Anticorpos

Rafaela Lima

Uma seleção des-natural segue em vigor nesse País de des-presidente, usando as palavras do líder indígena Ailton Krenak uma “idéia de fim de mundo” se assenta em nossas casas, a sub-humanidade caminha em direção a um colapso. 

Segue em decreto a higienização de mundos e classes sociais, da higienização do corpo/território, dessa mera matéria em degradação à higienização de corpos/vidas/famílias enquadradas em parâmetros de desigualdades; segue também em vigor a higienização de pré-conceitos, ideais, crenças, princípios, des-importâncias e opiniões eurocêntricas que agora nada movem e nada salvam. 

Criemos e reinventemos nossos anticorpos, desinfetemos desses anticorpos desvirtuais, des-humanos, seletivos, desiguais, carnais, centrais, ante a vida. 

Recriemos nossa existência que deságua pelas mãos e bocas enquanto esta ainda segue em vigor. A seleção des-naturalizada caminha em ondas bruscas e a eliminação de vírus humanos ou dos humanos vírus começa pela saliva, veneno do corpo em eras pandêmicas. A ordem é: transmute em casa; recrie seus anticorpos.

Rafaela Lima é artista de dança, performer, pedagoga, especialista em Gestão Cultural, integrante da Cia Balé Baião, Produtora cultural no Galpão da Cena e Artista docente na Escola Livre Balé Baião (escolas da cultura do Estado do Ceará)

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