Buscando memórias

por Roberta Bonfim

Memória Social, uma perspectiva psicossocial, vendo esse título, de cara penso em sair correndo, pois tem algumas coisas que se formos buscar entender demais sem preparação psíquica corremos o risco de não entender nada  e cairmos em um limbo paralisante, sem fim. E eu não me sinto psiquicamente preparada para muito, dessa imensidão informacional. E quanto mais leio mais aprendo e quanto mais aprendo, mas me distancio do que eu pensava saber a princípio, e pluft! – Fui pega de novo pela bola de neve da vida que nos gera essa imensidão externa a nós, mas que precisamos por qualquer razão nos relacionar, mas nem sempre sabemos como. Todos esse conceitos acadêmicos me são novos, porém a filosofia me é companheira antiga, como gosto de salientar, sou do teatro, e o teatro é também filosofia e tanto mais que podemos conversar em um outro estar.

https://www.youtube.com/watch?v=_NeBJ_ONV30&ab_channel=DanielMedina

Para esse instante impessoal que já passou, tornando-se outro, e se reconheceu esse trecho como sendo de alguém és já conhecedor de alma do que se trata a quebra de tempo e espaço que apesar deles, tempo espaço estamos aqui, de Fortaleza, São Paulo, Aracaju, Beberibe, Jaguaruana, Mato Grosso, Bahia, somos de todas essas cidades e podemos falar sobre ela ao falarmos sobre nós. Nossas rotinas, relação com nossos resíduos sólidos, com o que produzimos de orgânico, como tratamos nossos vizinhos ou o cara que passar gritando pedindo comida para filha. Se temos janela, começamos uma relação mais estreita com ela e talvez comecemos a entender, pelo menos no lugar de memória feminina, essa partitura feminina de espionar, já que fora durante todo patriarcado proibida de participar, e ainda hoje, onde ainda vivenciamos esse sistema em reação, somos ainda proibidas de participar sem termos nossas memórias maculadas, sem nos culparem pelo ato agressor do outro. Nos agredimos constantemente. Não assisto big brother, mas Susi, que é parceira por aqui assiste e nos compartilhou um relato sobre sua relação com os cabelos, que teve com gatilho a fala de algum participante, na repetição dessa agressão cotidiana, essa em que o outro não percebe de fato que tá cometendo a agressão, e é por isso que chamamos de estrutural, por estar na base alicerçante do ser que somos. 

https://youtu.be/-2fJa9wlgeY

E por que falo sobre isso? Para te perguntar, o que me pergunto: quais têm sido as minhas agressões, e quais eu tenho sofrido, e as que tenho reagido, como o tenho feito, com qual reação. Por que a física confirma que a cada ação uma reação, mas essa reação é absolutamente imprevisível, e pode ser pessoal ou estar dentro da memória social, mas pode também estar em você por conta dessa mesma memória que não nos foi contada, mas exemplificada nos cotidianos, nos ambientes onde vivenciamos ou atravessamos e existir neles não necessariamente é habitá-los, mas ainda sim alterá-los, porém habitá-los é se responsabilizar por ele, falar em seu nome, defendê-los do opressor, mas quem é esse opressor, que não o outro diferente que como você se vestido de habitante protetor com suas próprias memórias sociais, algumas mesmo idênticas as suas, mesmo que você tenha vivido toda sua vida em Beberibe, e ou outro em São Paulo, capital ou interior,  Somos, de acordo com Jung esse universo interno e externo. Um ser humano que começa retirando da sua própria sombra de seu vizinho está fazendo um trabalho de imensa, imediata importância política e social” (Jung). Mas, por aí seguimos na caça às bruxas, ao diferente, não ao extraordinário, pois esse vira exotico e o exotico vende, haja vista negros sequetrados e vendidos indiscriminadamente, indigenas expuulsos e escravizados em seu território, isso sem falar nos portadores de deficiencia, que precisam viver em uma cidade de ca;çadas egoistas, e p[essoas pouco dadas a colaboração, na minha cidade Fortaleza, quando chore, parecem Lágrimas de índio (Daniel Medina), que cata os bairros e exausta os nomes indigenas para deixar as claras a relação estreita do estado com os povos originários. Aqui, pasmem, tiveram sua existência negada e isso tem tudo haver com memória e também com a música de Medina que “arrasta Mondubim, Maraponga corda tonta e toda Aldeota se alaga, e diz que Jurema tá de mal de Iracema, que tá grávida da América do Sul”. Celso Pereira de Sá, ressalta que “finalmente, o interesse pela memória invade hoje a vida cotidiana de uma maneira talvez nunca antes , como já diagnosticado por diversos autores”. E diz mais, diz que “é nesse sentido que, a partir do exame de diferentes formulações – de variadas origens e níveis de análise – sobre a memória e construção de afins,  selecionados por sua especial pertinência para reconstrução psicossocial , propõe-se a presente circunscrição conceitual do domínio da memória social (…) e tal proposta envolve três preocupações principais, arrolam-se cinco princípios unificadores básicos, no campo da memória social que tem no conceito a segunda, onde “Memória social ” designa interior conjunto de fenômenos psicossociais da memória na sociedade e a terceira é que sugerem-se sete principais instâncias, sem serem excludentes para constituição de um mapeamento inicial”.

https://open.spotify.com/track/60giWQsgqHmX5C0hdmV6FQ?si=YAIwAvC7QjG0yKTOPhzglA&utm_source=whatsapp

E penso que haja aqui outras tantas questões, é que a memória é uma necessidade e por isso também um apelo. Mas, mas que memórias são essas, se não as das pessoas que contam essas histórias.  E Pereira de já não nos deixa esquecer que “o que é lembrado do passado está sempre mesclado com aquilo que se sabe sobre ele.”O mero conhecimento de que os fatos aconteceram e Cidadão Instigado, fala em Fortaleza que a  conhece desde o dia em que nasceu, e conta histórias de ser cria da varjota, bairro nobre da cidade e aí a música traz a tona essas “memórias no pensamento do tipo de “representações sociais”e daí temos Tião Carreiro e Pardinho cantando os Encantos da Natureza, ou No Dia em que saí de casa, de Zezé de Camargo , que tem o filme com direção de breno Silveira, que é bom em contar histórias e memórias, é dele tb o do Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, que também mata a gente de chorar. E são essas “histórias do grupo e suas memórias coletivas que desempenham papel importante na constituição do sistema central de uma representação.”

https://www.facebook.com/watch/?v=478934446068032

E o mais complexo dentro disso penso que seja pensar em todas as variantes motivacionais. Dizer que eu particularmente já conversei gravando, afora os infinitos e intensos papos sem câmera, com mais de 300 ArteVistas, e são diversos os contextos. Mas, para que fique mais claro vou compartilhar com vocês o quem chamamos de ArteVistas, você, por exemplo, que está aqui nesta terça, buscando entender melhor a cidade, para buscar os melhores caminhos para ela a partir dos agentes motivacionais de cada um.  Mas, é também ArteVista Telma Tremembé, qua lançou um livro narrando a percepção de uma indigena sobre o que aprendemos na escola a chamara de descobrimento do Brasil e mesmo hoje alguns ainda o celebram com entusiasmos de conquista, quando se trata de múltiplas derrotas, da natureza que somos, mas ai é outra pauta. O que me parece fato é que estou formada a muitos anos e quando entrei na faculdade já tinham alguns bons profissionais estudando esse lugar, mas ouvir um indigena falando sobre o seu lugar, me é novo e essa experiência cada vez mais constante, muito por que no processo de sermos esse lugar somos coletivos, e Marta Aurélia tem deixado o legado de muitos papos potentes incluindo muito indígenas, e como eu que recebo todes, tenho mesmo me preenchido de muitas histórias e assim também de muitas cidades e de mim, que faço parte dessa cidade, e da minha casa que faz parte dessa cidade e volto Jung e a relação com nossos vizinhos, sem transformá-los em nossas sombras. Não é que tudo esteja ruim, é que existem algumas estruturas solidificadas no caminho, mas ao contrário do que eu mesma disse não pode ser a base, pois as bases são elementares, quem traz o conceito é o homem, nós e nosso nessecidade de memórias, de construção de narrativa para busca desenfreada de explicar o que tá no campo do mistério. E a difícil aceitação sobre o óbvio de que somos uma totalidade, o entretenimento e meio de comunicação entenderam essa fórmula faz tempo. E nós gostamos de boas histórias, então espero que ainda haja alguém aqui. 

https://www.youtube.com/watch?v=OV4StlQh4ik

E tais as tais memórias pessoais onde cabe um Mucuripe de Belchior e Fagner, que não há nenhum problema não conhecer, mas essa música foi durante quase uma década um símbolo distante do que já foi Fortaleza, hoje com seu jangadeiros apertados em brechas de areia, e um Mucuripe que luta para existir, frente ao setor imobiliário de prédios altos na orla da cidade. 

https://youtu.be/evSIj_MkpKs

É que a memória social tem variadas instâncias, podendo ser vista como um conceito, mas pode também ser espontânea, e tem as memórias pessoais, que logicamente vão para além do indivíduo, já que habitamos um lugar e o compartilhamos, assim também compartilhamos memórias, diversas. E tem ainda as memórias comuns. O fato é que existe uma infinidade de memórias e todas elas passam por nós para ganhar, adeptos em ação, na construção das memórias do por vir. 

http://www.youtube.com/c/LugarArteVistasarteondeestiver

Mas, agora vou fechar dizendo que cada passo nesse espaço é nosso ex-passo e seguimos na geração de novos. Então vamos de atualizações, esse mês já temos 5 programas no canal e isso é lindo e de um conhecimento profundo. Neste mês de abril Martinha tá fazendo abril originário e Lorena Armond pensou em uma comunicação mais indigena, então eu estou aqui extasiada só absorvendo tantos conhecimentos e me percebendo em ações nesses lugares todos. Qual o meu papel no mundo eu não sei, mas o da Lugar ArteVistas é ser lugar para todes. que queiram chegar para contribuir com o lugar que habitamos de modo respeitoso. Silvinha vem arrasando com suas conversas que buscam desatar nós, e ontem eu conversei com uma mulherada linda. 

E tem mais chegando. Olha esse convite! Fui!

https://youtu.be/_z3dGWXcGIY

Gratidão a todos do grupo de estudo Ser Cidade É Coletivo, que compartilharam músicas.

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