Mensagens Não Enviadas #1

(Escrito dia 19/05/2022, ao som de Bethânia, porque ela me lembra você) 

Andei vendo as coisas da sua vida, muitos sites apontaram que estou errada em fazer isso e sobre a necessidade de aprender a deixar o passado no passado. Entretanto, a sua não resposta ao fim associada com as várias playlists com influência sua me fazem querer saber minimamente sobre onde anda você. Até agora, parece uma declaração para um amor não superado, e bom, talvez seja mesmo, não superei os planos de meu nome aparecer na sua monografia, da gente escrever aquele livro infantil juntas e de como planejava administrar um cinema com você. Não superei que você não supriu minhas expectativas de amizade. Não superei que eu te impus expectativas de amizade. Não sou boa delimitando o fim nas afeições de amigos.

Também pode parecer mais uma das coisas intimistas que escrevo e que são frutos de uma tentativa terapêutica de algo. Minha escrita, você sabe, virou terapia. Saiu de longos contos, para observações internas e externas. Queria te falar que você gostaria de ler Annie Ernaux, faria sentido pra você, fez bastante sentido pra mim. É dessas leituras que de repente você se vê obcecada e se identifica com a autobiografia mais do que deveria. Uma parte minha sente vontade de conversar sobre os podcasts de política e escutar suas opiniões que, normalmente, eu nem concordava, mas não falava nada. Queria saber sobre suas produções acadêmicas e quais livros você tem lido ou comprado. Disso tudo eu sinto falta, de uma forma esquisita, existe ainda um apego. Talvez pelas conversas ou pelas lembranças dos seus gatos. Fico pensando nas piadas de humor duvidoso e de como eu gostava de ficar olhando pros seus livros. Gostava das suas falas e do meu silencio.

Queria criticar as coisas que acontece pra você enquanto estaria recebendo olhares de julgamento. Mas não queria falar mal das pessoas, só de lembrar, isso me repele todas as partes boas e me faz lembrar o porque a gente não é a gente mais. Bethânia me lembrar você é algo complicado pra mim. Eu escuto muito. Lembro de te mandar foto dos lp’s e o planejamento das noites de você ficar escutando eles comigo. Ela é a abelha rainha, você também me lembra abelhas, eu sou alérgica a elas. Ela me faz chorar e sentir muita coisa, e não preciso fazer outro comparativo pra ficar óbvio que você também fez.

Apesar de tudo citado e das saudades não ditas, não existe um interesse de retorno. Ou planejamento de reabertura de ciclos. Ou até mesmo de que você leia isso. A entrega dessas lembranças é um saudosismo quase de um Alceu Valença retratando um Pernambuco perfeito, quando na verdade a realidade está mais para Chico Science e a Manguetown. Se fosse um filme, essas lembranças que surgiram hoje, estariam aparecendo com cores quentes, em seguida por uma imagem minha escrevendo isso com cores azuladas. Mas passa, as cores quentes existem mais na lembrança do que pelo que realmente foi.

Acabo enfim, com 5 parágrafos esse texto, número que no tarot representa dificuldades. Conflitos, problemas, discórdia e dependendo se for o 5 de paus, é preocupação excessiva com coisas pequenas. Nesse fim, lembrando do tarot que você nunca me mostrou e eu sempre te pedi, você é esse simbolismo do 5.

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