Como mudei minha alimentação

Matheus Prestes.

Meu primeiro texto. Por onde começar? Vejamos, fui uma criança (com bronquite), um adolescente (com acnes) e um adulto (com coriza) comum. Quero dizer que minha alimentação não devia ser muito diferente das outras pessoas. Ou era! Enfim.Tinha como fonte de energia e matéria prima das minhas células e tecidos o trigo e seus derivados, os lácteos, o açúcar, balinhas, chocolates, miojo e outros alimentos que se mantinham por meses numa prateleira sem que a ação do tempo os abalasse. Nem uma ruga sequer! Lembro até hoje da primeira vez que comi uma bolacha Bono de doce de leite, ela havia sido recém lançada. Imaginem! O famigerado doce de leite vinha agora entre duas camadas de muito trigo (olhem ele aqui de novo) mais açúcar, um tanto de cacau e algo que junto dos pós brancos tinham o poder de potencializar a característica viciante dos doces: a gordura trans! Foi amor a primeira mordida. Ou melhor,dependência! E posso dizer? Eu amava tudo aquilo. E quando eu disse dependência eu não estava falando no sentido figurado não. A indústria de alimentos gasta milhões de dinheiros em pesquisas e sabe muito bem que o tripé sal-açúcar-gordura está no mesmo patamar de outras drogas condenáveis pelo sistema no quesito “poder de vício” mas como existe o lobby e muita politicagem, ah…deixa esse assunto pra outro momento. No meio de um mundo de possibilidades que a Terra estava me ofertando eu decidi restringir minhas opções a poucas páginas do cardápio. Lia apenas as da seção “industrializados/processados”. E tive grandes apoiadores e incentivadores, entre eles a famosa marca Nestlé que produzia as melhores e mais viciantes guloseimas. Salada era persona non grata na minha mesa. Pão branco e macarrão (trigo), uma derivação do mesmo carboidrato refinado com pouquíssimos nutrientes, foram meus melhores amigos até uma década atrás. Quando fui morar em Milão,Itália, em 2001, acabei convivendo com um argentino de Córdoba por 11 meses. Era um louco de pedra que amava churrasco. Fazíamos vários, até parados pelos carabinieres (policiais) uma vez fomos por estarmos assando uma carne numa das ruas da cidade. E foi nessa viagem louca com esse personagem de gibi que meu cardápio começou a se abrir e ampliar meus horizontes em relação à comida. Folhas verdes, pimentões vermelhos, repolhos brancos, cenouras laranjas e uma diversificada paleta de cores pintavam meus pratos e me traziam nutrientes que se tivessem sido analisados antes, poderiam estar em falta naquele corpinho jovial. E claro, muita tinta roxa era vertida goela abaixo enquanto saboreava a culinária argentina-italiana. Voltando para Terra Brasilis depois de meses ensandecidos, eu trouxe na bagagem novos gostos que acabaram criando raízes em mim, mesmo que envergonhadas. Segui com minha dieta limitada mas pelo menos agora haviam alguns alimentos em minhas refeições que não tinham sido produzidos por máquinas e sim pela mais alta inteligência amorosa existente que é o poder superior. Segui assim visitando supermercados e farmácias até 2013/14 onde alguns eventos foram reverberando e provocando curiosidade em mim. Um deles foi a visita de minha mãe e de meu irmão a uma nutricionista. Ambos na época estavam com sintomas, digamos quase crônicos. Mãe tinha dolorosas enxaquecas e outros distúrbios intestinais, irmão estava sofrendo de ácido úrico, mais conhecido como gota. Bom, foram os dois e como moramos em cidades distintas, quando os reencontrei eu fiquei surpreso com as mudanças e perguntei sobre a nutri. Só de pirraça resolvi ir lá também, não tinha nenhum sintoma que me incomodasse tanto, fora a coriza que insistia em me acompanhar,as dores de cabeça que chegavam sem avisar,outras estruturais como nas costas, e as amídalas que de tempos em tempos, gostavam de me lembrar que elas realmente estavam ali no fundo de minha garganta, enfim, viram que eu não tinha nada né?! As vezes, tomados pelo dia a dia a gente acaba se acostumando em carregar na pochete coisas que não somam na vida e quando percebemos lá estão, na mesma pochete, o Rinosoro (quando não um Aturgil, droga pesada!) o Omeprazol, a Aspirina,o Cinema e os Urubus todos. Afff! Estamos até aconselhando a pessoa da frente na fila do pão qual o melhor anti inflamatório pr’aquela simples dor de garganta. Fiz questão de levar minha companheira junto na primeira consulta, ela também não sentia nada, assim como eu…só uma queimação semanalmente que a impedia de comer certos alimentos. Chegamos, cumprimentamos e nos sentamos. A nutri nos olhou, nos apalpou, nos interrogou e constatou: vocês estão cheio de bactérias ruins, vamos fazer umas mudanças aí. De cara ela pediu para cortarmos açúcar, farinha (lembram dos meus melhores amigos lá de cima?) leite e derivados e soja. Eu de cara, sem a menor humildade para receber uma informação nova, me protegi e disse “Quê qui é isso? Cortar açúcar? Imagina, eu adoro sentar com a Bi pra ver um filme e um prato cheio de brigadeiro no colo pra comer com aquelas colheres bem pequenininhas (que assim dura mais)”. Só faltou eu me levantar e chamar a nutri de doida. Mas fiquei e ouvi tudo. Saindo do consultório já comecei a criticar que “onde já se viu uma coisa dessas?”, “eu tô super bem!” e etc. Acontece que sou cabeça dura no início mas graças ao bom universo sou permeável. Passado um tempo pensamos melhor no assunto e resolvemos tirar,ou melhor, diminuir o consumo de alguns alimentos. E não é que mudanças começaram a ocorrer?: Primeira coisa que mudou foi o funcionamento do intestino, começou a parecer que usava relógio. Diminuímos mais e mais e mais e a vida começou a mudar. Pro positivo. Foi aí que eu, curioso e geminiano por natureza(leia inquieto) comecei e me interessar pelo tema da alimentação e não parei mais. E falando em parar eu vou ficando por aqui pois se deixar eu sigo noite adentro ou até que os olhos fechem involuntariamente. Já ouviram aquela frase “fala mais que o hómi da cobra”? Prazer! Matheus Prestes. Até logo menos!

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