Vem pra roda…

Por Coletivo Abayomi

Reunir-se e realizar atividades, este formato é uma tradição muito antiga de muitas civilizações:seja para ouvir e falar, para brincar, cantar ou rezar. Tem um significado infindo dedimensões temporais, éticas e políticas que influenciam acordos sociais e comportamentais.

A circularidade é o espírito motriz, fundamento que nos convida a receber todos os saberes e fazeres bem como nos impele a compartilhá-los. É o valor que desperta o senso de pertencimento através de ações comunitárias.

O convite para sentar se reunir em roda é quase sempre irresistível. Puxe pela memória e provavelmente lembrará… de uma roda de amigos, da família em volta de uma mesa, de histórias ao redor da fogueira, de uma roda de samba, de capoeira, de cirandas. E as brincadeiras em roda? O prazer do ato de sentar em roda é um estímulo para trocar de conhecimento e fortalecimento de nossas memórias.

Imagem: Michael Aboya

Entre todos os valores civilizatórios africanos e afro-brasileiros, a circularidade merece um lugar de destaque. A sabedoria de várias sociedades africanas nos convoca a repensar para o modo de se comunicar, se relacionar e se colocar no mundo. Literalmente como nos posicionamos diante de um coletivo ou uma comunidade.

Uma tecnologia leve que cria e mantêm vínculos éticos e simbólicos, a configuração espacial sem início e nem fim nos presenteia com uma concepção metodológica social e filosófica, permite que todos se olhem e sejam olhados. Essa comunicação através do contato visual nos coloca como iguais, sem hierarquia, aponta para o movimento, a troca, a renovação, a cooperação, a coletividade; possibilita a mesma oportunidade de estar na centralidade.

Uma roda não tem espectadores, uma vez nela todos são responsáveis por manter acesa a energia que a alimenta. Quem não toca, canta; quem não canta, dança; e quem não dança… balança a criança.

A circularidade sintetiza a múltipla e rica cosmologia africana e pedagogicamente nos ensina que a vida é cíclica. Chamamos movimento cíclico porque a todo o momento mudamos nosso pensamento, humor, forma de agir e se comunicar, as pessoas expressam e passam energia por esta roda.

Imagem: Moisés Patrício

A complexa cosmologia africana, nos ajuda a compreender nosso tempo e o tempo do outro, ajudando-nos a assimilar que somos partes do mesmo todo, somos interdependentes e conectados ao ritmo da vida e da natureza, dimensões estas, cujas tradições africanas são retro-alimentadoras, por imprimir experiências envolventes, autênticas e profundas.

Quando a metodologia da circularidade ganha dimensões epistemológicas, ela torna-se uma espiral  — como o “tempo espiralar” de Leda Maria Martins —, uma roda infinita que se desloca pelo espaço-tempo conectando todos os membros da ancestralidade que a compõem. Uma mola que nos propulsiona a saltos maiores em um impulso coletivo.

A circularidade é o provérbio vivo: “Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo”.

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