Já é Quarta

Por Roberta Bonfim

Hoje o tempo correu mais depressa que eu. Perdi compromissos, a filha chorou, técnico de internet em casa em tempos de pandemia, gata no cio, hambúrguer quebrado, uma planta seca, louça na pia. Limpei a casa de manhã na saída do técnico parecia ter passado um furacão. Aparelhos obsoletos, recicláveis se amontoam no quarto, a pilha do mouse acaba, assim como a água do garrafão às 3 da manhã. Coloco os custos no papel, as despesas dobraram, ou triplicaram. Já não ligo o ar condicionado e a energia segue subindo. Não entendo matemático. Leio Fernando Pessoa para amar e dizer tantos sins ao todo tudo que se deseja viver.

E nada disso era o que eu queria dizer. Me preparei para hoje, a bem da verdade foi ontem, onde minha filha me colocou para dormir antes de eu fechar as tarefas do dia. Tinha me planejado escrever sobre essa coisa de celebrar 9 anos, de olhar o processo e reafirmar a sua importância, perceber o quanto cada encontro e gravação narram um boa história, com aprendizados, escuta, sorrisos, arte, afeto e participação, pois nenhum processo é só. E sou muito grata por cada atravessamento. O universo sempre me foi muito justo, sempre que o que foi tirado, de outra forma foi reposto e mesmo as mais intensas dores da vida, que não se engane, não precisam ser tristezas, podem ser só uma dor, que sentimos, observamos, investigamos, tratamos e curamos. Talvez ainda não consigamos ver as feridas da alma com a mesma frieza que supostamente vemos as do corpo, que quando não frutos de um acidente, normalmente são já a alma clamando por socorro. E porque falo de alma ferida em meio ao texto de celebração que já começou todo coisado e que escrevo às 3 e pouco da manhã na companhia de Clarice Lispector (a gata).

Falo de saúde mental, talvez exatamente por isso. Me pergunto o que me acordou e me motivou a estar agora aqui sentada escrevendo, ao invés de estar dormido Talvez porque o sono regenere meu corpo, mas é a escrita que libera minha alma. Minha racionalidade não alcança, só me relaciono com ela pelas emoções e só me entendo, escrevendo. Pois as palavras ditas depois de pronunciadas me parecem todas embaralhadas, e não tenho qualquer garantia sobre o que foi de fato comunicado. Isso também deve ter haver com o fato de que escrevendo, há uma intensidade, pois é só um canal. Sei lá. Sei que minha memória universal integral sabe muito mais do que penso , mas ao perceber sempre sei tão pouco.

E lá se foram 9 anos, começamos agora a escrever a história desse décimo ano. E algumas coisas precisam ser ditas já. Para quem digo? Neste momento para mim, e se compartilho é para que a cada pessoa que leia, eu seja lembrada desse momento em que lembrei das coisas óbvias e importantes que eu já sabia

Meu Lugar Sou Eu – assim moro em mim. Aprendi isso com a vida e com a liberdade das não prioridades. se não faço parte do bando, não há porque seguir suas leis.

Sou uma urbana que gosta de silêncio. Sou uma nômade inveterada, que depois de muito tempo no mesmo lugar, precisa alterá-lo.

Amo o colorido. E mudo minha cor preferida de acordo com o meu bem prazer, pois gosto de todas.

Todas as contradições me habitam.

Amo gente, mas peço todas as noites por distâncias saudáveis. E tenho medo e fascínio pela multidão e conheço na pele e assim, na memória corporal a repudia das massas contrariadas e estimuladas à violência. E se o bando faz juntos, por maior que seja a agressão, rapidamente arrumam um culpado, para que pareça uma unidade. Olhemos a história. Ainda temos uma tremenda dificuldade em assumir que somos todes luz e sombra e é possível que exista um conceito, mas para mim é só esse distanciamento de nós a que somos induzidos desde o nascimento. E as tais expectativas geradas sobre nós é devastador quando não cabemos nelas, pois nos sentimos frustrados por destruir os sonhos de alguém, sem atentarmos que tudo bem, pois se trata das nossas vidas.

Falo dessas contradições todas porque elas nos abrigam, e em mim fazem absoluta morada e poderia neste agora contar umas boas histórias do que tenho vivido em emoções e respirações. Hoje ouvi uma briga dos vizinhos, minha filha teve medo e eu agradeci por cada escolha feita até aqui e por poder sem qualquer culpa aparente largar todos os “äfazeres” para ficar agarradinha com minha filha em paz, dando-lhe segurança. Estamos falando de um super gatilho? Estamos! Mas, que não me fisgou, não dessa vez, pois o amor tem um dom supremo de cura. E as memórias não se vão, mas as dores quando “resolvidas”, me parece que sim.

Voltando a esse Lugar ArteVistas, esse coletivo de seres que se desconhecem e hoje em parte por pura falta de interesse, curiosidade ou algo assim. E tudo bem. Pois creio mesmo nesse coletivo de indivíduos, que por hora ainda tem a mim como um fio condutor, mas essa engrenagem vai funcionar de modo fluido e sistemático, a partir das responsabilidades de cada indivíduo ou semi-grupo organizacional. É um sonho de fácil realização? Não. Mas, sou dessas que sonha. Gente! Sonho muito e se eu conseguisse pôr em prática pelo menos parte desses sonhos viveríamos em um lugar mais convivível, de certo. hihihi

Mas, vou tentar focar apesar do desejo de seguir com dedos soltos e fluidos no teclado, determinando por vontade própria e em uma velocidade que hoje quase me orgulha, deslizam e registram letras na tela. – Acho mais poética a escrita no papel, mas mais difícil de guardar no lixo das memórias. Tenho um caixote de memórias escritas a mão. Hoje temos um blog e o que era só meu pode também te alcançar. E vivemos juntes a emoção ilusória, eu de ser compreendida e você que me lê de me entender. Mas, acho massa.

Nesses encontros de vivências sem leituras humanas e expectativas tenho conhecido muitos ArteVistas e neste Lugar ArteVistas aprendendo tanto, tanto.

Na quarta passada teríamos encontro Arte na favela, mas Izabel Lima ficou sem internet, mas foi massa poder conversar um pouco com Cintia Sant’anna. Mês que vem nos reencontramos.

Quinta teve Conversa Entre Nós com Silvia Helena, que recebeu Glauber Filho com quem fiz a ponta da ponta de um filme – As Mães de Chico, Leo Suricate que já me tirou bons risos e que neste papos mexeu com meu coração e vai mexer com o seu se você apertar o play pra você. E encontrei Camilinho, Camiloco, esse cara massa com quem trabalhei na TV União lá no começo da faculdade de jornalismo.

Na sexta Marta Aurélia conversou com Carri Costa que quem conhece sabe o quanto é um ArteVista querido e engajado no seu trabalho de ser e propor teatro para a cidade de Fortaleza. E o Teatro da Praia conta com a sua colaboração.

Domingo celebramos 9 anos de caminhada, tivemos Até o Caroço com uma temática que amamos que é o veganismo, nesse encontro com Kerla e a turma do Occa Cultura Alimentar.

Na segunda teve Arte Onde Estiver e a conversa foi linda e cheia de bem querer a japa linda e inspiradora que vive em si e distribuir afeto onde passa Chris Ayumi, a bailarina da nossa primeira vinheta. Mas também com Bruno dlx, que realiza o Festival do Passinho dentre outras ações e que tem um brilho nos olhos necessário para nos manter na luta com dedicação. E Fernando Dantas que me inspira diariamente, ele e sua esposa são a representação de um amor profundo que eu já tinha visto de longe, mas que poder conhecer mais de perto é um privilégio e que juntos fazem a Associação Anjo Rafael e se oferecem a esses seres que somos com um amor e entrega missionária.

E neste terça teve MIrabilia pra eu tá linda nele treinando meu portunhol com maestria, mas a internet, ou a ausência dela não me permitiram, mas vou assistir já já e você vem também ouvir desses contos de fogueira. 

Tivemos outras emoções, mas conto no próximo texto, porque já são 4 horas e minha filha vai já acordar e Kitah que tá em Portugal já que coloca o texto dela na quarta.

E se é quarta tem estreia de episódio da Lugar ArteVistas – gravada no Poço da Draga, onde conversamos com Estevão, Doug, Dinha e Pirata.

Bela vida!

E se liguem nos textos desse blog lindimais!

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