Histórias de infância

Sem dúvidas a infância é onde construímos a base de tudo que vivemos e que ainda vamos viver ao longo das fases da vida. É nesse #lugar que se desenham descobertas, percepções, sentidos, desejos, gostos e visões de mundo. E eu tive a sorte grande de ter tido vivências satisfatórias, empolgantes, estimulantes, diversas e principalmente felizes. Tento sempre recordar as histórias que vivi, e mesmo com um pouco de dificuldade lembro-me de um tanto delas.

Agrada-me narrar minha trajetória pessoal, pois percebo nisso uma forma de autoconhecimento, além de assim permitir ser melhor conhecido pelos meus velhos e novos amigos. Quero ser narrador da minha história, contar para eu mesmo, e por consequência para os outros, do quê sou feito.

Mais novo de três irmãos, nasci em Caucaia, onde nunca morei. Até os dois anos morei na periferia em Fortaleza. Após a separação dos meus pais, meu núcleo familiar se desfez inevitavelmente. Fui morar com parentes (tias, tios, avôs e avós) em Choró e por vezes (semestres) em Quixadá. Aqui percebo que desde pequeno estive em movimento de migração.

Reflito sobre isso hoje com superação, sei que tive uma boa infância, uma rede familiar cuidadosa, amigos presentes e educadores extraordinários. Criado no sertão: em contato direto com a natureza, brincadeiras diversas, banhos de chuva e de açude, além de importantes introduções a trabalhos braçais e manuais como cultivar a terra, plantar, colher, debulhar espigas de milho, vagens de feijão maduro e até algodão.

Embora avalie que tive bons tempos na infância, não posso descartar a infeliz realidade da seca, do semiárido. A dificuldade de se conseguir e armazenar água para beber e banhar em extensos períodos sem chuva. Lembro bem da minha pouca coragem de montar o jumento com o aparato de cangalha e canecas para buscar água nos açudes consideravelmente distantes de casa. Ia com minha avó para assumir a função de segurar o funil na “boca” das canecas. Vovó ia a pé e eu montado no jumento sentindo pena do bichinho por ter que carregar tanto peso quase diariamente com aquela típica mansidão. 

Sinto saudade daquele tempo, daquela comunidade pacata, de sotaque forte, do dialeto com entonação e ritmo tão específico do interior desse nosso Cearázão.

E como é bom saber que são também dessas experiências que sou formado. Hoje me enxergo um pouco de tudo que vivi na infância: meus medos, traumas, tristezas, perdas, ganhos, alegrias, liberdades, aprendizados. Narrar isso me faz lembrar da minha essência enquanto ser social e me faz querer ser melhor e melhorar o mundo ao meu redor. Essa consciência me mostra a importância de cuidarmos bem das nossas crianças agora e sempre.

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