Por trás de toda “guerreira”, existe uma mulher sobrecarregada.

Chamar uma mulher de guerreira não pode ser um elogio oculto sob a intenção de romantizar o sofrimento feminino.
Na Pandemia, nós mulheres, acumulamos não somente preocupações com o período, mas principalmente muito trabalho, gerando uma extraordinária sobrecarga emocional e comprometendo a nossa saúde mental.
Por causa da educação machista a que fomos submetidas e das crenças limitantes de que “somos as rainhas do lar”, “cuidadoras natas”, a distribuição das tarefas domésticas, além dos cuidados com os filhos, a administração doméstica e todos os fardos cotidianos, couberam e cabem a nós, mulheres. Que ainda temos (acreditem) uma vida pessoal para cuidar e uma carreira, fora (ou dentro) de casa.
Sabe quem é a “guerreira”? É aquela mulher que tem sono acumulado porque só dorme depois de dar conta (do almoço, etc.) do dia seguinte, ter colocado roupa na máquina de lavar e arrumar a mochila do pequeno para deixar na escola.
“Guerreira” é aquela mulher que sai correndo do trabalho para passar no supermercado, antes de buscar o filho na escola… a que acorda na madrugada, prepara o café de toda a família, leva o cachorro para passear, estende as roupas no varal e corre para deixar o filho na escola às pressas, para chegar um pouco mais cedo no trabalho e conseguir tomar seu café da manhã, antes de iniciar suas obrigações.
Mulheres, FUJAM DESSE TÍTULO! Repreendam, renunciem, esse sabotador de vidas. Esse “título” invisível, só aprisiona, mina a nossa saúde mental e é mais uma forma, que essa sociedade machista e patriarcal encontra para nos manipular.
Nunca ficou tão claro que verbos como: cuidar, arrumar, passar, lavar, cozinhar, ensinar, brincar, eram penduricalhos de conjugação preferencial feminino.
Daí, fica mais fácil a gente imaginar como essa Pandemia tem sido muito mais severa conosco, mulheres. Chega a ser prosaico e desumano, num só tempo, conjugado.
Por trás dessa “guerreira”, há uma mulher de autoestima em baixa, triste, cansada, estressada. Há uma mulher sempre posicionada em segundo plano. Seja, você mesma, sua prioridade!
Como não conseguimos dar conta de tudo perfeitamente, ficamos de mãos dadas com a culpa. E cada vez que o almoço atrasa, o filho chora porque quer colo na hora da reunião on-line, as roupas se amontoam no cesto, nós percebemos o quanto a fantasia de “guerreira” nos cai como uma luva.
E, por causa dela, vamos honrá-la acumulando angústia, ansiedades, depressão, cansaço, estresse… num pacote de fadiga física e emocional que compromete nossa qualidade de vida e comprime nossa autoestima.
Acreditem, não existe heroísmo na sobrecarga das tarefas domésticas, na criação e educação unilateral dos filhos.
Heroísmo está em você se respeitar, em colocar limites e dizer não aos outros e sim para si mesma.
Heroísmo é você ser resistência!
E sabe quem é guerreira de verdade? A viking Lagherta e suas lendárias congêneres escudeiras no curso da História! Kkkkkk

Abraços!

Samya Régia Antero.

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