Vamos fazer um amorzinho?

Por Indyra Gonçalves

Escolhe a playlist, prepare o ambiente que hoje o sextou vai ser para fazer um amor gostoso. Na verdade, todo dia é dia de amar, namorar e curtir com quem te faz bem, dá tesão e te faz feliz. Vem chegando, relaxa, abre a mente que o papo de hoje é sobre sexo. Porque sexo é bom e faz bem para a pele, alma e para vida. E sexo na juventude, nossa, é ainda melhor.

O gatilho do papo desta sexta tem dois motivos: eu amo falar sobre sexo e quero aproveitar para fortalecer o debate crítico sobre a campanha do Governo Federal nomeada como”Tudo tem seu tempo: adolescência primeiro, gravidez depois“, que prega abstinência sexual para os jovens contra a gravidez precoce.

Antes de seguir, quero deixar claro que é muito importante que os governos promovam ações, discussões e conscientização dos jovens sobre gravidez precoce. Esse é um papel importante do Estado. Mas claro, as campanhas devem ser feitas pelo viés educacional, como uma pauta de saúde pública, com conversas francas, sem tom religioso ou moralista como é o caso do governo federal, que em uma nota tècnica do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos aponta que começar cedo a vida sexual leva a “comportamentos antissociais ou delinquentes” dos jovens e “afastamento dos pais, escola e fé”.

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Jovens, escutem, transar é incrível. Transar na juventude é ainda mais intenso e gostoso. O sexo tem mágica em todas as idades, na verdade. Ele se adapta aos mais diversos períodos da nossa vida, a como estamos relacionados conosco, com o nosso corpo e com o outro. Com certeza a maturidade nos proporciona mais conhecimento sobre o nosso corpo e desejos. As inseguranças são um pouco menores. A prevenção de doenças é bem maior. Com quem ou “quens” vamos transar acontece sem pressão. Mas antes de chegar nesse ambiente um pouco mais pleno, temos dúvidas, medos, poucas informações. Isso é normal. Vamos combinar que a adolescência não é fácil. E para este momento da vida de milhares de mudanças, inseguranças e dúvidas o melhor é apoio e conhecimento.

Então, vamos colocar conhecimento nessa conversa e falar da polêmica educação sexual nas escolas. Amados e amadas, por favor, ninguém aqui está propondo inserir na grade curricular dos adolescentes como fazer sexo. Desconecte dessa ideia ridícula e sem argumentos. Educação sexual é conhecimento. É esclarecer dúvidas sobre sexualidade. Essas informação e formação permitem cuidar, de verdade da juventude com alertas para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gravidez na adolescência e experiências sexuais traumáticas. Pedir (quase como uma obrigação) para um jovem não transar é o mesmo que sugerir o contrário. Acredite, eles vão transar mais e pior, sem informação e sem prevenção.

Daí a importância da educação sexual. Ela está ligada a vários ambientes sociais dos jovens. Diferente do que os fundamentalistas colocam, que esta é uma responsabilidade apenas da família, pelo contrário, este é também um ambiente de discussão e atuação que envolve educadores, escolas e profissionais de saúde. A falta de conhecimento, inclusive desde a infância, pode gerar cenários de abusos sexuais, realidade de muitas crianças de jovens no País. Uma matéria da Folha do ano passado, aponta que o “Brasil registra mais de 180 estupros por dia. O número é o maior desde 2009. Mais da metade das vítimas têm até 13 anos e três quartos conhecem o agressor”. É um número alto, alarmante e preocupante.

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O Brasil precisa de educação. Encarar as necessidades e as realidades da população com soluções que tragam dignidade, respeito e humanidade. O nosso país precisa de informação sem rodeios, moralismos ou fantasias. Atualmente, o Brasil tem 400 mil casos anual de gravidez na adolescência; quase um milhão de pessoas com HIV; cerca de 400 mil estupros por ano, desses 70% das vítimas são crianças. São mais do que necessárias ações com soluções para a nossa realidade. Pedir abstinência sexual é ignorar a imensidão de abismos sociais e problemas reais que temos. É andar por caminhos que não resolvem. Repito: os jovens não vão deixar de transar. Pelo contrário, vão transar mais e ainda mais desinformados. Bem, os resultados serão ainda piores.

A Organização das Nações Unidas (ONU) oferece orientação de como implementar nas escolas programas de educação sexual. Ela implica a necessidade de tratar o tema como ciência, logo, é fundamental a participação de profissionais da saúde. Para além da saúde, é importante levar em consideração questões de gênero e diversidade. O programa deve ter jovens e a família como protagonistas, inclusive, o ideal é que a estrutura seja pensada por ambos. É importante que sejam oferecidos dados científicos sobre gravidez precoce, doenças e as maneiras para prevenção. O tema pode ser abordado como for melhor para escola, a comunidade e os jovens, desde uma disciplina fixa a momentos específicos junto de outras atividades.

Fora do Brasil, a exemplo da Europa, a educação sexual é vista como normal e saudável ao cotidiano das escolas. A disponibilidade do assunto é inserida nos currículos para crianças e adolescentes de 11 a 13 anos. A abordagem é transversal, ou seja, não há uma disciplina específica. A educação sexual é inserida na grade de várias formas, especialmente nas aulas de biologia.

Uma dica muito boa, com roteiro bem elaborado, inteligente e necessário é a série da Sex Education, da Netflix. A produção traz, muito além do que adolescentes confusos com as relações, o sexo e o mundo, mas uma discussão ampla, com bons argumentos e pelo olhar de uma profissional, a psicóloga dra.Jean. A série mostra que o sexo ainda é um tabu para jovens e adultos. Uma das queridinhas da Netflix, a produção está na segunda temporada com muita informação sobre DSTs, as diversas formas de relacionamentos, as milhares de dúvidas dos jovens e claro, sobre sexo. Vale muito a pena assistir!

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Divulgação Sex Education Netflix

Transar é humano. É instintivo. É tão saboroso como um brigadeiro recém saído da panela ou água gelada no calor. É libertador, intenso e gostoso. Uma hora ou outra a vida vai te foder, esse momento não é bom, definitivamente, mas necessário, às vezes. Então, aproveite para transar agora. É maravilhoso sentir seu corpo no corpo de outra pessoa. Sentir o pulsar do desejo atravessando tudo o que você achava que controlava até perder o controle. É incrível olhar a si mesmo e o outro descabelados, suados, molhados. É delicioso ouvir o sussurrar do outro. São toques, abraços, tesão. Você se conhece, conhece o outro. Você goza. Acredite, a vida é maravilhosa e única, mas ela vai te colocar em abstinência de vários prazeres, amores.  Transe! É sempre uma descoberta inexplicável.

Aproveitem a juventude e depois dela também para transar. Busquem informação e caiam nos prazeres do sexo com responsabilidade, conversando com profissionais da saúde, entendendo os processos do seu corpo, do corpo do outro e com prevenção. Bom fim de semana!

 

 

 

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