abandonada. Pixo. Pixo. Pixo. Mais Pixo. Muitas lojas de móveis.

O verde. O demolido. As avenidas que sempre parecem mal planejadas. Os carros que são cinzas, brancos, pretos e a contagem de quantos carros vermelhos passam. Minha mãe lendo as placas e falando “Olhe, essa sequência de números que engraçada”.

E volto pro cheiro, em Fortaleza, me faz falta sentir falta do rio Sergipe.

A beira-mar, realmente beira um mar, isso ainda é estranho.

O Siqueira não é Campos, o Circular virou um dos meus ônibus favoritos e a linha do 074 é usada com o mesmo intuito de ir pra universidade. Não toca Edson Gomes nos ônibus.

E eu gosto de Fortaleza, de conversar com o segurança do mercadinho, de escutar os sotaques, de não entender algumas palavras, da quantidade de museus, das músicas, das pessoas e todos os clichês que eu posso imaginar quando eu caminho pelo bairro.

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