Clarice ficaria triste pela romantização da insônia

(O adulto é triste e solitário)

2 da manhã é normalmente o horário em que a sensação de ter 15 anos novamente me invade, sendo dessa vez insônias possíveis de se beber vinho. E, sinto muito a qualquer pessoa que venha ler isso, mas preciso usar a cacofonia “já que”. Pois, já que nas noites em que eu me amenizava e ficava romantizando a insônia, nos meus pensamentos, sempre olhava pela janela e me imaginava bebendo vinho, lidando com o mesmo problema, mas em qualquer outra cidade. 

Se você, leitor, pudesse me ver nessas horas para além dessas palavras, ficaria impressionado que meu semblante se torna extremamente calmo nesses momentos. Imagem que eu nunca passo. A mente pensa tanto que arrisco dizer que não estou pensando em nada. Mas esse nada sempre me impede de dormir. É estranhamente caótico como já tentei várias “técnicas de melhorar a saúde do sono” fruto de pesquisas ineficientes de madrugada, acho que meu corpo realmente acredita que está em outro fuso horário nessa busca por estar em outras cidades.

Nunca sei exatamente o momento que eu vou dormir, é a grande surpresa do meu dia, creio que de todos. Mas é como se existisse esse ponto de virada que se eu pensar demais nele, ele não acontece. Então como encarno uma super-heroína nesses momentos, resolvo solucionar toda a minha vida numa simples noite. Cacofonia novamente. Já que não durmo, penso que ao menos produtiva serei, enquanto se deseja um vinho e vivenciar outras realidades. Não numa taça, pois não temos, mas em qualquer recipiente possível. Talvez numa tentativa falha de me aproximar de Drummond, porque ele já se aproximou muito de mim. 

Talvez eu queira ficar comovida como o dito cujo citado na poesia, trocando o conhaque pelo vinho.

E falando nele, ando me sentindo mais hedonista do que nunca. Presenciando todos os prazeres possíveis e me vendo obcecada por todos eles. O que facilmente renderia algumas explicações da minha histeria psicanalítica.

Acho que sempre me bate vontade de escutar Gal Costa nesses momentos. Aquele ao vivo que tem a música do Jards, Hotel de Estrelas, ou talvez seja das. É dessas músicas que combina com o clima de madrugada reflexiva numa cidade grande. Poderia ser qualquer música de Selvagens também, tudo deles é muito Fortaleza pra mim, mas estranhamente também acho que é tudo muito eu. Ando me perdendo nesses achismos e erros gramaticais. Ando me confundindo com essa cidade. 

Isso pode ser algo bom. 

As coisas estão boas, mesmo que pareça confuso falar isso depois do relato inicial de insônia. Mas é uma caixa de pandora com quase tudo expulso ou acalmado. Quase.

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