Mês de Amor

Por Roberta Bonfim

Ser Mãe não é pensar ser, mas ser-se. Não há quaisquer padrões para os caminhos construídos na relação mãe e cria, seja o tipo de mãe que seja, assim como o tipo de cria. Existem infinitos, mas o que é comum a todes é o desejo de que a cria seja-se, mesmo que isso às vezes os mantenha distantes por toda uma vida.

E se a gente muda a perspectiva do abandono, para a de extrema humildade em assumir que não se consegue. Ser mãe, querides leitores não é tarefa fácil. É o pleno exercício de amor. Ser mãe faz mais potentes na batida do coração e algumas, como eu, apresentam medos nunca antes minimamente flertados.

Desde que começamos este blog algumas mães já compartilharam vivências por aqui e com todas tanto aprendi, e às vezes em momentos nada a ver com o que elas relatam, lembrei do como e deu certo. Ando mesmo pensado que toda ideia concebida é de algum modo uma ideia compartilhada e as vivências se entrecruzam para que percebamos o óbvio de que somos juntes, que é esta união que nos fortalece, a percepção de que podemos ser rede uns aos outros, ou no caso de nós, mães, umas às outras.

É bonito ver amigues com filhes brincando com a minha filha, mas a maternidade não é uma tribo, ou uma mudança de fase no videogame da vida, é apenas um outro lugar, nem melhor , nem pior, mas com suas próprias questões, frutos de nossas próprias questões. E amo os amigues sem filhes que estão só o gás para serem bons parceiros de boas trocas sobre a mãe, e temas que por mais liberais que sejam serão tabus. Eu sou particularmente feliz por ter amigos de vida, assim me ajudam a escrever com detalhes os caminhos do existir em conjunto, aprendendo juntes.

Outro dia depois de uma reunião conversando com um colega sem filhes, e relatando da demora na recuperação de uma cirurgia simples como a de apendicite e rindo digo; com criança pequena é difícil ter descanso. E ele disse algo como: a eterna relação de amor e odio” mãe e filho. Sai refletindo a respeito e cheguei a conclusão que na minha relação com a cria de modo geral tem-se o amor, o que dificulta a relação, ás vezes são as influência diretas, ou indiretas do ambiente, e há momentos em que rola tudo junto.

São duas vidas, vivendo muitas vidas, vivendo ao tempo que se aprende a viver, experimentando a existência, buscando de algum modo consciência para melhor selecionar as experiências. E aqui na casa que sou e habito, busca-se equilibrar o sistema, entre a criança que sou e a que educo e o ser que sou no hoje e o que desejo viver no amanhã. Assim, a maternidade foi para mim caminho da quebra real do tempo espaço, onde eu preciso me revisitar para me acolher, trabalho para ser o ser que desejo ao tempo que trabalho para outra vida diretamente, e dialogo com a senhora cheia de gatos, que serei.

Ser mãe me acalma e enlouquece, ser mãe me liberta e prende e evidência todas as minhas humildes contradições, que são tão nossas. Gratidão a cada mãe que me acolheu na estrada da vida e as tantas que me inspiram e ensinam. Grata!

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