É urgente salvar a palavra

Tenho dito isto exaustivamente, escrever me salvou a vida por um longuíssimo tempo, e eu tenho por isto uma espécie de saudade, uma saudade que é irmã de minha infância.

A palavra me foi uma herança de meu avô materno, que nesta vida ocupou também o importante papel de meu pai.

Pai não frequentou a escola regular, em vez, aprendeu muito sobre o tempo, na observação da natureza e na preservação da memória, um pouco de matemática, e a palavrear. Gostava do português, gostava de me ouvir falar, gostava que eu escrevesse. Gostava de me corrigir. Herdei o mal da correção, embora erre vergonhosamente.

Pouco sei do Novo Acordo Ortográfico, apenas que ele precisa ser revisto e atualizado.

Eu não pensava até a exaustão e todo o tempo de minha existência era preenchido.

Hoje não trago novidades.

Meu pai não me compartilha nenhuma palavra recém-nascida, nenhuma que ele me peça para escrever.

É urgente agora salvar a palavra, de tudo que é urgente salvar, também a palavra tem sua urgência e não cabe mais tanta urgência em mim.

Salvar a palavra, talvez seja exercitar o silêncio, estou pensando nisto agora.

Se insisto em escrever quando a palavra não se oferta a mim, acabo por feri-la e por consequência a mim mesma. Não escrevo, sou amiga da palavra, e como amiga sei que o distanciamento é, nestes tempos ainda mais, saudável a tudo.

Na próxima quarta-feira volto com um texto último para este canal, saudável a todos nós.

Cuidemo-nos!

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