nunca me perguntei onde quero chegar

Por Roberta Bonfim

Eu não escrevo pra ninguém! Foi a conclusão ao qual cheguei pensando sobre a escrita deste texto que se faz enquanto escrevo, pensando depois de duas semanas de muito trabalho, se o que faço, faz sentido, o que acrescenta ao mundo, qual a real relevância. Pois ando me dedicando tanto aos estudos e ao trabalho. E creiam, nunca me perguntei onde quero chegar com isso e mesmo agora quando ensaio fazer a pergunta reluto por não ter certeza se tenho essa resposta. Mas, tenho me perguntado. Pois minha filha de 3 anos e 3 meses tem pedido a minha atenção, e mais, ela tem reclamado da minha ausência e pedido a minha presença, mas com o ritmo da minha agenda não consigo oferecer além, e conto com a compreensão dela, que é massa. Mas, será que tenho feito as escolhas certas? Não sei e me prometi quando escolhi ser mãe que não me culparia, mas para cumprir esse compromisso comigo e com ela, preciso parar e rever os caminhos vez ou outra. E vivo isso agora talvez porque ela não esteja aqui comigo neste exato momento, e que passou uma semana na casa da avó pela primeira vez na vida. E ai me percebi sentada nesta cadeira onde me encontro, das 6 da manhã as 10 da noite, todos os dias. Teve um dia que parei e e terminei de assistir um filme que foi assistido em parcelas, mas vale muito. Deixo a dica.

E estamos em pandemia, dentro de caixas. E meu desejo de ir morar no interior cresce a cada instante, o desejo de pé na terra, contato com o verde. Fecho os olhos e só penso no banho de rio. Nunca fui muito ambiciosa, e sei que a felicidade não se compra, mas algo ainda me segura aqui na cidade, empoleirada no 14 andar de um prédio onde não vivemos em comunidade, apesar de ouvirmos nossas conversas pelas paredes. E minha filha brinca na varanda, e olha o redor, mas não o habita. Penso nisso e ensaio a sentir culpa. Mas tenho medo de ir pra rua com ela, de expor a ela, a mim, a nossa avó, razão maior de estarmos aqui.

Mas, de volta à nossa realidade, somos nós duas e duas gatas em um apartamento, e nos últimos três anos conto nos dedos as vezes em que ela ficou em algum lugar sem mim. E aí em abril, ela passou uma semana inteira na casa da avó. O resultado aqui em casa, foram dias de completa desordem, mas com muito trabalho e estudo, eu nem lembrava o tempo do tempo quando não se tem de dividi-lo com uma criança. Comi mal, não me cuidei, mas produzi e fiquei feliz, pois organizei muitas coisas que esperavam esse momento de serem organizadas, mas não foi a casa! 

E aí as tais questões: Para começar entendi que mais de 50% do meu dia útil que é longo, já que tenho dormido muito pouco, destino aos trabalhos e estudos, que é só 50, porque tenho de me dividir também entre a casa, comida, criança, gatas e plantas. O fato é que não sobra nunca tempo pra mim. E a questão é o tempo? Não. E aí vem a segunda constatação.  O tempo “livre” o que deveria ser o tempo pra mim, acesso a internet e fico presa na bolha até ser chamada por algumas das demandas da vida. E então vem a terceira percepção… mas essa vou deixar pra junho.

Pois agora fecho este texto parabenizando as mães, todas que abraçam a maternidade com amor e compromisso afetivo e social. Grata!

E compartilhando esse papo incrível entre mães

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