Segurem suas cabras que meu bode está solto.

Escutei muito esse ditado popular e sou fruto da educação de um pai machista, que chegou ao ponto de propor, no meu primeiro emprego, aos 17 anos, pagar-,me o mesmo valor do salário para eu não assumir o emprego. Na sua cabeça, essa atitude pode até parecer cuidado, mas, na minha, para além do excesso de zelo, ainda havia o sentimento de posse, ciúme e dominação embutidos (0 amo mais que tudo, mesmo assim).
Na minha família, nós, mulheres somos a maioria ( e são mulheres incríveis) e crescemos ouvindo pérolas do tipo: ” Eita! Fulano só trabalha para os outros”, ” Sicrano, só faz o que gosta”, sempre que uma de nós engravidava de meninas. E isso sempre me incomodou. Mas, ao contrário do pai machista, tive uma mãe a frente do seu tempo, dona de si, muito batalhadora e visionária. Ela sempre foi minha referência e meu modelo. Talvez, esse tenha sido o motivo para que eu não sucumbisse e me tornasse, apenas, esposa e mãe dedicada (nada contra as mulheres que fizeram e fazem essas opção por livre escolha) e tenha estudado e trabalhado, desde muito cedo, o que me permitiu ter, hoje, um pensamento mais avançado e mais justo sobre a vida e as pessoas.
Eu, a todo momento, soube que seria mãe de meninos! Não me perguntem o porquê. Não sei explicar, mas eu sempre tive essa certeza. Deve ser essas coisas de mãe e seus superpoderes secretos.
Ou, talvez, tenha sido a minha vontade de criaram filhos mais justos, educados para conviver nessa sociedade como iguais, respeitando a mulher em sua essência . E assim foi feito!
Hoje, eu sou mãe de dois meninos, João Pedro, de 19 anos, e João Vitor, de 3 anos. Nós, eu e meu marido, os educamos para serem homens do bem e, desde que tomei consciência do desafio e da responsabilidade que seria conduzí-los no caminho da igualdade, dentro dessa sociedade machista, pensamos muito nesse questão da fala, dos comportamentos e das atitudes. E eu tenho a honra de dizer, em alto e bom som, que educamos um grande homem e que João Vitor tem a sorte de ter mais um exemplo dentro de casa pois João Pedro tem uma visão de mundo linda, respeitando a liberdade, a diversidade de gênero, de credo, de raça, de cultura ou de sexualidade.
Então, eu digo, sem medo de errar: Podem soltar as “cabras” de vocês, porque os meus “bodes” são criados e educados para respeitar, cuidar e amar, não somente as mulheres, mas as pessoas, sem distinção. Eles sabem que “não é não e ponto”, que o “não” é uma resposta completa, portanto, não precisa de justificativa.
E, se vale uma dica: mães e pais de meninas, fujam da educação limitante e opressora de vida de princesa. É muito mais divertido, dinâmico e libertadora criar meninas para serem super-heroínas, valentes, corajosas e acima de tudo, mulheres donas de si e protagonistas da sua própria história.

Abraços, Samya Régia.

2 thoughts on “Segurem suas cabras que meu bode está solto.

  1. Parabéns por sua sensibilidade infinita.
    Minha dor é perceber que muitas mulheres foram vítimas desse sistema machista, e caso existissem no passado mais mães como vc Samia o mundo teria sido mais justo e colorido com a força do Amor, único sistema que transforma de verdade e você é amor de corpo inteiro e alma. Parabéns pela mãe que tu és, psicóloga e, escritora que utiliza marcar primordial de escrever a própria vida, com a tinta do coração 💓❤️😍❤️

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  2. Parabéns Samya, seu texto maravilhoso, mostra o modo como todas as mães deviam educar seus filhos para diminuir os preconceitos.Apesar de ser de uma geração anterior a sua, ensinei meu filho a respeitar as mulheres e aceitar as diversidades. Garanto-lhe que deu muito certo, transformou-se num homem de bem.

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