Outros possíveis #arteondeestiver

Roberta Bonfim

Hoje farei diferente! Ou do mesmo jeito!

Hoje…

Hoje darei aula pela manhã e gostaria que a aula e esse texto fossem iguais. 

Mas, como?

Assim:

Começo a aula pedindo para que Silvia (monitora musical) coloque uma música. 

Quando a música acaba, eu respiro e me apresento:

Oi Turma! Sou Roberta Bonfim, uma ArteVista em exercício e mãe da Ana Luna. Essa foi a definição mais próxima de mim que achei. E que fala sobre o todo que nós construímos. Inicio agora minha relação formal com a psicologia, ainda estamos naquele momento de paquera, ela me olha e me questiona, eu a observo e a indago, e assim, temos nos aproximado. Minha orientadora, Karla Patrícia, a professora generosa desta disciplina, grata.

Então, peço que Silvia (a monitora musical), coloque a música Não Recomendados, do trio de mesmo nome.

Essa música se fortalecia e se fortalece nas vozes de Caio Prado (compositor), Diego Moraes e Daniel Chaudon, e de todos que a cantam com identificação, assim, como se identifica com minha alma que foi impulsionada pela liberdade deles, desde sempre. Grata seus ArteVistas lindos que eu amo. 

Eu morava em um prédio que chamamos cortiço, em santa Teresa- RJ, quando todos juntos pensamos sonhos, vivemos realidades diversas, cantávamos na sala, ônibus, praias e andando na rua, pulsamos aos muitos sons trazidos pelos Mistérios do Planeta. Grata Moraes Moreira. E assim, nasce a Lugar ArteVistas. Deixo aqui o site para que se deliciem.

https://lugarartevistas.com.br/

Em 2018 comecei a entrar em crise, pois a Lugar passava e se relacionava rapidamente com os lugares, falava sobre ele, mas não o vivia, não acompanhava o percurso, sei lá. Não deixava nada de concreto que fosse uma agradecimento ao lugar por existir e ser. Lembro aqui que entendo a todos nós seres, também como lugares. E daí encontrei uma foto da minha mãe com o bucho nas tampas, na ponte, e lembrei que durante toda a minha vida a ponte velha sempre esteve, seja como frequentadora, na infância com a família, na juventude com os amigos, lembro que houve uma época, quando ainda havia moradores na ponte, em que eu ia pra lá sofrer, chorar. Alguns diziam que era perigoso, mas sempre me senti segura ali.

E foi assim que pedi o contato de Marilac Lima à minha comadre Mayane, amiga de Jéssica, filha de Marilac… E daí conheci Isabel Lima e pronto, o encanto aconteceu. Bonito de ver a dedicação delas em prol do Lugar. Sempre me emociono! E elas foram só a entrada para eu conhecer e me encantar por tantos seres iluminados e… ArteVistas em exercício, como eu. Assim nos identificamos, uns mais, outros menos, mas vamos cada um no seu tempo e com respeito buscando caminhos. E então, finalmente chegamos na questão, a psicologia comunitária. E aqui preciso lembrar que estou chegando agora no universo psicologia, de modo que aceito de bom grado, toques, textos, papos, sugestões…

Vamos lá:

No que consiste a Psicologia Comunitária? No que consiste? São questões que me vêm apesar e enquanto faço as leituras dos textos que me apresentam a teoria, mas a prática dessa psicologia no que consiste? O que faz você aí, que me vê e/ou ouve, lê… o que faz você estar aqui? A grade acadêmica, ou o desejo de somar ao outro? 

Depois de algum tempo consegui fazer uma definição oral do que seja Artevista – um agente social, que vê a arte como caminho para transformações. E daí você me pergunta: e o que é arte? E eu que entendo que somos lugares, me dou o direito de entender que arte é. 

Respirar é uma arte? 

Amar é uma arte?

Se relacionar é uma arte?

Ouvir é uma arte?

E falar, é arte?

E tem o teatro, a dança, cinema, artes plásticas, música.

Aqui é minha deixa para saber se alguém que ouve deseja compartilhar uma música. Se não, peço para minha colaboradora Silvia (monitora de som) colocar Rhaissa Bittar, quando dou um passo o mundo sai do lugar.

Então em 2019 eu já andava com bastante frequência no Poço da Draga, onde pude fazer junto com a ONG VelauMar encontros com moradores, para pontuar ações que os moradores acreditassem relevantes, em setembro ainda mais, com o Festival Além da Rua, do qual eu estava assessora de comunicação. De lá pra cá os laços de afeto e respeito se fortalecem e o resultado é que, eis o meu objeto de estudo aqui no mestrado, essa relação artístico afetiva com o Lugar Poço da Draga e os resultantes desse lugar de escuta para geração de novas ações, a partir das necessidades e solicitações dos moradores.

Nesse caminhar já vivemos alguns momentos mágicos, como a pintura de 30 carrinhos de ambulantes, realizada pelo artista plástico Doug Grafite, residente no Poço da Draga. A pintura de 23 casas, oficina de culinária com a chef Clara Freitas que apresenta no nosso quadro #artenacozinha, onde conversa com cinco cozinheiras importantes na cidade. Mas, também, ações como o Baú de Leituras, que tem como público alvo as crianças, e o projeto Invenção do Lugar, dentre tantas outras ações, que pretendemos organizar em arquivo e mesmo em programação de cunho online, tendo também como público alvo os moradores do Poço da Draga e outras comunidades. Iniciamos com as contações de histórias, as terças feiras, com as Trovadoras Itinerantes e a Escola de Narradores, onde trazemos a foco a oralidade, os contos e palavra.

Todos os ArteVistas com que trocamos na temporada passada, convidados para trocar com Poço da Draga, então penso que seja hora de começarmos a pensar caminhos, que podem e devem ser digitais, a fim de evitar aglomerações. Felizmente os números estão melhores, esperamos que só caiam, mas por hora ainda estamos em meio a uma Pandemia, cuidemos de nós, cuidemos dos nossos. 

E o que fica claro pra mim a cada nova troca, ação, ida lá, o que não tenho feito presencialmente desde o início da pandemia, é que os laços se fortalecem. Seu Chico, já me diz que estou gorda, e para outros virei a Tia. 

Lembro que no ato da pintura das casas, estava pintando uma casa de um pintor que a princípio tava meio desconfiado e logo estava já pintando a casa do vizinho, e onde éramos 18 ou 19 viramos inúmeros, daí o outro trouxe o som, a outra oferecia água e Izabel fez almoço pra geral. O que quero dizer com isso é que não precisamos fazer muito, mas é urgente que assumamos as responsabilidades pelo social, onde vive o comunitário. Já não cabe encontrarmos culpados, é preciso que arregacemos as mangas em nome das pequenas transformações, que geram outras. 

Agora na Pandemia , Doug e mais uma galera do Poço da Draga, deixaram tudo ainda mais bonito a partir do grafite.

E se você também quiser chegar junto entra em contato no contato@lugarartevistas.com.br ou fala direto com Marilac Lima da VelauMar. Toda ajuda é boa, como diz os incríveis da Associação Anjo Rafael que segue fazendo um trabalho de amor.

Roberta Bonfim é atriz, jornalista e agitadora cultural, idealizadora e realizadora da revista eletrônica cultural Lugar ArteVistas – arte onde estiver. Escreve às segundas no Lugar a mãe que sou e às terças sobre a revista Lugar ArteVistas.

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