A dor e a delícia de ser mãe… de três!

Inicio esse texto afirmando que, ser mãe é realmente padecer no paraíso, tenho dito que nunca havia pensado que seria mãe, muito menos de três… 

Em minha casa os denomino como: Davi, o Rei! João, um príncipe guerreiro, desses que estão sempre à frente na batalha, e Marina, uma linda princesa. 

Davi, o Rei! João, um príncipe guerreiro, desses que estão sempre à frente na batalha, e Marina, uma linda princesa. 

Quando fiquei grávida do Davi, aos 18 anos, muito imatura, me veio uma alegria e um medo, afinal, não cuidava nem de mim direito, mas desde que o segurei em meus braços  senti que, naquele dia, nascia também um novo eu. 

Desde então, muitos desafios.. Passamos 5 dias internados até ele ser liberado para casa, lembro-me que ao sair do hospital, em meio a despedidas e agradecimentos às enfermeiras, elas diziam: “tchau, chorona, vai dar tudo certo!”. Sim, eu chorava muito. Foi desesperador saber que aquele pequeno bebê era meu. 

5 anos depois, lá estava eu, durante a festa do Rei Davi, anunciando que ele seria promovido a irmão mais velho; mal sabia ele que ganharia uma priminha também. Bruno, como sempre, fez o anúncio para todos depois do parabéns e eu lembro (dando risadas nesse momento) da expressão de cada um. 

De longe, essa foi a gestação mais tranquila, eu me sentia mais preparada para o que estava por vir, mesmo com medo por saber que não teria minha rede de apoio – Tia Neta, Fátima, Hiá e Ilma – por perto, mas confiante no “vai dar certo”. E, sim, foi tudo maravilhoso! João nasceu forte e saudável em pleno mês de férias, o que me possibilitou ficar o puerpério na casa da minha sogra tendo toda a ajuda necessária. Após 30 dias, voltamos pra nossa casinha longe da cidade e, por incrível que pareça, consegui dar conta do Davi, do João e da casa, sozinha. 

Assim, seguimos firmes e confiantes, até que 1 ano e pouquinho depois, veio a notícia que chegaria uma moradora linda pra nossa casinha. Marina, minha princesa, veio de brinde. Foi desesperador descobrir que vinha outro ser, dessa vez sem nada programado. Pobre Mayane, mal sabia que o desespero dessa descoberta nem chegaria perto do que viria pela frente. Quando descobrimos a gravidez, eu já estava com 13 semanas. A gestação, por sua vez, foi bem tranquila, porém ativa, muito ativa, afinal já cuidava de outras duas crianças sedentas por atenção. 

Pouco tempo depois, soubemos que seria uma menina, o que aliviou bem mais o desespero. Imaginem só a loucura que é desconstruir esses dois meninos, tirar a raiz das brincadeiras machistas, ensinar o importante lugar da mulher na vida deles, e várias outras coisas que luto e acredito para que o mundo seja melhor para minhas meninas, Ana e Marina. (Ana Luna, minha dindinha que amo,  meu coração sente quando falo sobre você. E digo mais, é a menina mais inteligente que eu já conheci, e sempre digo que a vi em meus sonhos antes de ela ser). Foi a partir desse dia que comecei a aceitar o fato de que teria mais um bebê, cuidando de outros dois, afinal, um é pouco, dois é bom e três é demais! 

Já sabia que não daria conta sozinha e que iria precisar de ajuda para quando Marina chegasse. Pelas contas ela chegaria em Abril, mês de aulas, Davi não podia perder, já sabia que não daria conta da prole, nosso puerpério seria em casa, eu, ela, Bruno e duas outras crianças.

Março de 2020, e a Pandemia chega ao Brasil, tivemos de cancelar o planejado chá de fraldas e, nesse momento, bateu o desespero de não saber o que viria e como seriam os próximos dias, nem nos meus piores pesadelos eu imaginava que tudo isso fosse acontecer. 

Por conseguinte, Davi teve férias forçadas e, no início da quarentena, foi para a casa da avó, onde permaneceu por uns 60 dias. Enquanto isso, passei 20 dias isolada antes de Marina nascer.

Chegou o grande dia! 07 de Abril de 2020, nesta manhã não havia nenhum caso confirmado de COVID no município onde Marina estava programada para nascer. No dia seguinte, primeiro caso confirmado. Enquanto eu e Marina aguardávamos alta, João tinha ido passar uns dias na casa da avó, entretanto ela não deu conta de toda a energia do príncipe guerreiro e o mandou de volta o mais rápido possível. Confesso que, a essa altura do campeonato, parece que faltavam dois pedaços de mim devido ao silêncio que reinava nessa casa, este que hoje só vigora após às 21:30h, e esse é o horário que mais agradeço, porque é quando vejo que consegui mais um dia e, cá pra nós, esses dias duram 72 horas. 

João sobe e desce brincando de homem-aranha, quando corro pra tirá-lo da grade, que já foi escalada por ele pelo menos 1 metro e meio em tempo recorde, Marina chora, enquanto isso Davi pede pra fazer uma boquinha e, pá, João já está subindo na cama de cima da beliche e eu corro pra acudir. Preparo almoço, alimento as crianças, hora do banho pós refeição; o sono da tarde nessa quarentena já não existe mais, e no meio de toda essa correria, tenho 30 minutos de sossego quando paro para amamentar. 

Sim, ser mãe é maravilhoso, mas dói. 

Dói saber que o mundo que vivemos é tóxico.

Dói saber que eu preciso fazer deles pessoas melhores, que preciso que eles entendam que o mundo é melhor pra quem estuda, e várias outras coisas que minha mãe e pai já diziam e eu não queria entender. 

Minha casa? É cheia de vida, os enfeites trocam de lugar com frequência, as prateleiras não têm mais livros, meu fogão é gasto pelo uso, meu sofá precisa de mantas, no meu quarto dormem 5 pessoas, a vida vira do avesso, mas no fim de tudo a gente descobre que o avesso é o nosso lado preferido. 

Agradeço muito por todas as pessoas que me ajudaram nessa caminhada, desde o nascimento do Davi até os dias de hoje, foram peças fundamentais pra gente conseguir chegar até aqui, sozinha seria impossível, enquanto escrevo tudo isso, um filme de tudo que já foi vivido até aqui passa em minha mente, e eu só consigo agradecer  por esses três seres incríveis e lindos que a mim foi confiado. 

Roberta, obrigada pelo convite. ❤️

Com amor, Mayane.

Mayane Andrade tem 26 anos, mãe de três e vendedora de tudo e qualquer coisa nas horas vagas, de Fortaleza, mas fugiu para uma vida mais tranquila no Aquiraz

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