Coisas de Tempo e Vento

Por Marcelina Acácio.

Quero começar me apresentando.

Sou uma ArteVista a long time a go, minha natureza ventaniosa me faz voar, daí eu voo e volto pelos ares, e pelas artes.

Foi em 2015 quando fui apresentada e convidada para integrar o projeto/sonho Lugar ArteVistas, naquele ano decidira deixar para trás a carreira nada promissora na administração, coisa para a qual não nasci, já que me descobri demasiadamente humana para exercer as funções que me designavam.

Levei um bom tempo acreditando que seria feliz tendo uma casa própria, trabalhando exaustivamente, com filhos e marido, sendo administradora de um lar. Essas coisas que a sociedade prega e você acredita.

No entanto, minha alma de poeta, nada feliz, e sempre inquieta me fez mudar o rumo do caminho. Sabia que a arte precisava de mim, e eu não poderia mais viver sem ela.

Hoje, com 31 anos, integro o coletivo de teatro feminista As Filhas da Mãe, escrevo poesias para não sucumbir, e escreverei a partir de hoje para o blog Lugar ArteVistas, escritas que chamarei de “COISAS DE TEMPO E VENTO”.

E a partir daqui, o que de fato interessa…

Confesso que levei dias pensando sobre o tema do meu primeiro texto para o blog. Pensar na escrita e desenvolver um texto é uma tarefa árdua, pois ela, a palavra, tem vontade própria, nem sempre sai quando queremos, mas quando necessitamos é que ela vem.

Aproveitei o feriado de final de ano e viajei para o sertão onde nasci, com o intuito de fugir da agitação da urbe, e voltar às minhas raízes.

Levei comigo “O Quarto de Despejo – diário de uma favelada” de Carolina Maria de Jesus, convicta que a leitura me ajudaria no processo criativo do texto, o livro é muito inspirador, sem dúvida, mas ainda não era sobre ele que queria falar.

Foram sete dias sem nenhuma comunicação, sinal de celular, ou mensagem pelo Whatsapp, Instagram ou Facebook.

Aproveitei para contemplar as pequenas coisas.

O trabalho das formigas, as cores do céu, as folhas que brotaram com as primeiras chuvas do solstício de verão etc. Eu não podia fazer nada, a não ser ver a vida acontecendo. A paz me era tão incomum que eu não sabia o que fazer com ela. Na observação, percebi que a matéria viva para a escrita é a própria vida acontecendo, e que é difícil diante da vastidão da vida eleger fatos para discorrer sobre eles, é preciso estar sensível para a delicadeza dessa descoberta.

Depois desta descoberta, recebi um presente de ano novo do João, meu sobrinho de 07 anos, depois de tê-lo feito uma pergunta, me respondeu:

– Eu não tenho tempo!

A resposta me estarreceu, ao que eu respondi:

– Mas o que você faz tanto para não ter tempo?

Ele imediatamente:

– Eu brinco com os cachorros, jogo, assisto desenho, brinco com o Gabriel e mais um monte de coisa.

As crianças sempre falam a verdade, porque dizem o que sentem, e senti, ouvindo o João, que era sobre o tempo que eu queria falar. O tempo é um Orixá, que detém a força da própria vida, nasceu junto com a existência do mundo, e todas as respostas estão nele, então, desejo que gastemos bem o nosso tempo, neste e nos anos vindouros. Feliz travessia para todos nós, e um próspero ano todo.

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