‘És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho’

Por: Janira Alencar

Confesso! Tornei-me aquilo que eu mais temia: a mãe que pede, bem clichezona, para o tempo ir devagar. Acho que não tem um filho ou filha de amiga que não tenha sua fotinha estampada nas redes com essa frase-apelo. Sempre que as via, pensava que eu não ia querer segurar o tempo, pois não devia ter beleza maior do que assistir ao crescimento de um filho. Acompanhar cada mudança, cada evolução, cada nova gracinha e registrá-las todas no livro dos dias que são as lembranças de uma mãe. Até hoje, tendo por filhas e filho três ‘caba véi’, minha mãe se regozija recontando as peripécias de suas crianças (no caso nós), sentindo as mesmas emoções e alegria de quando as vivenciou.  

Hoje, embora mais do que nunca siga encantada com as belezuras promovidas pelo tempo no desabrochar de um filho, rogo para que ele vá devagar. Queria poder laçá-lo e mantê-lo às minhas rédeas, soltando-as a meu gosto ou revés. Tivesse eu esse poder, seguraria a minha corda-tempo nas manhãs de sábado, quando Tom acorda parecendo saber que aquele dia é de desfrute. Sempre de bom humor, gastando todo o seu repertório de sapequice, no sábado não há choramingo se o deixo no cercado enquanto preparo o nosso café. O laço da corda também se apertaria quando, depois de desbravar toda a casa, ele resolve que o melhor lugar para recuperar o fôlego é no meu colo, onde pousa poucos minutos, coração sincronizado com o meu, antes de buscar a próxima tomada, chinela ou gaveta de armário.  

O fato é que já se somam 18 meses de minha vida com o Tom; 9 com ele dentro de mim e 9 em que eu sigo dentro dele – corpo que se faz líquido para nutri-lo e inundá-lo de mim. Nesse ínterim, chegaram-se os balbucios e conversas em nenenês, os sorrisos têm a cada dia branqueado-se mais, as comidinhas passaram a ocupar boa tarde de nossa rotina. Vejo meu bebê extrapolar meu colo, mas isso já não é problema, pois ele domina seus movimentos a ponto de arrumar-se como mais confortável lhe parecer. Observo Tom experimentando o mundo e mostrando suas predileções por músicas, cores, sabores e pessoas. Três quartos de ano! Ele já ensaia seus primeiros passos e eu já prevejo os passos futuros: o primeiro aniversário, a chegada à escolinha, o primeiro banho de mar, os lugares aos quais quero ir com ele…   

Na maternidade, os dias passam devagar mas os meses voam! E, sim, dá saudade do que eles eram ontem e de tudo mais que ficou pra trás. Vejo meu bebê grande, ocupando cada vez mais espaço na casa, em nossas vidas e no meu coração, e tudo o que me vem à cabeça ao olhar para ele ou segurá-lo em meus braços é: tempo, vai devagar!

18 meses do Tom: 9 ele dentro de mim, 9 eu dentro dele.

Janira Alencar é Educadora e mãe do Tom, de 9 meses.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s