Histórias de amor acabam… E está tudo bem…?

Oi sou eu aqui de novo. Vim com mais um post com meus sentimentos depressivos e densos, um gosto de melancolia, solidão e remorso. Culpa não… A igreja inventou a culpa e me f***… Porque todos os meus limites quando são estralados, o sentimento de culpa fica eterno na minha cabeça… Mas hoje preparei algo diferente, eu li uma carta de amor… Então senta, põe sua música predileta e aprecie arte…

“eu vivi uma história de amor…? Conheci quando ainda era jovem, tinha acabado de completar os 18 anos, estava entrando na famigerada vida adulta, faculdade, responsabilidades e contas a pagar. Meus primeiros boletos chegaram nessa época. Foi amor a primeira vista, primeiro beijo, primeiro toque, primeira palavra. Tudo que digo hoje sobre essa história que vivi, foi graças aos 15 anos de terapia que faço desde então. Não me lembro exatamente em que ano comecei a fazer terapia, só sei que ela me ajudou a entender todos os meus traumas de vida. Amor traumatiza pessoas, eu descobri isso da melhor forma. Com pouco mais de 3 anos de relacionamento, a gente se juntou para construir uma vida de casal. Começamos morando em um apê bem pequeno e não tínhamos muitos móveis. Uma mesa, um fogão, uma geladeira, a rede, um colchão. Construimos literalmente nossa vida do zero. Mas nessa época eu não fazia ideia dos meus problemas com dependência emocional, transtornos de personalidade nem de meus quadros avançados de ansiedade e futuramente de depressão. Nessa época também eu não tinha consciência de que era possível, crescer em uma família comum e ter tido um péssimo ambiente de criação. Todas as minhas cargas emocionais começam a aparecer dentro desse meu relacionamento, todos literalmente. A psicologia diz que desenvolvemos grande parte dos nossos problemas psicológicos na juventude… Justamente no período que eu mais era cobrado para ser um filho exemplar em casa e na escola. Notas altas, bom comportamento, obediência, depreciação, gritos, humilhações, abuso verbal, físico, mental. As únicas palavras de conforto que eu ouvia “você não fazia nada mais que sua obrigação”. Isso era quando era elogio. Pois bem, vivi um relacionamento onde eu pude estar com uma pessoa que me amou, fez eu me sentir alguém. Pela primeira vez na minha vida, eu podia ser quem eu era sem precisar fingir. Pela primeira vez na minha vida, alguém olhava pra mim com olhos de afago e carinho. Beijos quentes, sexo adolescente, abraços fraternais, era tudo que tínhamos. É muito louco como eu esqueci completamente aquele ambiente tóxico que eu chamo de família. Mas nem tudo sãos flores na vida né…. Depois de alguns anos percebi que não estava mais me reconhecendo, olhava as fotos antigas minhas, no colégio e na infância, e simplesmente não me encontrava ali. Eu sempre tinha a sensação de nunca saber o que eu era/sou. Isso começou a martelar na minha cabeça, eu percebia que eu estava recebendo amor de alguém tão de graça e tão puro que aquilo não fazia sentido algum na minha cabeça. Durante os anos que me esforçava para ser a pessoa ideal na relação, eu me afundava cada vez mais em sentimentos vexatório e egoísta. Minha cabeça basicamente sempre me dizia que eu não podia ter aquele amor, minha mente gritava de que aquilo tudo estava errado, alguém que não te manda nada ou não te exige nada simplesmente não faz sentido. Era uma confusão absurda, que martelava minha mente e meu espírito. Durante os últimos anos de relacionamento, foram os momentos chaves que basicamente surtei. Minha cabeça passou tantos anos sendo presa e invalidada que eu surtei quando percebi que eu não tinha construído quem eu era… Porque basicamente eu só vivi um relacionamento de dependência emocional, eu dormia e acordava do lado da pessoa que eu mais amei na vida… E estava enlouquecendo porque eu dependia dela pra viver. Depois de anos muitas coisas fizeram sentido. Me culpo por ter fracassado na relação, deixei a relação afundar como um bote furado. Se meu relacionamento fosse um Titanic, eu seria os músicos. Porque eu falei da culpa? Eu me culpo até hoje de ter deixado todo ao meu redor simplesmente desmoronar. Não me importava com os “amigos” que sumiram, não me importava com os trabalhos que perdi, não me importava mais com as pancadas que a vida estava dando na minha cabeça. Mas sentir o amor da minha vida escorrer pelos meus dedos, foi o maior fracasso da minha vida. Eu me curei de muita coisa, mas do amor perdido nunca. A única coisa que eu queria dizer pro meu amor é que amo amo amo e sempre vou amar, eu te amo como quem ama o azul. Eu te amo como quem ama a água. Eu te amo como quem anda de bicicleta. Eu te amo como quem… Apenas sei que se os 15 anos de terapia que tive até hoje, tivesse começado com 10 anos de idade, talvez hoje eu estivesse vivendo ainda com o amor de minha vida…”

Coloquei o papel amarelado de barro e duro de sol do meu lado, bolei meu baseado, pus o disco acabou chorare dos Novos Baianos pra tocar e fiquei olhando aquele horizonte lindo do Kariri. Eu encontro essa carta num penhasco enquanto eu fumava meu baseado e pensava na vida. Depois de ler aquele papel velho e sujo, me passou flashs na minha mente de todos os surtos violentos que tive por causa de minha Borderline. Minha cabeça começou a conversar comigo e a me contar como era bom eu estar só e dependendo de mim, apesar deu ser a pior pessoa para depender de mim mesma, mas mesmo assim eu estava viva sentada, fumando um baseado e olha do o horizonte…

“vou mostrando como sou e vou sendo como posso, jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros eu deixo um tanto e recebo tano e passo aos olhos nus…”

Eu não sei quem escreveu aquela carta, mas talvez essa pessoa tenha deixado ali, com a intenção de que alguém achasse… Mas será que essa pessoa se achou? Será que ela conseguiu viver algum outro amor?

A única certeza que tenho, é que apenas queria ser uma pessoa sem algo conversando comigo na minha cabeça… Sabe o anjo e o diabo que mora no nosso ombro? Literalmente o diabo está dos meus dois lados. Não podemos ser muitos mundos, mas se eu puder ser só o meu mundo, pra mim já é uma grande vitória.

“Talvez vc me encontre velho e solitário em um sanatório qualquer.”

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