A VIDA E SUAS ESTAÇÕES.

Por Silvia Helena de Amorim Martins

Primavera se foi e com ela essa dor que se alojou no meu peito devagar

(Los Hermanos)

E de repente, nada mais que de repente estamos em Novembro e como diria Tom Jobim é promessa de vida para o meu coração. Quando observo a vida, rememoro Belchior que canta em forma de oração: “Vida pisa devagar, cuidado meu coração é frágil.” E como esses corações frágeis fizeram o caminho do herói em 2020, uma saga bem desafiadora na verdade, cercada por diversas crises: política, econômica, social, sanitária e existencial. Como ilustra Rodrigo Alarcon: “Pobre coração faz favor de se cuidar”. O coração guarda sentimentos, desejos e segredos muito profundos, nele habita tudo que é caro e importante, é interessante selecionar o que deve permanecer e o que deve dizer adeus, para abrir caminho para o novo.

(Agora só falta você!)

Los Hermanos já alertava: Primavera soprando para um caminho mais feliz, creio que a cota de sofrimento desse ano já foi alcançada, foram muitas perdas: de entes queridos, de projetos, de tempo e claro, de paciência. Rememorei a oração da serenidade: “Dai-me senhor a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar”. Mas caro leitor(a) e as coisas que nós podemos mudar? Depende de quem? Sempre adorei o filme: Efeito Borboleta, que aborda o quanto uma escolha que parece simples, pode mudar o rumo de uma história. Viver não é se (en) caixar. É não se adaptar, como nos ensina os Titãs: Não vou me adaptar!!!!. Reconhecer a grandeza de ser único, enfatizo que ser único, não é ser só, e que é possível fazer laço com quem abraça a nossa singularidade e compreende as nossas necessidades de existir, para fora, como afirma Heidegger ( Filósofo, escritor e grande pensador que acreditava que a verdade deveria ser desvelada e que o humano deveria ter uma existência autêntica).

Tudo vai mudar quando essa luz se acender… eu já sei cantar, quero aprender a voar, canta, Sandra de Sá. Chegou a hora de apanhar os caquinhos, e fazer algo com isso, reiniciar. Mas o que? Eu observei, e sou integrante ativa de um movimento de mudança, que poderia ser nomeado como: Já basta! Já deu! Já foi! Não dá mais. Que tem como objetivo: apurar quem nós somos. Creio que ao passo que amadurecemos, nos tornamos mais autênticos. Ao nos depararmos com a finitude, entramos em contato com o mais profundo do ser e passamos a fazer escolhas que parecem pequenas, mas muito relevantes, que apontam para grandes mudanças. Isso me lembra Rita Lee: Um belo dia resolvi mudar e fazer tudo que eu queria fazer!!!!! Será que não é hora de se libertar daquela vida vulgar? Será que não é hora de colocar sonhos em prática? Eu observei várias pessoas dando o primeiro passo: fazendo tatuagens, se libertando do anticoncepcional, mudando hábitos alimentares, falando o que pensa, fazendo transição capilar, terminando um relacionamento, iniciando um romance, dentre outras decisões que apontam para uma vida mais autêntica. Tomando posse de si, se aventurando.

Então, que tenhamos o que é preciso para mudar, desconstruir e reconstruir novos modos de vida, que abarque as nossas necessidades, reconhecendo o nosso papel naquilo que nos queixamos. Assumindo uma postura ativa, diante da vida e se responsabilizando pelo que é escolhido e pelo que foi deixado para trás. E se não der certo? Não deu! Faz parte da vida, acontece nas melhores famílias. Mas quando o coração grita, pela mudança e essa sensação é maior do que o medo de mudar, são grandes as possibilidades de êxito. Ademais não tem preço estar confortável na própria pele que habita, que é o primeiro lugar que ocupamos no mundo.  Não esqueçamos que a tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de colher. O que deve nascer na sua vida? E o que deve morrer? O que deve ser cultivado? E quais frutos você espera colher? Nos vemos em breve!! Um grande Abraço!!

Silvia Helena de Amorim Martins

Graduada em Processos Gerenciais. Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Graduanda em Psicologia. Muito grande para se (en)caixar em lugares pequenos!

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