Uma realização Pessoal

Por Roberta Bonfim.

Desde que fiquei grávida, dizia que queria viver os primeiros dois ou três meses da minha filha de modo bem privado, quem tava perto sabe que a realidade foi bem diferente, e os primeiros oito meses estivemos na casa da minha Vó. Que nos tratou, sempre muito bem, mas que é casa de Vó, e qualquer mãe entende o que eu estou dizendo, dadas as suas proporções. 

Depois veio a correria da vida, os mil projetos, o sonho Lugar ArteVistas – arte onde estiver, e por vezes levava Ana Luna comigo, e contei muito com minhas comadres Katiana e  Gabriela, além de Sheyva, Dina Lúcia, Joyce e Juju, que seguraram uns dobrados com o super amor de fofó e os escândalos cênicos de Ana Luna (minha filha), que até hoje testa os pulmões quando não consegue colocar as letras na caixa de encaixe, ou quando não dá conta do quebra-cabeça, ou ainda quando faz algo errado e percebe que eu vi, e isso terá a consequência de dois minutos no cantinho do pensamento. 

O tempo passou Gabi teve o índio branco mais lindo que é meu afilhado, Salomão, e daí pensei que ficaríamos só eu e Ana Luna, e eu mudaria um pouco mais a velocidade da vida, mas certamente seria incrível. Mas, preciso alertar que estou em lugar privilegiado, que me possibilita diminuir o tempo para tá mais com minha filha. Mas, logo Meire chegou para somar aqui em casa e me auxiliar com a rotina de Ana Luna. Há quem diga que sou general, mas, aqui em casa temos nossas rotinas e cada vez mais cuidamos para que sejam mantidas, pelo bom funcionamento da mesma.

E se eu acredito que tenho tempo, logo descobri mil coisas para fazer, e gosto, ou pelo menos sempre gostei desse ritmo louco de viver, antes da Ana Luna eu não tinha nenhum problema em virar quantas noites fossem necessárias para que o projeto acontecesse da melhor forma possível. Com o nascimento de Ana Luna, mudei, por opção e necessidade o ritmo da vida, mas ele ainda está bem acelerado e de noite quando chego em casa, por mais que eu me esforce há dias em que eu estou verdadeiramente exaurida pelo dia, outras vezes até seguro a onda, mas quando vou colocá-la pra dormir, acabo dormindo junto.

E então vem o agora, vem como um vírus bizarro, mortal e de rápido contágio, vem gerando tantas coisas, que eu nem sei, porque fiz a opção de não acompanhar notícias. Aproveito o tempo e por ele, o tempo agradeço, pois passar 24 horas por dias coladinha  com minha filhota, cuidando das nossas plantas, livros, brinquedos, casa e nossa gatinha Clarice Lispector. Eu e ela e nossa parceria de existir juntas nesse plano terreno. -Neste instante ela dorme no sofá, aqui ao meu lado. E eu me divido entre assistir o programa que entra no canal amanhã e escrever este texto. 

Existiam outros temas, talvez até mais latentes, mas senti a real necessidade de agradecer ao universo por nos oferecer esse tempo para nós. Aqui não precisamos até o momento inventar nada extraordinário, pois o simples fato de estamos juntas já nos deixa em pleno estado de euforia. E então, pela primeira vez em dois anos ficamos só eu Ana Luna e Clarice, não sabemos exatamente por quanto tempo, mas é certo de que é e será um rico aprendizado. E é claro ligamos para os nossos sempre que possível, para matarmos saudades, sabermos como estão, e lembramos a eles e a nós que existe muito amor, aqui, ali e onde estivermos. Arte e amor, onde estivermos! Assim seja!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s