Vejo o Tempo Incerto

por Júlio @casamentopoetico

Dia após dia uma pergunta filosófica buberiana atravessa meu pensamento, como um relógio sem pilha na parede. Sem corda, sem força, sem propulsão para a vida. Estático, sem brio nem vigor. “O que faz com que você seja você”?

O relógio parado não marca as horas, não define o tempo, apenas se propõe a existir, semelhante a um quadro na parede.
Então, vejo o tempo incerto, de um presente estagnado, sem passado declarado, sem futuro alcançável. Estático. Mecânico. Árido e interminável é o tempo, afirmava Neruda.
Nenhum ponteiro se mexe.
Basta uma pilha e todo elã vital se recompõe, basta uma vontade de existir para que tudo se refaça, basta um mecanismo e todo movimento se renove. Marcadores, numeração, o fato de dar corda faz acordar, faz a cor dar, faz a cor de ar, invisível, intermitente, renovado. Como que vindo de dentro. Eu sou eu e as minhas circunstâncias, nos lembra Ortega y Gasset, independente se o mundo não está bem e o tempo pareça incerto, escolho estar feliz. Outra questão fundamental: por que as horas difíceis demoram a passar enquanto os momentos felizes voam ligeiramente? O poeta Virgílio aponta uma resposta plausível (ars longa, vita brevis) a vida é breve e arte longa, a oportunidade fugaz.

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