Independe

Por Roberta Bonfim

Quando me programei para escrever esse texto coloquei como título “As Tradições”, pois ele sobe no dia 07 de setembro, quando se celebra… Preciso pensar para lembrar a razão de ser feriado neste dia. Depois de uns 40’ chego a um veredicto, mas busco no Google, para me certificar antes de compartilhar. E para o meu alívio, eu não estava errada ao pensar que a data celebra a Independência do Brasil. Não me julgo por não lembrar de imediato e olha que desfilei na escola levando bandeira, cantávamos o hino do Brasil e o da bandeira, enquanto a mesma estava sendo hasteada. Sou fruto de uma gama que foi treinada até uma idade para entender a importância de uma data que eu pouco ou nada entendia, mas celebrava. 

  • Uma conquista! – Pronto! Pensar que havia sido uma conquista já me bastava para celebrar.

Quem me conhece sabe do meu apreço por celebrações, pois como sempre digo, vim pra essa vida de turista, o lance é que cai em um mundo que por vezes não está de acordo comigo, ou meus modos. E em um sistema que prega a falta, e desperdiça uma fartura. Ou eu que estou ainda com pouca percepção sobre mim, e como mesmo escrevendo aqui, e escrevendo todos os dias, ainda é menos do que gostaria, o tempo que tenho para este prazer, esse lugar que tira de mim sentimentos tão profundos.

Possivelmente não saibam, mas já escrevi dois livros do início ao fim, nenhuma obra prima da literatura, mas se pra caber na poesia é preciso uma árvore, um filho e um livro, já alcancei a tal da felicidade… mais o quê? Muito o que celebrar! – Pois sou mãe da filha mais maravilhosa que eu poderia merecer, já plantei algumas árvores e escrevi dois livros, e tantos textos que certamente dariam mais algum. Eu que antes da maternidade acreditava que escrevia para não ser em absoluto esquecida, hoje é porque somos tão bem lapidadas e eu fui ficando tão medrosa, que escrevo para tentar descobrir dentro desses eus que dividem esse corpo, quem sou nessa interseção, que ainda não estou certa se administro bem. rs

O fato é que escrevo e nesse escrever escrevo-me também, e assim, talvez, eu me entenda melhor, ou consiga destravar as portas sem precisar voltar pro outro lado dela. O sonho de vencer os gatilhos emocionais sem ser assertivamente atingida por eles. Isso de viver, eu como ser solo eu já conseguia minimamente existir nesse lugar de ser e de habitar-me. Mas com a maternidade tanto mudou, que agora vez ou outra me vejo perguntando onde estão alguns pedaços de mim, pois para que haja um real equilíbrio todos que me habitam precisam estar acordados e cientes dos caminhos escolhidos para serem trilhados. 

Minha sorte, é que sou mãe de uma criança tão maravilhosa que deixa esse lugar da maternidade um aconchego de prazer em grande parte do tempo. Mas, lembro a quem acompanha meus textos que tem parte disso que é resultado do exercício da rotina, da plena repetição, até que se automatize e para tanto precisam que nós, os “adultos”, os “grandes”, ajudemos as crianças a estabelecerem alguns padrões e isso muda em absoluto as nossas próprias rotinas. E mesmo aquelas que neste momento seriam incríveis, ainda me questiono se não vou estragar a memória de um lugar. E começo a rir, observando a extrema necessidade de controle sobre o que só saberei vivendo. Um dispêndio inútil de energia. Agora quando me pego no flagra, troco uma ideia comigo e se necessário com Ana Luna.

Hoje mesmo, tivemos de bater um papo real sobre o fato de ela gritar, genteeeeee ela tem uma gargantaaaaa… e meus ouvidos são muito sensíveis, então essa combinação é o ó. E daí hoje acertamos, e assumo que uso neste momento a autoridade de mãe, mesmo sentada na mesma altura e falando baixinho, de dizer que se ela berrar terei de deixá-la no quarto para pensar um pouco. E lógico que ela me coloca a teste e eu preciso cumprir o que acabará de prometer. Estamos falando de 7 horas da manhã e Ana Luna berrando valendo e eu muito tranquilamente aguava as plantas até ela se tranquilizar e pedir desculpas pela cena. Fácil? Não é? Nem sempre seguro tão de boas, mas faz parte desse lugar de ser mãe, de estabelecer os limites, os tempos, momentos, e tudo com o máximo de amor. As três frases mais repetidas no dia aqui é casa, são: “filha, ajeita as pernocas” – “como tratamos quem amamos? Com beijinho, carinho e amor!! né?”e para fechar, “eu te amo meu amor da minha vida!”que em momentos de good vibes, me rende bons abraços, beijinhos e denguinhos. Há dias que ganho até um chamego. E lá, agarradinha com ela, penso palavras que poderiam ser escritas e nunca serão, pois mesmo eu amando muito escrever amo mais ainda viver meu tempo agarrada com ela, vivendo nosso amor!

Agora, enquanto escrevo, vejo meus diários e penso e agradeço pelas vezes em que eles me lembraram e me lembrarão de quem sou e das histórias que carrego, e pela chance de viver este já, em que coloco o último ponto.

P.S. Gostaria de trocar uma ideia com as mães que somos? Deixa os comentários aqui embaixo.

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