Somos vivos como o sol de “ameidia”

Por Barbara L. Matias.

Deram o Kariri como extinto. E, no entanto os cabôco estão preparando a terra pra receber o plantio de milho e dançar pra fogueira em junho.

Imagem de Ana Adenilda e tratada por  Victório Fróes.

Deram o Kariri como extinto.

E no entanto os Cabas descansam “ameidia” enquanto o sol dança pra terra.

E no entanto em cada quintal uma farmácia do mato. Viva.

E no entanto o pião roxo na frente da casa.

A rede, as danças de pés atolado na terra, a agricultura, o cuscuz, a mandioca, a pescaria, o raizeiros, o artesão.

E no entanto o ato de conversar na “boca da noite”.

 Do nascer do dia, das fases da lua.

E no entanto, o Kariri Vivo no modo das pessoas se organizarem.

O aviso do Vimvim, Coruja, Bahia e Carcará.

Saber da véia d’agua no tabuleiro é uma tecnologia ancestral que preservamos. É essa herança que carregamos. 

É por isso, que estamos vivos.

E no entanto nossos avós silenciados gritando pro neto nas entrelinhas.

Escutamos.

E no entanto, você.

Eu.

O curumim que está sonhando.

O morador de rua com identidade negligenciada. Quantos Kariris dormem na rua devido um enorme memoricídio que reverbera a cinco séculos. 

                                                                           É medíocre negar a terra que tu vive e se alimenta.

É sobre #Abyayala

Tem um povo Kariri que pega peixe de rio com as mãos, como se fosse um só corpo. E esses peixes estão vivos. E esse povo está retomando.

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